CORAÇÃO COLIBRI

 

CORAÇÃO COLIBRI

 

Coração Colibri  (Autoria: Sônia Moura)

 

Ah! Coração

Como cabe em você

Tanta emoção

Tanto amor

Tanta paixão?

Será que

É porque você é oco

Então se libera do sufoco

E faz com que todos

Se orientem

Através de você?

 

Então, não adianta entrar em aflição

Entregue suas dúvidas

À inteligência e à intuição

Pois saiba que estas

São símbolos do coração

Dizem, também, que o reino

E o altar de Deus

Estão nesta seção

Para outros, é respiração

É alma, é pensamento, é memória

Fazendo parte de qualquer história

 

Com todo este poder

Como se pode

Desbancar o coração?

 

O coração me lembra o leve colibri

Que extrai o néctar das flores

E é símbolo da representação de amores

Os dois são capazes

De alçar voos tão altos

Tão rápidos

Ou tão longos

Seja como for,

São sempre lindos voos

 

 

Se o colibri é capaz de parar no ar

O coração é capaz de nos fazer

No ar parar

Ou voar sem asas

Ele pode nos fazer sorrir

E ao mesmo tempo, chorar

 

Nos ajuda a andar pra frente

Mas, como o colibri,

Ás vezes, o coração

Nos faz voar de marcha-ré

E, outras vezes,

Quando somos levados

Pela emoção,

Bailamos em pleno ar

 

O nosso coração colibri

É o altar de nossas devoções

É o palco onde estão nossos amores

É o instrumento de tortura

Onde se manifestam nossas dores

 

Mas, ainda assim, leve e ágil

Como um colibri

Nosso coração

O que quer mesmo é sempre

Nos fazer sorrir

 

(Do livro: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

 

 CORAÇÃO COLIBRI

 

A COR DO PASSADO

A COR DO PASSADO

 

A COR DO PASSADO

 

 Num canto da sala, Fátima aguardava em silêncio, porque qualquer palavra naquele momento, seria em vão.

Para espantar a dor, começou a cantarolar bem baixinho, mas por alguns segundos, depois ela voltou a ser toda silêncio.

A brevidade da vida a atacara em cheio, obrigando o silêncio a fazer barulho na cabeça daquela mulher perdida em seus ais e interrogações, enquanto as palavras mentalmente se comunicavam, mas ela não as entendia, porque as palavras não conseguiam falar de amor, de vida ou de poesia, apenas causavam uma revolução, que mexia com a ordem habitual de seus pensamentos e de seus dias.

À primeira vista, aquela perda seria apenas uma repetição da vida ou da ausência dela, era a mesma redundância de sempre, por isto seus pensamentos continuavam a mover-se em ondas difusas e tudo era, ainda, muito confuso.

Ornando aquela embalagem, metais dourados, e, dentro dela, a única vida era a das flores e, do lado de fora, vidas se apresentavam imersas em lágrimas e tristezas.

Não se sabe se ele irá para o plano de cima ou para o plano de baixo, e, seja lá para que lado ele for, será que o lado destinado a ele, ficará alegre ou triste? Por este pensamento engraçado, um sorriso passou-lhe pelos olhos molhados.

Fátima só encontrou alguma nitidez em seus pensamentos, quando o vôo de um pássaro errante pegou-a desprevenida e a fez pensar que gostaria de ter asas e sair voando para bem longe, para fugir daquela cruel verdade.

Fechou os olhos e se permitiu voar alto, mas logo assustou-se e sentiu como se tivesse fazendo uma curva fechada, o que quase a fizera chocar-se com um horizonte brilhante e ensolarado, o qual beijava um mar de lágrimas sofridas..

A duas quadras dali, uma música tocava bem alto. A já não tão jovem Fátima esticou os olhos para tentar ver o movimento da rua e esticou os ouvidos para identificar aquela música, logo descobriu que conhecia a letra, cujos versos falavam de almas apaixonadas que haviam se separado por conta de desajustes e desencontros, enquanto ela e Márcio eram as eternas almas apaixonadas que o destino nunca uniu, a não ser em sonhos.

