O ANEL

O ANEL (AUTORIA: SÔNIA MOURA)

   ANEL DE DIAMANTE

Lygia Langer Lester, este era o seu nome. Moça elegante, de família abastada, estava agora de caso com um simples porteiro. Como pode? Como? Como? A família entrou em polvorosa. Desmaios, chiliques. Desespero! Enquanto todos se atormentavam, Lygia sorria.
A família reuniu-se para decidir o que fazer com a jovem. Viaja amanhã. É, de amanhã não pode passar! A moça, agora era prisioneira em seu quarto e só tinha como companhia o presente que recebera de Antônio Lúcio: um anel, cravejado de diamantes e com uma conta escarlate. Pelo menos foi assim que a jovem o descreveu para os pais. Todos riram muito, só podia ser piada. Claro que o anel era fantasia.
Lygia não viajou, casou-se com Antônio Lúcio que calou a boca de toda a família, o anel era verdadeiro. O porteiro ganhara sozinho um concurso de loteria.
A família estava eufórica, desta vez o anel não se foi e, ainda, salvaram-se todos dedos da família.

(Do livro: CONTOS E CONTAS de Sônia Moura)

DÁ ATÉ SHOW

DÁ ATÉ SHOW por Sônia Moura

Em tempos de globalização econômica e cultural, somos colocados frente a telas que nos dão visões culturais multiplicadas e, ao mesmo tempo, unificadas, histórica, econômica e ideologicamente. Igual, tudo igual. Será mesmo verdade? Ou haverá marcas de um passado em que o que marcava de fato eram as diferenças?
Ideologias, mercado, ética, educação, trabalho, sobrevivência, culturas, políticas, produtos e bens culturais, numa simbiose louca, tentam nos convencer (e às vezes convencem) de que a melhor cultura é a hegemônica. De que serve a heterogeneidade, se todas as tribos devem conviver e sobreviver no maravilhoso mundo da fantasia, gerenciado por poucos e assimilado por muitos? Este é o nosso admirável velho mundo novo.
“Tudo é igual, não me iludo é contudo…” (Caetano Veloso), portanto, não tenhamos ilusões tardias, uma vez que a lógica do capitalismo é ilógica: fragmenta, diversifica e unifica produtos; se apossa de bens culturais, produz comportamentos, fabrica “políticas culturais”, uniformiza culturas.
No entanto, a globalização não deve ser olhada somente pelo prisma defensivo, se assim o fizermos estaremos “globalizando” nosso julgamento, tornando- o hegemônico. Não nos deixemos levar pelo (des) controle, não somos máquina, e podemos criar nossa mídia, podemos criar mercados.
O sistema de significações, operado pela cultura, mesmo que se promova o palimpsesto cultural, dá ao homem uma visão ordenada do mundo, e esta rede sim faz a diferença, pois é esta marca simbólica, significativa, identitária que manterá em convergência tradição e modernidade, mesmo nos momentos exacerbados da globalização econômico- cultural, desta imensa aldeia global.
Eu gosto, tu gostas, ele gosta, nós gostamos… ? Respondemos quase que numa só voz: SIM, porque eles gostam. Quem? Os mercadores de tudo, inclusive da(s) cultura(s), não respeitam fronteiras, destroem barreiras, conjugam e nos fazem decorar o verbo consumir (consumir tudo, inclusive cultura – não importa o que entendamos por cultura). Não se oponha, não questione, apenas consuma o que eu mando, o que nós mandamos e não o que você(s) gosta(m).
Historicamente, os povos dominados, colonizados, explorados e ou “civilizados” são induzidos a olhar o dominador com o olhar de admiração e tudo o que dele vier será melhor, mais bonito, mais isto e mais aquilo. E, assim, muito vai sendo jogado por nossas goelas ávidas dos saberes, das artes, das culturas e das línguas alheias e nos empanturramos com o que é do outro, com um sorriso nos lábios.
Estrategistas de lá e de cá nos afogam em belas novidades, em luzes e em cores, em sabores e em odores. Empanturrem-se, assim não terão fome da sua própria comida. Boquiabertos, arrastando uma cultura bancorrota , nos ancoramos no olhar alheio, num mundo alheio, somos todos irmãos, somos filhos dos mesmos pais (ou do mesmo país sem fronteiras?). Somos todos iguais (desde que usemos o mesmo tênis). Aliás: “Tudo é igual quando canto e sou mudo…” (C. Veloso).
