BALANÇO GERAL

 LENITIVO

BALANÇO GERAL (Autoria: Sônia Moura)

Breves foram teus beijos
Suaves tuas promessas
À sombra daquela árvore
O amor passou com pressa

A vida é mesmo assim
Um dia pode durar um minuto
Mas, um minuto à tua espera
Este (Que inferno!) parece nunca ter fim

Se eu pudesse e a vida quisesse
Tua imagem grudava em mim
E eu jamais seria a triste órfã
Do teu carinho e nem de ti

Sempre que rezo para os deuses
Rogo para viver contigo
Nas várias dimensões do sonho, assim,
O amor será flor perene no meu jardim

(Do livro: Coisas de Mulher de Sônia Moura)

balanço geral

POEMÁGICA

 poemágica

POEMÁGICA (Autoria: Sônia Moura)

Não há chuva e nem há sol
Não é noite, nem é dia
Não é sal, nem é mel
Não é pássaro, nem avião
Não há plenitude e não há solidão
Não é palavra, nem silêncio
Não há métrica e não há rima
Mas…
Há um poema de amor
Escondido por trás da fina cortina
E como uma tarde de luz dolente
O cabide vazio penetra em minha mente

O mar banha os meus sonhos
E sorri para mim
Não vejo o meu rosto
Não sei onde estou
E nem sei onde vou
Apenas resolvo seguir

O poema irá comigo
Porque sem ele nada fará sentido
Quero entender este tema
Quero olhá-lo com os olhos da alma
E penetrá-lo mansamente
Com a mais indecente sofreguidão
Para ver se afasto a solidão
Afasto as sombras que insistem em dançar
Bem no meio da palavra amor

Tão órfão como eu, está este poema
Mais parece um pássaro sem penas
Sem ninho, sem cânticos
Então…
Me ponho no lugar da ave e
Canto aos quatro ventos
Chamo aqueles misteriosos versos
Imploro para que venham até mim
E assim, quem sabe encontre neles
A resposta que tanto procuro
E só assim
Saio do meio deste embaraço
E me acho
(Do livro Poemágica de Sônia Moura
POEMÁGICA

SOLIDÃO

 SOLIDÃO

SOLIDÃO (Autoria: Sônia Moura)

Solidão, solidão, solidão
Amargura que destempera a alma
Esmaga as vísceras
Dilacera o coração
E estraçalha a alegria
Incitando a dor
Zombando do amor

Solidão, solidão, solidão
Invasora que se une ao desencanto
Para deixar que a alma vadia
Se perca numa estrada vazia
Caminhando com a dor
Para depois se abandonar
Numa esquina fria

Solidão, solidão, solidão
Deixa seus sonhos sem rumo
Quando rouba do seu céu
A estrela guia
E ao tirar seu sangue
Das veias feridas
Abre espaço
Para a letargia

Solidão, solidão, solidão
Que nos transforma em farrapos
Nos priva dos abraços
E, contra a nossa vontade,
Por pura maldade,
Nos leva para seu covil
Para de nós zombar
E também confirmar
Que de esperança
Nos despiu

Solidão, solidão, solidão
Impõe sua aviltante presença,
Nos leva para sua ilha
Nos põe em desterro
Desonra nossos desejos
Nos levando ao desespero
Fomentando o destempero
Da ilusão

Solidão, solidão, solidão
Que nos faz chorar
Como a mãe que perdeu uma filha
Ou como alguém que se perdeu na trilha
Poeta perdido sem rima, sem rumo, ritmo
Sem mapa, sem afeto, sem laço,
Um corpo sem alma
Um desejo lasso

Solidão, solidão, solidão
Mistura o riso enigmático
Ao sorriso sarcástico
Coração enigmático
A nos atormentar
Só para que fique mais forte
A dor de não mais amar

(Da obra REFLEXOS SERENOS de Sônia Moura)

SOLIDÃO

TRÊS MOCINHAS ELEGANTES

 TRÊS MOCINHAS ELEGANTES

TRÊS MOCINHAS ELEGANTES  (Autoria: Sônia Moura)

  

Quero escrever um poema

Em que sorriam minhas parceiras

As três mocinhas elegantes

Fanopeia

Melopeia

Logopeia

Meninas estonteantes

Para alegrar a plateia

Com versos que explodem

No poema brindando

Paulo Leminsk

 

Para que eu possa beber

Dos sabores da poesia

Tragam-me uma taça

Feita de palavras malabaristas

Fantasiadas de artista

Misturando luxo e lixo

Num louco carnaval

Fazendo prosopopeia

Salve, Fanopeia!

