ENTRE O SOL E ALUA

                                              Entre osol e a lua

Hoje, o dia vai ser belo, hoje a vida irá me trazer belas surpresas, hoje serei mais feliz, pois acordei entre o sol que ainda bocejava e a lua que se despedia sorrindo para ele e para mim.

Senti que eles quase se beijaram, assim, espalharam o amor sobre este dia,  e deixaram em minha  boca, no meu  sonho, nas minhas certezas e incertezas o tom da felicidade.

Hoje,  acordei no colo da alegria.

ENTRE O SOL E A LUA

ILHAS

 

 ILHAS

 

 ILHAS  (Autoria: Sônia Moura)

 

 Eu pensei que sabia das coisas da vida

Mas o brilho da lua bailando no mar

Das ilhas por onde passei

Me deram a certeza de que eu deveria

Aprender muito mais

Sobre as coisas do amar

Que, como as ondas do mar,

Vão e vêm sem parar

E se espalham

Por todas as praias e cantos

Daquelas almas ilhadas

Pelo medo de amar

 

Entre uma ilha Grande

Tão bela quanto a outra, Bela

Visitei os recantos do seu olhar

Encontrei seu coração dividido

Percebi seu gostar tão desgastado

E tudo isto me fez sofrer e chorar

E pensar como são difíceis para você

Estas coisas do amar

 

Tendo que enfrentar o desafio à beira mar

Debrucei-me na janela de minh`alma

E me deixei pelos encantos das ilhas levar

Bebi o seu silêncio e o som a sua voz

E procurei meu coração acalmar

Quando tive a certeza de que você

Não foi feito para o amor

E muito menos para amar

 

Você quer portos inseguros

E navios sem amarras

Você quer a ilusão do gostar

Você quer a incerteza na hora de voltar

Para um lar que não existe

Como faz quem não sabe sonhar

 

Ilhada, penetro em teu coração

Como um peixe vadio

Que vive preso ao casco do navio

Nunca subindo a bordo

E descubro que ele é totalmente vazio

 

Seu coração é ilha deserta

E assim há de ficar

Pois este é o seu destino

Ser sempre um tolo menino

Sem sentimentos, sem sentir, sem amar

O que me resta é estes fatos lamentar

E desejar que cada um siga o seu destino 

Aportando no mundo do seu jeito

Esse é um direito

 

Eu, ainda prefiro ter a chance de sonhar

Eu, ainda desejo conjugar o verbo amar

E, se tiver que ser ilha,

Merecer fazer parte de um arquipélago

Só não quero ser uma ilha vazia

Uma ilha sem brilho ou sem alma

Este tipo de ilha eu deixo

Àqueles que, como você,

Não sabem de fato o que é viver

 

(Do livro: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

 

 ILHAS

 

ENCRUZILHADA

ENCRUZILHADA  (por SÔNIA MOURA)

Etimologicamente, a palavra cruz origina-se do latim  1- crux, crucis- designa diferentes tipos de instrumento de suplício; 2 -crucius – significando atormentar, torturar; pregar na cruz; 3- cruciatus significando suplício, dor, sacrifício, aflição.

Sabendo-se o que está na raiz desta palavra, como se faz quando a vida nos apresenta uma encruzilhada e que nós temos a certeza de que precisamos tomar uma decisão e, no entanto, o destino ou  a vida colocam em nossas mãos, mentes e corações, e não só em nossas costas, uma cruz, ao mesmo tempo que nos vemos no entroncamento de caminhos a escolher e, perdidos, não sabemos o que fazer?

Aflição, palavra que também significa dor, agonia, angústia, irá acompanhar aquele que se encontrar numa encruzilhada, buscando uma luz que o guie ao caminho certo. Tudo leva a crer que a melhor resposta à pergunta que pesa sobre os ombros, a mente e o coração do que está angustiado é um segredo que somente o tempo poderá desvendar.

Na verdade, estar numa encruzilhada é estar dentro de um jogo de espelhos, no qual o que o jogador vê é solidão e melancolia.

Se fosse possível, quem sabe, um gênio ou uma fada-madrinha pudessem ser conclamados a nos ajudar. Pura ilusão! Não há artifício, mágica ou malabarismo que nos tire do meio da encruzilhada, somente aquele que lá se encontra pode decidir que caminho seguir.

