Ao ver aquele rostinho de alegria, tão próprio da inocência, procurei saber quem era aquela figurinha fantasiada de homem-aranha, fazendo pose de “valente” para as câmeras e descobri que o menino da foto, com apenas 5 anos de idade, socorreu uma menina de 1 ano e 10 meses, durante incêndio na residência desta, na sexta-feira (09/11), em Palmeira, Santa Catarina, salvando-a de sofrer males maiores.
Quem sabe, os adultos, políticos ou não, seguissem o exemplo deste inocente e, vestindo suas roupas de heróis, viessem em socorro dos que precisam ser salvos dos descasos sociais e políticos que permeiam nossos tempos.
Mês: novembro 2007
A maior de todas as marcas: a vaidade
Com certo atraso, reconheço, assisti ao filme O Diabo veste Prada, que foi baseado num best-seller da norte-americana Lauren Weisberger, que dizem ter vivido situação semelhante. A história, todos já sabem: Andrea é uma jovem que se muda para Nova York a fim de tentar uma carreira como jornalista. Ela consegue um emprego na maior revista de moda da cidade, a Runaway, comandada pela cínica, cruel e poderosa editora Miranda Priestly, a qual inferniza a vida de todos que com ela trabalham e, lógico, a isto se submetem.
Confesso que não me surpreendi muito com o que vi, pois a busca da carreira bem sucedida está sendo estimulada a todo o momento e pelos quatro cantos deste nosso mundo pós-moderno, no qual valores e relações afetivas são basicamente descartáveis, porque não são revertidas em lucros e, deste modo, não interessam ao mercado de capitais.
Eu não sei qual a marca preferida pelo diabo, mas se fosse arriscar um nome, diria que é a marca denominada Vaidade, como bem mostra o protagonista, em um outro filme: O Advogado do Diabo. Sabemos que a vaidade é a porta de entrada para todos os males, ou, se preferirmos, de todos os pecados, sendo esta a marca registrada de todos os diabos que tentam pontilhar as vidas de todos nós, pobres mortais.
No filme, cada nova “secretária-fantoche”, que iria atender diretamente a toda poderosa Miranda Priestly, era denominada “A nova Emily”, estas marionetes, como tantas outras, são facilmente descartáveis, e para que tal não aconteça, bastará às detentoras deste título, deixarem-se manipular, uma vez que, quem não se enquadrar neste jogo de poder, sedução, dinheiro e marcas exuberantes, está fora! Está “out”! sem dó nem pena (eles não sabem o que isto representa).
Então, se você não quiser desempenhar na vida o papel da mais “nova Emily”, do mais novo fantoche, tendo que agir como um “cavalo desembestado” para satisfazer desejos de outros e também os seus desejos puramente materiais ou ainda ver sua vida “ sem controle” algum, cuide-se mais, olhe-se mais e ouça o que diz Zaratustra: “*…olhar a vida sem cobiça, e não como cães, com a língua de fora.”, salivando, à espera do toque de uma campainha, à espera de migalhas que alimentem, exageradamente, a nossa terrível vaidade. (*NIETZCHE, Friedrich. Assim falou Zaratrusta. São Paulo: Martin Claret, 2002 p. 102)
Sortilégios
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O que buscas esconder com esta máscara?
Ou de quem te escondes?
Não adianta, menina, teu olhar revela a fêmea feiticeira
E,
Enquanto teus lábios parecem murmurar palavras de saudade,
Esta flor em teus cabelos revela a bailarina louca pra dançar
Assim,
Solte-se no mundo, ajude-o a girar com tua dança e teu balançar
Encante o ser amado e encante-se com ele, ainda que em sonhos,
Tire a máscara na hora que quiser ou quando ele pedir ou implorar
Então,
Revele-se por inteiro, mas revele sua alma primeiro,
Depois vá desnudando a paz que há por trás de teu olhar
Deixe cair os sete véus do amor, faça esta dança porque
A vida é curta, mas como é longo o teu cantar, viva!
E,
Espalhe, pelo mundo, muitos sortilégios de amar.
Amém!
Na origem, o nome Caim está associado a “provocar ciúme”, e, assim é que, biblicamente, quando os irmãos Abel e Caim levaram suas oferendas para Deus, o segundo sentiu-se preterido pelo pai, pois este “… não olhou com agrado para Caim nem para a sua oferta. Caim ficou muito irritado e andava de rosto abatido.” (Gênesis 4:5 ), ou seja, ficou enciumado, teve inveja do irmão e apesar do aviso divino, Caim resolveu assassinar o seu irmão Abel e executou o seu plano.