 

 Quero versos musicais

Que brindem meus ouvidos

Com cânticos de tempos idos

Vindos do fundo da lua

Da boca dos enamorados

Da boca dos revoltados

Da boca dos renegados

Quero a melodia- poesia

Com gosto de minha terra

Gosto de café com pão

Saboreado num trenzinho

Transformado em poesia

Cheia de muitas ideias

No mais lindo visual

Salve, Melopeia!

 

Quero versos em que as ideias

Brinquem na roda do poema

E façam o mundo girar

 

E que no campo da ilusão

Os versos serpenteiem

E as metáforas se espalhem

Fazendo deles

Algo sem comparação

Sem nenhuma limitação

Que significados e significações

Deem o troco

E saiam da toca

Como misses vitoriosas

Com beijos e muitos acenos

E suas lágrimas virando riso

Com cabelos de Medeia

Salve, Logopeia!

 

(Do livro: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

 TRÊS MOCINHAS ELEGANTES

ESTAMPAS

 estampas

ESTAMPAS   (Autoria: Sônia Moura)

 

 Que importava o mundo lá fora, os medos, as dúvidas?

Que importava o perigo, a hora ou a despedida?

Estávamos plenos, livres e cativos

Todas as maravilhas do mundo eram nada

E uma coisa nova, diferente e intensamente milenar

Aconteceu ali na tarde–noite fria à beira mar

 

Os carinhos do homem batizaram o corpo da amada

Os carinhos da mulher sagraram o corpo do amado

Te convidei pra dançar a dança de acasalar

 

Sinto, ainda, o cheiro do macho ensandecido

Penetrando a fêmea com nome de mulher (Bom demais!)

Agora, neste momento em que escrevo,

Meu corpo estremece ao pensar no seu,

Recordo meus olhos felizes passeando

Sobre o seu corpo, sobre os seus olhos, sobre o seu sexo

Você fica tão lindo na hora do prazer

Misto de criança, homem, fera e desejo

 

Foi um poema escrito por dois corpos suados

Foram estampas pintadas por dois corpos melados

Seu corpo que bem me fez…

 

Lembro seu corpo quase a implorar

Nosso prazer, nossa alegria, nossa fantasia…

Lembro meu corpo buscando o seu e a desejar

Sua ternura, seus beijos e a sua fúria…

 

Cedemos o lugar ao prazer,

Expulsamos para longe nossos medos

E nos amamos até à exaustão

Depois do nosso gozo, no silêncio do quarto,

Nosso riso era uma canção, batia forte nosso coração…

 

Que importava o mundo àquela hora

Se éramos apenas homem e mulher?

 

    (Maio. Lembranças de um grande amor.)

(Da obra: ENTRE BEIJOS E VINHOS de SÔNIA MOURA)

estampas

COISAS DA VIDA

 Coisas da vida

COISAS DA VIDA  (Autoria: Sônia Moura)

A vida é doce

Mas pode ser salgada

Ou ainda pode ser dura

Igual à rapadura

 

O fogo é ardente

Mas pode ser frio

Quando esconde

Um amor vazio

 

O ar é tão leve

Mas pode pesar

Se o negócio for

O medo de amar

 

A terra é mãe boa

Mas pode ser má

Quando maltratamos a vida

Que ela nos dá

 

A água é mole

Mas também pode ser dura

Quando se torna o gelo

De quem bebe o vinho

De uma vida insegura

 

O dinheiro é bom

Mas pode ser um azar

Sempre que com ele

Se pensa o incomprável comprar

 

Vencer é muito legal

Mas também pode fazer mal

É só o vencedor

Se achar o maioral

 

A bebida celebra a alegria

Mas pode trazer a tristeza

Quando quem bebe exagera

Esquece a sutileza

E causa a si e ao mundo

Um barril de muita dor

 

Enfim…

 

A vida é mesmo uma beleza

Mas também é uma dureza

O bom é tirar dela o melhor

E viver intensamente

Com a alma, o corpo e a mente

O resto?