A presença- ausência daquele homem tão vivo em seu coração e em suas lembranças de adolescente, deixava sua dor tentando desvencilhar-se totalmente alheia à realidade daquela verdade. Impossível.

A ventania do dia anterior pareceu dizer àquele coração apaixonado que o passado iria voltar para desbancar qualquer sonho de futuro.

Naquela tarde morna, ante a face zombeteira da verdade, morriam os sonhos de meninos, era como se eles tivessem sido expulsos do paraíso, pois, o eu e o tu que deveria ser transformado em nós, também morria ali.

Sozinha, após o enterro, Fátima pensou nas brincadeiras de criança e, antes de adormecer, ouviu a voz de Márcio dizendo um poema tão doce que a fez dormir, sonhando com um futuro tão feliz, ainda que o mundo deles agora estivesse desabitado, que ela iria povoá-lo com a plenitude de suas lembranças felizes.

No meio da madrugada, acordou e sentiu a infinita presença da juventude a consolar-lhe a alma e a aquecer-lhe o coração. Voltou a dormir, sorrindo

A COR DO PASSADO

BANCARROTA

 BANCARROTA

BANCARROTA  (SÔNIA MOURA)

 

 Gota de lágrima

De uma alma rota

Põe quem ama

Na rota

Da bancarrota

 

Amarga

A boca

Embrulha

O estômago

Enrijece

O corpo

Entorpece

A mente

 

Para tudo!

 

Somente

O coração,

Insistente,

Bate

Descompassadamente

 

E,  sem medo

De isquemia ou de embolia,

Descontrolado

Em disritmias

O perdido coração

Segue em frente

Em busca de salvação

Em busca de milagre

Em busca de magia

Em busca da devolução

De um outro coração

Que saiu

Da sua rota

Deixando

Quem ama

A mendigar

O amor falido

Pobre ser perdido e

Na bancarrota

 

(Do livro: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

                                                                                         BANCARROTA

 

DESATINO

 desatino

DESATINO   (Autoria: Sônia Moura)

 

Então, entre os véus

Desta aventura insana

Ofereço-me a você

A começar pela boca

Transferindo para sua fantasia

Todo o calor que a minha boca emana

 

Depois, desnudo meu corpo

E toda a minh´alma

Só peço aos deuses

Que me deem calma

Não, melhor

Imploro a eles

Que me enlouqueçam de vez,

Outra vez

 

Então…

 

Enquanto uma fada segura a minha mão

Encontro uma bolha de sabão

Que explode em meu  rosto

Mostrando um caminho

Sem adeus

E me pergunto:

– O que fazer, meu Deus?

 

Por isto

 

Nestes versos que escrevi para você

Existem árvores onde moram bem-te-vis

Existem flores que namoram beija-flores

Que vieram dizer que a sua presença

Agora está em mim

Embalando meus sonhos

 

e

 

Neste momento

O reflexo da sua presença

Me atiça

Me aguça

Me provoca

Me evoca

Me devora

E eu me pergunto:

 

-E agora?

 

Não sei ou não quero

Me livrar desta corrente

Porque do amor

Somos tão dependentes?

 

E de repente…

 

Um calor invade minha cama

É você se manifestando

Em corpo, alma, sonho e alegria

Em diabruras e candices

Em carícias e meiguices

 

e

 

Eu, mais uma vez, ao olhar você

Me pergunto:

– Resistir, quem há de?

 

(Do livro: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

 

 

 

MÃOS VAZIAS

 mãos vazias

Mãos Vazias    (Autoria: SÔNIA MOURA)

 

Não, não há nada em minhas mãos

Para te alegrar ou para te presentear

Não adianta procurar

Mas, não fique triste, assim,                      

Eu te amo, amo, sim!

