MORTE ANUNCIADA

 MORTE ANUNCIADA

 

MORTE ANUNCIADA (Autoria: Sônia Moura) 

 

Uma ilusão à margem do caminho

Uma razão tão posta em desalinho

Uma certeza bêbada em seu ninho

Palavras duras, ausência de carinho

Janelas fechadas, e um eu sozinho

(Da obra POEMAS EM TRÂNSITO – autoria: Sônia Moura)

MORTE ANUNCIADA

 

PEDRA E PENA

 PEDRA E PENA

PEDRA E PENA  (Autoria: Sônia Moura)

Dizem por aí

Que o coração não pode pesar mais que uma pena

Mas uma voz em mim diz que isto é

Para tornar as coisas do amor mais amenas

Jura que isto é metáfora lisonjeira

É quimera, é arte, é astúcia, é brincadeira

O coração pode pesar mais que uma pedra

Basta que num delirante momento

Se instale em nós o sofrimento

E nos arraste para os males do abandono

Que o coração fica tão pesado para o seu dono

Que só mesmo os poetas

Conseguem inventar uma maneira

De suportar o peso desta cruel brincadeira

Carregando este fardo retumbante

De herói, o amante transforma-se

Em renegado meliante

Mas ainda assim segue adiante

A arrastar pedra como se fosse pena

E é o vai-e-vem dos mistérios do amor

Que faz com que sofrimento e dor

Nos enganem em vestes de ator

Para que a ilusão torne a vida mais amena

E no palco da vida brilhará o meliante – herói

A repetir:- O amor como dói, como dói

E Cupido a gargalhar:

– Que pena! Que pena! Que pena!

(Da obra: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

PEDRA E PENA

MIL VOZES

Mil vozes

Mil vozes (por Sônia Moura)

Recolho as lágrimas e sonho com o renascer do brilho do seu sorriso e, assim, reinvento a sua presença. Depois, vem um aterrador silêncio e é dele que tiro forças para gritar: -Preciso da sua carne na minha, para não enlouquecer de saudade e conseguir conviver com esta dubiedade que é amar você.

A saudade junta-se à sombra de meus devaneios, recriando miragens de sua imagem, deixando que elas penetrem-me a alma, só assim calo o silêncio e consigo ouvir nitidamente a sua voz, emoldurando palavras que falam de amor.

Sua ausência parece roubar a nitidez disfarçada da obscuridade tão necessária a qualquer paixão e tenta colocar em seu lugar a lucidez, esta marca impossível de conviver com o amor ou com a paixão.

Tal qual Diógenes, procuro desesperadamente uma lanterna para iluminar meus caminhos e seguir seus passos, pela trilha dos amores vitoriosos, pois é preciso ter coragem de amar, é preciso livrar -se da incerteza, porque o amor não deve conviver com ela.

Embora o amor tenha muitas faces, é preciso reuni-las, para que a sua verdadeira face se torne visível, por isso o amor verdadeiro rejeita qualquer tipo de máscaras, mesmo as mais belas, mais sedutoras, mesmo estas jamais seduzirão o amor.

Não quero sair do amor e nem quero que ele saia de mim, nunca, nunca. Quero o amor sem metáforas expostas, tal qual fraturas.

Só aceitarei as metáforas que venham a enfeitar o amor, que todas sejam invisíveis e que somente olhos atentos e sensíveis possam ver qualquer imagem do amor: construída, inventada, rearranjada, metamorfoseada, desenhada, tanto faz.

Decreto, ainda, que as palavras que falam do amor desrealizem a vida, fazendo surgir a súbita presença da fantasia, falo assim, porque, a bem da verdade, o coração do amante nunca faz o que a mente ordena, sempre foge e se aninha nos braços do sonho e da fantasia.

Quem diz o contrário?

(Da obra: Súbitas Presenças de Sônia Moura)

mil vozes

TEMPO ESGOTADO

 TEMPO ESGOTADO

TEMPO ESGOTADO (por Sônia Moura)

O tempo nunca se esgota.
Mas, como não podemos controlá-lo e também não podemos ser testemunhas de todos os tempos, fingimos dominá-lo, inventando histórias sobre ele.
Não se tira a última gota do tempo e muito menos podemos bebê-lo até a última gota, da mesma forma, não podemos tirar dele todo o seu conteúdo.
Por mais que se escreva sobre ele, seja teoricamente, seja romanceando-o, seja poetizando-o, nunca conseguiremos drenar-lhe toda a essência, porque ele se desdobra, se refaz, se renasce, recriando suas trajetórias, ainda que pareça ser o mesmo.
É o mesmo para todos e completamente diferente para cada ser, assim, ninguém conseguirá domá-lo, somente ele se enquadra na categoria dos totalmente indomáveis, só por meio dele se consegue contar e recontar histórias, falar das loucuras e das paixões ou da loucura das paixões.
O tempo é um sobrevivente dele mesmo, por isto consegue extrapolar todos os limites de qualquer filosofia, de qualquer realidade, aliás, ele é o irreal do real, brinca de mostrar-se, escondendo-se, explica, confundindo e confunde explicando.
O tempo é, também, símile de si mesmo, por isso, esta impecável ordenação da vida, transformada em sensações, em concretudes, em abstrações, assim, dizem que nós construímos o tempo.
Cíclico, ele nos cerca e nos coloca em sua roda para dançar, fazendo-nos acreditar que estamos ali somente para gastá-lo, enquanto ele está a se doar.
Não controlamos o tempo, ele nos controla, não sabemos o tempo de chegar e muito menos o tempo de partir, mas, nossas sabedorias e religiões deitam conceitos sobre ele e este retruca mandando de volta para eles um riso, ora zombeteiro, ora vingador, ora complacente.
Talvez se conseguíssemos drenar-lhe os mais profundos sentidos, até que o dique dos dias e das noites secasse, quem sabe, ele iria se cansar, então, ele não saberia mais o que dizer, perderia as forças e se renderia, admitindo que não teria mais como se defender, aí sim, quem sabe, dissipássemos todas as dúvidas sobre ele?
Pura utopia, depois de todo este tempo, seria tarde demais, porque o tempo já teria nos esgotado, há tempos…

