(DES)AMOR

(DES) AMOR            dESAMOR

Ouço alguém dar uma bela definição sobre o que é o amor de mão única: “Amar sem ser amado é o verbo no tempo perdido”.

Convenhamos, nem mesmo o melhor dos gramáticos ou o melhor dos lexicógrafos daria uma definição tão contemplativa para esta composição verbal.

rel_gioquebrado.jpg

DOCES E SALGADOS

                                     DOCES E SALGADOS

DOCES e SALGADOS (Autoria: SÔNIA MOURA)

Nossa vida se mistura ao sentido das palavras, pois ela é uma sequência de relações nem sempre lineares, mas com um encadeamento associativo de idéias, por onde caminhamos, entre os verdes de nossas vozes ou pelo azul das vozes do mar. E é através do mistério das palavras que a vida nos serve doces ou salgados momentos.

Nossas janelas dos olhos ou nossas portas da alma se abrem sobre as coisas do mundo, para que possamos nos embriagar com os saquês, com os vinhos ou com os néctares que escorrem das palavras e se perdem nos grãos de areia de nosso viver, deixando nossos corpos e nossas almas nus e permitindo que as luzes das verdades ou das fantasias iluminem as colinas sinuosas de nossos pensamentos.

Ao saborear o doce ou o salgado do mundo, vacilamos entre a vida e a morte, quando o amargo e/ou o azedo de nossas trajetórias nos atormentam, então, na tormenta das ruelas das decepções, das angústias e da saudade, precisamos fazer destes sabores bolhas de sabão, que logo, logo irão explodir, perdendo-se no ar.

Doces e salgados podem ser nossas vivências e nossas querências em relação ao ser amado. A demora da chegada ou a certeza da partida de um ente amado, muitas vezes nos fazem esquecer o doce sabor de outros recomeços, ensurdecendo-nos, para que não ouçamos os ecos de novas aventuras que virão e que não nos deixarão recuar, a fim de que permitamos que outros sabores possam vir, no porvir.

Gerado pelas palavras, o gosto dos sabores  molda nossos gestos e nos ajuda a dar passos sobre as planícies, sobre o chão de barro, sobre pedras ou sobre ervas daninhas dos nossos corações, e assim, nos soltamos, mulheres e homens, para prosseguirmos em viagens, que começam em todo o tipo de ventre e que depois são jogados aos ventos do destino, para que, como pássaros, possamos dar nossos espetáculos em vôos espetaculares, transitando entre os doces e os salgados que a festa da vida vier nos oferecer.

MÃE- HISTÓRIA VERDADEIRA

                                                          ROSAS PARA A MAMÃE

MÃE – HISTÓRIA VERDADEIRA!(Autoria: SÔNIA MOURA)

Sentada em sua cadeira de balanço, naquele canto da sala, onde o sol bate todas as manhãs, mamãe sentava-se para ler, ela gostava de ler. Isto foi há tanto tempo…

Hoje, aqui na minha sala, quase sinto minha mãe se incorporar em mim e começo a perguntar-me sobre o que ela pensava, quando olhava para mim, com aquele olhar suave, às vezes sorria um riso de saudade.

É, minha mãe ria um riso de saudade, hoje eu sei.

Acho que adormeci e sonhei ou, quem sabe, minha mãe veio me visitar. Conversamos uma conversa gostosa. Um raio de luz inundava a sala. Conversávamos através do olhar e eu pude vê-la a cuidar de mim, sempre.

Minha vida inteira se mostrou dentro de um caleidoscópio de saudades das coisas de que nunca soube e de outras das quais quase me esqueci.

Nossa, quanto trabalho, como eu era chorão. Deus que rotina: troca fralda, dá de mamar, dá banho, põe no colo, acorda de madrugada, meu Deus como minha mãe dormia pouco…

Voltar a trabalhar, é preciso deixar os filhos, dor, tristeza. A empregada está atrasada, o chefe está bravo, olha a hora, tanto tempo fora… Saudades dos filhos.