Outra vez, só me resta aconselhar que nos voltemos à fé e à oração, pois, se não resolver o dilema, ao menos  ajuda a acalmar o coração, a mente e a alma.

 

ENCRUZILHADA

AVES PERDIDAS

                                                             Aves Perdidas

AVES PERDIDAS  (por Sônia Moura)

 

Depois de um tempo sem fazer a caminhada matinal à beira-mar, pois a chuva resolveu tomar o lugar do sol, felizmente no domingo (25/10/2009), o sol voltou a reinar e a iluminar o Rio de Janeiro, ainda que por pouco tempo.

A manhã trouxe alegrias: o encontro com os amigos de caminhada, a alegria de banhar-me nas águas copacabanenses, o papo que correu solto, porque estava tudo acumulado há muitos dias.

No entanto, a surpresa maior viria quando eu e Sérgio vimos o filhote de uma belíssima ave que quase se afoga, tentando sair do mar.

A ave era realmente bela, a plumagem negra contrastando com o branco do dia, os pés desproporcionais para o seu tamanho, mas este detalhe perdia para a beleza da cor daqueles pés e pernas – eram verdes, sim, eram verdes e para completar, no início de cada perna, havia um anel na cor de um vermelho bem vivo, que combinava com o bico também vermelho e, para contrastar, no final do bico, havia um detalhe em verde, o qual  só fazia realçar a beleza daquela ave.

Assustada, cansada, estressada, a ave recusava a nossa ajuda, ainda assim, conseguimos levá-la até areia e a deixamos lá, para que secasse sua bela plumagem e, quem sabe, voltasse para o aconchego de seus pares.

Continuamos nossa caminhada, mas o meu coração ficou apertado demais.

Será que ela se salvou, era tão bonita, será que a deixaram em paz, secando suas asinhas encharcadas. Será que conseguiu voar outra vez, será que chegou até seu lugar, será que encontrou seu bando?

O encontro com esta ave me remeteu às coisas da vida.

Quantas vezes nos encontramos perdidos, e, ainda  que tantas vezes,  como a ave,  por medo ou por descrença,  recusemos a ajuda, mas, se conseguimos entender que a ajuda será boa para nós,   as chances de sobrevivermos tornam-se grandes, se nos deixarmos guiar por  uma mão amiga que venha nos amparar.

Nesta manhã de segunda-feira, acordo muito cedo mesmo e resolvo escrever esta crônica, neste momento, a televisão exibe uma reportagem sobre jovens aves perdidas, que extraviaram-se do mundo, ao encontrarem o mundo das drogas.

Tristes fatos, tristes cenas, tristes verdades.

Um jovem mata a namorada num momento de fúria que a droga provocou.

Duas famílias perdidas, desoladas, sofridas, tão desnorteadas como a ave da praia; aves adultas que perdem seus filhotes para a desgraça das drogas.

O que nos resta fazer?

Acho que, antes de mais nada, precisamos rezar muito, sim, rezar. Não sou tão religiosa assim, mas creio na força da oração, ela é fonte de energia e se espalha fácil, dando sustentação nas horas tristes.

A seguir, devemos cobrar das autoridades maior esforço em debelar as fontes que deixam tantas avezinhas perdidas e a maioria, infelizmente, para sempre, criando leis mais severas, sem dó nem piedade, pois os que espalham a droga não têm pena de ninguém, seus corações já foram devorados pela ganância, só o dinheiro conseguido com a venda da droga os acalenta.

Desejo ardentemene que estas jovens aves encontrem em seus caminhos mãos amigas e que nela segurem, para que consigam sair do mar revolto, livrando-se das ondas, que as jogam para lá e para cá.

Oxalá, consigamos salvá-las antes que elas se afoguem.

Deus, proteja nossos ninhos e nossos pequenos passarinhos.

Senhor, tenha piedade de todos nós!

 

P.S.: Se alguém souber o nome da avezinha da praia, por favor escreva-nos.