Afastando-se de xenofobias, exclusões, sectarismos, o produtor cultural terá papel primordial na desmontagem dos paradigmas globalizados. Se a globalização deseja o monólogo da arte e da cultura, cabe ao produtor abrir canais a novos diálogos, ficar atento ao espetacular, sem ser espetaculoso, saber tirar o chapéu na hora certa, se a idéia for boa, saber negociar, driblar inferências e interferências, dar voz à sua cultura, sem deixá-la se apoderar do microfone e sem jamais ser a voz do produtor a única voz no cenário.
Urge buscar parcerias, ouvir o outro, entrelaçar idéias, deixar a caverna sem destruí-la, mas, principalmente, colocar o foco na pessoa, ser sábio, saber manipular o aço temperado da globalização, acendendo o candeeiro e a luz neon, usar a pena da escrita e digitar idéias e ter muito cuidado com o que vai deletar, confirmando, assim, que a faculdade única da cultura não está só no nome.
Desta forma, novas abordagens de temas atávicos e novas práticas deverão ser adotadas com a finalidade de que comunidades se reconheçam, se valorizem e, assim, a cultura ( brasileira) se revitalize.
Eventos diferenciados (do rock ao samba) em locais diferenciados (do armazém ao museu) serão pontes por onde transitarão experiências distintas, formando uma só corrente. O produtor cultural, um dos elos desta corrente, deverá estar disposto a receber todo o mundo e todos os mundos, investindo na criação de projetos nos quais as idéias sejam estimuladoras, onde os espetáculos façam rir, façam chorar, mas que nos façam pensar, pois estes são, também, papéis da arte e da cultura.
Pensar a estética do espetáculo cultural é de suma importância, mas não nos esqueçamos da ética ( embora saibamos que neste mundo pós – moderno/globalizado a ética por vezes é triturada, incinerada e jogada no lixo, fica à mercê de toda a forma de interesse), contudo, a ética é o carro-chefe de qualquer espetáculo, e o produtor cultural não deve se afastar dela, senão, passará a ser apenas um insignificante reprodutor cultural.
Possibilitar a exploração, a recuperação e a atualização de imagens da história do povo, unindo presente e passado é uma das formas de driblarmos o lado mais perverso da globalização cultural, para tal, quem produz cultura precisa estar atento aos fenômenos diferenciadores da globalização econômico – cultural e do uso individual das informações dos novos tempos, explorando tesouros escondidos, vasculhando endereços camuflados, reconduzindo a cultura a seu verdadeiro posto, quando ela precedia o mercado, é preciso, eticamente (re) equilibrar o âmbito cultural e o âmbito comercial.
Cabe ao produtor cultural ser o implacável arqueólogo do seu tempo e dos tempos imemoriais, estabelecendo laços entre o ontem e o hoje. Ousar dizer, ousar fazer, sem embarcar no nacionalismo estreito, pois somos plurais sendo únicos, temos o nosso discreto charme latino – europeu – indígena -negro- oriental – ocidental, somos o Brasil.
A globalização de agora é exercida por organizações econômicas mundiais, por tecnologias da informação e comunicação, e é difícil lutar contra estes monstros, mas como se sabe, monstros podem ser vencidos, monstros são lendários, e os produtores culturais precisam ter condições de compreender, analisar, refletir, criticar o fenômeno da globalização cultural, para que seus projetos e fazeres culturais compartilhem, compactuem com os pontos positivos deste fenômeno, sem que seus espetáculos percam de vista a identidade cultural local ou nacional.
O controle remoto da globalização cultural passa pela mão dos que produzem a ideologia dominante, dos que desenvolvem pensamentos coletivos, dando a nós os nós. Para desfazer estes nós, não podemos nos afastar do novelo, é preciso entender as mazelas dos novos tempos e dos novos recursos e o produtor cultural, que é traço de união, deverá se apropriar dos recursos disponíveis de acordo com a realidade vigente, driblando imposições e intenções.
Unindo ética, competência, educação, cultura e cidadania, manteremos nossos bens culturais, criando projetos culturais e produtos culturais, que poderão provocar a ampliação de conceitos, aproximando modos culturais, modificando representações culturais, fazendo acontecer a união e a unificação de modos culturais, sem descaracterizar inteiramente identidades culturais.
Assim, nossa representação cultural, conduzida por mãos hábeis e ágeis de bons produtores culturais, apesar do arrastão globalizado, com toda certeza, dá até show.

gLOBALIZAÇÃO

NEM VEM QUE NÃO TEM!!!

