ENTRE O MODERNO E O PÓS-MODERNO…

Entre o moderno e o pós-moderno…

(Autoria: SÔNIA MOURA) 

                                                                         PÓS-MODERNO
Enquanto os modernistas eram a imagem da EXALTAÇÃO, os pós – modernos são a própria EXAUSTÃO.
A arte Moderna tem total liberdade criadora, é inovadora; a arte Pós – Moderna tem isto e muito mais, por esta razão foi ”batizada” como ANTIARTE. A primeira caracteriza-se pela INTERPRETAÇÃO; a segunda, pela APRESENTAÇÃO.
Antes, o Modernismo hermético afasta inicialmente o público; agora, o Pós –Moderno pasticheiro convida o público a participar desta apatia, convida-o a sentar-se na cadeira de balanço.
O Modernismo precisa de afirmação para os seus conceitos e para a sua arte, o Pós-Moderno não quer auto – afirmar – se ou afirmar nada e ele nada – tudo quer; todos são bem – vindos, esta é a ordem da desordem.
A fantasia, o exagero, o humor sempre são boas companhias para o artista Pós – Moderno, que é um seduzido; o artista Moderno tinha pretensão de sedutor.
O poeta Moderno queria a linguagem do cotidiano, o Pós-Moderno é a linguagem coloquial, cotidiana ou, até mesmo, clássica.
Os modernistas entrincheirados bradam, levantam bandeiras, escandalizam, cutucam a consciência, se aprofundam no inconsciente; os pós-modernos não gritam, não carregam sequer pequenas flâmulas, não escandalizam nem se escandalizam.

(Autoria SÔNIA Moura)

– BOA NOITE, JOHN BOY! BOA NOITE, MARY ELLEN!

– BOA NOITE, JOHN BOY! BOA NOITE, MARY ELLEN!  (Autoria: SÕNIA MOURA)

Os WaltonsOntem, assistindo a um filme, revejo Richard Thomas, o “Jonh – Boy”, aquele de Os Waltons, exercitando o seu ofício em outra história, mas, aquele rosto, aquela pinta do lado esquerdo e aquele olhar, ainda estavam vivos em minha lembrança juvenil, e tomaram fôlego, saíram para respirar, para me fazer recordar.

Bateu uma saudade daqueles tempos, em que este seriado deixava um gostinho de esperança misturado a um sopro de vitória pela união, pelo sonho, pela alegria, pelo amor e pelo trabalho conjunto.

Ainda que a história dos Waltons falasse de um povo que não era nosso, de costumes e de falas que não eram geograficamente e/ou culturalmente nossos, sem pieguismo, podemos dizer que as histórias nos envolviam e nos atingiam em cheio, porque, a linguagem do amor é universal.

Quem não se lembra da delicadeza de um “boa noite” que ecoava pela casa e também em nossos ouvidos, e, certamente, hoje à noite, antes de adormecer, irei dizer para a minha saudade e para os meus sonhos:

– Boa noite, John Boy! Boa noite, Mary Ellen! SÓ PARA LEMBRAR OU CONHECER

A série Os Waltons, ao contrário das suas concorrentes, se passava nos Estados Unidos durante a longa depressão na década de 1930. A história, baseada nas escritas semi-autobiográficas de Earl Hamner Jr., Spencer’s Mountain, já havia chegado a CBS em 1971 num filme especial para tevê intitulado The Homecoming: A Christmas Story. Depois do sucesso alcançado pelo longa-metragem, a Lorimar Television não pensou duas vezes em transformá-lo em um seriado e em setembro de 1972 estreava o seriado Os Waltons.O programa narrava, sob a ótica do filho mais velho (17 anos) John Boy (Richard Thomas), as aventuras e desventuras da família do título, formada pelo patriarca Sr. John Walton (Ralph Waite), sua esposa Olivia `Livie´ Walton (Michael Learned) e seus sete filhos: John Boy, Jason (Jon Walmsley), Mary Ellen (Judy Norton-Taylor), Erin (Mary Beth), Ben (Eric Scott), Jim Bob (David W. Harper) e Elizabeth (Kami Cotler), que sobreviviam apenas com o dinheiro ganho na serraria localizada na Montanha Walton em Virginia, mantida por John Walton, Vovó Esther e Vovô Zeb.
[http://www.infantv.com.br/waltons.htm]

BALÉ E (PÓ)ESIA

BALÉ E (PÓ)ESIA

(Autoria: SÔNIA MOURA)

 NEBULOSA

“As nebulosas são nuvens de poeira, hidrogênio e plasma. Como o processo de formação das estrelas é muito violento, os restos de materiais lançados ao espaço por ocasião da grande explosão formam um grande número de planetas e de sistemas planetários.”
(…)
“Muitas nebulosas nascem por condensação de energia, a qual, após a imensa dispersão e difusão devida à contínua irradiação de seus centros, concentra-se, seguindo correntes, que guiam sua eterna circulação, em determinados pontos do universo. Então, obedecendo ao impulso que lhe é imposto pela grande lei do equilíbrio, instala-se, acumula-se, retorna e se dobra sobre si mesma, compensando e equilibrando o ciclo inverso, já esgotado, da difusão que a guiara de uma coisa à outra, para animar e mover tudo no universo.”[Compilado do site: www.guia.heu.nom.br/nebulosas.htm]

                 nebulosa

Balé e (Pó)esia                          

                                                                                                           

As nebulosas são nuvens de poeira,
São condensação de energia,
Renascem e fazem (re)nascer,
Equilibram para dar à luz
A si mesmas e a outros,
Animam e movem,
Removem, criam e recriam
Tudo no universo,
Num único verso:
– Balé e poesia!