 

Então te trouxe algo

Que não cabe nas mãos

Nasce na alma

Se espelha na voz

Que não fala em vão

Se espalha pelo papel

Ou se mostra numa tela

Invade os olhos, os ouvidos

Depois, se instala no coração

 

– O que trouxestes, então?                                              

 

Trouxe para ti estas palavras

Guarde-as do lado esquerdo,

Num canto do teu coração:

 

Na concha de tua orelha

Espalharei o meu canto de menina

 

Na colcha de tua cama macia

Me deixarei amar feito uma felina

 

No céu de tua sedutora boca

Plantarei nossos beijos e desejos

 

No céu do teu olhar tão atraente

Pintarei nossa aventura louca

 

Na luz de todos os teus segredos

Tu me farás mulher- amiga –amante

 

Na luz dos teus sonhos mais profundos

Faremos estrepolias pelo mundo

 

No calor de tua boca ávida

Espalharei o mel do meu querer

 

No calor do teu corpo incandescente

Aquecerei em dias e noites o meu ser

 

 No som dos teus passos mais precisos

Descansarei minha ansiedade, se preciso

 

No som do teu sorriso cativante

Afagarei o meu silêncio errante

 

 No segredo que guarda o teu abraço

Minh´alma se aninhará em teu regaço

 

 No segredo que guarda o nosso amor

Faremos tudo para barrar a dor

 

Estas palavras

Pularam de dentro de mim

E como pássaros

Bailaram no ar

Fizeram mil volteios

Soltaram seus cantos

Só para te agradar

 

Eis o meu presente, amor,

Só para ti, aqui está!

 

(Do livro: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

                                                mãos vazias

 

 

ORACULAR

 

 ORACULAR

Oracular  (Autoria: Sônia Moura)

 

Era um famoso oráculo, lidava com numerologia, tarô e astrologia, num fim de tarde de um verão escaldante foi visitado por um representante de um novo grupo de rock,  a fim de que ela fizesse um estudo numerológico de dois nomes, pois um deles deveria ser o nome oficial de um grupo, formado por quatro irmãos, moradores de outra cidade que iria se lançar oficialmente no mundo musical, em breve.

Assim ele fez, jogou suas cartas, consultou os astros e fez o estudo numérico e concluiu que Eyebrow Bros. seria a melhor escolha, embora o segundo nome também fosse muito promissor.

 

O jovem agradeceu, pagou a consulta e seguiu para a sua cidade, e, lá chegando foi direto para o porão, onde os amigos do grupo já o esperavam ansiosos, para saberem qual o nome escolhido.

Cansado, Eduardo largou a papelada referente à última consulta do dia e foi dormir.

Às 23:30, chega à casa Jofre, o filho mais velho de Eduardo e vê sobre a mesa um papel com o nome Eyebrow Bros.

– Nossa! Pensou Jofre, este é um bom nome para o meu grupo de rock, acho que papai fez de propósito, ele é demais. Vai ver jogou as cartas e descobriu este nome maravilhoso para o meu grupo. Vou fazer-lhe duas surpresas, uma, será a primeira apresentação do nosso grupo, já com o novo nome, esta é a segunda surpresa. Nossa! É bom demais!

Imediatamente ligou para seu futuro empresário e contou-lhe sobre a “descoberta”. Do outro lado da linha, o novo futuro empresário adorou a ideia e, mesmo àquela hora da noite, correu para o escritório para preparar tudo para o lançamento do novo grupo, o que aconteceu quinze dias depois da consulta do outro grupo.

Os Eyebrow Bros. foi lançado, e, enquanto em uma cidade quatro rapazes estavam exultantes, numa cidade próxima, outro grupo se desesperava, pois alguém passara-lhes a perna e estava usando o nome que seria deles.

Os meninos que se sentiram lesados foram à luta e descobriram que o líder do grupo era filho do oráculo o qual lhes havia dito que a melhor escolha para nomear o grupo seria Eyebrow Bros. Vociferaram, gritaram, mas eles nada podiam fazer contra o homem que julgavam ter-lhes traídos.

Quase ao mesmo tempo, no dia do lançamento do grupo de seu filho, enquanto Jofre abraçava e beijava o pai, agradecendo – lhe pela indicação do nome, atordoado, um homem se desesperava, como iria explicar para o filho,  que ele estava enganado, ela não escolhera este nome, não consultara as cartas, os astros ou os números como ele pensava, este nome pertencia a outros.

