CASA DA BONECA

 CASA DE BONECA

Casa da Boneca  (Autoria: SÔNIA MOURA)

Sou uma boneca esperta
Tenho uma linda casa
Ela era arrumadinha
Mas agora está feinha
O sofá está um horror
A pintura, nem te conto,
Há muito o que consertar
Há muito o que fazer

Por isto eu peço a você
Que é minha dona legal
Melhore a minha casinha
Faça uma pintura novinha
E um arranjo bem feito
Tudo ficará perfeito

Sei que sou uma boneca
Mas mereço viver bem
Numa casa enfeitada
E muito cheirosa também
Faça uma mudança
Que não seja pequenina
Sou uma boneca-menina
Sou exigente, eu não nego,
Mas gente, também não é?

Se o tempo estiver curto
Ou se o dinheiro não der
Para fazer o que peço
Faça tudo o que puder
Para deixar meu cantinho
Lindo, limpo – um primor!
Só vou-lhe agradecer
Com carinho e muito amor
Depois você brinca comigo
E pode a casa desarrumar
Depois arruma de novo
O importante é brincar
De arrumar – desarrumar
Ser feliz e gargalhar!

(Do livro: BRINCADEIRA DE RIMAR de Sônia Moura)

CASA DE BONECACASA DE BONECA

COPACABANA, MEU AMOR!

 COPACABANA, MEU AMOR!

COPACABANA, MEU AMOR!

Eu amo essa minha Copacabana.

Essa perfeita e “organizada” Babel de idiomas, jeitos e costumes e, convenhamos, a mais democrática de todas as praias.

Igual à praia de Copacabana, não existe e nunca existirá.

Nela acontece de tudo: há meninos malandros tentando aplicar seus golpes, há paquera, há vendedores de todos os tipos e com todo tipo de bugigangas , há grupos de amigos fiéis, há os amigos que se conheceram na praia,  há os caminhantes assíduos e os temporários, há ricos e há pobres, há jovens e velhos, há turistas e há os da terra, todos dividindo o mesmo espaço arenoso, enfim, a praia de Copacabana é um mundo à parte.

Ontem, durante minha caminhada matinal, presenciei uma cena, no mínimo, comovente. Pessoas que sequer se conheciam, pararam para ver e torcer por uma ave que estava meio perdida e que não conseguia levantar voo. Tentava, tentava e … nada.
E o povo a gritar: -Vai, vai, vai… Uma, duas, três e mais vezes.
A cada tentativa inconclusa, um oh!!! de insatisfação ecoava pela praia.

Finalmente a ave conseguiu alçar voo. Foi um delírio, todos gritaram, se agitaram, se comoveram.

É, Copacabana, você é capaz de operar milagres!

COPACABANA, MEU AMOR!

DESABAFO

DESABAFO
DESABAFO (Autoria: SÔNIA MOURA)
Só agora neste novo encontro
Vejo que sempre te amei, mesmo à distância,
Em meus sonhos e em meus pensamentos
Amei-te de todas as maneiras

Descubro isto agora…
Parece brincadeira

Que mundo louco, cheio de maldade
Depois de tanto tempo, revelo-me em teus braços
E tu me vês plena, fêmea, inteira

Descobres isto agora…
Parece brincadeira
(Quinta – feira, madrugada)

Da obra: Entre Beijos e Vinhos de Sônia Moura)

DESABAFO

A FACE DA SOLIDÃO

 A FACE DA SOLIDÃO

A FACE DA SOLIDÃO (Autoria: Sônia Moura)

Solidão
É ter o coração sangrando
Numa hora qualquer da madrugada
Após a partida repentina do amado
Que se foi pelo amor desencontrado

Solidão
É igual a vinho tinto derramado
Sobre a impecável toalha de linho em brancura
Que só se mostra claramente após a festa
Que tal qual a dor de amor é uma amargura

Solidão
É igual sangria que não se estanca
E devagar, com sarcasmo a vida nos arranca
Enquanto nos olhos do morto, em forma de ilusão,
Zombeteiramente sua cruel figura estampa
(Da obra: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

A FACE DA SOLIDÃO