                                                                             nebulosa

(Por: Sônia Moura)

A GARGALHADA DO VILÃO

O coringa

A GARGALHADA DO VILÃO

(Autoria: SÔNIA MOURA)

Algo que até hoje me deixa encafifada:

Por que a gargalhada dos vilões é sempre tão gostosa?

Se não me falha a memória, foi Thomas Hobbes quem disse: a gargalhada nasce da satisfação de quem a emite, uma vez que este julga ocupar posição superior ao outro, de quem ele ri, ou melhor, gargalha. Bem, se não foi exatamente assim que Hobbes defendeu a sua idéia,  creio que não fugi tanto à sua definição, ainda assim, não explica a gargalhada gostosa dos vilões.

Quem sabe se buscarmos na etimologia da palavra consigamos explicar esta “gostosa gargalhada?”
A raiz  [garg-] da palavra gargalhada – é uma onomatopéia do ruído de água durante o gargarejo ou da garganta quando o alimento é engolido sofregamente. Para mim, esta explicação também não  responde à minha pergunta:

Por que a gargalhada dos vilões é sempre tão gostosa?

É claro que se pode rir do outro por nos sentirmos superiores ou por nos sentirmos ou nos julgamos inferiores ao outro, ou ainda, num esforço maior, podemos rir de nós mesmos,ou abafar o riso, fingir que nada aconteceu. Mas, dar uma gargalhada é muito mais que isto, é soltar uma risada forte, ruidosa e prolongada.

Por que será que a gargalhada dos vilões é sempre tão gostosa e atraente?

Quem conseguirá se esquecer da gargalhada do Coringa ou de qualquer outro vilão, as gargalhadas deles são marcantes.

Bem, vou lançar aqui a minha teoria sobre a gargalhada do vilão:
Ele ri tão gostoso porque sabe que não precisará desistir de azucrinar a vida do mocinho, pois este, mesmo que possa, não irá exterminá-lo, pois, como se sabe, a sobrevivência do mocinho depende da insistência do vilão, que se esbalda gargalhando, sempre.

[Por: Sônia Moura]

LEME

                       Leme                                

LEME   
(Autoria: SÔNIA MOURA)

Na sala, uma cadeira rangia
Na boca, o gosto da azia
Na cabeça, uns pensamentos agiam
Mas, da saudade só ele sabia

Nos olhos, uma dor tão vazia
Na mente, um retrato sem cor
No corpo, calor de um velho amor
Mas, da saudade só ele sabia

No peito, um coração batia
Nos lábios, um nome ardia
Nas mãos, um papel desbotado
Mas, da saudade só ele sabia

Na varanda, uma vassoura varria
Na cozinha, uma panela fervia
No quarto, uma cama vazia
Mas, da saudade só ele sabia

Na parede, um calendário insistia]
Na mesinha, um relógio marcava
No seu corpo, uma esperança morava
Mas, da saudade só ele sabia

De repente,

A cadeira aos poucos parou
E se desfez a azia
Os pensamentos não mais existiam
E a dor não mais havia

Quando tudo escureceu,
O retrato se apagou,
E só o frio restou,
O nome se desmanchou
O papel se esfarelou
A casa ficou vazia
O coração se calou
E a saudade novo rumo tomou
(Do livro POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Mour)

UM DISCURSO SEDUTOR – artista, público e arte [Parte I]

UM DISCURSO SEDUTOR –  artista, público e arte [Parte I]  arte

[AUTORIA: SONIA MOURA]

A arte exibida em praça pública ou na rua é uma  forma de comunicação, que funciona como uma ponte de convencimento sobre a qual transitam sujeitos(artista/público) e um objeto(arte), onde acontece a comunhão que promove as relações entre o discurso do artista popular e seus espectadores, colocando em cena o objeto de desejo de ambos “a arte popular”, transfigurada em produto cultural que, pela fala do artista, tornar-se-á fascínio para a assistência.

É o discurso sedutor do artista-apresentador que se manifesta em meio a singularidades e peculiaridades, mesmo sendo este um discurso eivado de  contradições no campo gramatical, mas que se apresenta de forma extremamente rica no campo semântico do encantamento, funcionando como poderosa arma de persuasão.

