RETROCESSO

MULHER

Como de costume, saía para sua caminhada matinal à beira mar. Ainda se fazia silêncio na cidade que, daqui a poucos minutos, iria deixar sair de suas entranhas barulhos de todos os tipos. O vai-e-vem já estava para começar, pernas apressadas, cabeças pensativas, olhos cheios de sono. Era a vida agitada a ocupar o seu lugar, enquanto a tranqüilidade iria descansar. Via esta cena praticamente todos os dias.
Embora àquela hora fosse fácil atravessar a Nossa Senhora de Copacabana, porque quase não havia carro transitando, ela ficou parada diante do sinal de trânsito, observando um casal do outro lado da rua.
Com um sorriso a la Monalisa, observava a difícil despedida do casal enamorado Eles estavam tão grudadinhos e davam um, dois, três, quatro e tantos beijos, despediam-se e voltavam a se abraçar.
Pensou em sua mocidade, ela também já vivera momentos assim.
Sua alma alegrou-se, por meio do retrocesso da memória e o sorriso alargou-se. Atravessou a rua; enquanto seu olhar atravessava a cena de cada beijo e sua mente fluía pelo túnel do tempo. Um tempo em que a felicidade era tão presente que ela sequer iria imaginar que, somente no futuro, iria dar tanto valor à felicidade do passado.
Já no outro lado da calçada, pode ver melhor a face da juventude enamorada, passou bem pertinho como se pudesse reviver aquele momento único.
Precisava seguir em frente, assim como o tempo. Olhou mais uma vez para trás e os pombinhos continuavam a arrulhar e a se beijar.
Viu quando outra mulher, mais ou menos com a sua idade, olhava o casal enamorado, mostrando também um sorriso de saudade estampado nos lábios.
Baixinho, disse adeus à cena, precisava continuar…

“Só Deus sabe o quanto eu te amei”

Coração

SÓ DEUS SABE O QUANTO EU TE AMEI

(AUTORIA: SÔNIA MOURA)

“Só Deus sabe o quanto eu te amei”
Onde mesmo ouvi esta frase?
Não me lembro mais.
Sei apenas que,
Ao ouvi-la, lembrei-me de você.

Amor que nunca se foi
Amado que ficou
Amante que guardei
Amigo que se perpetuou

“Só Deus sabe o quanto eu te amei.”
E só eu sei o quanto te amo
Desde sempre e para sempre
É, só eu sei e mais ninguém

Por isso
Não deixem o tempo passar,
Não deixem o amor escapar

Portanto
-Amem!

– Amém!

 (Do livro: POEMÁGICAS de SÔNIA MOURA)

O PAPEL DO PAPEL

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Leiam:

“Empresa lança papel higiênico literário na Espanha” [por Anelise Infante]

“O velho hábito de ler no banheiro ganhou um componente moderno: o papel higiênico literário.”

“A empresa espanhola Empreendedores está lançando rolos de papel especial onde aparecem impressos clássicos da literatura mundial para que o usuário vá lendo enquanto permanecer no banheiro. O produto, vendido só através da internet, inclui trechos de literatura clássica, teatro, poesia e até textos sagrados da Bíblia e do Budismo.”

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/ – VIA – www.niu.com.br

Essa novidade, pode ser interessante, mas, certamente, irá gerar conflitos.
Ler os textos gravados no papel higiêncio?
A resposta pode ser –Sim!
E depois?
Dar a este papel higiênico, que contém tantos ensinamentos, sentimentos, alegrias ou angústias, um papel “menos nobre”?
Por outro lado, o papel do papel higiênico será sempre o mesmo, e, reconheçamos, é de grande importância. Mas… Será que combina com a literatura?
Então… o que fazer? Ler e usá-lo ou ler e guardá-lo sem uso?
Algumas novidades, aparentemente interessantes, podem nos confundir.

E como na vida, cada um tem o seu papel, deixem ao papel higiênico o direito de cumprir o seu papel.

BEM-QUERENÇA

COMEMORAÇÃO

Presentes escondidos em lugares secretos
Embrulhados pela emoção da gente
Algo de sal para alimentar o corpo,
E uns docinhos em calda com um queijo branco
Balinhas, balões e um bom vinho
Para aninhar a alma e o coração
Lá estão onde todos se encontram, riem
Enquanto olhos, olhares e luzes brilham em muitos céus
Para a estrela da bem-querença (re)nascer
Amparada por sensíveis orações
Em forma de velhas canções.

