TEMPLO

 TEMPLO

TEMPLO (Autoria: Sônia Moura)

Meu corpo é um templo
E só tu nele podes penetrar
Só tu a ele podes adorar

Meu corpo é o teu templo
Sagrado, amado, adorado
E só tu podes me dominar,
Consagrar e depois me devorar

Meu corpo é o templo
E em qualquer tempo
Só tu nele podes adentrar
Sem se anunciar
Sem tempo nem hora para chegar
Sem hora ou tempo para partir
Basta que saibas me fazer sorrir

Meu corpo é teu templo
Podes sobre ele se deitar
E rezar, gozar, se lambuzar, sonhar…
Podes dentro dele te esbaldar
Podes fugir do mundo
Podes se aninhar

Meu corpo é teu templo
Só teu, de mais ninguém
Dentro dele tu podes ir além
Muito, mas muito mais além,
Podes orar, blasfemar, se confessar

E, depois de tudo, eu te direi amém!

(Do livro: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

GULA

 Gula

GULA (Autoria: Sônia Moura)

Saboreie meu corpo
Quero a sua luz
Quero o rumo
A que me conduz
O sabor do seu falo

Leve é o seu corpo sobre o meu
Pesado é o fardo de não ter você
Assim como é amarga a separação
Tão doce é a hora de lhe encontrar
E poder amar, amar

Suaves são seus lábios
Sobre minhas bocas
Quando em compassos
Que me descompassam
O quente de sua boca
Me faz delirar
Enquanto mil sonhos
Por mim passam

Tome o meu corpo
E me faça sua
Alcance o meu desejo
Quero seus beijos
Procuro teus abraços
Ouço seu canto,
São loucos gemidos
Sinto o deslizar de suas mãos
Beijo seus dedos
Sinto o seu pulsar

Estamos agora
Entre Eros e Tanatos
Abro-lhe meu corpo
Dou-lhe minhas fendas
Em múltiplas oferendas

Comemos do manjar dos deuses
Bebemos do vinho dos amantes

Nossos corpos
Estremecem em espasmos
E seguimos seguros
Seguros na cauda de um cometa
A cavalgar até o infinito
É hora do orgasmo,
É a hora infinda do prazer
Vem, meu bardo
Vem meu louco amor
Vem, meu companheiro
Vem meu versejador
Vem, meu anjo lindo,
Para dentro de mim
Um poema de amor compor

(Do livro POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

PRECE

prece

PRECE (Autoria: Sônia Moura)

Eis-me aqui a teus pés ajoelhada
Suplicando tua intervenção
Não quero amar, não, não quero não.
Afastai-me, Senhor, desta tentação

Creia-me, Senhor, fui embebedada por Cupido
E assim despi minha armadura de defesa
E, agora, Senhor, encontro-me indefesa
A implorar a ti que venha me valer
Por favor, eu lhe rogo a tua graça
Senhor, não me deixe sofrer

Mandai, Senhor, um de seus escudeiros
Para que ele revire os canteiros
De minhas verdades assim tão resolutas
E me defenda do mal de uma paixão
Não é de um mal qualquer, não

Defenda-me, Senhor, do mal de amar
Preciso encontrar outro caminho
Antes que eu me coloque de novo
Em outro ninho
E nele me deite a sonhar
Antes que ao invés de colher a flor
Nascida num fim de verão
Segura pelas garras da paixão
Só colha da flor a dor e o espinho

Protegei-me, Senhor,
É só o que eu te peço

Senhor, eu não mereço sofrer
Mais uma vez do mal de amar
Quero apenas ter o direito de sonhar
Com um amor racional, normal,
Sem exageros, sem erros

(Como se fosse possível amar sem errar)

Atai meu coração à rocha mais pesada
E lançai-o ao amar
Livrai-me, Senhor, do mal de amar
Tape meus ouvidos aos apelos do amor
Fecha meus lábios,
Eu te suplico
Impeça-me a loucura
Livrai-me, Senhor, desta criatura
Poupai-me, Senhor, de mais uma desventura

Mas…

Se o Senhor achar que devo amar
Deixe-o comigo, só mais um pouquinho,
Quero ao menos uma vez mais
Sentir este gostinho diferente
Que mistura mel e fel na boca da gente
Quero sentir este momento
Que mistura no mesmo rosto
O riso e o pranto
E “um contentamento descontente”
A viajar entre o céu e o inferno
Para depois, no entanto,
Nos deixar prostrados a teus pés
A te pedir o impossível
A blasfemar contra o que é santo
Deixando de lado a fé e a coragem
E a te pedir tanta bobagem…

Perdoa-me, Senhor, pela blasfêmia
Ao te pedir que afaste de mim
A dor e a delícia de amar
Perdão, Senhor, perdão
Rogo por sua graça divina,
Perdoa este menina
Que não quer partir
Por isso vive a te pedir por um amor
Para depois, perdida, aturdida
Com ele não saber o que fazer
Não me tire este amor
Não me tire o direito de sonhar

Por isso, Senhor, eu confesso,
Minha culpa,minha culpa, minha máxima culpa

Então, Senhor, humildemente
Mais uma vez te peço
Por favor, me deixe amar…
Permita- me sonhar
Mas, Senhor, por favor, antes de tudo
Ensina-me a amar…

Amém!

