DICAS PARA O LAR

 DICAS PARA O LAR

Já faz um tempinho que, cheia de amor no coração, escrevi essas “dicas” para ajudar uma menina recém-casada, não sei se ela aproveitou alguma dessas “dicas” e, hoje, me pergunto: Será que isto ainda faz sentido?

COZINHA

1 – Economize Tempo:

a) Deixe potinhos na geladeira com temperos cortados: cebola, alho, salsa e cebolinha picados e, prontos para o uso;

b) Ou use os temperos desidratados;

c) Refogue com óleo, temperos e um pouco de sal uma quantidade razoável de arroz, coloque em potinhos e congele. Na hora de consumir, ferva água numa vasilha à parte, ponha o arroz descongelado na panela adequada, dê uma leve refogada (lembre-se de que o arroz já está com temperos e sal) , coloque a água fervente, se necessário acrescente mais sal e deixe cozinhar.
d) Lave bem as verduras e coloque de molho por meia hora em água com vinagre *1 litro de água + 03 colheres de sopa de vinagre ou uma colher de sobremesa de água sanitária* , deixe escorrer bem a água ou seque num pano de prato (já existe uma “máquina” apropriada para secagens de legumes) e guarde na parte de baixo da geladeira em sacos plásticos bem vedados (à venda nos mercados), não se esqueça de tirar o ar do saco.
A verdura limpa e seca conserva-se por um bom tempo na geladeira e, quando fizer uma salada, por exemplo, faça o tempero para que seja acrescentado na hora da refeição, individualmente, este procedimento manterá as folhas de alface e outras mais viçosas.

e) Carne assada, moída ou picadinha – podem e devem ser congeladas em pequenas porções, pois servem para fazer molho para macarrão ou como complemento.

2 – Frutas, legumes e verduras devem ficar na parte inferior da geladeira.

3- Não deixe vasilhas com sobras de comida, leite, etc. sem tampa na geladeira, cubra-as com a própria tampa ou com filme.

ROUPA (LAVAR)

1 – O sabão em pó deve ser bem dissolvido.

2 – Não misture roupas claras com roupas escuras ou de cores fortes como vermelho, amarelo, etc. ou mesmo com roupas escuras (preto, marrom,etc.)
3 – Somente as roupas de cores claras podem ficar por um tempo maior de molho, roupas “coloridas” , quando for realmente necessário deixar de molho por o menor tempo possível.

4 – Não torcer roupas de tecidos finos , o melhor é apenas espremê – las e, também, não pendurá -las, deixe-as secar sobre uma toalha de cor clara e sem estampas.
5 – Não esquecer de colocar o amaciante de roupas na máquina na hora de enxaguar e ao estender a roupa, procure sacudi-la bem, estes procedimentos ajudam muito na hora de passar.

ROUPA (PASSAR)

1 – Recolher e dobrar cada peça de roupa, pois assim a roupa não ficará tão amarrotada.

2 – Evite ligar o ferro para passar uma ou duas peças. Deixe juntar uma boa quantidade de roupa para passar, desta forma, economiza-se energia elétrica.

3 – Observe o tipo de tecido e programe o calor adequado ao tecido.

4 – Mantenha a tábua de passar roupas, forrada com o material que armazene calor.

5 – Antes de começar a passar a roupa, ainda com o FERRO DESLIGADO, verifique se a base deste está limpa, se ela não estiver limpa, passe uma vela ou esponja de aço – com o FERRO DESLIGADO. Atualmente os ferros elétricos , em sua maioria, são autolimpantes.

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LIMPEZA

1 – procure manter a casa sempre varrida, a cama arrumada, os objetos nos devidos lugares, isto facilita o serviço.

2 – Não acumule trabalho. Escolha um dia para fazer uma limpeza maior no(s) banheiro(s), outro, para sala e quartos, outro, para cozinha.