Família reunida, amigos reunidos
Flores úmidas para o ambiente perfumar
Corações a se alegrar com a música que rola sem parar
Aplaudida por risonhas vozes que se espalham pelo ar

É tempo de amor, é tempo de amar
É tempo de viver, é tempo de se ver

– Que tempo é esse?

– É passado, é futuro e é presente
Pois, para se fazer uma festa
Basta querer, bem,
E bem-querer, também!

[Do livro POEMÁGICA de Sônia Moura]

CAFÉ DA MANHÃ

café da manhã

Uma grande felicidade é tomar o café da manhã junto com quem se ama, sempre que possível. É muito bom!

Que coisa gostosa, dentro da xícara, que descansa sobre a mesa, o café fresquinho, a exalar seu cheiro pelo ar, faz par com o leite com jeito de fazenda.
O suco de uma fruta vai colorindo a mesa; pães e bolos se entregam a bocas famintas que se completaram na noite ou na madrugada anteriores e que neste café da manhã se locupletam, se reencontram, e ainda se procuram, só que agora, bem mansamente.

E, enquanto cores e sabores se misturam ao amor, deixando mais claro o dia que nasce, para que, mais uma vez, o amor faça a sua festa.

[É por isso que toda propaganda de margarina faz tanto sucesso.]  

A FLOR DA MORTE

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Morava à beira mar, numa cidade pequenina, aconchegante, onde a vida passava devagar. Tudo era muito calmo, somente o sino da igreja quebrava o quase silêncio daquele lugar.

Um dia, no pequeno lugarejo, surge um construtor ávido por lucros e resolve promover a cidade: novas construções, novos projetos, tudo, tudo novo. Foi neste momento que o  destino resolveu trabalhar e tudo mudar. Para melhor? Para pior? Difícil dizer.

Para alguns, o lucro rápido e a ascensão econômica, política e social era a certeza de que a mudança foi benéfica, ao menos para suas contas bancárias. Outros, menos afortunados, queixavam-se que a paz se afastou da cidade, quando muitos estranhos lá aportaram.

Mas, para Clara, pouco importava o que estava acontecendo, pois a moça tinha o seu jardim secreto, onde somente ela poderia chegar. Clara julgava-se protegida contra todas as mudanças.

Mas, haverá esconderijo para Eros ou para Tânatos?

Ao conhecer Francisco, homem vivido e sedutor, Clara deixou-se levar por sua lábia e deixou-o penetrar no seu jardim secreto. Ele colheu a rosa que queria, presenteou-a com uma conta cinza, cor da desesperança e do desespero e, depois, partiu sem dizer adeus.

Assim é que Eros deu lugar a Tânatos no jardim secreto de Clara, tomando conta de sua vida para sempre e, a partir daquele abandono sem nenhuma explicação, um coração estraçalhado foi plantado no jardim, agora já não mais secreto, e naquele lugar, uma flor, em forma de coração e  com as pétalas partidas, nasce todo os anos, sempre no dia 21 de agosto.

[Do livro CONTOS e CONTAS, de SÔNIA MOURA]

“EU TENHO UM SONHO”!

acorrentados

Ao ler, pela internet, um informativo sobre a história da luta dos negros nos Estados Unidos, em que os nomes de seus líderes se mostra, pensei:  – Certamente haverá algo na internet sobre a liderança ou sobre os líderes negros no Brasil.

No entanto, o que encontrei foi desanimador e triste, ou seja, encontrei quase nada.

Num dosites encontrei uma pesquisa, cuja pergunta era: “Quais os líderes negros que mais se destacaram?” , assim mesmo, sem dizer época ou país.

A maioria absoluta dos internautas respondeu à pergunta citando nomes como: Kunta Kintê, Malcolm X, , Idi Amin Dada, Touissant Louverture, Nelson Mandela, Patrice Lumumba, Martin Luther King, Agostinho Neto, Kwame Nkrumah.

E os líderes negros brasileiros?
Ah! Que decepção, apareceram somente em cinco respostas, eis algumas delas (Como esclarecimento, um pouco sobre os brasileiros citados):

R – … um cabo da marinha conhecido como almirante negro na época da Revolta da Chibata

João Cândido e A Revolta da Chibata: Os marinheiros nacionais, quase todos negros ou mulatos comandados por uma oficialidade branca, em contato cotidiano com as marinhas de países mais desenvolvidos à época, não podiam deixar de notar que as mesmas não mais adotavam esse tipo de punição em suas belonaves, considerada como degradante. O uso de castigos físicos era semelhante aos maus-tratos da escravidão, abolida no país desde 1888.