[Prefácio da obra Tempo Absoluto e Tempo Relativo de Sônia Moura]

TEMPO ESGOTADO

ÁRVORE GENEALÓGICA

 árvore genealógica

Árvore Genealógica  (por SÔNIA MOURA)

Sempre caminhei sozinha.
Desde cedo me faltaram raízes, para eu me sustentar; não tive galhos, para me abraçar; voaram para bem longe as folhas, as quais me dariam a luz, para meu caminho iluminar e faltou-me o ar, para que eu pudesse lutar com mais força.
Ainda assim eu fui à luta, pois me restaram as flores, que me permitiram sonhar, ficou o robusto tronco, que me ajudou a ser forte, resistente e principalmente me ajudou a não desistir, depois de tanto abandono, houve a recompensa e me nasceram frutos, para que eu pudesse me recomeçar.

(Do livro: COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

ÁRVORE GENEALÓGICA

DESABAFO

 DESABAFO

DESABAFO  (por Sônia Moura)

 

 Só agora neste novo encontro

Vejo que sempre te amei, mesmo à distância,

Em meus sonhos e em meus pensamentos

Amei-te  de todas as maneiras

 

Descubro isto agora…

Parece brincadeira

Que  mundo louco, cheio de maldade

Depois de tanto tempo, revelo-me em teus braços

E tu me vês  plena, fêmea, inteira

 

Descobres isto agora…

Parece brincadeira

 

(Do livro: Entre Beijos e Vinhos de Sônia Moura)

 DESABAFO

As Flores, o Pássaro e os “Espinhos” (Pelas palavras do poeta)

 As Flores, o passarinho e os “espinhos”

As Flores, o pássaro e os “espinhos” 

(Pelas palavras do poeta)          

[Autoria: SÔNIA MOURA]

 

O arame mal encarado

Fingindo fazer carinho,

No tronco tosco se enrosca,

Crava-lhe seus espinhos,

Sufoca o tronco abandonado

E, nesta cruel brincadeira,

Quase fere o nó da madeira

 

O que dá ao olhar um alívio

E altivez à imagem imprime

É ver o tronco reagir

Mostrando que ainda está vivo

E, mesmo com muitos espinhos

Em seu dorso encravado,

Suporta toda a dor

Ampara o cesto de vime

Que também serve de ninho

Para o colorido das flores

 

Para incrementar o cenário,

O passarinho repousa

Na lisura do arame farpado

Parecendo lamentar a dor

Do valente tronco espetado

 

Depois de alguma caminhada

Por bosques ou por estradas

Por becos ou labirintos

Pelos mistérios ou delírios da poesia

Percebe-se o quanto a palavra é tenaz

Quando, sozinha, ela

A incoerência da imagem desfaz

 

 (Da obra: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

 As Flores, o Passarinho e os “Espinhos”

 

INUTILMENTE

 INUTILMENTE

INUTIlMENTE (Sônia Moura)

No retrato da sala revejo
O sorriso de outrora

Os lábios
São pétalas de rosa
Que se abrem
Para a primavera
Enquanto o coração
Pelo verão espera,
Os olhos cantam
Um canto puro
E, com a cor do outono,
Exila a tristeza
E a vida encanta

O verão chegou
Entre nuvens e aventuras
Deixando no ar
O perfume de uma alegria pura
Que nem mesmo este inverno
Perdido em meu silêncio
Aqui, a me maltratar
Jamais poderá apagar

(Do livro: Poemas em Trânsito, de Sônia Moura)

INUTILMENTE

APELO

 apelo

Apelo  ( De Sônia Moura)

Meu corpo pede o seu, que não vem, não vem…

Hoje um passarinho me acordou,
Era você, amor?
Fiquei a olhar aquele encantamento
E…
Por um momento
Vi você

Já faz tanto tempo
Meu suspiro, em forma de lamento,
A saudade, o pressentimento,
Você devia voltar pra mim,
Estou tão só…
Uma saudade
Um descontentamento

Volto pra cama
Sem nenhum alento
O pássaro, como você,
Ignora meus apelos,
Ignora meu tormento
E canta, canta
Seu canto me acalma,
Enquanto sua ausência me atormenta

Meu corpo pede o seu, vem, vem…

Nem que seja
Só por um momento

Vem…vem… vem…

(Da obra POEMÁGICA  de Sônia Moura)

apelo