WILSON SIMONAL

NEM VEM QUE NÃO TEM!!! (Autoria: Sônia Moura)

Assistindo ao bom documentário: “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei”, confesso que chorei, que me revoltei e me rebelei, por saber que Simonal não está mais aqui para, ao menos, ter a chance de ouvir os aplausos que ecoaram ao final da apresentação cinematográfica, pois, ficou claro que, antes de mais nada, as palmas eram para o grande Simonal, eram palmas solidárias, ecoavam assim, sentia-as assim.
Salve, Simonal!

E tenho a absoluta certeza de que você está alegrando o ambiente celeste, sim, você só pode estar no céu, pois seu inferno foi aqui na terra mesmo, e que inferno!

Simonal era O ARTISTA, assim mesmo, com todas as letras maiúsculas (isto ainda é muito pouco para dimensionar a grandeza deste artista) e foi, como bem disse Miéle em seu depoimento, o maior cantor brasileiro de todos os tempos. Alguém duvida?

No entanto, dos caldeirões de magia torta, saíram poções de inveja, vingança, despeito e, principalmente de preconceito contra sua negritude, tudo isto temperado com o suor de um inocente útil que, por ignorar que não era deus, falou bobagem, fez-se menino a gabar-se de vitórias tortas, de feitos fantasmagóricos, ao mostrar-se íntimo de quem não devia e a quem, a bem da verdade, ele sequer conhecia ou sabia quem eram os homens que serviam à ditadura.

Como bem disse Chico Anísio, Simonal sequer sabia o que significava a sigla SNI.

No entanto, a bem de  interesses escusos, toda esta mentira foi transformada  em verdade e por isto Simonal foi morto, ainda que seu corpo continuasse por aqui por longos trinta anos.

Nunca lhe deram a chance de se explicar, nunca. Nunca lhe deram qualquer voz e qualquer vez. Por quê? Por quê? Porque a sua própria classe se calou e se cala até hoje, com raras exceções. Porque a imprensa tornou o boato verdade e bateu duramente nesta tecla e neste homem.

Quem o odiava tanto a ponto de querer mantê-lo como um morto-vivo, pois, como se sabe, o artista que não pode praticar a sua arte é um espectro, somente isto, nada mais.

Tento imaginar o quanto deve ter sofrido este menino grande, quantas dores, quantas lágrimas, meu Deus e ninguém, ainda que fosse por compaixão, ninguém lhe deu uma chance, umazinha sequer, para que sua imagem tão maculada, pudesse voltar a ser limpa.

Tudo o que aconteceu com Simonal, foi o resultado de dois fatores preponderantes:

1 – A ignorância do homem Simonal em relação à vida, ao mundo, que é cruel mesmo com os inocentes e com os despreparados para lidar com ódios, invejas, poderes e poderosos de direita ou de esquerda, como é o caso em questão, e a ignorância moral e espiritual dos que o condenaram, mas, seria tão bom se fosse feita justiça (do céu ou da terra) e que devolvesse aos algozes de Simonal ao menos uma parte da dor que este sentiu, garanto-lhes que eles não suportariam.  Para mim está e sempre esteve bem claro: Simonal foi/é injustiçado.

2 – A intolerância do homem Simonal em relação à possível/provável falha de seu contador (que, a meu ver, procurou, mais uma vez, incriminar aquele que tanto padecera) e a intolerância dos que brigavam por tolerância e justiça e que agiram exatamente como os que eles condenavam, tornando-se os verdugos, que impiedosamente degolaram uma carreira artística, um homem, sua arte, sua família e, principalmente, sua vida.

Quem não conhece a história do lobo mau e dos três porquinhos – Prático, Heitor e Cícero? Com todo o respeito que os animais merecem, a história de Simonal mostra que um lobo-bobo, ingênuo caiu na armadilha de alguns porcões. Seus nomes? A história certamente um dia fará justiça a Simonal e os nomes destes ferozes e implacáveis “porquinhos”, que até hoje chafurdam na lama da maldade, serão revelados, é só esperar, pois, como diz o velhíssimo ditado: A justiça tarda, mas não falha!

Enfim, oxalá Simonal tivesse o poder de ressuscitar mais escolado em relação às coisas da vida, e, neste brilhante retorno, cantasse para aqueles que ousassem colocar-lhe à frente qualquer arapuca: “Nem vem que não tem…”.