Vejo, com tristeza que o ciúme e a inveja continuam guiando mentes, mãos e corações desavisados, ao ler esta notícia: “Um jovem de 17 anos confessou ter matado ontem o irmão de 13 anos, em Área Alfa (DF)”.
O motivo do crime? Ciúmes , inveja, pois o suposto autor do crime disse que tinha ciúmes do irmão, que era o preferido do pai. Há também outro elemento nesta triste história , o suposto assassino “contou que tinha planejado seqüestrar o irmão para obter do pai R$ 45 mil de resgate e com esse dinheiro fugir com a meia-irmã, de 13 anos, com quem tinha um relacionamento amoroso”.
É, a simbólica história bíblica, infelizmente, se repete, provando-nos o caminho longo que ainda precisamos percorrer para evoluirmos espiritualmente, assim, por enquanto, para que estes sentimentos mesquinhos se afastem de nós, irmãos, só nos resta rezar:
Pai, não nos deixeis cair em tentações, especialmente nas tentações que nos fazem caluniar, ferir e matar e guiai nossos corações para o amor. AMÉM!
Escravidão
“Guardiões da humanidade”, nossos vizinhos do andar superior, com a superioridade delegada pelo poder econômico, comandam o mundo, fiscalizam, reprovam e exploram, de forma velada ou revelada todos os que estão na parte de baixo do mapa ou abaixo do que se determinou como riqueza, a econômica.
Ainda que, em muitos países pertencentes ao bloco denominado “inferior”, (segundo critérios econômicos- financeiros) existam muitas riquezas, que ainda não foram transformadas em moeda corrente valorizada, ou seja, não estão em bancos internacionais ou não fazem parte de Wall Street ou não aparecem na Nasdaq, aquietemo-nos, logo, logo, a varinha mágica das grandes potências há de tocar-lhes a fronte e, então, tudo se transformará em moeda, em divisa.
Os pensamentos até aqui expostos, nasceram, após a leitura desta notícia que nos chamou a atenção: “Deputados dos EUA discutirão trabalho escravo no Brasil”, esta atitude seria louvável, se não fosse invasiva. Será que não temos fiscalização, policiamento e autoridade em nosso país, necessitando, assim, que os nossos caridosos e humanitários vizinhos precisem invadir nosso território, para resolver nossos problemas?
Sei não.
Impuseram-nos costumes, invadiram a nossa cultura e principalmente, invadiram nosso território lingüístico e estas também são formas de escravizar outros povos, apagando-lhes os traços de identidade, fazendo nossa gente acreditar que somos menos valorosos do que os que moram no andar superior. Querem uma prova disto, façam uma visitinha a um bairro famoso, da zona Oeste, no Rio de Janeiro.
A língua francesa já se misturou à língua portuguesa e deixou heranças, mas, a invasão da língua francesa veio pela mão da vaidade, uma vez que foi ditada pela moda e pelo modismo, nos dois casos, o uso de termos em outra língua era/é símbolo de “status”, hoje, embora com novos contornos, dominar a língua inglesa ou empregá-la como nome de produtos ou de lojas, significa fazer parte dos bem-aventurados, dos afortunados, dos escolhidos, dos que hão de vender mais e dos que hão de comprar um produto com um nome, que, às vezes, eles nem sabem o que significa.
Cuidado, meu povo, para “eles”, os do andar superior (aqui na terra mesmo), o resto é o resto, basta vermos o que acontece nos locais de embarque de seus aeroportos.
Então, como explicar que quem explora o mundo e todo mundo, invadindo espaços, escravizando culturalmente outros povos, impondo-lhes costumes, maneiras de viver e, principalmente, fazendo com que outros povos comecem a desvalorizar um de seus maiores patrimônios: a língua materna, tenha o direito de julgar outros povos?
No entanto, se for para o bem dos que sofrem com o absurdo da escravidão, venham, senhores Deputados dos EUA, mas, por favor, tirem os óculos da grandeza, coloquem os óculos da realidade e calcem as sandálias da humildade, e, sendo os senhores, o protótipo do mito do salvador, por favor: salvem os que sofrem com o absurdo da escravidão, seja ela de que tipo for.
Sem graça
Nestes tempos, em que a aviação civil passa por tantos problemas, um tanto incrédula, leio a seguinte notícia: um menino de 11 anos conseguiu embarcar sozinho, sem lenço e sem documento, em um avião e, assim, viajou de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá até São Paulo.
A notícia diz que esta viagem aconteceu porque ele brigou com um vizinho da mesma idade e queria mudar-se, deste modo, creio que tudo foi feito “sem grandes planejamentos”. Então, sem ser incomodado, ele se misturou aos passageiros e viajou sem o bilhete ou cartão de embarque, chegando até o aeroporto de Guarulhos.