(Do livro Poemas em Trânsito de SÔNIA MOURA)

AH! SE EU PUDESSE…

AH! SE EU PUDESSE… (Autoria: Sônia Moura)

O problema é que eu não posso fazer
Tudo o que quero com você

Virar você pelo avesso,
Fazer de você gato e sapato
Ora príncipe, ora sapo
Fazer você correr feito um tigre
Ou voar como um passarinho
Ou fazer você dançar
Até não mais aguentar
Que nem uma barata tonta
Vasculhando todo o meu ser
Marcando-o de ponta a ponta

Ah! seu eu pudesse
Virar você pelo avesso
Ontem, hoje e amanhã
Mostrando que te mereço
E o quanto eu estremeço
Nos teus braços e com teus beijos
E que ao embalo de seus afagos
Eu simplesmente me perco

E, depois de virá-lo pelo avesso,
Deixá-lo do lado direito
Da nossa cama quentinha
Num quarto cheirando a sexo
Onde estaremos juntinhos
Você com a cabeça em meu ombro
Ronronando feito um gatinho

Ah! se eu pudesse
Fazer de você gato e sapato
Ora príncipe, ora sapo
E fazer de você o meu gato
Pra eu te encher de carinho
Te dando todo leitinho
Que você quiser sorver

E em seguida, na hora do nosso amor
Em príncipe te sagrar
Para depois te abraçar
E sugar dos teus beijos o teu sabor

Mas, na hora em que você vai embora
Deixando meu coração tão triste
Eu juro que você é um sapo
Pois eu fico tão sozinha
Desejando a sua volta
Fazendo pirraça e beicinho
Brigando com o tempo e o relógio
Que insistem em nos separar
Fazendo com que eu duvide
Da transitividade do verbo amar

Ah! se eu pudesse
Transformar você em tigre
Ou mesmo em um passsarinho
Um tigre quando me ama
E faz festa em nossa cama
Me enlouquecendo de vez
Ou ver você como um lindo passarinho
Que me traz no seu biquinho
O doce de nosso mel
Transformando tudo em graça
E me levando ao céu

Ah! se eu pudesse
Te deixar feito barata tonta
Para comigo dançar
Até não mais aguentar
Na horizontal ou então na vertical
E eu, como a sua fêmea fatal,
Exalando por todos os poros
Amor, gozo e alegria
Em todos os momentos mágicos
Da nossa sagrada orgia!

(Do livro: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

Ah! se eu pudesse

LENITIVO

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LENITIVO (Autoria: Sônia Moura)

Amei-te ontem e te amo agora
Beijo teus lábios- só em minha mente
Vivo nossos belos sonhos de outrora
E assim revivo nosso amor de sempre

A música tocada pela harpa
Traz a saudade que mora comigo
Os pássaros, quando entoam cantares,
Despertando assim teu amor-amigo

Pudesse eu ter-te aqui entre meus braços
Feliz aos deuses agradeceria,
A todos os anjos me curvaria

Eu me agarraria a essa alegria
E deste amor jamais escaparias
E pra sempre comigo ficarias

(Do livro : Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

ESPERANÇA

ESPERANÇA (Autoria: Sônia Moura)

Aconteceu um acidente horrível
Um avião perdeu-se em meio a tempestade
E caiu no mar
Misturaram-se ali o céu e o ar

Penso na dor e no horror
Dos que estavam na aeronave
Que momentos foram estes?
Quanto pavor!


Ouço alguém falar
Que a procura dos corpos e destroços
Será longa, muito longa
Pois muito grande é o mar

Ouço alguém falar
Que o homem só consegue mergulhar
A 300 metros
É tão profundo o mar…

Me ponho a pensar
Como somos pequeninos
Perdidos aqui na terra
Ou perdidos em alto mar

Esperança misturada ao choro
Alegria da mulher que desistiu de embarcar
Tristeza do amigo, do pai, da mãe e do irmão
Afogaram-se em águas salgadas tantos corações

Mas, ainda resta esperança
No olhar, no amar e no sonhar
Ainda que a dor se espalhe
O amor nos fortalecerá

Pelo vigor da esperança
Pela força do amor
O que nos resta é rezar
Pedindo a Deus o conforto

Tão difícil é aceitar
A perda de quem se ama
A ausência de quem se quer
Ah! Só Deus para nos consolar!

