ABANDONOS

ABANDONOS

ABANDONOS (Autoria: SÔNIA MOURA)

Esquecido em um banco,
O guarda chuva dormia
Enquanto a chuva caia… caia…caia…

Entre os pingos da chuva que caia
Eu fingia que sorria
E o meu coração desassossegado
Fora do ritmo batia… batia… batia…

A poça d`água que agora surgia
Como um espelho de minh`alma refletia
A dor que meu sorriso escondia
Nos aposentos da minha nostalgia

E, quando a noite mostrou sua ousadia,
Tomando o lugar do dia,
A solidão anunciada em forma de agonia
Encharcou minha esperança de magia

Enquanto os homens a chuva escondia
Sozinha, eu via a vida pela lente da melancolia
E, num canto, uma esperança teimosa ressurgia
Enquanto a chuva caia… caia… caia…

(Do livro: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

DIETA DO AMOR

 Dieta do amor

DIETA DO AMOR (Autoria: Sônia Moura)

O meu amor caminha solitário
E nenhum canto consegue acompanhá-lo
E assim ele segue no silêncio
Ruminando velhas palavras
Que se escondem dentro de mim
Num espetáculo de acrobacias sem fim

O meu amor caminha solitário
Abstendo-se de amar e errar
E eu, abstenho-me de degustar
Inteiramente o bom do amor
Faço dieta de amar e de sonhar
Faço a dieta do amor

O meu amor caminha solitário
Cheio de contusões e de fraturas
Precisaria ser muito bem cuidado
Mas me recuso a entregá-lo a qualquer um
Por isto, multiplico minha imagem:
Sou meu médico, meu tutor, meu guia
Não me alimento mais de ilusões
Secou meu poço de emoções
Vivo no deserto de minhas verdades

O meu amor caminha solitário
E para ele não haverá novos sentidos
Não haverá mais palavras novas pois,
Nenhuma delas irá mais me convencer
Hoje sou silêncio
Sigo sem pensar em nada
Escondo o meu amor
Deixo-o dormitar
Num canto solitário da saudade
Não quero pensar em nada
Não tenho mãos para segurar
Não tenho colo para me aninhar
Preciso me acostumar com a solidão

O meu amor caminha solitário
Fugindo de mãos e bocas traiçoeiras
Abro meus olhos
Ligo o botão da atenção
Estou sozinha
Sou sozinha
Vivo agora no meu mundo-solidão
Não quero visitas
Não quero invasão
Escondo-me de mim mesma
Escondo o meu amor lá no porão
Resguardo-o da luz
Defendo-o
Não o quero mariposa
Tonto e desvairado a buscar
A falsa luz de um olhar
Ou de promessas vãs

O meu amor caminha solitário
Enquanto meu corpo vive distante de minh´alma
Não quero mais me empapuçar de vãs promessas
Faço esta dieta para manter
A estética do meu coração

O meu amor caminha solitário
Há muito, muito tempo
E eu ainda não me acostumei
Driblo esta realidade
Inventando mentiras
Tão claras como o dia ensolarado
Mentiras que fingem ser clones
Das mais puras verdades
Quando digo que vou deixar o amor de lado
Ah!, minhas mentiras são bolhas de sabão
Que se arrebentam ao som destes meus versos
Pois ao primeiro chamado do amor
Largo esta dieta
E volto a me empapuçar
Com todos os doces momentos
Que o amor me apresentar
Então transfiro para um cofre reforçado
Todas as minhas falsas verdades
E me deixo plena para o amor e
Jogando fora palavras incapazes
Nado para a margem mais próxima
Agarro-me ao primeiro ramo salvador
Para viver mais uma vez a plenitude
De um novo amor

(Do livro: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

DOCE DELITO

                                           DOCE DELITO

DOCE DELITO

(Autoria: Sônia Moura)

O que fazer para preencher a lacuna
Que tu deixaste em minha vida?
Estou sozinha e não consigo
Povoar meu coração
Volta pra mim, amor,

Quero segurar a tua mão
Pousando-a sutilmente
Sobre a minha doce ilusão
Para sermos a rosa e o jasmim
No silêncio de nosso jardim

Quero sentir o sol
Brilhando no horizonte
De nosso lençol
A nos tirar da escuridão
E a nos guiar, meninos perdidos,
Para encontrarmos os caminhos
De novas emoções

Quero olhar nos teus olhos
E ver a luz nua desse teu olhar
A me banhar desejosamente
A me fazer sonhar
E a me guiar para junto de ti

Quero teus braços em concha
E o teu abraço a me amparar
Como se fosse uma casa
Onde hei de me aconchegar
E ficar a te esperar, esperar…

Quero a noite e a manhã
Dos teus beijos
Com gosto de maçã
Quero o som de tua voz
A me encantar
Com todos os segredos
Do nosso jeito de amar

Sabe, amor, estando você longe ou perto
A saudade, inquilina desvairada,
Escondida no vulcão da minha dor
Vem à tona a praticar o doce delito
De me fazer não esquecer de ti
Nunca!

(Do livro: Poemas em Trânsito de SÔNIA MOURA)

DOCE DELITO

BAILES E BALÉS

BAILES E BALÉS (Autoria: Sônia Moura)

Será um sonho ou são apenas visões
Sentir tua presença em mim
Convidando-me com doçura a
Seguirmos juntos, de mãos dadas
Feito pássaros libertos
A vagar por aí…?