ATENÇÃONão use produtos de limpeza sem antes ler as recomendações do fabricante, isto é muito importante.
Leia sempre o manual de instrução dos aparelhos eletrodomésticos.

ETERNAMENTE

Quinta-feira, 27/03/2008

É proibido morrer em uma cidade da França

“O decreto do prefeito de Sarpourenx é um protesto contra a decisão da cidade vizinha de proibir a ampliação do cemitério para seus limites. Ele espera que os idosos tenham vida longa.”[Compilado do site http://video.globo.com – via – www.niu.com.br]

(UM POUCO DE GRAÇA PARA ANIMAR OS CORAÇÕES)

O decreto do prefeito, perfeito está,
e, mesmo sem saber se vai “funcionar,
aconselho a cada um a morar em Sarpourenx
e para sempre durar.
Eu sou a primeira
A para lá me mudar

O ENIGMA DO ENIGMA

Kaspar Hauser (Sobre o filme O ENIGMA DE KASPAR HAUSER)

Disse a esfinge: “- Decifra-me ou te devoro!” A lenda se reprisa e leva o medo a comandar o homem e seu destino, então, este segue tentando decifrar os enigmas alheios, quando, na verdade, não consegue decifrar os seus próprios enigmas.

Somos cegos ao óbvio, preferimos escutar o silêncio a ouvir qualquer grito, escondemo-nos atrás de nós mesmos, atrás de dogmas, de convenções, atrás de leis. Nós somos o verdadeiro enigma.

O que fazemos ao semelhante se ele é apenas “diferente”?

Somos únicos e não percebemos isto, porque não queremos ver as diferenças. Difícil é desmontar a estrutura montada, difícil é olhar o mundo sem usar as muletas dos olhares alheios, difícil é se afastar do refúgio primeiro – a caverna matriarcal e não se tornar prisioneiro voluntário de um cenário, tingido com tintas sombrias, denominado mundo.

O Enigma de Kaspar Hauser* traz à baila a realidade contingente do mundo e apresenta um homem confuso, agarrado a sua barra de solidão, forçado a tentar alcançar um caminho estranho , lançado numa floresta social que vai impor-lhe uma idealidade de valores existenciais tipificados.

Através de imagens, diálogos, fatos, jogos de luzes e movimentos, as possibilidades de representação de um contexto social movem-se entre o real e o imaginado.

O desenrolar da narrativa , pela linguagem cinematográfica, estabelece condições para que a própria personagem defina por palavras e atos como realmente vê o mundo, mesmo quando o curso circunstancial da história impõe-lhe mudanças de comportamento ou quando o contexto social insiste em anular-lhe a individualidade e o modo de ele sentir o mundo.

Os olhares, que primeiro pensam ver Kaspar Hauser, não pretendem vê-lo, na verdade sequer olham para o mesmo, são os olhares dos poderes e dos poderosos, são os olhares socialmente padronizados,cheios de curiosidade e total indiferença ao semelhante, que vão traçar o perfil histórico, psicológico e comportamental, desenhando-lhe uma silhueta sem alma.

O elemento diferenciador, dentro do mundo- caverna de Kaspar Hauser, era o cavalinho de madeira. Quem teria deixado ali o  cavaleiro e o cavalo?

Segundo Chevalier e Gheerbrant (Dicionário dos Símbolos).“…os psicanalistas fizeram do cavalo o símbolo do psiquismo inconsciente ou da psique não humana, arquétipo próximo ao da Mãe, memória do mundo, ou então ao do tempo, porquanto está ligado aos grandes relógios naturais, ou ainda, ao da impetuosidade do desejo.”

Enveredando pelo caminho da evocação simbólica, Herzog ergue a ponte entre o consciente e o inconsciente e faz ressurgir memórias, colocando, ante o espectador atento, a possibilidade do questionamento da postura e da atitude frente à vida, sobre o modo de ver o mundo particular e o mundo geral , instigando-o a ver além das aparências do que se move na tela e do que se move no mundo.

