TEMPO!TEMPO!

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TEMPO! TEMPO!

Tempo! Tempo! (Autoria: Sônia Moura)

Se khronos pode ser medido, eu não sei
O que eu sei é que os homens acham
Que ele pode ser contido
Por relógios, calendários ou em diários
Ilusão, doce ilusão

Já kairos, cá entre nós, está nas mãos de Deus
Não tem dimensão, não tem contenção, isto não
Este é o tempo de Deus
E é ele quem diz: - Seja bem-vindo ou adeus
Pensar que podemos controlar kairos
Ilusão, doce ilusão

(Do livro: POEMAS EM TRÂNSITO - Sônia Moura

TEMPO! TEMPO!

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ONDE (NÃO) MORA A POESIA?

Ensaios

ONDE (NÃO) MORA A POESIA?

ONDE (NÃO) MORA A POESIA? (Autoria: Sônia Moura)

A poesia vive de suas canduras, franquezas e ilusões, se equilibrando entre o real e a fantasia, pois é retrato do mundo e reflexo da vida.
É pelos vieses das dimensões do real que a poesia transita e é por esta e outras razões que um só verso é capaz de abalar nosso mundo, nossos sonhos ou nossas verdades.
Poderosa arma transitando entre as fendas do paraíso sem abominar as labaredas do inferno, a poesia surge para preencher lacunas, provocar metamorfoses, aplacar dores, embalar amores, recusar a guerra, exaltar a paz, tudo isto a poesia faz.
A poesia existe para preencher vazios e ausências, tornando a dureza da vida mais leve, as decepções mais breves e as aspirações semibreves, enquanto o lirismo rege uma orquestra na qual a ausência de limites traça uma nova realidade cheia de encantamentos.
O ritmo da poesia alimenta a mística da palavra, variando sílabas tônicas e não tônicas, soando metrificação e correspondência sonora, mesmo quando se enquadre na categoria arrítmica, todo verso é música, que se apresenta numa pauta diferente, mas que embala e conforta.
Ainda que não seja obrigatória, a rima, mãe do ritmo e regente da melodia, é artimanha do autor, foram os trovadores que criaram este encantamento misturando o recitar e o cantar, somente para a plateia encantar.
Com a sua irrefutável acumulação imagística, a qual preenche o vazio de cada um em seus variados momentos de alegria ou de dor, a poesia é musa que leva o poetar ser uma aventura pelas vielas que esta musa cria e por elas nos guia, assim, uma vez que é senhora de generalidades, a poesia pode ser necessariamente incisiva ou mostrar-se muito generosa, e, em outros momentos, pode ser agressiva ou consoladora, tudo acontece de acordo com a sucessão de cada instante.
Assim, ler ou escrever um poema pode ser uma viagem Ulissiana ou um encontro com sereias, ou pode ser um embate com monstros marinhos ou uma conversa com anjos, tudo é viagem quando nos acomodamos nas asas da poesia, uma vez que esta se hospeda na transpiração e se alimenta de muita inspiração.

Mas onde mora a poesia?
Mora nos recônditos da ilusão, nos liames da palavra, na incerteza e na ilusão, no íntimo ou na superfície de mentes, de sonhos e da contemplação, mora também na doçura do olhar, na alegria do regresso ou na lágrima da partida, nas brincadeiras, nos jardins, na beleza do corpo ou da alma, na agitação ou na calma, enfim, a pergunta verdadeira é: - Onde não mora a poesia?

(Apresentação - Universidade Cândido Mendes - 2012)

ONDE (NÃO) MORA A POESIA?

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LUAS

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LUAS

LUAS (Autoria: Sônia Moura)