Primeiro dia na escola, reunião na escola, dever de casa, vacinas, joelho ralado, gripe, febre alta, vamos ao médico. Trabalho, trabalho, tanto tempo longe… lágrimas.

Acorda, está na hora, vai dormir, já é tarde. Come tudo, verdura faz bem. Tomou banho?, escovou os dentes? Tomou seu leite? Venha cá, dá um beijo.

O mundo é grande e, às vezes, cruel, perigoso. Tantos cuidados, tantos medos, tantas rezas… Meu Deus, proteja-os, fico tão pouco por perto, fico tão pouco com eles, proteja-os. Minha Nossa Senhora, a senhora também é mãe, tome conta deles.

Férias. Vamos ao cinema, vamos à praia, quer sorvete? Todas as brincadeiras o dia todo, todos os dias. Alegrias, alegrias.

O dinheiro está curto, brinquedo lindo, dá-se um jeito, chegou o natal. Crediário. Meu brinquedo!

Alegrias, broncas, beijos, palmadas, afagos, lágrimas, sorrisos…

O tempo passando.

Vestibular. Você consegue. Parabéns! Dinheiro para o lanche, dinheiro para a festinha, dinheiro para os passeios… Dá-se um jeito!

Carteira de motorista. Formatura. Primeiro emprego. Você vai conseguir. Primeiros amores. Vai dar certo.

Primeiro amor, primeira decepção, primeiro beijo, às vezes conto, outras não, mamãe finge que não sabe, finge que não vê, mas sabe.

Casamento. Filhos. Lágrimas de alegria. Avó.

O tempo se anula, mas na se desfaz, ao contrário, ele se refaz…

Voltar a trabalhar, é preciso deixar os filhos, dor, tristeza. A empregada está atrasada, o chefe está bravo, olha a hora, saudades dos filhos. Mãe, pode ficar com eles? A empregada faltou…

A vida e seu eterno recomeço, pois a vida é um espetáculo que se completa em outro, em mais outro e em mais outro…

Despertei.

Nossa de quanta coisa eu me esqueci e, agora, olho meus filhos dormindo tranqüilamente, como um dia eu também dormi.

Fecho a porta do quarto deles e escancaro a porta da vida que já vivi, porque hoje meus filhos também esperam por mim.

Vou para o meu quarto, entendo muito do que ainda não havia entendido e só consigo dizer:

– MÃE, TE AMO! 

MAMÃE É SUA ESTA ROSA!

HUMANOS

HUMANOS

(Autoria: SÔNIA MOURA)

Lia esta reportagem nesta manhã, quando o sol começava a aparecer e minhas obrigações começavam a serem cumpridas.

A leitura me causou tristeza pelo absurdo que, infelizmente, tem-se repetido.

Destaquemos o que diz a delegada Ana Luíza: -Não houve motivo. Não houve briga.

É claro que nada justificaria a barbárie, mas, pelo menos, teríamos “uma desculpa” para este vandalismo, para esta falta de humanidade.

MACEIÓ – O morador de rua José Carlos da Silva, de 45 anos, foi espancado, na madrugada desta terça-feira, no bairro de Jatiúca, em Maceió. Segundo a Polícia Civil, João Augusto da Silva, Pedro Paulo Barros Assunção, Givaldo Andrade Neto e Eli de Oliveira Clementino, todos jovens de classe média, usaram um extintor de incêndio para agredir o morador.
Silva deu entrada no hospital à 1h30 e foi liberado cinco horas depois. Os jovens de classe média foram presos, mas liberados.
– Outro delegado liberou os presos. Eu vou pedir novamente a prisão deles. Foi uma tentativa de homicídio – disse a delegada Ana Luiza. – Não houve motivo. Não houve briga. As lesões foram graves – resumiu a delegada.
Cinco testemunhas resgataram o morador de rua e denunciaram o caso a polícia. Os jovens não foram localizados.