 

A LINGUAGEM E O ENSINO

A LINGUAGEM E O ENSINO

A LINGUAGEM E O ENSINO (Autoria:SÔNIA MOURA)

 

           Tomando como as principais correntes dos estudos lingüísticos,  a gramática tradicional, o estruturalismo e a lingüística da enunciação, podemos  definir a linguagem como expressão de pensamento, instrumento de comunicação, modo de interação e/ou representação artística, sem perder de vista o sujeito do discurso, as identidades individuais e/ou coletivas e as experiências culturais.

Ao colocarmos em destaque a linguagem, este sistema de signos que serve de meio de comunicação e para expressarmos sentimentos, seja ela formada por signos convencionais, visuais, sonoros, gráficos ou gestuais, signos estes que nos orientam e nos ajudam a distinguir as várias espécies de linguagem, das mais simples às mais complexas destacando, também, os elementos constitutivos da linguagem:  gestos, sinais, sons, símbolos,  palavras, usados na arte de representar, colocaremos em destaque a linguagem teatral, como prática pedagógica, através do embasamento técnico da linguagem teatral (preparação vocal e corporal, instrumentalização teórico-prática), criação estética (construção da personagem, movimentação cênica, procura da expressividade do texto); buscando entender quais são os recursos que são específicos do teatro e que favorecem um redimensionamento do homem em seu universo.

Desenvolveremos um estudo da arte, do homem e da sociedade desde os primórdios até nossos dias, para acompanharmos a mudança destes através dos tempos e entendermos como veio a realizar-se o desenraizamento, a fragmentação, a alienação do homem moderno e os reflexos disso na arte. Defendemos a idéia que há um potencial na linguagem teatral que ultrapassa a experiência existencial cotidiana e permite uma “re-ligação” com os outros, os grupos e a cultura a que pertence; refletimos sobre algumas experiências que desenvolvemos com o teatro voltado para a transformação da pessoa humana.

Discutir e expor a aplicação de uma proposta metodológica para o trabalho pedagógico, por meio da  linguagem teatral, focalizando de modo privilegiado o desenvolvimento cultural e  sinalizando a importância e o impacto positivo das práticas pedagógicas envolvendo a linguagem teatral em processos que apresentem  resultados que se distanciem da prática pedagógica tradicional, utilizando a linguagem artística na sala de aula.

           Como alcançar as significações, as recorrências, as metáforas, as elipses, as redundâncias e as ausências  que aparecem em textos teatrais, como relacionar o texto dramático com o  escrito e o representado, como conciliar o texto principal e o texto secundário e as formas de  ensino, especialmente o de língua e literatura?

           Sendo a arte um fenômeno comum a todas as culturas e a linguagem  o instrumento de ordenação da vida humana no tempo e no espaço, juntas deixaram a caverna e ganharam o mundo, multiplicaram-se desde os primeiros desenhos (linguagem em forma de arte ou arte em forma de linguagem?) e permitiram ao homem se relacionar com os eventos do mundo. Nasce a palavra escrita, sempre renovada e avassaladora, que servirá como suporte em campos artísticos ou científicos, garantindo-lhes, também, o registro. 

           O texto dramático, quando não representado, torna-se “inútil”e ambíguo, não pela forma ou pelo conteúdo, e sim, por não conseguir alcançar a estrutura sobreposta das significações, através da representação. Se a palavra em questão (o texto cênico) não  for absorvida, haverá exclusão e negação entre o texto escrito e o texto que deveria tornar-se representação. Negação e exclusão só se concretizam se não forem decompostas as virtualidades simbólicas incrustradas em cada texto, resultado de uma explicitação da arte, por intermédio linguagem poética e representativa.

           No teatro e na escola, cada fala apresentar-se-á situada entre alternativas de expressão esquemática, definida e ordenada, onde cada determinação corresponde a uma designação em cena ou a resultados do processo ensino-aprendizagem.

