DINHEIRO

BOLSA DE… VALORES??? (Autoria: SÔNIA MOURA)

Acabei de ler o livro “O Lobo de Wall Street” de Jordan Belfort, obra classificada como biográfica.

A leitura é palatável, sem grandes novidades, no entanto, aquele que não tiver preparado para encarar a realidade do centro financeiro do mundo – Wall Street – certamente, terá  ânsia de vômitos.

De acordo com a bolsa de valores que o indivíduo carregar, seja por formação, por opção ou por influência religiosa, esta é uma leitura forte, tão forte que o leitor, por vezes, recusa-se a crer em tanta loucura, em tanta barbárie.

Tramas, dramas e lamas se misturam e nos mostram como o sistema capitalista é cruel, ou melhor, é crudelíssimo.

Qualquer leitor atento, isento e com senso crítico verá que se o inferno existe, certamente ele foi construído aqui na terra, está localizado no miolo do sistema capitalista.

As passagens narradas são estarrecedoras: drogas a rodo, dinheiro a rodo, falta de qualquer forma de limite, a rodo, assim, a imagem que se tem é que, os citados no livro, que trabalham com a bolsa de valores, têm as suas bolsas de vida completamente vazias de qualquer forma de valor moral, ético ou espiritual.

Triste sina a destes (quase sempre) jovens que, chafurdando na lama da ganância, vão cavando suas covas, destruindo-se e às suas famílias, compensando a solidão com todo tipo de drogas, ganhando “atenção” interesseira e comprando sexo sem nexo, o sexo pelo sexo, sem nenhum laço afetivo, sem nenhum objetivo, ainda que seja o prazer, pois, como declara o autor/ator desta farsa, nem isto acontecia e quando/se acontecia, no dia seguinte eles sequer se lembravam. Triste sina!

Quase ao final da obra, tudo parece desmoronar: JB vai preso, a família está desfeita, a droga o domina (depois ele se submete a um tratamento e o vício mostra-se sob controle). No entanto, a vida dele e dos demais já havia desmoronado há muito tempo.

Não vamos achar que o dinheiro é ruim, porque sabemos que não é, mas vamos fazer com que ele nos sirva e não nós a ele.

DINHEIRO

Só para relaxar:

Claro que, em toda obra biográfica, fantasias vão povoar a narrativa, mas neste caso, o autor extrapola quando “retrata este fato”:
“Tudo ia bem para Todd até certo dia, cinco anos atrás. Estava deitado na praia de Ipanema e foi mordido por um inseto tropical desconhecido… e, de repente, quatro meses depois, viu-se na lista de espera de um transplante de coração.”


Teria sido o pobre Todd picado por um “barbeiro”? Mas… em Ipanema, no Rio de Janeiro?
Bom, deverá ser um outro inseto. Será?

Escrito por

Sônia Moura

SÔNIA MOURA é Doutora em Letras (Literatura Comparada), Mestra em Letras (Literatura Brasileira), Pesquisadora na área da Simbologia, Professora de Língua Portuguesa e de Literatura Brasileira e Produtora Cultural.

No centro de suas atividades, está sua parceira inseparável: a arte, coordenando suas múltiplas vozes e os misteriosos momentos da sua criação.