As imagens transmutadas para a tela, se vistas pela lente da reflexão e não pelo simples ato de enxergar, permitirão, certamente, uma leitura crítica resultante, não da questão meramente estética ou de umas das funções do cinema – entretenimento, e sim do lineamento perceptivo dos questionamentos apresentados.

Aproximando o espectador cuidadoso de uma postura crítica, por meio de associações simbólicas, por exemplo, o pássaro preso (primeira tomada) e o pássaro livre sendo alimentado por K.Hauser (tomadas posteriores); as frestas pelas quais é permitido ao personagem central ver o mundo, sem ser visto por ele, são recursos que fazem os pensamentos se convergirem para uma análise cuidadosa da trama central do filme: os equívocos nascidos de visões e percepções insuficientemente delineadas por uma sociedade impiedosa e pouco interessada em ver o outro (salvo uma única exceção- as dos que vêm o mundo com os olhos da igualdade e/ou desprovidos de preconceitos).

A ilusão de que Kaspar Hauser está sendo visto é pintada com pinceladas da curiosidade desperatada pelo que chega, mas são as intenções deformadoras destes olhares que apagam a ilusão, retirando as máscaras diluídas pela intenção ficcional.

Marionete nas mãos de muitos, a começar por sua caracterização física, o protagonista torna-se motivo de todas as formas de especulações que vão da sua origem até depois de sua morte, sempre na tentativa de decifrar-se o que para olhos vendados por convenções e juízos de valores transforma-se em enigma.

As versões sobre o seu passado e a sua origem transitam entre o ideal do cavaleiro das Novelas de Cavalaria; retomado pelo mundo Romântico, bem como, a origem nobiliárquica, roça o ideal do “bom selvagem” do pensador iluminista Jean-Jacques Rousseau e culmina com a negação do ser, colocando sua origem atrelada a dos reles mortais, inexpressivo e desinteressante para o jogo social.

Após sua morte, os cientistas tentam justificar ou explicar o inexplicável, no entanto, para o espectador cuidadoso, logo privilegiado, a esta altura do filme, a imagem essencial da personagem, permanece vitalizada e a autópsia a ser feita não é em Kaspar Hauser e sim no corpus da visão comportamental de uma sociedade que não consegue perceber, não consegue sentir, restando-lhe então “alegrias” da lavra de um grande processo e a imagem da empáfia com seus enormes óculos escuros a tentar justificar-se por meio de necrópsias.

Kaspar Hauser e sua perpcepção do mundo derrubam conceitos científicos, ironizam o estabelecido e apontam o jugo do saber científico que, quase sempre, não admite novas formas de pensar, este é um grande trunfo de poder, por isto é domínio de poucos.

Quem realmente vê é o cego, ou melhor, apenas um deles, o cego do mundo do sonho, pois o cego do “mundo real” não enxerga, não fala, não ouve e não reage, este cego não é guia, ele é guiado, assim se apresentam as outras personagens deste filme, teleguiados, cegos por olharem apenas para o que julgam ser real, afastam-se do sonho e da fantasia Quando percebermos que o sonho e a realidade se confundem e (é bom que assim seja) se completam, por certo teremos alcançado uma visão de mundo mais clara e eficiente.

A lógica plausível de Kaspar Hauser reflete sua concepção de universo e coloca-nos frente a duas esferas espaciais, alertando o cético e o científico de que outros caminhos existem: as percepções sensoriais, a experimentação, a objetividade e a subjetividade.

A câmera instiga o olhar ao passear por imagens da imagem – a que se reflete e a que se permite refletir na água da tina. A primeira torna-se pouco visível, distorcida , confunde e pode-se fazer confundir, tudo vai depender de como a mão manipula o espelho da/de água.

Verdade/mentira; sonho/realidade; vida/morte são grandes enigmas que a humanidade insiste em decifrar. Mas o Enigma de Kaspar Hauser,  símbolo do próprio enigma de cada um de nós, é muito difícl de ser resolvido e o monstro do medo pode-nos devorar, só há uma saída: matar a esfinge.