           Entrelaçados, os elementos essenciais e as diversas formas de linguagens, no teatro e na escola, sobem ao palco, no entanto, só a palavra se multiplica e se divide, porque o texto de teatro é “repartido” entre protagonistas, antagonistas, “pontas”, diretores, roteirista, iluminador, sonoplasta e  contra-regra. Destrona-se a palavra sem prescindir-lhe a importância, uma vez que  o texto principal  é somado a outro(s) textos. Há o roteiro, as marcações de cena, há o “story  board”, há o diálogo primordial  do texto e o diálogo paralelo ao texto teatral,  entre a direção e sua equipe. Deste modo, a fala é reinventada, e mais, este texto não será apenas lido, para se fazer valer deverá ser representado e sentido por uns e ouvido e sentido por outros, e mais ainda, contém as indicações cênicas (secundário) e esclarece a ação dos personagens (principal) e dá sentido a seus discursos;  permite a materialização do espetáculo (invisível e ilegível), e mais, muito mais, é um texto enriquecido pela notação afetiva, emocional, coloquial e de sensibilidade, por tudo isto e muito mais, o texto cênico é também conhecido como texto espetacular.    

           No teatro (no cinema, na televisão),  existe um texto nuclear que gera outros textos, poetizados pelo contexto dramático, às vezes estes textos são  criados por situações arbitrárias, que se potencializam por meio de diversos artifícios como a associação imagística nascida de estados sensório- visuais, por exemplo, pelo olhar que é lançado sobre uma  imagem do que  já está nomeado pelo autor do texto e que  pode ser modificado mediante uma ilação visionária do diretor, e desse  modo, ganhará uma nova expressão simbólica, acontecendo, então, a repoetização da palavra.

           A palavra nomeada dilata-se no texto dramático, num processo artesanal, com a finalidade de captar tudo aquilo que se quer expressar pela encenação teatral; a palavra é construída, reformulada e, depois de tanta lapidação, transforma-se em uma unidade: o texto dramático, ainda assim o texto não estará e nem será aprisionado, pois outras pessoas e/ou outros momentos poderão dar-lhe novos sentidos, novas aparências, mas o importante é que nunca lhe roubem a essência.

           Comunicar significa transmitir conceitos e o texto de sala de aula une a forma especial de linguagem: conceitua, registra, expressa a vida, sentimentos, permite vivenciamentos e experimentações, pode ser apenas lido, pode também ser falado ou representado, e a palavra escrita ou falada em sala de aula deve ser decodificada por sua platéia (alunos) para que o professor realmente cumpra o seu papel. A palavra  deve ainda estabelecer uma relação significativa e  fundamental entre  códigos, símbolos  e o texto e entre o professor e o aluno.

           Através dos meandros da linguagem, o professor multiplica, revê,  revisiona, depura a palavra, expõe e confronta linguagens, tirando o máximo que ela possa exprimir, quando necessário, espreme-a,  tira-lhe o sumo, pois sabe que a palavra é capaz de se recompor, para, numa próxima aula, voltar como fruto amadurecido, cheio de sabores e de cores, a escorrer lentamente pela boca do professor. É  preciso cativar a platéia.

           A linguagem teatral será o suporte e o espelho ambíguo através do qual o binômio ensino- aprendizagem se transfere do professor para o aluno e vice-versa. A palavra sem dono, astuta, aguçará a imaginação do aluno, e o professor sabe que sua aventura e a do aluno se dá, na maioria das vezes,  por intermédio da palavra. O texto ancorado deve ser inseparável do modo como ambos se entregam e, certamente,  o sucesso deste processo muito dependerá de como o professor se comunica com a turma.

           Esta ambígua liberdade e este duplo aprisionamento  da palavra, pelo professor e pelo aluno, defendem sua autenticidade em cada aula ministrada e a palavra  renasce tal qual Phoenix, para que o texto didático reproduza  o brilho de seu sentido total, para,  unida ao gesto, às expressões, à encenação do professor, ligar emoções (professor/aluno) e, então,  ambos partilharão deste banquete, degustando palavras visíveis ou invisíveis, “legíveis e ilegíveis”, numa tentativa de se (re)adquirir realidades e fantasias, minimizando ou maximizando vozes, descentralizando vozes individuais; destaca-se a palavra reveladora e desveladora, a palavra do aluno e para o aluno,  acopalada à palavra do ator, do diretor e do professor.