R – No Brasil: – Zumbi, líder do Quilomobo dos Palmares (1695) e o – Mestre-de-Campo HENRIQUE DIAS, comandante de um Terço, que combateu os holandeses, em Pernambuco

Zumbi dos Palmares: Zumbi nasceu livre em Palmares, Pernambuco, no ano de 1655, mas foi capturado e entregue a um missionário português quando tinha aproximadamente seis anos. Batizado “Francisco”, Zumbi recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim, e ajudava diariamente na celebração da missa. Apesar das tentativas de torná-lo “civilizado”, Zumbi escapou em 1670 e, com quinze anos, retornou ao seu local de origem. Zumbi se tornou conhecido pela sua destreza e astúcia na luta e já era um estrategista militar respeitável quando chegou aos vinte e poucos anos.

Henrique Dias: Devido aos serviços prestados, recebeu títulos de fidalgo, a mercê do Hábito da Ordem de Cristo e a patente de Mestre-de-Campo. Conhecido como Governador dos crioulos, pretos e mulatos do Brasil, envolveu-se ainda na repressão a quilombos, tendo sido cogitado pelo Vice-Rei Marquês de Montalvão, em novembro de 1640, para combater um quilombo no sertão da Bahia, o que foi recusado pelos vereadores de Salvador. Como Mestre-de-Campo, comandou o Terço de afro-brasileiros do Exército Patriota nas duas batalhas dos Guararapes (1648 e 1649), vindo a falecer em 1662, oito anos após a vitória sobre os holandeses

R – … como desportista o Pelé.

Pelé: Recebeu o título de Atleta do Século de todos os esportes em 15 de maio de 1981, eleito pelo jornal francês L’Equipe. No final de 1999, o COI, através de uma votação internacional entre todos os Comitês Olímpicos Nacionais associados, também elegeu Pelé o “Atleta do Século”.

EU TENHO UM SONHO…
Desejo que também surja em meu país um KING, e, com a mesma paz, o mesmo amor e a mesma serenidade do pequeno – grande Gandhi, deixe entreabrir muitas, mas muitas Rosas nos parques, e que nossas crianças venham a sentir orgulho de sua cor, seja ela, branca, amarela, vermelha ou negra.
A cor da pele realmente não importa, porque todos precisamos nos conhecer, criar laços, construir identidades.
Todos precisamos nos reconhecer, porém, o apagamento da imagem, o silêncio da verdade ou a reclusão histórica, embota a luz que deve brotar naturalmente em todos nós quando pensarmos em nossa história de vida e em nossos antepassados. Assim, que os nomes de negros, brancos e índios do nosso Brasil, possam ser mostrados, para que todos venhamos entender que vivemos sob a luz da mesma bandeira.

EU TENHO UM SONHO…

Um dia iremos entender que, neste planeta, só existe uma raça: A RAÇA HUMANA, e todos somos iguais, ao menos, nesta classificação: somos humanos, demasiadamente humanos! Assim, ao menos biológica e sociologicamente estaremos todos acorrentados uns aos outros, sempre, sempre.

Tempo!!!!!

 Carrasco

Ato sexual ideal dura de 3 a 13 minutos, diz estudo

“Uma relação sexual satisfatória dura entre três e 13 minutos, de acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Penn State, no Estado americano da Pensilvânia.” Compilado do site: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story – via – www.niu.com.br]

É sério, eu gosto mesmo desse tipo de pesquisa, elas são fabulosas, mas, com todo respeito, na maioria das vezes, os resultados finais são engraçados.

Quando li esta notícia, imaginei uma cena interessante:

Um casal, na cama, fazendo sexo, e, numa mesinha próxima, um enorme relógio de onde, a partir do terceiro  minuto até o décimo terceiro minuto , sairia um ser encapuzado, um verdadeiro  carrasco,  a gritar: -Tempo! Tempo! Tempo!

E o casal a implorar: – Por favor, só mais uns minutinhos, por favor!

No entanto, o implacável “carrasco” continuaria a gritar: -Tempo! Tempo! Tempo!

Arrasados e com o clima do amor em total descontrole, só restaria ao casal conformar-se e ir dormir, ou, mais ousadamente, enfrentando a ciência, jogar aquele “homem do tempo” pela janela ou quebrá-lo em pedacinhos e tentar retomar o tempo perdido, agora sem tempo certo nem para começar e muito menos sem tempo  para terminar, bradariam: 

– Dona Ciência, dá um tempo!