Seria um sonho ou seriam desejos
Estarmos, como crianças perdidas
No silêncio da noite enluarada
Sentindo a brisa a dançar em mim
Sem querer partir…?

Seria um sonho ou seriam verdades
Que eu acabara de descobrir
Que meu canto te guardou a um canto
Ao longo da estrada que só construí
E só agora apareces no horizonte
E me convidas a andar por aí….?

Será mágica, mistério ou brincadeira de Cupido
Encontrar-te num baile da vida
E, a partir daí, bailar nas mãos da ilusão amiga
Colocando-me em tuas mãos, meu coração,
No bailar dos sonhos me encontrar em ti
A me achar por aí…
A me perder em ti…?

(Do livro POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura

bailes e balés

DOCE ILUSÃO!

                                                                     dOCE ILUSÃO

DOCE ILUSÃO! (Autoria: Sônia Moura)

Vinho espumante, como chuva de verão,
É este amor que em mim penetra
E prende minh`alma à sua em perfeita comunhão
Tecida com flores nascidas à beira de um rio em descanso
Brotadas dos prazeres de seu riso em remanso

Estremeço

Seguindo seu cheiro que aguça meu desejo
Me perco pelos caminhos do seu bosque
E a luz do dia que nasceu primeiro
Brinca com meus sonhos acordados
Enquanto seu sorriso de pérola me alcança
E me joga no labirinto dos becos tortuosos da paixão
E eu, atordoada, fico perdida entre o sim e o não
Querendo ter o que não posso
Desejando que tudo que se vive por amor
Não seja em vão.

Doce ilusão!

(Do livro: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

MOMENTOS DE AMOR

MOMENTOS DE AMOR (Autoria: Sônia Moura)

Doce é teu nome quando sai dos lábios meus
Doce é teu riso quando encanta os ouvidos meus
Doce é teu sono quando encontra o meu
Doce é teu abraço quando abraça o corpo meu
Doce é teu canto quando embala o sono meu

Meu nome é um doce maroto quando sai dos lábios teus
Meu riso é um doce alegre quando embala os ouvidos teus
Meu sono é um doce manso quando encontra o teu
Meu abraço é um doce suave quando abraça o corpo teu
Meu canto é um doce gostoso quando embala o sono teu

Doces são estes momentos em que eu sou tua e tu és meu.

(Do livro: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

mOMENTOS DE AMOR

INSPIRAÇÃO

 INSPIRAÇÃO

INSPIRAÇÃO (Autoria: Sônia Moura)

Hoje, dois pontos negros iluminaram o raiar do meu dia.
Eram seus olhos postos em mim,
Inspirando-me para ser feliz, assim…

Hoje, dois laços azuis envolveram o raiar do meu dia.
Eram seus braços postos em mim,
Inspirando-me a amar, assim…

Hoje, um foco de luz inundou o raiar do meu dia.
Era seu sorriso posto em mim,
Inspirando-me a sonhar, assim…

(Do livro POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

BATALHAS

BATALHAS (Autoria: Sônia Moura)

Se tivermos que ir às vias de fato
E travarmos uma batalha
Que seja uma batalha de confete

Se tivermos que lutar com espadas
Que as espadas sejam as de São Jorge

Se tivermos que brigar puxando os cabelos
Que seja saboreando cabelinhos de anjo

Se tivermos que nos bater à tapa
Que seja com um tapa-olho de pirata
Das histórias infantis

Se tivermos que nos atracar
Que seja num porto seguro

Se tivermos que nos enfrentarmos à bala
Que seja com balas de festim
Ou com balas coloridas de aniversário

Se tivermos que nos bater num duelo
Que seja com “as armas e os barões assinalados”

Se tivermos que disputar uma queda de braços
Que seja passeando nas cataratas das Sete Quedas

Se tivermos que nos enfrentar em uma luta de boxe
Que seja no boxe do banheiro
Debaixo do chuveiro

Se tivermos que lutar uma luta livre
Que seja apenas o abraço de um amigo

Só estas batalhas valem a pena…

(Do livro: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

Batalhas

COSTELA DO ADÃO

 COSTELA DO ADÃO

COSTELA DO ADÃO (Autoria: Sônia Moura)

Quero entender a costela do Adão
Dizem que dela eu vim
Por isso agora preciso conhecê-la
Já que ela faz parte de mim
Quero poder analisá-la
Irei consultar os deuses do Olimpo
Para saber se é mesmo verdade
Que de uma costela do Adão
Eu vim

E depois  desta consulta
Vou botar  tudo em pratos limpos

Se eu sou feita da costela do Adão
Ela pertence a mim
Portanto tenho o direito de pecar
Como dizem que fez Eva
Ali mesmo no fundo do quintal
Comendo maçãs suculentas
Entre vinhedos marotos
De onde desceu uma fogosa serpente
Toda crente, a dizer:
– Não faz mal! Não faz mal!
– no amor, tudo é puro e majestoso

Então, como Eva, devo entender que
Fazer amor é muito gostoso
Deixando fluir o gozo
Brotado do amor ou da volúpia

Perdoem-me, mas eu não tenho culpa
Eu nada fiz de errado
Mereço, então, perdão pelo meu não-pecado
E como recompensa pela cruz
Que há tanto tempo carrego
Que são os pecados do mundo
Eu mereço devorar sozinha
Esta suculenta costela do Adão
Bem torradinha, fritinha e gostosinha
Misturada com arroz e feijão!

(Do livro: Poemas em Trânsito  de Sônia Moura)