GOSTO DE MAÇÃ

     

maçã

GOSTO DE MAÇÃ (Autoria: Sônia Moura)

Me acorde antes do sol
Me acorde sorrindo e com beijos
Numa manhã qualquer
Naquela hora em que
A lua se esconde do outro lado
Fazendo meiguices de mulher
Faça o tempo sem tempo
Deixe e não deixe o tempo passar
Me dê um abraço suave
Beije meus cabelos
Deixe eu te abraçar e te amar

Preciso te olhar com os olhos da manhã

E, sendo Eva, te oferecer
Na mesma bandeja de prata
Meu corpo com gosto de maçã

(Do livro Entre Beijos e Vinhos de SÔNIA MOURA)

mulher

PAIXÃO- teste

                                                    idéias e versos

PAIXÃO – teste  (Autoria: Sônia Moura)

 

Você já desejou ardentemente, desesperadamente que o telefone tocasse e, ao primeiro toque, atendeu disfarçando a ansiedade, mas com o coração aos pulos, jurando que era ele e… como não era, disse um alô quase entre os dentes, para a pessoa que ligou na hora errada (ao menos para você)?

Você já ouviu uma música no rádio, que você sabia que dizia tudo aquilo que você gostaria de dizer àquela pessoa e torceu loucamente para que ele também estivesse sintonizado na mesma emissora que você?

Você já ouviu uma música com uma letra estrangeira que você não entende xongas, bulhufas, mas que sente, intui que a letra fala de amor e você pensou: – Por que ele não está aqui comigo, para curtir e para dançarmos juntinhos?

Você já se pegou olhando o armário e pensando em que roupa vai vestir no próximo encontro, enquanto, no seu íntimo, seu maior desejo é que o encontro fosse daqui a poucos minutos e teve raiva do tempo que afastava você da pessoa amada?

Você, mesmo sendo muito liberal e totalmente analisada, filosofada, estudada, além de se julgar completamente lógica, já morreu de ciúmes da ex-, da moça da mesa ao lado, daquela atriz maravilhosa, para quem ele sempre lança olhares desejosos (pelo menos é o que você acha) e depois se maldisse, pensando: como posso ficar assim (enciumada) se me julgo uma pessoa tão centrada?

Você já assistiu a um filme, no qual uma paisagem belíssima serve como pano de fundo para as cenas de amor e imediatamente se transportou para aquele paraíso, “levando” a pessoa amada junto com você, juntamente com uma rede, um barquinho, um violão ou um sonzinho maneiro?

Você, mesmo estando durésima, já comprou aquela roupa lindona, aquele sapato espetacular, aquela  bolsa chocante, que combina muito bem com a roupa e com o sapato, e, só para arrematar, comprou aquela biju deslumbrante, pensando o quanto ficaria lindíssima, sensual, maravilhosa só para ele?

Você, ultimamente, está muito preocupada em combinar o sutiã com a calcinha, e é bom que sejam lindamente confeccionadas em rendas, ou com estampas bonitas e que, tanto um, quanto a outra sejam bem cavadinhos, já se imaginando a tremer de satisfação quando ele a olhar com olhar de tesão e disser que você está maravilhosa?

Você já se pegou rindo à toa, sem ter ouvido nem uma piada, nada, nadinha, mas se vê sorrindo, olhando para o tempo, olhando para o nada, e com aquele sorriso insistente que não quer sair dos seus lábios?

Você já sentiu um frio na espinha só de pensar nos beijos, nos abraços e nos carinhos dele, enquanto todos na mesa falavam, falavam, mas sua cabeça, seus pensamentos e seus desejos estavam bem longe, lá onde se encontrava?

Se você respondeu SIM a uma só destas perguntas, creia-me: a paixão já agarrou você, no momento, minha amiga, você está irremediavelmente perdida, você está APAIXONADA assim sendo, aproveite, deite e role, literalmente!

BRASIL – COTA POR COTA…

 

                                                                      Cotas

 

 

BRASIL – COTA POR COTA… (Autoria: Sônia Moura)

A história da educação no Brasil confunde-se com a história sócio- econômica do país no que diz respeito à difícil inclusão de negros, índios e pobres nos bancos escolares.Arrastando-se por um longo período, o quadro da exclusão escolar não apresentava nenhum sinal de mudança.

A ação nem sempre tem mais valor que a reação e é sobre a reação dividida da sociedade, no que se refere ao sistema, que se insurge esta nova modalidade denominada justiça social e é sobre ela que se movem nossas dúvidas, uma vez que, politicamente, as instituições de ensino não têm como recuar ante a Lei e mesmo ante a sociedade, pois, se o fizerem, correm o risco de “sujar” a sua imagem.