Odilon Rios, Portal Terra http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/05/06/e060526491.asp

 

                                              

luz

Felizmente, nem tudo está perdido.

Assistindo pela televisão (quer dizer, “ouvindo”) um jornal da manhã, vejo uma jovem que salva dois homens em grande perigo.

Um forte vento assolava a cidade de São Paulo, operários que faziam a limpeza externa de um prédio comercial, pendurados a uma altura considerável, passaram a ser sacolejados de um lado para o outro e o pânico tomou conta deles e de quem assistia à cena de dentro dos escritórios.

De repente, uma jovem iluminada jogou pela janela a sua jaqueta de brim. O primeiro homem se agarrou nela.

Solidariamente, por uma fresta da janela, a jovem e outros colegas puxaram os operários em grande perigo.

Conseguiram!
Os homens ficaram a salvo e, na reportagem de hoje, um deles foi conhecer a sua salvadora iluminada para agradecer-lhe. Abraços, sorrisos e lágrimas. Os jovens se abraçaram e a mãe do moço disse: você estará sempre em minhas orações.

É isto, dois jovens salvaram-se, salvaram-se os operários, salvou-se o meu dia, adoçou-se a minha alma, alegrou-se o meu coração.

Graças a todos os deuses, ainda “Somos humanos, demasiadamente humanos!”

iluminado

“HONRARÁS, AMARÁS E NÃO MATARÁS TEUS FILHOS”

“Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra.”  


(Autoria: Sônia Moura)


Segundo as religiões judaico-cristãs, este é um dos mandamentos divinos. É um mandamento belo e justo.

Creio que não há um mandamento sobre os pais amarem e honrarem seus filhos, porque “Deus é pai” e ele sabe que este amor é incomensurável e indiscutível. No entanto, ele em toda a sua glória, esqueceu-se de que seus filhos falham, e como.

Assim, lendo as notícias abaixo, que tal adotarmos este novo mandamento e botá-lo em prática?

“HONRARÁS, AMARÁS E NÃO MATARÁS TEUS FILHOS”
pais e filhos

Rapaz tenta matar filho e atropela seis pessoas em MG
[http://g1.globo.com/Noticias/Brasil]

“Um homem foi preso depois de tentar matar a ex-sogra e o filho e ainda atropelar seis pessoas enquanto fugia da polícia, na noite desta terça-feira (28), em São José da Lapa (MG). Entre os atropelados está um menino de 7 anos, que foi levado em estado grave para um hospital da cidade, junto com as outras vítimas. Segundo informações da Polícia Militar, o acidente aconteceu quando o homem fugia em alta velocidade em uma motocicleta. Os policiais informaram que o homem tinha invadido a residência onde vivem sua ex-sogra e seu filho. Ele sacou um revólver calibre 32 e atirou contra os dois, sem acertá-los”

Mãe suspeita de matar a filha confessa o crime, confirma delegado
[http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1102571-5606,00.html]

“A mãe que foi presa nesta madrugada suspeita de matar e ocultar o corpo da filha de 20 anos confessou o crime. As informações foram confirmadas pela assessoria da Polícia Civil e pelo delegado Cláudio Vieira, da 25ª DP (Engenho Novo).Os detalhes do caso, no entanto, como as circunstâncias em que a jovem foi morta e o que levou a mãe a matá-la, ainda não foram divulgados.Além dela, dois homens foram presos, na noite de terça-feira (28), no Cachambi, subúrbio do Rio, depois que Polícia Militar encontrou o corpo da jovem no porta-malas do carro.”

Mãe é suspeita de matar os filhos
[http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1102571-5606,00.html]

“Uma mulher foi presa na manhã de terça-feira (28) suspeita de tentar matar seus dois filhos – uma menina de 8 anos e um menino de 5. Segundo a polícia, a mulher, que já trabalhou como atendente de uma creche, teria a síndrome de Munchausen – doença em que a mãe provoca sintomas nos filhos para que eles sejam considerados doentes ou ainda provoca ferimentos neles para atrair as atenções – no caso, ela pretenderia chamar a atenção do ex-marido.Esse diagnóstico é provisório, e depende ainda de uma nova avaliação a ser feita por especialistas.”