“A verdadeira história eu não sei”, assim falamos pela boca de Kaspar Hauser.

Filme – título original: Jeder Für Sich und Gott Gegen Alle (Alemanha, 1974) Diretor: Werner Herzog

SINOPSE: Em 1828, em Nuremberg, o misterioso jovem Kaspar Hauser é deixado em uma praça após passar toda a vida trancado em uma torre. Aos poucos, ele tenta se integrar à sociedade e entender sua complexidade.

[Por SÔNIA MOURA – UFF 2003]


ESSAS MAL TRAÇADAS LINHAS…

carta de amor
Com o papel amarelecido pelo tempo em suas mãos enrugadas, também pelo tempo, Marieta relia, mais uma vez, aquelas mal traçadas linhas.

Nestes momentos, Marieta voltava a ser a jovem que viajava para tempos que lá se vão, quando computador, e.mail e celulares sequer passavam por nossas mais loucas fantasias, sonhos, delírios, desejos e outros quetais, pensou. Um tempo no qual muitas cartas de amor, de qualquer forma de amor, começavam assim: “Tomo da pena e do papel para escrever essas mal traçadas linhas…”, que, aliás, não eram tão mal traçadas assim, concluiu Marieta.

Um sorriso pálido emoldurou-lhe a face e iluminou-lhe o olhar, trazendo do passado a jovem que esperava no portão a chegada do senhor Marcolino, o carteiro do vilarejo, onde morava a ilustre dama. Ilustre Dama, era assim que a ela se dirigia o cavalheiro, dono de seu coração.

A memória afetiva da ilustre dama trouxe do fundo do baú da saudade a imagem do jovem donairoso, com seu majestoso bigode e suas roupas elegantes. Marieta, agora, via-o curvar-se, beijando-lhe a mão, num gesto galanteador, bastante envolvente.

– – Meu Deus, tanto tempo se passou. Por onde andará Ricardo? Será que ainda vive? Ela mesma respondeu:
– – Claro que sim, Ricardo vive, ao menos para mim, nas imagens emolduradas por essas mal traçadas linhas…

Misturando-se ao sorriso da jovem de outrora que voltava no tempo, por meio daquelas mal traçadas linhas, uma lágrima de saudade, imitando uma conta multicor, atravessou a barreira dos óculos e veio banhar a mão outrora beijada, respingando no amor em forma daquelas mal traçadas linhas...

(Do livro CONTOS E CONTAS de SÔNIA MOURA)

A Geometria da Luz

LUZ
A cortina, embalada pelo vento, ensaia uns passos de balé, e, no seu vai-e-vem , a geometria da luz se apresenta a mim. Na janela semi-aberta, a cortina, qual os sete véus da bailarina, me seduz , mas se entrega ao sabor do vento .

Surge a primeira forma, um quadrado feito de luz e sombra, que rapidamente se duplica , quando um traço de sombra o divide.
O movimento se espalha pela cena, o vento embala a cortina que dança, ou melhor, apenas uma parte dela se move, deixando a luz penetrar pela “janela lateral do quarto de dormir”.

Com este jogo de esconde e mostra, o vento quer – me oferecer múltiplas formas, através das variações entrecruzadas de luz e sombra.

O véu – cortina se abre e fecha num exercício frenético .

O quadro de luz retorna à cena, ali permanece por alguns instantes, para ceder lugar ao triângulo luzente que se transforma em leque, em losango, num pequeno triângulo e, antes de terminar este ato, toda luz se condensa em uma pequena esfera que se rompe em dois minúsculos pontos de luz a se exibir no meio de uma sombra imensa, como se fossem duas contas douradas.

Abruptamente a cortina se fecha. Em cena, fica somente a sombra que enche o palco, como se quisesse dizer: – Sou a parceira da luz, faço parte do jogo, faço parte da arte.
Meus olhos se deliciam com os movimentos dos que dirigem o show. O que será que mais me atrai: a luz que está no centro das imagens formadas ou a sombra que lhes dá o contorno?
E o vento resolve, novamente, balançar a cortina.