M…. PRA VOCÊS! Esta expressão, particularizada por grupos artísticos, especialmente os grupos  de  teatro, é uma representação textual e  simbólica, portanto, quando  inserida em área contextualizada e dentro de um  campo associativo, sua  significação se mostra com clareza no interior do grupo, embora haja  uma transfiguração semântica fantástica, envolvendo-a. Os espetáculos vão começar, recomeçar  ou vão continuar, e o que podemos desejar a todos é …  M…. PRA VOCÊS!

 

(UFF – 2006 – apresentado por SÔNIA MOURA)

 

COR DA SAUDADE

 

 COR DA SAUDADE

Cor da Saudade  (Autoria: SÔNIA MOURA)

  

Ontem, sonhei que estávamos à beira-mar

Sorvendo o melhor do luar

Enquanto nos beijávamos

A lua veio também nos beijar

E chegou tão perto, tão perto

Que chegamos nela tocar

 

 

O dia não amanheceu

Eu amanheci

E em meus olhos

A luz do luar

Dizia adeus

E com ela você se foi

E me deixou com saudades

Dos beijos, dos afagos

Da cor da prata

Cor da saudade

Agora a me beijar

 

 

(Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

 

 

A VIDA COMO ELA É!

A VIDA COMO ELA É!                    a vida como ela é

VEJAM ESTES DOIS EXEMPLOS DE VIDA E, PAREM PARA PENSAR QUE AS APARÊNCIAS OU OS CARGOS PODEM NOS ENGANAR E MUITO:

Gari devolve R$ 5 mil liberados em caixa eletrônico em MG

 [http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1352127-5598,00.html]

 

Servidor queria tirar R$ 2 da conta e recebeu quantia maior.

Ele levou o dinheiro para casa e pediu ajuda ao patrão.

Um gari de Divinópolis (MG) deu exemplo de honestidade. Ao tentar sacar R$ 2 no caixa eletrônico, ele recebeu mais de R$ 5 mil. E logo pensou em devolver o dinheiro.

Carlos Corgozinho leva uma rotina sem muitas alterações. Há um ano e meio, trabalha como funcionário da prefeitura.

No domingo (18), ele ficou surpreso ao ver a quantia que saiu do caixa eletrônico. O servidor chegou a levar as notas para casa, mas disse que ficou preocupado e assustado. “Eu nunca vi uma quantia tão grande. Dá vontade de gastar, mas não pode, não é meu”, disse.

Ele pediu ajuda ao patrão. O supervisor Hebert Lourenço disse que eles tentaram devolver o dinheiro na segunda-feira (19). “O banco alegou que não tinha dado falta do dinheiro e a câmera flagrou nada”, contou Lourenço.

Mesmo assim, o gari não gastou nada. Na quinta-feira (22), recebeu uma ligação do banco e levou o dinheiro de volta. Ninguém do banco gravou entrevista.

 

Médico de 65 anos rouba carteira de paciente em SP

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/10/23/e231017072.asp

 

SÃO PAULO – Um médico de 65 anos foi preso após furtar a carteira de um paciente dentro do consultório do hospital em que trabalha em Jundiaí, no interior de São Paulo. A carteira foi encontrada próximo a uma área restrita do hospital sem R$ 170.

A Polícia Militar foi chamada e encontrou a carteira do ajudante Cristian Caetano da Silva sem o dinheiro.

O médico, que já tinha três passagens pela polícia, deixou a delegacia cercado por advogados após pagar fiança de R$ 10 mil. Ele não comentou o assunto.

O suspeito havia sido visto tentando furtar um eletrodoméstico em um supermercado em 2005. O ajudante foi ao hospital porque sentia dores nas costas.