(EN)CANTADA

(EN) CANTADA (Autoria: Sônia Moura)

SUSAN BOYLE
Em todo o tipo de canal midiático, Susan Boyle é a atração do momento,

tudo isto porque a moça derrubou conceitos, pré-conceitos e preconceitos, sem mudar o seu visual, sem truques, sem maquilagem, sem “Photoshop” , sem nadinha mesmo. Entrou no palco da TV de cara (quase) limpa, pois sabemos que ninguém sobe ao palco sem alguma maquiagem. Eles dizem que é por causa da luz, deve ser mesmo.

Estamos habituados a vermos o mundo, pelas míopes visões das sociedades de todos os tempos, que elegem seus cânones e valores, incutindo em nós padrões a que estamos expostos e que, também, nos são impostos. E, o pior da história, acreditamos em conceitos, tornados visões, e que são estapafúrdios.

Só é espetacular o que é belo, logo associado ao bem, ao justo, ao bom. As princesas, as Santas, as fadas – todas são boazinhas e … lindas, só as bruxas são feias e… muito más, às vezes, ultrapassam, porque são madrastas.

Até mesmo a Fera (A Bela e a Fera) quando se torna príncipe é lindo, apesar de lhe darem uma colher de chá e ele ser bondoso, mesmo enquanto está na horrorosa pele de a fera. Sempre achei que pintavam a Fera “de boazinha”, só porque, no fundo, no fundo, ela era um príncipe.

Assim, qualquer pessoa, animal, fato ou coisa que, por ventura, fuja aos padrões estabelecidos pelas sociedades de qualquer tempo e de qualquer lugar deste nosso mundo eternamente global(- izado), imediatamente, não deverá ser colocada em exposição, jamais poderá fazer parte do espetáculo, viverá em outro plano, pertencerá ao rol dos excluídos.

Mas, se, porventura, esta figura fora dos padrões estabelecidos for apresentada aos olhos do público, será sempre como aberração ou servindo de chacota, desde muito, os “inocentes” circos já agiam assim. E, se assim agiam era porque havia espectador para este tipo de atração/diversão.

Temos olhos e não queremos ver, ou melhor, vemos o que querem que vejamos. Mas, no caso da Cinderela às avessas, Susan Boyle, foi a audição e não a visão que fez com que a enxergássemos,e pudéssemos ver muito além das aparências.

Longe de estar enquadrada nos atuais padrões de beleza, esta mulher de 47 anos e a sua linda voz deixaram jurados e público embasbacados, fascinados, enfeitiçados com a suavidade de seu canto.

Susan continua deslumbrando um grande número de pessoas pela internet, além de receber convites para participar de programas televisivos e de receber propostas milionárias para seguir carreira, gravar um CD.

Com o seu poder mágico, a princesa, que é uma fera cantando, derrubou barreiras e bagunçou o coreto do estabelecido como verdade absoluta, sabem por quê? Porque…

“A bem da verdade, ninguém resiste a uma boa cantada”

[** Etimologicamente,a palavra “encantar” provém do latim: incanto, as,avi,atum are = cantar em, cantar contra, fazer encantamentos, fascinar, enfeitiçar. ]

SUSAN BOYLE

SALVE, JORGE!

 

   SALVE,  JORGE! (Autoria: SÕNIA MOURA)    

 

 

São Jorge

Há outros santos guerreiros, mas Jorge é, certamente, o mais cultuado entre nós.

Na intimidade, apenas Jorge, São Jorge tem a simpatia de todos os guerreiros, que lutam para alcançarem suas metas, todos têm a proteção de São Jorge.

