A LINDA ROSA JUVENIL 
(Autoria: Sônia Moura)
Onde andará a linda Rosa juvenil, em que jardim se escondeu? Ou terá sido roubada para agradar os olhos e alegrar o coração de algum Crisântemo apaixonado?
Que jardineiro terá podado o seu florescer, para entregá-la à amada Margarida?
Ou quem sabe, um outro jardineiro cuidou dela com desvelo, num jardim secreto, repleto de amor?
Por onde andará a linda Rosa juvenil? Deixou o castelo? Casou e mudou ou envelheceu?
Hoje, a lembrança da linda Rosa juvenil veio-me visitar e me trazer o passado plantado num jarro azul com uma enorme conta amarela, a cor da saudade, plantada bem no centro do jarro, como um olho mágico a me mostrar o passado, sem que ele me veja.
E, como só eu tenho acesso a ele, o passado não sofre a minha ausência, não vê o meu presente, não vê o meu sofrer, pois o passado não conhece a Saudade, não foi apresentado a ela.
O passado não morre, como muitos pensam ou tentam jogá-lo ladeira abaixo, não, ele perambula pelas lembranças, carregando um Cravo vermelho na mão direita, ora a nos alegrar, ora a zombar de nós.
Agora sei que a linda Rosa juvenil, aquela, que vivia alegre no seu lar, um dia encontrou a bruxa má, muito má, aquela que adormeceu a Rosa, assim, bem assim… E o mato cresceu ao redor do castelo e o tempo passou a correr… a correr…
E, até hoje, a linda Rosa juvenil espera o belo Rei, para despertá-la assim, bem assim, para o Amor-Perfeito.
(Do livro: CONTOS E CONTAS, de Sônia Moura)









