INCÓGNITA

 INCÓGNITA

INCÓGNITA (Sônia Moura)

A noite passou correndo por mim
Enquanto eu, aconchegada,
Em braços e carinho
Em meio às dobras quentes
De um lençol em desalinho
Vivi, mais uma vez,
A ambígua ilusão do amor
Menino levado que
Sempre quebra a ordem lógica
De qualquer viver

Foi então que a incógnita do amor,
Absoluta, impávida,
Galhardamente postada a um canto
A entoar seus cantos,
A destilar encantos,
Mais uma vez, zombeteiramente,
Se pôs a se rir de mim

(Da obra: COISAS DE ADÃO E EVA, de Sônia Moura)

DESTINO

 DESTINO

DESTINO (por Sônia Moura)
Eu era perseguida ou perseguia?
Para onde me levava o destino?
Doce menino a dizer
– Não adianta fugir ou perseguir,
Tudo será como tiver de ser!

(Da obra: POESIA DIA A DIA)

DESTINO

Romance O Delfim de José Cardoso Pires – breve análise

O Delfim de José Cardoso Pires - breve análise

ATENDENDO A UM PEDIDO, SEGUE:

Romance O Delfim de José Cardoso Pires – breve análise

· Síntese alegórica
· Alegoria – é uma série contínua de metáforas para revelar um sentido oculto. Refere-se mais ao mundo abstrato e espiritual que ao concreto. É a expressão contínua de uma série de imagens ou metáforas de modo que as idéias e imagens se correspondem uma a uma
· Síntese alegórica de sua significação global: a onipresença da LAGOA (dinamismo vital ) – que atrai obsessivamente a atenção do narrador.

· Recuperação: o Fato e o Tempo (tentativa)
· Abstração e atemporalidade
· Presente “intemporal”
· Passado e Futuro nivelados , anulando diferenças dentro da circularidade temporal.
· Narrativa estruturada através das recordações do narrador personagem.
· Romance do próprio romance.
· Realidade circundante da qual o escritor é espectador.
· Consciência crítica {passa a funcionar como um antinarrador – aquele que vê de fora, critica e julga o que o “outro” está narrando.}
· Verdade é posta em dúvida
· Duplicidade à ambiguidade * narrador declarado dos fatos – o que deveria assegurar- nos a objetividade e o esclarecimento total do narrado, transforma-se em elemento provocador da ambiguidade essencial.
· Narrativa (toda ela) apoiada no “suspense” de intriga policial.
· Ultrapassa as fronteiras do realismo crítico – passando por rigoroso contorno político-social.
· Realismo dialético transformando-se em realismo mágico.
· DIÁLOGO *papel preponderante
· Registro de gestos e atitudes
· José Cardoso Pires sempre situou suas histórias num tempo e num espaço bem definidos – Portugal – pós-45
· O Documental regionalista, a historicidade projetam-se num plano mítico.
· Cristalização temporal x tempo cíclico; tempo estático x tempo dinâmico.
· Fusão da preocupação realista-ideológica (=a consciência social criada pelo neo-realismo) com a preocupação estético-criadora (= consciência da linguagem, como invenção, como elemento básico na criação da ficção).
· Postura realista (Persiste) – “nasce”um novo tratamento, o autor submete a palavra estética, dilui a objetividade narrativa em tal imprecisão de contornos, que o conhecimento direto e objetivo dos fatos narrados torna-se inteiramente impossível ao leitor.
· Romance de ação privilegiada- nível da fábula
· Romance de espaço (social ou psicológico) – confere à fábula importância reduzida.
· Reuperação pela memória dos momentos ( um ano antes)
· Fatos concretos emergem ao plano da narrativa através da experiência interior do narrador-personagem =interioridade evocada constantemente em lugar de se constituir em um marco de objetividade na recuperação do vivido (como é normal na postura memorialista tradicional) o que faz é anular todas as reais possibilidades de concretização dos fatos.
· Concreto x abstrato
· Jogo temporal: presente x passado x futuro – subverte a ordem cronológica dos acontecimentos – tempo fragmentado, então, através da memória, constrói o presente da narrativa.
· “Pistas”para a compreensão (romance policial * nouveau roman)
· Fábula (“história exemplar”) – substituída por dimensão alegórica – alegoria não pretende transmitir verdades, mas apenas “sugerir”realidades ocultas.
· Certeza x incerteza.
· Narrativa afirmativa x narrativa indagativa
· A escrita e a oralidade.
· Enigma indecifrado – lenda * símbolo, metáfora= neblina*
· Alter ego x autor implícito x autor explícito
· Assassínio ? suicídio?
· Truques.
· Realista (sem ser neo-realista).
· Luta de classes.
· Verossimilhança da ambigüidade.
· Linguagem reduzida a seus elementos essenciais.
· Linhas cruzadas.