Começa outro ato.

Adentra o palco um losango cheio de luz ou seria um balão aceso num céu-chão? Não cabe aqui cantar: “Cai, cai, balão!”. A equipe que dirige o show grita sussurrando: Vai, vai, balão! , esta é a sua deixa, sai de cena, seu tempo é curto.

Retrucam os atores: – O tempo é infinito!
Estamos na reta final, o vento está cansado, sopra leve: o quadrado retorna , vai-se desmanchando, vai-se transformando, vai-se refazendo lentamente: triângulo, losango, quadrado….
Cai o pano.

Como se fosse àgua escorrendo pela montanha de madeira, a sombra agora está absoluta no palco, somente uma conta dourada desenhada por uma luz pálida ainda insiste em atravessar a barreira , mas nem é notada.

O espetáculo é finito.

(Do livro CONTOS E CONTAS de SÔNIA MOURA)

A LUZ DOS TEUS OLHOS

Luz dos olhos

Era noite, era o momento da treva, porém no meio dela surgiu uma luz. O salão fervilhando, a música, a dança e … a luz.
Artificialmente bela, iluminava aquele palco, piscava, tremulava; chamam-na luz negra. Projetava-se sobre nós, destacando-nos por inteiro naquele cenário, tudo mais era escurtidão. Seria isto verdade ou eram os nossos sonhos que se alinhavavam e dirigiam o foco de luz para este ponto que eram dois?
Os corpos pareciam movimentar-se mais que de fato o faziam. E a luz começou a brincar com o brilho do desejo.
Luz Negra – relação semanticamente incoerente.
Foi sob o reflexo desta luz, emergindo no meio da névoa dos cigarros, que o vestido branco adquiriu um brilho cor de prata e os sorrisos, à luz ambiente, também ficaram prateados.
Mudamos o cenário. À nossa frente , um mar imenso se oferecia enquanto bebia mansamente a luz do luar, suas ondas se encrespavam, balançando a cabeleira prateada, era noite de lua cheia.
Num caminhar lento, quase tristonho, a luz prateada, roubada do astro rei, beijava o contorno dos corpos, das árvores, das montanhas e ia-se escondendo, deixando o palco para o sol que surgia dorminhoco, a bocejar, a lançar raios de luz, rompendo a cortina de uma nova manhã.
Continuávamos ali, sentados na areia que já apresentava uma nova face, parecia preparar-se para um baile, aceitava a nova maquilagem , seus grãos, refletindo os raios de luz mais intensos, brilhavam como se fossem pequenas estrelas, nas quais podíamos tocar; o mar vestia um novo manto, cujos tons iriam-se modificar ao longo do dia, de acordo com a força e a posição daquela fonte de luz; não estaríamos ali para ver estas mudanças.
O sol ia despejando luz e calor sobre tudo e todos que estivessem à luz do seu olhar, e, passo a passo, o olhar, pleno de luz, veria certamente contornos nítidos, transformados, pouco visíveis; mas não estaríamos mais ali para ver estas mudanças.
Era hora de partir. Outras noites, outros dias, outros sóis, outras luas se passaram e passarão no meio de luzes e de sombras; o espetáculo é infinito.
Como contas azuis, dois minúsculos pontos de luz brilham na cor da minha saudade e fazem par com os versos da canção: “Ai, amor, a luz dos seus olhos”.
À luz da razão, o tempo é finito.

(Do livro  CONTOS E CONTAS, de SÔNIA MOURA)

BALAIO

balaio

No mesmo balaio, isto é, num balaio de gatos estão: o joio e o trigo; o individual e o coletivo; o local e o global; a ciência e a religião, que pecado!

VALEI-NOS, DEUS!