Houve um tempo, na lua de colheita,
Em que nos amávamos até o amanhecer
Eu te acordava com beijos
Sentias o meu bem querer
Mas como a vida é jornada e não destino
Este teu coração menino
Está preso numa encruzilhada
E na sabes sonhar sonhos possíveis
Nem sonhas lindos sonhos impossíveis
Mas o mundo tem suas magias
E quem sabe um dia, numa lua cheia de maio
Tu apareças para mim
E me rapte para outro tempo
Então caminharemos com os Celtas
Com a certeza de que a magia ainda existe
E na lua cheia ou minguante
Vamos sonhar sonhos possíveis ou impossíveis
Fazer loucuras terríveis, visitar novos lugares
Desvendar insanos mistérios
Que sempre despertam desejos
Sorrirei para a tua presença
Arriscarei também delirar
Que serás meu para sempre
Que serás meu e tão-somente meu
E a mim tua hás de amar
Sonharei sim, porque sei que
Às vezes é preciso arriscar
E para tal é preciso fantasiar
Nos sonhos, convertendo casa em lar,
Transformando desamor em (re)amar
Neste enredo bem bordado
Tu me darás o que preciso
Me darás o que é preciso
E me darás o que é precioso
E este nosso amor gostoso
Vingará, dará filhotes
E pelo mundo se espalhará
Então vamos relaxar
Deixar o barco correr
Fazer o mundo girar
Vamos cirandar
O universo o resto fará
Ainda que em sonho
É hora de aproveitar!
(Do livro: COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

LUAS

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INFAUSTA ILHA

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INFAUSTA ILHA

INFAUSTA ILHA (Autoria: Sônia Moura)

Você não fala, mas ouço a sua voz
As palavras saltam do meio da saudade
Elas são ecos desse louco coração
Que de seu amor é dependente
E vaga dias e noites entre o sono e a vigília
Agarrado ao salva-vidas da poesia,
Nas páginas dos Contos de Fadas
Ou se embrenha nas asas da fantasia

Por acaso ou por pura agonia,
O amor se mostra a mim
Como cruel e fria nostalgia
Transformando o meu pobre
E sombrio coração
Numa esquecida, perdida e
Infausta ilha

(Da obra: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

INFAUSTA ILHA

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ACERTOS e DESACERTO

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ACERTOS E DESACERTO

Acertos e desacerto (Autoria: Sônia Maria)

Eu acertei a hora no relógio
Eu acertei na mosca
Ao escolher a profissão
Acertei as contas
Com quem devia
Acertei no milhar
(Pelo menos uma vez)
Acertei bem no alvo
No parque de diversões
Mas nunca, nunca mesmo
Acertei com as coisas do coração
Só não sei qual a razão

(Da obra:POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

ACERTOS E DESACERTO

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ILHA

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ILHA

ILHA (Autoria: Sônia Moura)

(À Ana Maria, apaixonada por todas as ilhas)

Distante do continente
Uma porção de terra flutua
E benditos cantos
Cheios de encantos
Entoam mil loas
A essa terra boa

Sozinho no meio
Do rio ou do oceano
Este sagrado lugar
Recebe o luar
Acolhe o mar
Protege a alegria
No espelho d`água
Sua doce imagem
Desenha miragens
De ídolos adormecidos
E em suas frondosas árvores
Portentosas aves cantam
Saborosos frutos adocicam
E em seu desejado chão
Em arco-íris desabrocham
Perfumadas e veludadas flores

Mil vozes se lançam aos céus
Louvando graças
A esse bem-amado torrão
Que é casa
É concha
É círculo envolvente
Que abriga
Toda gente

Plantada em águas do planeta
Esta terra que é mãe e filha
Tem um nome modesto:
- Ilha!
(Da obra: Coisas de Mulher - Sônia Moura)

ILHA

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AMOR VERDADEIRO II

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AMOR VERDADEIRO II

AMOR VERDADEIRO II

Novamente no mês de abril
Uma fenda no céu se abriu
E eu recebi em meus braços
Uma menina tão linda
Que envolvi em abraços
Era a minha princesa
E, assim como o meu herdeiro,
Veio reforçar para mim
O que é o amor verdadeiro
Parabéns, minha filha.

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FACE OCULTA

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FACE OCULTA

A FACE OCULTA (por Sônia Moura)

