IMAGENS

 IMAGENS

 

IMAGENS  (Autoria: Sônia Moura)

 

Até hoje

Ouço você dizer

Na concha

Troncha

Do meu ouvido:

 

– Quando tu te pões  entre meus seios

Oh!

Mil liberdades

Se instalam

Em nossos céus !

 

Então, ao ouvir os teus gemidos, eu,

Menino vadio,

Me aninho

Neste ninho

Quente

Ardente

Que me deixa

Demente,

Menino indecente,

A viajar

Por tuas montanhas

Por tuas entranhas

Embarco em navios

Em espaços vazios

Navegando por teus mares

Por todos os teus lugares

Onde se esconde Eros,

Menino libidinoso,

Que  finge recato

Pintando um retrato

De uma abelha

Penetrando a flor

Nos instigando

A subir aos céus

A inundar a terra

Com leite e mel

Em meio a pecados

Rasgados

Molhados

Com gosto

De brigadeiro

Que eu,

Menino arteiro,

Me lambuzo

Devoro

Repito

Nos gestos

De amor

E, com o mais manso furor,

Penetro o miolo

De tua saborosa flor

Embarcando em teus sonhos

De sussurantes gozos

Maviosos

Gostosos

A encher nossa alcova

Com palavras

Febris

Gentis

E eu,

Menino encantado,

Levito ao luar

Visito as estrelas

Me solto ao vento

Fujo do relento

Beijo mil fadas

Abraço mil duendes

Escuto um sino

Agora,

Sou um menino contente,

Namoro o silêncio

E só ouço tua voz

A me dedilhar a alma

Agora quieta

Aninhada

Nos braços dos deuses

A contemplar teu corpo

Exausto de amar

Sorrindo para a paz

Que se instalou em nós…

 

(Do livro: COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

 

 IMAGENS

 

 

 

 

 

 

 

DOR DE AMAR

 

 DOR DE AMAR

DOR DE AMAR  (Autoria: Sônia Moura)

 

O choro veio em lágrimas cascateantes

E ela sentiu que precisava de um colo

Precisava de braços e de abraços

Precisava do aconchego e do amante

Pediu carinho

Ele não entendeu

Só ela sabia o quanto era difícil

Trilhar aquele caminho

Ter que dividir

Amor, braços, beijos e abraços

Que ela gostaria que fossem só  dela

(Sonhadora…)

Assim, invés de chorar

Ela iria sorrir

É tão difícil ter que dividir Amor

Mais fácil é somar

Mais fácil é sonhar

 

Ele pareceu não entender as lágrimas

Pois aquela não era uma dor qualquer

Era a dor de uma mulher

Que tinha que se esforçar

Para conviver com este novo amor

Será que ele entenderia

Um dia

Que aquela era uma dor

De amar?

 

(Do livro: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

 

 

MULHER

 MULHER

 

MULHER  (Autoria: SÔNIA MOURA)

 

Mil cantos que falam de ti

Não conseguem dizer qual o teu tom

Mil cantos que fazem para ti

Não conseguem entoar todo o teu encanto

Mil cantos onde se escondem teus segredos

Não conseguem esconder a doçura do teu pranto

Mil cantos onde moram teus momentos imprecisos

Não conseguem emoldurar teu riso

 

Mil vales por onde se espalha tua garra

Não conseguem decifrar tua coragem

Mil vales por onde passa tua bravura

Não conseguem entender

Como esta convive com tanta ternura

Mil vales que nos paguem para ter a  tua força

Não darão conta de compensar o teu saber

Mil vales que ofereçam por tua sapiência

Não darão conta de entender tua ciência

 

Por que és MULHER

És colo, aconchego, luta e prazer

És guerreira, faceira, maternal e fêmea

És pão, vinho, céu e chão

És sorriso, pranto, acalanto e gemido

És beijos, abraços, carinhos e sofreguidão

 

Mulher!

Eis o mistério que poucos conseguem entender!