Se… Se… A tentarmos equacionar esta questão e/ou buscar saídas e respostas para as questões surgidas com o advento das Cotas, estamos todos na condicional: sociedade, universidade, Estado.

Se, por um lado, o sistema de cotas poderá ser visto como resgate histórico- cultural que dará oportunidades àqueles que sempre estiveram à margem, por outro lado, assim como os negros eram tratados pelo poder da chibata, também as instituições de ensino irão trabalhar debaixo da chibata legal, e o Estado, dono da chibata, também levará suas chibatadas.

Assim sendo, o regime de cotas confere à escola o papel de justiceira ou de feiticeira que vai, num passe de mágica resolver problemas seculares, os quais a sociedade sempre ignorou? Como responder a esta pergunta?

Discute-se, ainda, se o Estado não está colocando panos quentes sobre suas mazelas: desigualdade social e escolaridade deficiente, deficitária, incapaz de formar indivíduos que possam concorrer a uma vaga na universidade sem recorrer a cotas. Possivelmente sim. Mas, a curto prazo, haverá outra saída?

O que já sabemos é que, mesmo que as bases históricas sejam outras, em outros países verificou-se que, embora polêmico, o sistema de cotas pode ser um bom começo, assim sendo, enquanto o que se deseja: igualdade social não acontece, procuremos entender que este é um traço novo em nossa sociedade educacional, e continuemos a luta para que o que se deseja, se realize: educação de qualidade para todos.

Acreditamos também que, mudar as bases da divisão de renda ou cumprir o que diz a lei, dando os mesmo direitos educacionais a todos, isto é , educação de qualidade e respeito à cidadania este seria um bom caminho para o Estado trilhar.

No entanto, se por um lado a proposta das cotas propicia transformações sociais de alta relevância, pois é um projeto que pretende fundamentar suas ações em inclusões que consigam, se não dissipar, ao menos equilibrar forças tão díspares valores arraigados e novos valores, por outro lado, as cotas podem contribuir para a acomodação do Estado e de suas políticas educacionais, fazendo com que cada vez mais a educação fique relegada a último plano nas prioridades dos governos.

À sociedade cabe o dever de transformar o instituído, mesmo que inicialmente este projeto nos cause estranhamento, acreditamos que devemos tentar aceitá-lo e acatá-lo, pelo menos por um tempo. É o ideal? Não, não é, porém é o real, é o que se apresenta no momento. É uma pequena fresta através da qual o direito à educação superior estenderá seus braços a todos, ou a quase todos, porém, devemos continuar atentos e cobra do Estado que ele desempenhe o seu papel de dá a todos o direito à educação de qualidade.

Uma vez que a idéia de correspondência, de correlação e semelhança entre o mal causado aos pobres, aos negros e índios e a seus descendentes, os quais hoje recebem um ensino muito precário (quando recebem), acreditamos que ao menos de forma parcial, politicamente, a sociedade estará se redimindo de tantas injustiças, que a história de ontem e de hoje registram, basta examinarmos o que rege a lei de talião: do latim Lex Talionis: lex: lei e talis: tal, parelho- consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena — apropriadamente chamada retaliação, que é frequentemente expressa pela máxima “olho por olho, dente por dente”.

(Trabalho apresentado à Fundação Getúlio Vargas, 2005)

                                                                       BrasilDespedaçado

 

 

ENCONTROS

 ENCONTROS (Autoria Sônia Moura)

Será um sonho ou é esta emoção
Que me faz sentir
Tua presença em mim
Convidando-me a
Seguirmos juntos, de mãos dadas
Como pássaros libertos a voar por aí

Será um sonho ou é o meu desejo
Que, no silêncio da noite enluarada,
Mostra-me que sou criança perdida,
A brincar no meio da roda da alegria
Enquanto você ri da brisa do amor
Que está a morar em mim
Sem querer partir

Será um sonho ou é minha verdade
Que acaba por se descobrir
E entoa o meu canto
Que estava guardado num canto
Á espera do amor que está por vir
O amor que eu espalhei ao longo da estrada
Que sozinha eu construí

Será um sonho ou são minhas visões
Que fazem aparecer em múltiplas janelas
Um mar banhando mil mistérios
E a despejar teu eco sobre mim

Enquanto isto, ao me encontrar em ti
Jogo fora todos os meus receios de amar,
E me esbaldo na liberdade deste mar

