ANO NOVO, DE NOVO!

 ANO NOVO, DE NOVO!

ANO NOVO, DE NOVO!  (Autoria: SÔNIA MOURA)

 

Sempre que eu libertar o desejo

E todos os botões de sua camisa

Seja meia-noite, ou seja meio-dia

Ou seja, ainda, na madrugada fria,

Será ano novo

De novo!

 

Toda vez que você libertar minha fantasia

E o zíper do meu novo ou velho vestido

Seja meia-noite, ou seja meio- dia

Ou seja, ainda, na quente madrugada,

Será ano novo

De novo!

 

Nos momentos que desvelarmos os prazeres

Da paixão e suas magias

Seja meia-noite, ou seja meio-dia

Ou seja, ainda na suave madrugada,

Será ano novo

De novo!

 

(Do livro: COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

ANO NOVO, DE NOVO!

VULCÕES DE SEDA

 VULCÕES DE SEDA

VULCÕES DE SEDA  (Autoria: SÔNIA MOURA)

 

Sobre a areia dourada de Copacabana

Deixei meus pés contarem minha história

Transformei minhas raízes em novas flores

Enveredei por bosques marinhos

Nunca dantes visitados

Lavei minh´alma, conferindo-lhe paz e glória

Joguei ao vento todos os meus amores

Larguei nas ondas as coisas do passado

Bati palmas para o próximo amado

Pedi ao sol para bronzear-me o ânimo tão pálido

Da fonte da saudade,

Bebi, numa folha, a água cristalina,

Libertei todos os peixes de cruéis anzóis

Gritei para a lua chamando o seu silêncio

Fantasiei-me com as vestes da loucura

Roguei aos céus que nos deixassem a sós

Num santuário ou numa festa endiabrada

Embaixo de vulcões de seda em forma de lençóis!

 

(Do livro POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

VULCÕES DE SEDA 

 

 

É PERMITDO SONHAR

 È PERMITDO SONHAR

É PERMITDO SONHAR   (Autoria: Sônia Moura)

      Depois de um dia cheio de participações em eventos, depois de ter vivido emoções diversificadas:  saudades,  alegrias,  frustrações, encontro com o ex- eterno amor e, ainda,  depois de muitos goles de cerveja, Eliane voltou para casa e nem precisou encarar seus medos e frustrações, pois o efeito do álcool lhe tirara este direito ou lhe poupara a dor da solidão e o desencanto dos amores perdidos.

Tantas emoções num mesmo dia, tantos sorrisos e tantas lágrimas, as quais ela fez grandes esforços para que estas não se tornassem públicas, foram lágrimas espremidas por  aquela rejeição.

Diziam que ela dramatizava, dramatizava? As pessoas são mesmo engraçadas.

A vida dela, sim, era um drama, mas, como ninguém vive os dramas alheios, o que pertence ao outro: alegria ou dor, é transformado conforme os interesses, em alegria de todos ou em drama que deveria ficar somente com o outro.

Bastava que Eliane ensaiasse fazer uma queixinha, uma só, que logo, palavras cruéis eram disparadas:- Nossa, como é reclamona! – É muito chata! ou, – Não sei porque Eliane reclama tanto! (Mesmo que outras pessoas do grupo tenham reclamado, muito, mas muito mais que ela).

Na verdade, ninguém lhe dava a chance de fazer um pouquinho de manha, a verdade é que eles não entendiam que o que ela queria mesmo era um pouco de atenção e carinho.

Mas quem disse que as pessoas entendem as carências? Pura ilusão, pura balela, você precisa aprender a conviver com suas carências, e, acredite, ninguém quer saber sobre elas. Talvez um terapeuta muito bem pago a escute, mas será que entenderá, de fato, o que se passa com um coração apinhado de mágoas e de carências? Estas eram questões que Eliane sempre colocava no plano de suas discussões internas.

E, entre pensamentos lúcidos, misturados aos efeitos etílicos, foi dormir.