Por serem locais de passagem: o Largo, a Praça, a Rua – espaços livres – onde arte e artista se exibem- este locais  suscitam o convite à “correria” dos tempos pós – modernos. Transeuntes, normalmente, não param sequer para olhar o seu entorno. No entanto, nossas observações e pesquisas de campo, mostraram que um número considerável de pessoas, dispostas, quase sempre em círculos ou semicírculos, tendo ao centro o artista e sua arte, param para assistir e participar destas formas de manifestações artísticas.Este público dedica parte do seu tempo livre (às vezes, todo o tempo livre) – por exemplo: a hora do almoço – ou parte do breve tempo de trânsito por estes espaços – para assistir às apresentações.

Quando o espaço público é  ocupado por  artistas e por suas diversas formas de arte mambembe, não há, geralmente, o respaldo de qualquer forma de divulgação (mídia) e sem uma política cultural que os ampare, resta, então,  ao artista > produtor > divulgador > autor >apresentador de seu produto colocar em evidência o recurso discursivo verbal, utilizando-se dele como a melhor forma de divulgação do seu produto, como ponto de atração, de convencimento, de sedução do espectador e como meio de aproximação entre arte/artista/público.

Convém ressaltar que este convencimento e esta forma de atrair o público passante é envolvida por  outras formas de linguagens complementares: gestos, sorrisos, olhares, expressões corporais e , até mesmo, imitações de vozes de animais, e todas estas formas passam a ser coadjuvantes neste/deste espetáculo.

Por outro lado, a divulgação e a “venda” deste modelo de arte acontecem simultaneamente, assim, o artista > divulgador precisa ter maior destreza na fala e convencer o seu público, para que, ao final da apresentação, a platéia não esteja esvasiada e a sua “venda” se realize favoravelmente, o que será visto pelo montante arrecadado por ele ao final de sua apresentação.

Percebe-se, então, que um dos papéis do discurso é feito pela sedução de linguagens diversificadas, que  conduzem a comunicação, assim como nos mostra o legado de Aristósteles, isto é, – a importância dos processos argumentativos – vistos como um conjunto de raciocínios não coercivos, e sim coesivos, sustentadores do discurso e permissores de inferências indutivas e dedutivas, promovendo cumplicidades com o mundo e entre mundos: o mundo do ator e o do seu público juntamente com o mundo da arte; promovendo cumplicidades das gentes e dos gostos, tudo pelos caminhos das sedutoras cumplicidades discursivas.

 

[Autoria: SÔNIA MOURA]   

TÁ NA HORA! TÁ NA HORA!

TÁ NA HORA! TÁ NA HORA!     relógio

(Autoria: SÔNIA MOURA)

O relógio grita e repete:
– Tá na hora! Tá na hora!
Saia da cama, Maria,
É hora de ir para a escola
Você precisa acordar!

A coberta se rebela:
– Larga ela! Larga ela!
O colchão se descontrola:
– Não amola! Não amola!
O travesseiro reclama:
-Não quero sair da cama!
E o lençol o acompanha:
– Eu também não largo a cama!
Enquanto a fronha protesta:
– Não me apressa! Não me apressa!
E a cama a bocejar:
– Deixa a menina ficar!

Com o seu direito de guardião,
O relógio insistia:
Tá na hora! Tá na hora!
Saia da cama, Maria,
É hora de ira para a escola!

Maria se espreguiça
Vira para um lado
E para o outro
E continua deitada,
Nem pensa em se levantar,
Pois a cama tão quentinha,
Maria não quer deixar.

O relógio se desespera:
-Tá na hora! Tá na hora!
Saia da cama, menina,
Vai perder o ônibus da escola.

Maria dá dois muxoxos
E diz: – Relógio não me aborreça,
Me deixa, quero dormir,
Saia daqui, desapareça!

O relógio não desiste
E mais uma vez insiste:
– Tá na hora! Tá na hora!
Saia da cama, Maria,
Você tem de ir à escola.

Enquanto a menina sonolenta
O seu destino lamenta,
No relógio, os ponteiros desiguais
Vão o tempo arrastando
E as horas sempre marcando
E sem nada reclamar.

Agora é mamãe quem fala:
-Pula da cama, menina,
Está na hora, levanta!
Corra já para o banheiro
E trate de se arrumar!

A mãe da Maria está brava e
Todo mundo se assusta:
O cobertor se encolhe,
A fronha se descabela,
O lençol vai-se esticando
O colchão começa a tremer
A cama põe o estrado a ranger
Mamãe não está brincando,
Maria se levanta rápido,
E acha melhor correr.

Na mesa de cabeceira
O relógio assiste à cena
E resmunga no seu tiquetaquear:
– Eu bem que queria dormir
Mas trabalho noite e dia
E não dá para parar
Maria, você que é feliz,
Tem hora para descansar.

Maria escuta aquilo
E começa a pensar
Amanhã levanto na hora
Coitadinho do relógio
Não vou mais trabalho lhe dar!

(Do livro: Brincadeira de Rimar de SÔNIA MOURA)

dormir