Ele é tão poderoso que é o único que vemos no céu, é só olhar para a lua, lá está Jorge com seu cavalo, com sua armadura a combater o dragão. Os outros santos, dizem, também moram no céu, mas nós só vemos São Jorge.

Neste dias tão conturbados, ter São Jorge como nosso protetor é sempre recomendável.

Aos que creem e aos que não creem, segue a Oração de São Jorge, oremos, pois, com fé.

Oração a São Jorge”Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge Rogai por Nós.”

SALVE, JORGE!

O BENQUERER – Reforma Ortográfica II

O benquerer (por Sônia Moura)

As mudanças apresentadas pela Reforma Ortográfica para o emprego do hífen, no meu modesto entendimento, não vieram para simplificar. Mas isto não é novidade alguma, pois, o hífen é um chato de galocha, com a reforma ou sem ela.

Segundo a nova ortografia, algumas formas iniciadas pelo prefixo “bem-” sofrem alteração, mas, segundo o texto do Acordo, a aglutinação ocorre apenas em duas famílias de palavras.

São elas:

1 – A palavra “bem-feito”, que perde o hífen e passa a “benfeito”, por força de ajustá-la ao padrão de “benfeitor”, “benfeitoria” ou “benfazejo”, todas já aglutinadas e pertencentes à mesma linha de cognação.

2 – O vocábulo “bem-querer”, que passa a “benquerer”, em analogia com “benquisto” e “benquerença”, termos já aglutinados.

** No texto oficial, não há menção a outros casos.

Em relação à palavra “benfeito” (Significando: algo bem acabado; esmerado ou algo/alguém elegante; gracioso ou ainda: como forma de alguém, por vingança ou mágoa, jubilar – se com a desgraça alheia: “Benfeito, ele não conseguiu o emprego.”), excetuando-se a justa correção que foi feita em relação a palavras da mesma família (benfeitor, benfazejo), com ou sem hífen, nada irá mudar.

Já o vocábulo “benquerer” que antes era escrito separado e com o emprego do hífen, agora se escreve juntinho.

Não é uma beleza? Esta nova ortografia tem tudo a ver com a significação deste vocábulo, onde já se viu benquerer separado? É, não combinava mesmo!

E não é apenas porque seus pares (benquisto, benquerença) eram/são escritas sem hífen, que o benquerer foi aglutinado, mas a verdade é que o benquerer separado era, a bem da verdade, uma enorme incoerência linguística.

Os bem-amados agradecem a mudança e a união perfeita do amor perfeito.
alma gêmea

O TRÊS PATAS

O TRÊS PATAS  (Autoria: Sônia Moura)

Eu não sei seu nome, nem onde ele mora. Terá um dono? Não sei nada sobre ele, mas uma coisa é certa o Três Patas é feliz.

Três Patas (este é o nome que lhe dei) é um vira-lata de cor preta e com carinha de inocente, e, claro, falta-lhe uma das patas traseiras. Ele é uma graça!

Três Patas não mexe com ninguém e nem com outros cachorros, só chega perto se for para brincar. Três Patas não pede piedade, mas adora um carinho. Cão esperto!

Vejo-o correndo pelas areias de Copacabana, entre o posto dois e o posto três, feliz, todas as manhãs.

Sim, ele é um cão alegre, se vê no rosto, se vê no jeito.
Alguns cães têm medo da água, Três Patas não, ele se joga n´àgua e se esbalda, e, driblando sua deficiência, corre, pula, vai à água, é um prazer vê-lo solto, liberto, na rua, nas areias ou no calçadão.

Esta liberdade e esta força de Três Patas nos faz pensar que a vida merece ser vivida, e nós, animais de “duas patas”, temos muito a aprender com este exemplo.

Três Patas – você é meu super-herói!

Três Patas

MULHER, SEMPRE MULHER!