Por outro lado, seu desespero aumentava, pois pensava de que forma estariam os outros meninos, certamente estariam pensando que ela era um trambiqueiro, um desonesto, – meu Deus, o que fazer?

Tentou falar com os meninos de ambos os lados, mas, ambos os grupos não quiseram ouvir suas explicações.

Sofreu muito, depois, sem saber o que fazer, o homem foi fazer o que sabia, consultou  seus astros e suas cartas e eles adiantaram para ele o que estava por vir, o  grupo que o consultara, e que adotou o segundo nome indicado por ele e passou a ser Código de Borras, faria tanto sucesso quanto o Eyebrow Bros.

Acertou em cheio e pode ver que, apesar do contratempo, todos ficaram muito felizes.

 

(Do livro: Minimamente Crônicas de Sônia Moura)

 

                                                             ORACULAR

 

ETERNIDADE

                                                         ETERNIDADE

ETERNIDADE  (Autoria: Sônia Moura)

 

Eternamente

Quero ser sua

Eternamante

 

Eternamente

Quero ser sua

Namorante

Constante

Inconstante

Vibrante

 

E, eternamente,

Quero deixar o tempo

Fazer de meu amor

A sua casa

Para que você

Se quede radiante

Ante

Os desejos mais brilhantes

Aqueles que só entendem

Os que são

Eternamente

Amantes

 (Do livro: Poemas em Trânsito de SôniaMoura)

 ETERNIDADE

 

 

 

CONSTELAÇÃO DE AMOR

 CONSTELAÇÃO DE AMOR

CONSTELAÇÃO DE AMOR  (Autoria: Sônia Moura)

 

Sinto-me tão perdida

No meio desta constelação de amor

Tanto brilho, tanta luz

Mas não sei a mão que me conduz

 

Procuro entender o amor

Mas a confusão entre o caos e a ordem

Faz na minha mente uma desordem

Hoje amo

Amanhã fujo

Depois de amanhã duvido

No outro dia, retorno

Por fim, me conformo

Com a luz a me ofuscar

O caminho a seguir

 

Quero ficar

Mas também quero ir

Preciso relaxar

E deixar a vida fluir

Tentar baixar os volts da paixão

Acalmar meu coração

E aproveitar “o bom do amor”

Como dizia Cazuza

O grande versejador

 

 (Do livro: Reflexos Serenos de Sônia Moura)

                                                                                  CONSTELAÇÃO DE AMOR

MENINOS, EU VI!

 

meninos, eu vi

 

MENINOS, EU VI!  (Autoria: Sônia Moura)

 

Papai Noel entrou pela chaminé

Eu vi, eu vi!

Ouvi os sinos do pescoço das renas

Tão bonitas

E voavam como um bem-te-vi

Eles passaram tão rápidos…

Dos embrulhos, vi somente

Os laços de fita

Que pendiam do trenó

Eu vi papai Noel, eu vi…

 

Engraçado, agora que sou grande

Vivo a pensar

Como eu vi papai Noel

Descer no meio da lareira extinta

Se lá em casa não tinha lareira

E muito menos chaminé?

 

Pois é, mas, de fato eu vi,

Pois nos sonhos de  menina

Tudo pode acontecer

Portanto não me venham desmentir

Eu vi papai Noel, eu vi!

 

(Do livro Brincadeira de Rimar de Sônia Moura)

*TATIANA, EU ACREDITEI NA SUA HISTÓRIA!*

MENIAS, EU VI!

REVELAÇÃO DO DESEJO

 

REVELAÇÃO DO DESEJO  (Autoria:Sônia Moura)

 REVELAÇÃO DO DESEJO

 

 Deixe o desejo chegar em sua glória 

E ficar pelo tempo que desejar

Se permita sonhar, de olhos abertos ou fechados

Deixe que venham as fadas, os duendos e as borboletas

Fale com as flores

Isole o tempo (por um tempo)

Depois pegue a chave que abre o teu sorriso

Deixe-o arrebentar-se em versos dispersos

Sorriso a borbulhar

A se encantar com o desejo a se revelar

 

 (Do livro POEMÁGICA  de Sônia Moura)

 

REVELAÇÃO DO DESEJO