Deixa pra lá!

  

(Da obra: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

  COISAS DA VIDA

 

A BELEZA VOOU COM O VENTO

 SABER e PODER – I

A BELEZA VOOU COM O VENTO  (Autoria: Sônia Moura)

 

Eram todas lindas, muito lindas

Sentadas na roda gigante

Com seus cabelos ao vento

Espetáculo mirabolante!

 

A roda começou a girar

Lentamente, mansamente

E as lindas moças sentadas

Olhavam um sol sorridente

O giro foi aumentando

Os cabelos arrepiando

E o sol pálido ficando

Tudo estava mudando

 

– Alguém pare esta roda,

Gritou a primeira voz

– Isto mesmo, gritaram todas

Tenham pena de nós!

 

Rolando sua engrenagem

A roda feroz prosseguia

Fazendo um barulho danado

Enquanto ria, ria, ria…

 

Assustadas, descabeladas

Com as faces desbotadas

As lindas feias estavam

Perderam a maquilagem

Perderam toda coragem

Perderam o brilho e o fulgor

Seus rostos outrora lindos

Agora eram só pavor

E, de repente,

Uma delas foi ao chão

Um tombo feio que só,

E a bela descabelada

Chorava que dava dó

 

Mas qual!

Tudo não passou de um sonho

Daquela que achava que ser bela

Era a maior das virtudes

E a melhor coisa do mundo

Mas, aquele sonho mostrou a ela

Que a beleza como o vento

Se desfaz em um segundo.           

 

  (Do livro: Brincadeira de Rimar de Sônia Moura)

 

 

ANO NOVO, DE NOVO!

 ANO NOVO, DE NOVO!

ANO NOVO, DE NOVO!  (Autoria: SÔNIA MOURA)

 

Sempre que eu libertar o desejo

E todos os botões de sua camisa

Seja meia-noite, ou seja meio-dia

Ou seja, ainda, na madrugada fria,

Será ano novo

De novo!

 

Toda vez que você libertar minha fantasia

E o zíper do meu novo ou velho vestido

Seja meia-noite, ou seja meio- dia

Ou seja, ainda, na quente madrugada,

Será ano novo

De novo!

 

Nos momentos que desvelarmos os prazeres

Da paixão e suas magias

Seja meia-noite, ou seja meio-dia

Ou seja, ainda na suave madrugada,

Será ano novo

De novo!

 

(Do livro: COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

ANO NOVO, DE NOVO!

VULCÕES DE SEDA

 VULCÕES DE SEDA

VULCÕES DE SEDA  (Autoria: SÔNIA MOURA)

 

Sobre a areia dourada de Copacabana

Deixei meus pés contarem minha história

Transformei minhas raízes em novas flores

Enveredei por bosques marinhos

Nunca dantes visitados

Lavei minh´alma, conferindo-lhe paz e glória

Joguei ao vento todos os meus amores

Larguei nas ondas as coisas do passado

Bati palmas para o próximo amado

Pedi ao sol para bronzear-me o ânimo tão pálido

Da fonte da saudade,

Bebi, numa folha, a água cristalina,

Libertei todos os peixes de cruéis anzóis

Gritei para a lua chamando o seu silêncio

Fantasiei-me com as vestes da loucura

Roguei aos céus que nos deixassem a sós

Num santuário ou numa festa endiabrada

Embaixo de vulcões de seda em forma de lençóis!

 

(Do livro POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

VULCÕES DE SEDA 

 

 

OPUS INCERTUM

 OPUS INCERTUM

OPUS INCERTUM    (Autoria: Sônia Moura)

 Fui sua Terpsícore por uns dias

Meu coração pando de carinho

Ia fosforescendo o caminho

Que em curto tempo íamos trilhar

Todo momento opífero foi lindo

Beijos com sabor de lua

Juntando para sempre minha’ alma à sua

 

E ao chegar a hora da partida

A cruviana da saudade nos pegou

Mas valeu pela amizade que ficou

 

(Do livro: POEMÁGCA de SÔNA MOURA)

 OPUS INCERTUM