                                                                                      MULHER

MULHER, SEMPRE MULHER! (Autoria: Sônia Moura)

Até um dia desses, eram somente as mulheres que faziam as comidas mais gostosas, eram elas que se equilibravam para esticar o orçamento doméstico, para não deixar a família sem as refeições diárias e ainda faziam o dinheiro render para preparar comidinhas especiais para o final de semana. Elas eram cozinheiras.

Até um dia desses, eram somente as mulheres que costuravam as roupas para a família, eram elas que se equilibravam para esticar o orçamento doméstico, para não deixar a família sem a vestimenta diária, e ainda faziam o dinheiro render para fazer roupas especiais para o final de semana. Elas eram costureiras.

Até um dia desses, eram somente as mulheres que faziam os docinhos e o bolo para as festas em família: aniversários, batizados e casamentos, eram elas que se equilibravam para esticar o orçamento doméstico, para não deixar a família sem as alegrias e as comemorações merecidas, e ainda faziam o dinheiro render para fazer os melhores doces e bolos para que, ao final da festa, todos estivessem felizes. Elas eram doceiras.

Até um dia desses, as mulheres cuidavam de tudo e todos em família. As tarefas citadas são apenas exemplos do muito que a mulher fazia/faz.

É preciso ressaltar que, nos castelos de séculos passados, os homens eram os principais cozinheiros, doceiros e costureiros reais, no entanto, é bom lembrar que cozinhar, costurar para a corte, para a nobreza, sempre foi/é sinônimo de prestígio social. Possivelmente, esta é a razão pela qual eram homens e não as mulheres a ocuparem estes cargos nos castelos.

Embora em alguns casos, os homens dividam e participem das tarefas domésticas, até os dias de hoje, as mulheres são as principais responsáveis pelo bem estar de suas famílias.

E mais, nos dias de ontem e de hoje, as mulheres desempenham outras funções, elas foram/são professoras, educadoras, economistas, administradoras, enfermeiras, médicas, psicólogas, decoradoras, embaixadoras (e outras profissões).

Tenho observado que, atualmente, em programas que falam sobre a vida doméstica, a mídia televisiva tem colocado em destaque a imagem masculina, e, as principais estrelas de programas, são homens: cozinheiros – denominados CHEFES DE COZINHA – ; costureiros –denominados ESTILISTAS – ; doceiros – denominados BANQUETEIROS -.

Estes homens são modelos de como se desempenha bem esta ou aquela função doméstica. Eles são endeusados, aclamados, alguns têm fama e vida de artista, além de receberem altos salários. Embora, em número infinitamente menor, algumas mulheres quebrem estas correntes sócio-culturais e passem a fazer parte destes seletos grupos.

Os tempos mudaram, dirão alguns, homens e mulheres caminham juntos (oxalá!), dirão outros, mas esta observação que faço, prende-se ao fato de que, a bem da verdade, as mulheres sempre desempenharam estas mesmíssimas funções, o que sempre lhes faltou foi o reconhecimento social, pois, a partir do momento em que a cozinheira deu lugar ao chefe de cozinha; a costureira deu lugar ao estilista e a doceira deu lugar aos banqueteiros, o foco foi direcionado para outra imagem –  a imagem masculina.

Tudo isto porque ainda existe o ranço de que, se há reconhecimento social, por exemplo, remuneração, o homem deverá vir em primeiro lugar, basta comprovarmos as disparidades salariais existentes entre o que recebe a mulher e o que recebe o homem, até os dias de hoje.

Mas resta uma alternativa à mulher, continuar lutando pelo merecido reconhecimento social, sem nos afastarmos o nosso lado feminino; sendo guerreiras sem afastarmos de nós o nosso lado protetor e materno, sendo cozinheiras ou chefes de cozinha, sendo costureiras ou estilistas, sendo doceiras ou banqueteiras, educadoras, economistas, médicas, psicólogas ou desempenhando qualquer outra profissão, não nos esqueçamos de sermos MULHERES, SEMPRE MULHERES!