A noite lhe reservava uma grande surpresa, trazendo até ela alegria, amor, carinho e alívio para o corpo, para a alma e o coração. Sonhara o sonho mais lindo dos últimos anos. Algo transcendental, algo que a deixou leve e a fez acordar sorrindo para a vida e Eliane se permitiu ser feliz e desejar que aquele sonho se transformasse em realidade.

Dizem que os sonhos podem se tornar realidade, então, Eliane passou a desejar com toda força que o seu sonho se materializasse e só restava a ela esperar. Há muito tempo Eliane aprendera que, por mais que a vida seja dura ou difícil, sempre será permitido sonhar…

 

(Do livro: Súbitas Presenças de Sônia Moura)

É PERMITDO SONHAR

 

A ONÇA E A ROSA

 A ONÇA E A ROSA

A ONÇA E A ROSA  (Autoria: SÔNIA MOURA)

 

Era uma onça muito brava, era o que todos diziam. Além de muito brava mesmo, a tal onça era também arisca e muito gulosa, devorava tudo o que encontrava pela frente.

A onça desta história fazia tremer o mais valente dos homens ou a mais valente das mulheres daquele vilarejo e, quem sabe, de qualquer outra parte do mundo.

Furente, que assim fora batizada pelo povo local, andava pelos matos, pisando mansinho, sempre com as narinas acesas a farejar qualquer perigo e/ou qualquer presa, fosse animal ou gente.

Toda vila temia o animal, todos viviam amedrontados, apavorados mesmo porque a onça, a cada dia, se aproximava mais da pequena vila, chamada Fulgurante. Parecia que aquele animal estava mesmo era querendo se urbanizar.

Rezadeiras, pais de santo, padres, pastores e outros mais foram chamados para benzer, limpar, salvar o local com suas orações, com o intuito de proteger aquele lugar contra um possível ataque da hedionda fera.

Seguindo o velho ditado que diz: “É sempre bom darmos uma batida no ferro e outra na ferradura”, o povo rezava ladainhas, fazia suas preces, e pedia a proteção de deus, dos santos e de todas as entidades que conhecessem e, por outro lado, o povo  também se armava com facões, espingardas, foices, e, cada um a seu modo, procurava se defender e defender seu território.

Na calada da noite se ouvia o rugido da fera, cada vez mais alto, sinal de ela se aproximava da vila. Crianças se encolhiam debaixo das cobertas, os parceiros se encolhiam um nos braços do outro, enquanto os solitários encolhiam seus corações abandonados e suspiravam, suspiravam…

Em Fulgurante, tudo era muito simples, no entanto, um pormenor fazia toda a diferença entre aquele lugar e os outros, lá eles tinham o mais belo jardim que já se viu, dizem que nem mesmo os Jardins Suspensos da Babilônia ou o Jardim das Delícias eram tão majestosos. As flores tinham cores e odores inigualáveis e, por sua vez, atraíam borboletas e colibris com coloridos e desenhos exóticos em suas asas. O jardim era um deslumbramento só.

No entanto, o que o jardim tinha de super especial era uma linda roseira que florescia uma vez por ano e dela só nascia uma rosa amarela que vivia por anos e anos e, quando era a hora de ela partir, havia uma grande mudança na vila, logo uma densa névoa tomava conta do local, para que, em seguida, junto com o raiar do sol, outra rosa desabrochasse altaneira, encantadora e encantada, fascinando todo tipo de olhar.

Dizem que a rosa era mesmo encantada e capaz de feitos inigualáveis.

Numa quase manhã sombria, com a densa névoa a espalhar-se pela vila, a onça destemida, com suas patas de veludo, as quais a faziam praticamente deslizar, tal qual a índia Iracema de José de Alencar,  foi-se aproximando da vila, enquanto toda a cidade ainda dormia e ela podia circular livremente.

O sol despertava devagar e a onça, também vagarosamente ia -se aproximando.

Nesta hora acontece o que se pode chamar de milagre. A nova rosa se abre para o mundo no exato momento em que Furente chega bem pertinho do jardim, ou melhor, bem em frente à roseira encantada.

A onça se queda ante a beleza da rosa, parecia estar enamorada, hipnotizada, deslumbrada. Ao mesmo tempo, a vila despertava e se extasiava com o que via, a onça não se movia, não tirava os olhos da rosa, agora a fera mais parecia um gatinho doméstico, destes bem mansinhos.