Pensem bem : um menino conseguiu viajar sem ser incomodado e… de graça! Isto parece coisa de cinema, mas é verdade e não ficção.
Imaginemos (toc! toc! toc!) que um louco, um fanático ou um bandido, com tempo suficiente para planejar, coloque em prática a idéia de entrar em um avião, a fim de cometer qualquer ato de loucura ou atentado, o que acontecerá?
Creiam-me, senhores passageiros, o resultado final de qualquer ação planejada por alguém mal intencionado, certamente, não terá a menor graça.
Deste modo, para a nossa segurança, só há um caminho, seguirmos as instruções e apertar os cintos, senhores passageiros!
As flores são assim…
A manhã chuvosa convidava à preguiça, mas como render- me ao convite, se as obrigações me aguardavam?
Foi a delicadeza de uma flor, que se abriu no meu pequeno “jardim”, reduzido a um jarro, que adiou o começo do trabalho que eu tinha de fazer, mas esta florzinha me mostrou que parar para admirá-la, não seria o fim do mundo, pois, se nasce uma flor em seu jardim, tudo mais pode esperar, e você precisa curtir este instante único.
Deixe este momento marcar-se em você, deixe a essência do instante impregnar-se em sua alma, para que a fragrância da nova flor vá tomando conta de todo o ambiente, inscrevendo-se no seu novo dia.
Permita que a graça da flor faça graça para os seus olhos, enquanto esta parece cuidar para que o seu dia seja o melhor de todos e para que você mergulhe de cabeça na dolce vita, onde o arco-íris de flores festeja a sua presença.
Estas metáforas da existência só comprovam que as flores pertencem ao grupo da beleza integral e, quem com elas compartilhar a paz, terá sua vida ancorada em harmonia, luz e amor, porque as flores são assim…
Viva!
Fui à passeata dos Zumbis. Gostei do que vi. Uma garotada divertindo-se, curtindo um dia que, por si só, carrega nos tons da tristeza, e que eles davam novo tom, o tom da descontração.
Algumas pessoas que assistiam à passeata, sugeriam que esta era, certamente, algum protesto: “Acho que foram atropelados, deve ser protesto contra as mortes no trânsito”, ou como disse o policial, ao ser informado de que era uma passeata de Zumbis, pelo dia de finados: “ Legal, bem que podiam aproveitar e protestar contra alguma coisa na política – lembrou ele.”, e estas passagens me fizeram pensar em, como estamos nos afastando do prazer e da a satisfação e, cada vez mais, nos desacostumando com a alegria.
Assim, antes que nos transformem totalmente em Zumbis, façamos passeatas, encontros e reuniões com este mesmo intuito, pois, urge salvarmos o prazer, a satisfação e a alegria, deixando-os bem vivos, enquanto ainda há tempo.
Fases da Lua
Quando eu procurava o seu retrato
Nas páginas do álbum da minha imaginação
Deparei-me com a lua magistral
Ancorada no porão da solidão,
Refletindo tempos, amores e paixões.
E, ao transportar seu nome em suas fases,
A lua fez-me plena de sua presença,
E uma nova sensação de mim se apossou
E fez minguar toda a tristeza desta sua ausência ,
Inundando o meu sorriso com nossas lembranças.
Foi a lua que fez crescer a certeza de que
O amor que sentimos no passado
Não passou, apenas está guardado.
Tudo isto foi a lua que me deu.
Lenda de uma Paixão
[Do livro PALAVRAS CRÔNICAS, de Sônia moura}
Solitária, a gaivota pousou num pedaço de pau fincado à margem do rio. A tarde estava no fim. Os olhos cansados da jovem apaixonada percorreram as montanhas, seu suspiro profundo ecoou no ar, soltou-se do peito e alargou-se em pranto. As lágrimas jogavam-se descompassadas sobre as águas, que serpenteavam e corriam frenéticas à procura do mar.
Afastara-se do grupo propositalmente, agora parecia perdida. Agora? Não, se perdera há muito, muito tempo. Por que logo com ela, por quê?
A noite chegava, bela, com uma lua de fazer sonhar. Pernoitou à beira do rio, precisava descansar, pois bem cedinho seguiria viagem, urgia voltar àquele lugar. Na longa noite, Íris teve um sonho revelador. Ele ainda estava lá, tinha certeza: ele ainda estava lá. E se já tivesse outra? Tinha de arriscar. Foi o canto das aves que a fez despertar. Espreguiçou – se, esfregou os olhos ainda inchados do choro do dia anterior e bocejou calmamente. Continue lendo