 

 

POR INTEIRO

POR INTEIRO   (Autoria: Sônia Moura)                            por inteiro

 

Quero me abrir aos mistérios do seu coração

Saber das profundezas dessa ilusão

Sentir-te inteira em mim

Pois nem mesmo Eva ofereceu a Adão

Só uma parte da maçã

Nem mesmo Ela

 Ou Lilith ou Afrodite

Mulher é assim mesmo

Mulher é por inteiro

Sem assim não for

Mulher será silêncio

Seu canto emudecerá

As palavras serão vãs

E nada acontecerá

Somente os densos bosques

E a sombra da lua

Deglutirão a imagem

Desse amor e

Não haverá o abraço frenético

Nem beijos que devoram

Todos os desejos

Se não for por inteiro

O leito será morto

O amor estará roto

Se inteire, amigo, pois

Se não for por inteiro

Nenhuma mulher dará a você

O amor verdadeiro

 

(Do livro: POEMAS EM TRÂNSITO de SÔNIA Moura)

 

 

 

MISTÉRIOS

                            MISTÉRIO

 

 

MISTÉRIOS (Autoria: Sônia Moura)

 

 – Tem gente que é feita de sonhos, me disse Maria, olhando para o céu estrelado, que cobria aquela ilha dourada. – Tem gente que é feita de sonhos, repetiu!

 

Ri de suas palavras, mas sabia que ela estava certa, eu mesma era feita de sonhos e, ainda que a vida insistisse em me pregar peças como aquela, eu e ela conseguíamos sorrir.

  De onde a conhecia? Como sabia tanto sobre ela? Tudo para mim, naquela noite, tinha a face do mistério.

 Vivendo aquele dilema, eu sorri um sorriso desassossegado, enquanto Maria  me olhava e dizia que tudo iria se resolver logo, era só esperar.

 

Por falar em esperar, Maria também era a imagem da esperança, além de ser feita de sonhos, trazia a cor verde da esperança no olhar e as delícias do sonhador na alma de menina.

 Por que estou sendo colocada à prova deste encontro desencontrado, hein? Maria lançava para mim seu sorriso manso e este encontrava o meu olhar em desassossego, enquanto suas pernas se balançavam ao vento. Sentadas no cais, com a brisa a embalar aquele momento, sorríamos para a lua, que se espreguiçava bem devagar, enquanto saia detrás de um nuvem bem gorda.

 Maria não respondeu à minha pergunta, apenas cantarolou uma canção de menina e, neste instante, redonda, aberta e bem clara, a lua surgiu para alegrar minha alma deserta.

 Maria aproveitou aquele parto feito no céu, para falar comigo sobre as flores do jasmineiro, plantado na porta da pousada, onde eu estava hospedada.  O jasmineiro resolveu que iria recostar-se no muro de pedras, tinha toda a liberdade do mundo, mas quis agarrar-se às pedras duras daquele muro, por quê será? Perguntou-me a menina.

 Com a face banhada pela luz do luar e por sua própria luz, foi Maria quem respondeu à pergunta que ela mesma fizera. Maria falou com doçura: – Sabe o que eu acho, o jasmineiro pretende proteger suas flores, você já viu como o vento aqui é forte?

 – Maria, você está certa, quantas vezes nos agarramos a “muros de pedras”, para afastar a solidão, quantas vezes ficamos esperando que um milagre aconteça para que neste reencontro entre a flor e a pedra, o mistério da vida faça germinar algo de novo?

 Neste instante, uma voz antiga chamou meu nome. Voltei-me e vi, à luz do luar, uma imagem do passado que viera me consolar.

Maria, mais uma vez sorriu para mim, transformou-se em um lindo pássaro azul e saiu pelo mundo a voar.

 Mistérios!

 

(Do livro Mistérios e Saudades, de Sônia Moura)

 

HORÁRIO DE VERÃO

                                               horário de verão

HORÁRIO DE VERÃO

 

Começou o odiado- amado horário de verão.

 

A partir de amanhã, segunda-feira [19/10/2009], em muitos pontos das cidades atingidas por esta catástrofe (ops!), digo, abençoadas por estas medidas, veremos pelas ruas e conduções, rostos amassados, olhares caídos e caras cansadas.

 

Mas…

 

Em outras partes das cidades, especialmente no meu Rio de Janeiro, assim que o sol voltar a brilhar, veremos sorrisos de orelha a orelha, praias cheias ao entardecer e alegria tomando banho de sol, até a  lua nascer.

 

Prestem muita  atenção ao que acontece nas cidades onde se impõe (ops!), digo, se implanta o horário de verão, pois assim vocês verão o quanto é barroco, o famigerado (ops!), digo, famoso horário de verão.

 

VOCÊS VERÃO!

 

 

                                                        horário de verão