E ali ela foi ficando, ficando, até também virar encanto e, dizem que, até hoje, nas manhãs cinzentas e enevoadas é possível ver-se uma onça com cara de apaixonada postar-se ante a roseira e suspirar, suspirar, suspirar…

 

(DO LIVRO BRINCADEIRA DE CRIANÇA DE SÔNIA MOURA)

A ONÇA E A ROSA

 

 

OPUS INCERTUM

 OPUS INCERTUM

OPUS INCERTUM    (Autoria: Sônia Moura)

 Fui sua Terpsícore por uns dias

Meu coração pando de carinho

Ia fosforescendo o caminho

Que em curto tempo íamos trilhar

Todo momento opífero foi lindo

Beijos com sabor de lua

Juntando para sempre minha’ alma à sua

 

E ao chegar a hora da partida

A cruviana da saudade nos pegou

Mas valeu pela amizade que ficou

 

(Do livro: POEMÁGCA de SÔNA MOURA)

 OPUS INCERTUM

Rastos, Restos e Rostos

 Rastos, Restos e Rostos

Rastos, Restos e Rostos 

(Autoria:SÔNIA MOURA)

Vivera em tantos lugares, visitara tantos países, vivera tantos amores, nem ela sabia contabilizar seu passado. Oitenta anos, oitenta anos, como o tempo passa! 

Catarina sabia que o tempo é apenas um representativo da realidade e que, o livro que conta esta história, é feito por meio de uma concentração de imagens de múltiplos significados. O tempo é sempre enigmático, a história do tempo é enigmática.

Há passagens do tempo que se fazem, a vida toda, demasiadamente presentes, enquanto outras lembranças servem para abreviar a passagem do tempo e outras, ainda, ficam esquecidas no fundo do baú do tempo, num enorme isolamento, servindo  como ponto de equilíbrio entre o ontem e o hoje.

Catarina abriu a janela do tempo e contemplou-se, refez o percurso da vida e descobriu que, por onde passou, deixou rastos nas fontes masculinas, nas fendas das colinas, nos sonhos de menina, nas saudades das ausências e nas memórias das presenças.

Embriagou-se, salvou-se, armou-se, desarmou-se, doutorou-se, lutou, amou, foi amada, sofreu, felizou – viveu! De tudo ficaram restos.

Tudo em sua vida foi ardor e foi amor, agora, nesta reconstrução do tempo aos oitenta, no meio de lágrimas e palavras não- ditas, ela tenta e tenta, encontrar rostos. Fecha os olhos e os vê suaves, em forma de almas suspensas, doces, obscenas, amenas, magoadas, sensuais e amadas.

Num espaço imutável, em forma de um colar de contas multicores a falar de amores, de sabores, de odores, de sons e de horrores, o tempo se apresenta soberano, proclamando o indizível.

O tempo não envelheceu, apenas quem envelheceu fui eu, concluiu Catarina, mas não importa nada disso, porque o que fica são rastos, restos e rostos.

 

 

(Do livro: CONTOS E CONTAS de SÔNIA MOURA)

 Rastos, Restos e Rostos

 

ESTA TUA IMAGEM

 ESTA TUA IMAGEM

ESTA TUA IMAGEM  (Autoria: Sônia Moura)

 

Busquei teu olhar

Nos olhos de uma estátua

Pensei ver o teu sorriso

No mármore rosado

Jurei ver teus olhos marejados

Naquela imagem que eu

Julguei ser a do meu namorado

 

Mas o que de fato eu via?

Via somente a ausência da alegria

Sentia o a brisa

Em forma de ventania

Tudo em preto e branco

Vi que o meu amor

Fora degredado

 

Aquela  imagem ali (era a tua?)

Sem cor, sem forma, sem cheiro

Era água a escorrer entre meus dedos

A alavancar todos os meus medos

Levando meu coração ao desespero

Mandando minh’alma ao desterro

Transformando meus sentimentos em rochedo

A rebater o mar da dúvida

Ancorado em mim mesma

 

Se eu pudesse quebrar aquela estátua…

Impossível, ela é resistente

E agora vejo melhor ainda

Em vez de sorriso, só me mostra os dentes

 

O que posso fazer?