 

(Do livro: Coisas de Mulher de Sônia Moura

 

 

A todas as mulheres: PARABÉNS!

mulher

 

 

 

 

 

DESTINO

DESTINO (SÔNIA MOURA

Não adianta correr, não adianta fugir

O que está em teu destino

É teu papel a cumprir!

pode badalar o sino

A noite pode escurecer

Ninguém foge do destino

Assim

O que tiver no teu caminho

Só tu poderás viver!

DESTINO

DOIDEIRAS DA VIDA…

 

 DOIDEIRAS DA VIDA…

DOIDEIRAS DA VIDA…  (Autoria: Sônia Moura)

 

Encontrei a loucura

Sentada no fundo do quintal

Sorriu para mim e falou:

 

-Quando se ama sempre é carnaval

Sempre é natal

Sempre é fatal

Pode fazer bem

Ou pode fazer mal

Não faz mal

Melhor assim

Porque

Para sempre

Ficarei com um pouco

De você

E você carregará

Para sempre

Um tantinho de mim

A vida é assim

Para quem ama

Ora vale o instinto animal

Ora vale o instinto maternal

Ora vale o instinto infernal

Não faz mal

Para quem ama

A vida é somente

Um grande CARNATAL!

 

(Do livro POEMAS EM TRÂNSITO  de SÔNIA MOURA)

CORAÇÃO COLIBRI

 

CORAÇÃO COLIBRI

 

Coração Colibri  (Autoria: Sônia Moura)

 

Ah! Coração

Como cabe em você

Tanta emoção

Tanto amor

Tanta paixão?

Será que

É porque você é oco

Então se libera do sufoco

E faz com que todos

Se orientem

Através de você?

 

Então, não adianta entrar em aflição

Entregue suas dúvidas

À inteligência e à intuição

Pois saiba que estas

São símbolos do coração

Dizem, também, que o reino

E o altar de Deus

Estão nesta seção

Para outros, é respiração

É alma, é pensamento, é memória

Fazendo parte de qualquer história

 

Com todo este poder

Como se pode

Desbancar o coração?

 

O coração me lembra o leve colibri

Que extrai o néctar das flores

E é símbolo da representação de amores

Os dois são capazes

De alçar voos tão altos

Tão rápidos

Ou tão longos

Seja como for,

São sempre lindos voos

 

 

Se o colibri é capaz de parar no ar

O coração é capaz de nos fazer

No ar parar

Ou voar sem asas

Ele pode nos fazer sorrir

E ao mesmo tempo, chorar

 

Nos ajuda a andar pra frente

Mas, como o colibri,

Ás vezes, o coração

Nos faz voar de marcha-ré

E, outras vezes,

Quando somos levados

Pela emoção,

Bailamos em pleno ar

 

O nosso coração colibri

É o altar de nossas devoções

É o palco onde estão nossos amores

É o instrumento de tortura

Onde se manifestam nossas dores

 

Mas, ainda assim, leve e ágil

Como um colibri

Nosso coração

O que quer mesmo é sempre

Nos fazer sorrir

 

(Do livro: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

 

 CORAÇÃO COLIBRI

 

BANCARROTA

 BANCARROTA

BANCARROTA  (SÔNIA MOURA)

 

 Gota de lágrima

De uma alma rota

Põe quem ama

Na rota

Da bancarrota

 

Amarga

A boca

Embrulha

O estômago

Enrijece

O corpo

Entorpece

A mente

 

Para tudo!