Vaticano divulga lista de novos pecados capitais [Assimina Vlahou]

“A manipulação genética, o uso de drogas, a desigualdade social e a poluição ambiental estão entre os novos pecados capitais pelos quais os cristãos devem pedir perdão, segundo a nova lista apresentada pela Santa Sé.O Vaticano atualizou a lista de pecados capitais para adaptá-la à “realidade da globalização”.Os novos pecados capitais – merecedores de condenação segundo a Igreja Católica – serão agregados aos anteriores: gula, luxúria, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça.

(…)

Na interpretação de monsenhor Girotti, o pecado deixou de ser apenas uma questão pessoal e passou a ter maior influencia na sociedade.

“Antes, o pecado tinha uma dimensão individual, hoje tem uma impacto social, principalmente por causa da globalização. A atenção ao pecado agora é mais urgente devido aos reflexos maiores e mais destruidores que pode ter”, disse Girotti.”

[http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/] [Compilado do site www.niu.com.br]

A HISTÓRIA DE LÍTTERA

livro das bruxas

Líttera mora, há muito tempo, em vários lugares. É muito poderosa, por exemplo, é capaz de ser voz, de ser letra, de ser mito. Líttera é sábia.

Ela é muito antiga (ou será velha?), e, embora possa usar a mesma roupagem, está sempre se renovando, por isso, as crianças nunca se assustam com Líttera, pois com ela compartilham e brincam.

Líttera é amiga e conselheira.

Podem até tentar aprisionar Líttera, mas ela não se deixa prender, uma vez que nasceu para ajudar a todos a aprender. Ela dora a liberdade, gosta de um palco e de fazer travessuras.

Quando acorda, seus cabelos estão desgrenhados, depois, aos poucos, ela os arruma. Ela não se preocupa muito com esta coisa de moda, mas umas pessoas insistem em colocá-la “dentro da moda”, pô-la em arreios. Não conseguem.

Líttera gosta de sorrir, conhece as malícias da palavra, sabe enfeitiçar, gosta do luar, do sonho, da fantasia e brinca com a realidade. Adora contar casos, suas palavras são mágicas. Por isso ela também é chamada de maga.

Líttera busca e nos faz buscá-la, às vezes, brinca de confundir, para depois explicar.

Nunca sai de nossa vida. Ora aparece em forma da palavra falada, ora em forma de palavra escrita. Líttera está em todas as partes o tempo todo.

Aliás, o que seria de nós sem ela?

Líttera é a bruxa das palavras.

PONTOS PARA AS MULHERES

mulher

Alguns dizem que nossa “cabeça” é como um grande ponto de interrogação. Será?, acho que não.

Outros dizem que, quase sempre, nossas atitudes os deixam com um ponto de exclamação sobre a cabeça. Ah!, essa não!

Dizem também que entender-nos é tão difícil quanto fazer o uso correto do ponto -e –vírgula. Uma vírgula! (Seguida de exclamação).

Pasmem! Dizem ainda que nosso olhar é felinamente transgressor como os dois pontos, sempre prontos para enumerar, citar, exemplificar. Isso vai dar o que falar!

Há ainda aqueles que dizem que sabemos como nunca dar ponto sem nó. Ah! Tenha dó! [Embora isto esteja certo, até certo ponto].

Liga não, mulher, liga não! Olha só:

O que nós somos mesmo é o ponto alto de qualquer situação, somos ponto colateral a indicar caminhos, e, para muita gente alcançar o ponto culminante na vida, somos nós, mulheres, o seu ponto de apoio, como ponto de contato entre eles e o mundo.

Ainda mais:

Somos nós, que nos momentos difíceis, nos colocamos como ponto de equilíbrio, e, ainda que todos escapem de sua vida por um ponto de fuga, lá estamos nós em nosso ponto de honra, dando apoio, mostrando nosso ponto de vista, e nos postando como um ponto de universo, acompanhando a quem amamos, porque não somos de entregar os pontos, e…ponto final.