Decifrar o teu enigma secular

Ou assassinar o monstro a me devorar

Deixando meu barco à deriva

Para que, ainda assim, eu me sinta viva?

 

Eis o grande desafio

Que brinca com minha ilusão

Preciso colher estrelas

Preciso buscar a flor

E aprender a conviver

Com esta imagem ambulante

E, principalmente,

Preciso aprender a rimar

Amor e dor

 

(Do livro COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

 ESTA TUA IMAGEM

 

 

CERTEZA

certeza

CERTEZA  (Autoria: SÔNIA MOURA)

 

Tão bom te encontrar de manhã

No meio da multidão

Com sono nos olhos, sorriso na alma…

 

Tão bom ter olhos só para os teus olhos

Ser beijos para os teus lábios,

Ser encaixe para os teus braços…

 

Tão bom logo cedo sentir os teus abraços

Enlaçando meu corpo, a me acarinhar

Dividir nossos pensamentos, sonhar, sonhar…

 

Tão bom  acordar pensando em estar junto

Querendo tua boca, querendo teu corpo

Querendo tua voz, brincando de brincar…

 

Tão bom ver a vida a teu lado

Pela janela do mundo veloz

Que passa pra todos, menos pra nós…

 

Tão bom te amar no balanço das ondas

Na solidão do mar, navegar em teus afagos…

Parece um sonho, não quero acordar

 

Tão bom, antes de te deixar, já sentir saudade

E descobrir- me   doida pra te reencontrar

Ordenando ao destino que nos deixe amar…

 

Tão bom ouvir da tua voz a doce singeleza,

Que me dá alegria e certeza de que

Quero teu calor amante e amigo

Quero estar com você e quero você comigo…

Sempre!

 

 

                                                                        (Poema escrito numa manhã,

                                                              precedida por uma noite mágica.)

 

(Do livro: ENTRE BEIJOS E VINHOS de Sônia Moura)

certeza

 

NOMES REAIS

 NOMES REAIS

 

NOMES REAIS  (por SÔNIA MOURA) 

 

Um dia, o Rei Nado III chamou o Conde Nado Alvarenga e o Conde Nando Charvaniel Bragança e pediu-lhes para que comunicassem ao conde Coración Molière de que, a partir daquela data, o Guarda Napo Emerando faria a segurança de sua família, juntamente com o Guarda Sol Tarumã Ditoso.

Feitas as mudanças necessárias, o Rei Nado III chamou o seu fiel escudeiro Marco Zero Gonçalves Nesbil e ordenou-lhe que avisasse ao comandante Leo Pardo Braga Leco que trouxesse à sua presença a condessa Marie Olla Dulce Angustura.

À noite, chegaram ao palácio real a condessa e sua comitiva, o rei aguardava a senhora e queria falar-lhe em particular.

A condessa estava um pouco tímida (ou seria assustada?), uma vez que a guarda real fora apanhá-la em casa e esta fora escoltada pelo Guarda Napo e pelo Guarda Sol, os principais homens da guarda real.

O que desejaria o rei?

Antes de encontrar o rei, a condessa foi recepcionada pela princesa Inês Perada Albuquerque, a filha do Rei Nado, que levou a senhora Marie Olla a um dos aposentos e adiantou-lhe o teor da conversa que o rei teria com a convidada real.

O rei estava sozinho há muito tempo, e ela, a princesa, desconfiava que a condessa despertara o interesse do rei, pois, após a morte da rainha, o soberano se isolara, embora a filha sempre o incentivasse a voltar à vida.

Com o rosto em fogo, a condessa não soube o que dizer à princesa e simplesmente sorriu encabuladamente para ela.

No instante em que a condessa estava sendo levada à presença real, chega ao palácio a duquesa Mira Sol Forte, uma das damas da corte que acintosamente se mostrava interessada em substituir a falecida rainha Jacy Foy Embora no coração do monarca.