Na roda da vida, há linhas e estradas, estas são forças que se apresentam a nós e nos convidam a seguir por elas.
Embora aparentemente embaralhadas, há nelas uma ordem e movimentos misteriosos que permitem a ida e, na maioria das vezes, o regresso do indivíduo.
Esta ordem louca dentro da desordem, este labirinto invisível, trânsito entre muitos planos, converte-se em espaços expressivos fabulosos, os quais compõem as histórias de nossas vidas.
Luzes anônimas apontam caminhos, por vezes, seu brilho é tão intenso que quase nos cegam, no entanto, insistimos em segui-las, este é o jogo do destino a brincar com nossa ilusão, aproximando-nos e nos afastando realidades ou de fantasias, fazendo-nos crer que o dominamos.
Ao trafegarmos por estes caminhos, vozes misteriosas nos conduzem (ou nos induzem) a passagens secretas ou a palcos com cortinas escancaradas e, de repente, dependendo do trilha seguida, nos vemos em total solidão ou somos postos ante uma plateia a exigir de nós luzes, cores, sombras, falas e representações, papéis que nem sempre estamos preparados para desempenhar, mas é simples assim: ainda que pensemos que somos nós os condutores do nosso veículo terreno, nosso destino é conduzido à revelia de nossos desejos, pois, no trajeto da vida, nossa vontade será posta em total nudez.
Palavras, imagens, verdades e mentiras se juntam para confundir ainda mais os nossos pensamentos, é como se fosse um jogo de espelhos por meio dos qual nossa vida se revela em dimensões diversas, a fim de que façamos reconhecimentos ou descobertas, diante das quais nos atrapalhamos, e assim, ficamos presos na armadilha do destino e desta não há como fugir.
A bem da verdade, estamos sempre a renascer em múltiplas metamorfoses reveladas lentamente ao longo da vida, e, ainda que tudo esteja fora do lugar, ainda que as ambiguidades do destino tracem caminhos paralelos, indubitavelmente, chegaremos ao ponto final.
Assim sendo, desde sempre, somos entregues nas mãos das Moiras que manipulam a Roda da Fortuna, tecendo nossos destinos, fazendo reaparecer no palco da vida sempre novos espetáculos com a mesmas feições, refletindo apenas a imagem fundamental da vida: a face oculta da solidão do ser.

(Universidade Cândido Mendes - 2011)

FACE OCULTA

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AMOR VERDADEIRO

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AMOR VERDADEIRO

AMOR VERDADEIRO

Faz alguns anos
Que num dia primeiro
Recebi em meus braços
Meu primeiro rebento
A partir daí
Soube o que é
Amor verdadeiro!

Parabéns, meu filho!

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O POETA, A PALAVRA E A POESIA

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O POETA, A PALAVRA E A POESIA

O POETA, A PALAVRA E A POESIA  (Autoria: Sônia Moura)

Afastada do teor contextual, a palavra estará condenada ao isolamento? A resposta a esta pergunta dependerá do que se consagra como isolamento, seria o isolamento intelectual? Afetivo? Conceitual? Funcional? Verbal? Extraverbal? Ou seria apenas o falso isolamento da realidade o que nos confunde?

Ao transportar imagens para o poema, através de palavras reinventadas e transformadas por forças sugestivas e pelo poder enigmático das estripulias analógicas, em forma de metáforas, o poeta nos apresenta textos, trabalhados com palavras nascidas do solo fértil da criação e da devoção do fazer poético, comprovando que a mágica do poema está especialmente no simples desdobramento significativo das palavras.

Em cada poema, a transposição de sentidos gerada por efeitos especiais, denominados efeitos estilísticos, é o resultado do esquema montado pelo poeta para que a realidade seja representada por meio de tropos e figuras, dando ao poema a roupagem necessária para que nasça o equilíbrio dialógico, eliminando, assim, a impossibilidade da não-comunicação.

Para o poeta, a palavra é a curva e a bifurcação de caminhos imprecisos e imprevisíveis que ele precisa domar, para reinventar o real tão aprisionado em definições, regras, grilhões. Ao escolher o caminho a seguir, ele busca domar a palavra, para extrair de suas entranhas o sumo preciso do dizer o que se quer, e esta é uma luta constante do poeta com a palavra, porque é difícil torná-la apenas escrava, pois assim como ele que é rei e deus, ela também é rainha e é deusa.

Então , no palco da escrita, o poeta e a palavra estarão sempre a revezar seus papéis, ora ele é o senhor e ela é serva, em outra cena, ele é o servo e ela é sua majestosa senhora, e neste vai-e-vem teatral, ambos se completam e fazem nascer a poesia.

“Não divorcie
A palavra do poeta
É heresia
Por favor, não mate
A poesia.”

O POETA, A PALAVRA E A POESIA

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