ESPERANÇA

ENCONTROS

 ENCONTROS (Autoria Sônia Moura)

Será um sonho ou é esta emoção
Que me faz sentir
Tua presença em mim
Convidando-me a
Seguirmos juntos, de mãos dadas
Como pássaros libertos a voar por aí

Será um sonho ou é o meu desejo
Que, no silêncio da noite enluarada,
Mostra-me que sou criança perdida,
A brincar no meio da roda da alegria
Enquanto você ri da brisa do amor
Que está a morar em mim
Sem querer partir

Será um sonho ou é minha verdade
Que acaba por se descobrir
E entoa o meu canto
Que estava guardado num canto
Á espera do amor que está por vir
O amor que eu espalhei ao longo da estrada
Que sozinha eu construí

Será um sonho ou são minhas visões
Que fazem aparecer em múltiplas janelas
Um mar banhando mil mistérios
E a despejar teu eco sobre mim

Enquanto isto, ao me encontrar em ti
Jogo fora todos os meus receios de amar,
E me esbaldo na liberdade deste mar

Pesco o amor no meio do oceano
E, a partir daí,
Desvio-me todo e qualquer perigo
Depois, faço numa fenda do mar o meu abrigo
Na sanidade dos amantes loucos busco o teu retrato,
Mas o que vejo é o reflexo de minh`alma no espelho d`água

Neste instante, calam-se as vozes dos sete mares
E eu entoo uma canção antiga
Então, teu corpo vem pra junto ao meu
E eu, finalmente, me encontro comigo

Do Livro POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

aMOR, AMOR, AMOR

FALA-ME DE AMOR

                                                                   Amor

FALA-ME DE AMOR (Autoria: Sônia Moura)

Ao menos hoje
Fala-me de amor
Mesmo que mintas
Fala-me de amor
Ainda que não sintas
Fala-me de amor
Com doces palavras
Fala-me de amor
Com palavras alheias
Fala-me amor
Use desenhos, mas
Fala-me de amor
Grite ou sussurre, mas
Fala-me de amor
Entre abraços e beijos
Fala-me de amor
No meio do desejo
Fala-me de amor
Cante uma música e
Fala-me de amor
No momento do gozo
Fala-me de amor
Na noite escura
Fala-me de amor
Debaixo do sol ardente
Fala-me de amor
Com mansidão
Fala-me de amor
Com sofreguidão
Fala-me de amor
No teu sorriso
Fala-me de amor
Pela tela do computador
Fala-me de amor
Por telefone
Fala-me de amor
Bata um tambor, mas
Fala-me de amor
Use tabelas, gráficos, mas
Fala-me de amor

Entenda minhas razões
Abraça meu coração
Vem me fazer feliz
Varra pra longe a dor
Falando-me de amor!

(Do livro: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura

LOUCA

                                                           bEIJO

LOUCA (Autoria: Sônia Moura)

Eu sempre quis
Uma sala com lareira
Um tapete no chão
Um homem me amando
Me beijando a boca

Eu sempre quis
Ser feliz

LOUCA!

(Do livro POEMÁGICAS de Sônia Moura)

LAREIRA

ESPAÇO AÉREO

 ESPAÇO AÉREO

ESPAÇO AÉREO
(Autoria: Sônia Moura)

Estava distraída
Quando alguém invadiu
O meu espaço aéreo

Imediatamente
Ativei meus caça-fantasmas
Que voaram em defesa dos meus limites
Num momento em que eu estava tão aérea

Tarde demais
O espaço já fora invadido

Não havia mais limites
Eu já havia sido invadida
Não havia mais jeito

O sujeito, abusado, ousado e
Descarado como ele só,
Penetrara sofregamente em meu espaço aéreo

Eu disse a ele: me respeite, sujeito,
E se dê o respeito
Mas não adiantou

O sujeito arteiro
Leu meus pensamentos
Dominou meu coração
Sonegou minha alma flutuante

Tentei bloquear esta invasão
Tentei afastar o invasor
Não houve jeito
Ele já tinha entrado em mim
E tinha me feito sua amante

Meus caças tinham ordens de fazer a escolta
E levar o invasor de volta
Eu não queria deixá-lo ficar
Ordenei, sapateei, mandei-o voltar

Tudo inútil
Havia nele um sei lá o quê

Chegou de repente e
Com aquela voz de manteiga cheirosa
Com aquelas palavras melosas
Com aquela ousadia sem par
Aquele insolente
Dominou o meu espaço
Conseguiu me assujeitar
Penetrou em meus desejos
E, sem parcimônia,
Instalou-se em meu espaço
Que vagava tão aéreo

E, instalado, tomou-me em seus braços
Aninhou-se em meus abraços
Beijou-me a boca
Deixou-me tonta
Louca

Eta! Sujeito,
Que afronta!

Agora não tem mais jeito
Me embrenhei neste sujeito

(Do livro POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

                                                                  caças