Ao saber que o rei e a condessa conversavam a sós, a duquesa, antecipando o que viria, deu um grito e desmaiou.

Os presentes riram discretamente, que pena, a duquesa chegara tarde.

A ama da princesa Inês Perada, a senhora Luana Janela Azul discretamente disse à princesa que o rei fizera uma bela escolha, porque a Condessa Marie Olla trazia doce não só no nome, mas também no coração.

E, alguns meses depois…

Sob as bênçãos do céu, da terra e de todos os mares, a juíza Amore Paixão Ardente celebrou a casamento do Rei Nado e da condessa Marie Olla.

A noiva estava linda e feliz, o rei, nem se fala e, após a estupenda festa, os pombinhos apaixonados voaram para uma bela ilha e saborearam a mais linda lua de mel que já existiu.

 (Do livro Brincadeiras de Crianças de SÔNIA MOURA)

NOMES REAIS

 

 

 

 

EROS E TANATOS – haverá um vencedor?

 

 EROS E TANATOS – haverá um vencedor?

 

EROS E TANATOS – haverá um vencedor?   (por SÔNIA MOURA)

 

O romance Adeus a Aleto de Roberto Muniz Dias nos traz a leitura polissêmica das sensações, suscita o reexame da força dos sentidos, do que é erótico (e não pornográfico), do que é desejo (e não vulgaridade), e ativa a circulação de EROS e TANATOS,  através de todos os sentidos.

O diálogo entre o EU e o OUTRO sugere novas possibilidades de compreensão do desejo, regido pelos sentidos, provocando as sensações, por intermédio das quais os elementos constitutivos do mundo mostrado projetam-se nas figuras de EROS e TANATOS, insuflando o leitor cuidadoso a voltar-se para as imagens com o olhar revelador do jogo da representação erótica.

EROS e TANATOS são elementos transitivos nesta narrativa e, na existência dos contrários, tecem o mistério do desejo pleno, no qual convivem no mesmo espaço: vida e morte, realidade e fantasia, dor e prazer.

Neste jogo da representação erótica, o sujeito, na busca das mais profundas sensações, se coloca primeiramente diante do seu outro para (re)nascer, instalando-se no outro, pela conjunção de elementos provocadores do intercâmbio: amor e desejo.

O poder da sedução surge pela transformação mágica do prazer, colocando em embates constantes a loucura e a razão, o medo e a coragem, deixando desabrochar o prazer em flor e o desejo sem culpa, sem barreiras ou fronteiras com a clareza da liberdade animal. Deste modo, a fábula amorosa envolve os amantes e mostra uma natureza erótica não parasitária.

Construindo um mundo às avessas do que é “permitido”, os sentidos explodirão em cores, sabores, peles e sons instigando os protagonistas e aos leitores a se embrenharem por labirintos saborosos, excitantes e estimulantes.

Símbolo de fecundação, germe da criação, a palavra é fertilizadora e é por meio dela que o protagonista se “engravida” de fantasias e também a seus leitores e são estas fantasias, transmutadas em palavras, que irão ocupar o lugar da desarticulação, para que EROS e TANATOS se encontrem.

Dotadas de poderes mágicos, as palavras vão-se instalando, conquistando e se deixando conquistar, e, medindo-se num corpo-a-corpo incansável, travam um duelo permanente com EROS e TANATOS.

A fantasia abandona-se ao prazer da digressão sexual, quando entram em cena o toque, o tato, o contato e a pele. A partir deste momento, amor e aventura emolduram um mundo onde tudo cabe, e nesta mistura de pontos: tato, contato, pele e toque, o fantasma atraente de EROS é o herói sem disfarce que ajuda os amantes a vencerem qualquer obstáculo e se tornarem os herdeiros do sonho.

Em Adeus a Aleto, do início ao fim do romance, a presença de TANATOS no território de EROS é sistematicamente reafirmada para, ao final, ambos se apresentem como identificadores da MORTE e da VIDA, no momento em que o círculo se fecha e TANATOS substitui EROS para assegurar a vitória do prazer.

 

(SÔNIA MOURA)

EROS E TANATOS – haverá um vencedor?