· Efabulação FÁBULA x intriga, ( trama) – dicotomia conceptual (W.Propp e Roland Barthes) FÁBULA – corresponde ao material pré-literário que vai ser elaborado e transformado em intriga; estrutura compositiva já especificamnete literária. FÁBULA – resulta do ordenamento lógico e cronológico dos motivos nucleares que, pelo seu caráter dinâmico, assegura a progressão regular e coesão dos acontecimentos narrados. FÁBULA – mythos de Aristóteles
· História (story) x Plot (E.M.Forster):
· História(diegese) = O rei morreu e em seguida morreu a rainha.(Seqüência de eventos temporalmente ordenados que suscitam no leitor/ouvinte o desejo de saber o que vai acontecer .)
· Plot = O rei morreu e depois a rainha morreu de desgosto.( o plot envolve mistério e surpresa, desencadeia a participação inteligente da instância receptora, mobiliza a sua memória.
· A DIFERENÇA ESSENCIAL RESIDE NO PESO DIVERSO DOS PARÂMETROS TEMPO e CAUSALIDADE.
· Intriga(trama) pertence a um plano de oraganização macroestrutural do texto narrativo e caracteriza-se pela apresentação dos eventos segundo determinadas estratégias discursivas já especificamente literárias. Provoca o estranhamento, chamando a atnção para a percepção de uma forma.

(UFF – 2000)

O Delfim de José Cardoso Pires - breve análise

TEMPO!TEMPO!

TEMPO! TEMPO!

Tempo! Tempo! (Autoria: Sônia Moura)

Se khronos pode ser medido, eu não sei
O que eu sei é que os homens acham
Que ele pode ser contido
Por relógios, calendários ou em diários
Ilusão, doce ilusão

Já kairos, cá entre nós, está nas mãos de Deus
Não tem dimensão, não tem contenção, isto não
Este é o tempo de Deus
E é ele quem diz: – Seja bem-vindo ou adeus
Pensar que podemos controlar kairos
Ilusão, doce ilusão

(Do livro: POEMAS EM TRÂNSITO – Sônia Moura

TEMPO! TEMPO!

O Baile das Máscaras – Parte III

O Baile das mnáscaras

Máscaras – raízes e poderes  (por Sônia Moura)

Parte III

Os povos apreenderam plenamente o significado mais profundo das máscaras ao fazerem destas um instrumento que desenha a trajetória do homem do nascimento à morte. Nem sempre a máscara traduz a emoção do indivíduo, porém, ao buscar através dela a constância das emoções e sua universalidade,  o particular passa a ser  compreendido e superado, e, desaparece para dar lugar ao universal, pois, por sua natureza, a máscara apresenta ligações com necessidades psicológicas básicas, comuns a todos nós.

O elemento motivador mágico- religioso das máscaras está ligado às necessidades da vida cotidiana, mas  nas artes e em outros empregos , a máscara  serve, especialmente, para permitir ao homem conviver com a multiplicidade da vida e para que ele possa criar novas realidades, desta forma  poderá ser  homem, espírito, bom, mau, animal, divindade, portanto, a máscara dá voz a metamorfoses simbólicas,  este é o poder transfigurador da máscara.

Ligado às forças misteriosas, o uso ou o culto das máscaras para muitos povos propicia a capacidade de modificar a realidade e a evolução humana, penetrando no mundo sagrado de seus antepassados (humanos ou animais) e conectando-se com eles, transformando o mundo complexo e hostil em um mundo menos hostil.

A máscara permite a participação e a exploração, quando une a comunidade inteira como um único corpo em torno dela, quando da sua representação o grupo “fala” a mesma língua simbólica e complexa, que só pode ser interpretada por iniciados.

Por exemplo, para o africano, a máscara é toda a indumentária, portanto pode ser um pingente com o rosto de um antepassado ou para proteção, pode ser apenas um acessório para ser mostrado em reuniões de iniciados, pode ser vestida, colocada sobre o rosto,  como capacete ou como “amuleto”.

Unindo máscara, dança e ritmo, o africano representa na máscara a essência do universo, o ponto mágico de contato e de participação do homem com a natureza, ao dar a mesma além da forma,  movimento e ritmo.

Portanto, o uso de máscaras liga-se a cada evento e às suas finalidades.