 

Somente

O coração,

Insistente,

Bate

Descompassadamente

 

E,  sem medo

De isquemia ou de embolia,

Descontrolado

Em disritmias

O perdido coração

Segue em frente

Em busca de salvação

Em busca de milagre

Em busca de magia

Em busca da devolução

De um outro coração

Que saiu

Da sua rota

Deixando

Quem ama

A mendigar

O amor falido

Pobre ser perdido e

Na bancarrota

 

(Do livro: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

                                                                                         BANCARROTA

 

DESATINO

 desatino

DESATINO   (Autoria: Sônia Moura)

 

Então, entre os véus

Desta aventura insana

Ofereço-me a você

A começar pela boca

Transferindo para sua fantasia

Todo o calor que a minha boca emana

 

Depois, desnudo meu corpo

E toda a minh´alma

Só peço aos deuses

Que me deem calma

Não, melhor

Imploro a eles

Que me enlouqueçam de vez,

Outra vez

 

Então…

 

Enquanto uma fada segura a minha mão

Encontro uma bolha de sabão

Que explode em meu  rosto

Mostrando um caminho

Sem adeus

E me pergunto:

– O que fazer, meu Deus?

 

Por isto

 

Nestes versos que escrevi para você

Existem árvores onde moram bem-te-vis

Existem flores que namoram beija-flores

Que vieram dizer que a sua presença

Agora está em mim

Embalando meus sonhos

 

e

 

Neste momento

O reflexo da sua presença

Me atiça

Me aguça

Me provoca

Me evoca

Me devora

E eu me pergunto:

 

-E agora?

 

Não sei ou não quero

Me livrar desta corrente

Porque do amor

Somos tão dependentes?

 

E de repente…

 

Um calor invade minha cama

É você se manifestando

Em corpo, alma, sonho e alegria

Em diabruras e candices

Em carícias e meiguices

 

e

 

Eu, mais uma vez, ao olhar você

Me pergunto:

– Resistir, quem há de?

 

(Do livro: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

 

 

 

MÃOS VAZIAS

 mãos vazias

Mãos Vazias    (Autoria: SÔNIA MOURA)

 

Não, não há nada em minhas mãos

Para te alegrar ou para te presentear

Não adianta procurar

Mas, não fique triste, assim,                      

Eu te amo, amo, sim!

 

Então te trouxe algo

Que não cabe nas mãos

Nasce na alma

Se espelha na voz

Que não fala em vão

Se espalha pelo papel

Ou se mostra numa tela

Invade os olhos, os ouvidos

Depois, se instala no coração

 

– O que trouxestes, então?                                              

 

Trouxe para ti estas palavras

Guarde-as do lado esquerdo,

Num canto do teu coração:

 

Na concha de tua orelha

Espalharei o meu canto de menina

 

Na colcha de tua cama macia

Me deixarei amar feito uma felina

 

No céu de tua sedutora boca

Plantarei nossos beijos e desejos

 

No céu do teu olhar tão atraente

Pintarei nossa aventura louca

 

Na luz de todos os teus segredos

Tu me farás mulher- amiga –amante

 

Na luz dos teus sonhos mais profundos

Faremos estrepolias pelo mundo

 

No calor de tua boca ávida

Espalharei o mel do meu querer

 

No calor do teu corpo incandescente

Aquecerei em dias e noites o meu ser

 

 No som dos teus passos mais precisos

Descansarei minha ansiedade, se preciso

 

No som do teu sorriso cativante

Afagarei o meu silêncio errante

 

 No segredo que guarda o teu abraço

Minh´alma se aninhará em teu regaço

 

 No segredo que guarda o nosso amor

Faremos tudo para barrar a dor

 

Estas palavras

Pularam de dentro de mim

E como pássaros

Bailaram no ar

Fizeram mil volteios

Soltaram seus cantos

Só para te agradar

 

Eis o meu presente, amor,

Só para ti, aqui está!

 

(Do livro: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

                                                mãos vazias

 

 

ETERNIDADE

                                                         ETERNIDADE

ETERNIDADE  (Autoria: Sônia Moura)

 

Eternamente

Quero ser sua

Eternamante

 

Eternamente

Quero ser sua

Namorante

Constante

Inconstante

Vibrante

 

E, eternamente,

Quero deixar o tempo

Fazer de meu amor

A sua casa

Para que você

Se quede radiante

Ante

Os desejos mais brilhantes

Aqueles que só entendem

Os que são

Eternamente

Amantes

 (Do livro: Poemas em Trânsito de SôniaMoura)

 ETERNIDADE