Pesco o amor no meio do oceano
E, a partir daí,
Desvio-me todo e qualquer perigo
Depois, faço numa fenda do mar o meu abrigo
Na sanidade dos amantes loucos busco o teu retrato,
Mas o que vejo é o reflexo de minh`alma no espelho d`água

Neste instante, calam-se as vozes dos sete mares
E eu entoo uma canção antiga
Então, teu corpo vem pra junto ao meu
E eu, finalmente, me encontro comigo

Do Livro POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

aMOR, AMOR, AMOR

ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA

ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA (Autoria: Sônia Moura)        escravidão

ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA (Autoria: Sônia Moura0 A lei nº 3.353, de 13 de maio de 1888, de autoria de Rodrigo Augusto da Silva, ministro dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e interino dos Negócios Estrangeiros, deputado e depois Senador, que não previa nenhuma forma de indenização aos fazendeiros, dizia:A assinatura da Lei Áurea foi decorrência de pressões internas e externas: o movimento abolicionista já tinha grande força no país, havia freqüentes fugas de negros e mulatos, o exército já se recusava a fazer o papel de capitão-do-mato, ou seja: capturar e devolver os escravos a seus donos.

Além disso, estava se tornando economicamente inviável manter o trabalho escravo, em face da concorrência com a mão-de-obra imigrante, barata e abundante, todos esses fatores conjugados e os ataques constantes dos negros, muitos deles refugiados em quilombos, às propriedades agrícolas, como mostrou Joaquim Manuel de Macedo em seu livro: As Vítimas-Algozes. (http://wapedia.mobi/pt/Lei_Áurea)

No Brasil, falta muito, mas muito mesmo, para que os negros venham a ter seus direitos assegurados, pois, como sabemos, a lei proíbe e coíbe o preconceito, mas, infelizmente, não lava as mentes e as almas que se encontrarem entranhadas por todas as formas de pré-conceitos.

Assim é que, mesmo com o passado escravocrata que condena o país à vergonha eterna, louvemos a Lei Áurea, porque, mesmo com suas “imperfeições”, ela foi um dos primeiros passos ao qual vamos, muito lentamente, somando outros passos, desta longa caminhada, a qual precisamos percorrer para mostrarmos ao mundo que alma não tem cor e ela é o que importa, pois, a carne apodrece e a cor da pele se perde no meio da podridão ou do fogo, mas, a alma não!

VEIO A CALHAR

No instante em que escrevo, vejo/ouço no noticiário noturno um deputado irado a falar contra as propostas do governo para que o país faça justiça aos negros.

Gritem também, senhores, gritem, mas, lembrem-se de que, este não é um país que dê os mesmos direitos a todos, aliás, é sim, mas só no “papel”. Embora insistamos em negar , a verdade é que  somos um país racista, sim!
Chega de taparmos o sol com a peneira, é necessário que se faça justiça a quem sofre por um passado histórico que sempre segregou os negros e a seus descendentes e, convenhamos, ainda segrega.

É, senhor deputado, fazer justiça, ainda que tardia não pode, mas segregar, pode, certo?

escrvidão

FALA-ME DE AMOR

                                                                   Amor

FALA-ME DE AMOR (Autoria: Sônia Moura)

Ao menos hoje
Fala-me de amor
Mesmo que mintas
Fala-me de amor
Ainda que não sintas
Fala-me de amor
Com doces palavras
Fala-me de amor
Com palavras alheias
Fala-me amor
Use desenhos, mas
Fala-me de amor
Grite ou sussurre, mas
Fala-me de amor
Entre abraços e beijos
Fala-me de amor
No meio do desejo
Fala-me de amor
Cante uma música e
Fala-me de amor
No momento do gozo
Fala-me de amor
Na noite escura
Fala-me de amor
Debaixo do sol ardente
Fala-me de amor
Com mansidão
Fala-me de amor
Com sofreguidão
Fala-me de amor
No teu sorriso
Fala-me de amor
Pela tela do computador
Fala-me de amor
Por telefone
Fala-me de amor
Bata um tambor, mas
Fala-me de amor
Use tabelas, gráficos, mas
Fala-me de amor

Entenda minhas razões
Abraça meu coração
Vem me fazer feliz
Varra pra longe a dor
Falando-me de amor!

(Do livro: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura

LOUCA

                                                           bEIJO

LOUCA (Autoria: Sônia Moura)

Eu sempre quis
Uma sala com lareira
Um tapete no chão
Um homem me amando
Me beijando a boca

Eu sempre quis
Ser feliz

LOUCA!

(Do livro POEMÁGICAS de Sônia Moura)

LAREIRA