Eis as principais funções de uma máscara:

a) Ajudar em disfarces;

b) servir como símbolo de identificação;

c) ajudar a esconder identidades;

d) como elemento transfigurador;

e) pode representar: espíritos da natureza, deuses, antepassados, seres sobrenaturais ou rosto de animais;

f) parte de rituais;

g) para integrar/inteirar dança e/ou movimento;

h) fundamental em expressões religiosas;

i) adereço;

j) previnir contágios de outras pessoas.

k) símbolo de caráter “enganoso”.

Assim acontecem os diálogos com realidades transcendentes…

(Apresentação UFF – 2005)

O Baile das máscaras

O BAILE DAS MÁSCARAS – parte II(Origens e Significações)

 O baile das máscaras

O Baile das Máscaras  (por: Sônia Moura)                                                                                

Parte II – Origens e Significações

           A origem etimológica da palavra máscara apresenta controvérsias: maschera(árabe) >< masca(latim)= “demônio”; mashera>mashara  (italiano) = bufão; maschera> mashara> masca>máscara = bruxo, feiticeira (origem celta, germânica), pode significar também: pessoa (persona- lat.), emoção; alma (seele – alemão), monstro (grego). Todas estas significações são pertinentes se levarmos em conta que o uso da máscara – facial ou corporal – permite ao homem exercitar sua loucura, sua fantasia, sua alegria, permite ser  outra persona, extravasando sua emoção, liberando seus monstros, seus demônios e a sua fé, sua convivência com o desconhecido, com a vida e com a morte.

Assim a palavra confirma as significações…

            As máscaras originaram-se na tatuagem e na pintura corporal, no disfarce animal utilizado pelo caçador e no culto dos crânios nas sociedades primitivas, com os grandes criadores chamados “povos nus”, para os quais a máscara não representava ou simbolizava o demiurgo ou o ancestral, a máscara era o próprio.

Assim os deuses se manifestavam…

             E, desde os princípio, o valor artístico da máscara está ligado a seu valor simbólico e ao seu poder de expressão, uma vez que  estes permitem ao homem a catarse dos seus males, a convivência entre este e outros mundos e a vivência de suas alegrias. Sabe-se que muito deste conteúdo perdeu-se enquanto objeto concreto, mascarando-se em disfarces psicológicos, filosóficos ou sociológicos ligados às necessidades sociais de sobrevivência.

Assim a arte interage com a magia, com o sagrado, com o profano e com o dia a dia …

(Apresentação – UFF/2005)

O baile das máscaras

SOS – Região Serrana (postos de arrecadação)

Região serrana

É sempre bom ajudar a quem precisa, concordam?

Uma verdadeira rede de solidariedade se forma em prol das vítimas das chuvas que atigiram a Região Serrana do Estado do Rio. A maior necessidade é por água, leite em pó, materiais de higiene e limpeza e colchões. Confira os endereços onde os donativos podem ser entregues:
 Flamengo, Catete, Largo do Machado – rua Correa Dutra, 99 / rua Machado de Assis, 50
Batalhões da PM/RJ: Todos os batalhões da PM do Estado do Rio de Janeiro vão recolher doações.
Polícia Rodoviária Federal : – BR-116: Km 133 (funciona 24h); – BR-101: Km 269 (funciona 24h); – BR-040: Km 109 (das 8h às 17h); – BR-116: Km 227 (das 8h às 17h)

Cruz Vermelha: – Praça da Cruz Vermelha 10, Centro do Rio.
Praças de pedágio da BR-040 (Concer): Duque de Caxias (km 104);  Areal (km 45); Simão Pereira (km 816);Sede da concessionária (km 110/JF, em Caxias)

Rodoviária Novo Rio: – Avenida Francisco Bicalho 1, Santo Cristo, no embarque inferior, das 9h às 17h.

Supermercados do Grupo Pão de Açúcar: – Há postos de coleta em todas as 100 lojas das redes Pão de Açúcar, ABC CompreBem, Sendas, Extra Supermercado e Hipermercados e Assaí em todo o estado.

Petrópolis: Centro da cidade: Rua Aureliano Coutinho 81.

Itaipava: Igreja Wesleyana, no Vale do Cuiabá, e na Igreja de Santa Luzia, na Estrada das Arcas.

Teresópolis – Ginásio Pedrão, na Rua Tenente Luiz Meirelles 211, Centro.

Estações do metrô (RJ) – Carioca, Central, Largo do Machado, Catete, Glória, Ipanema/General Osório, Saens Peña, Botafogo, Nova América/Del Castilho e Siqueira Campos/ Pavuna
**Hemorio recebe doações de sangue – 7h às 18h, todos os dias da semana, inclusive aos sábados, domingos e feriados – Rua Frei Caneca, 8 – Centro – Tel.: 0800- 2820708