ESTA TUA IMAGEM

 ESTA TUA IMAGEM

ESTA TUA IMAGEM  (Autoria: Sônia Moura)

 

Busquei teu olhar

Nos olhos de uma estátua

Pensei ver o teu sorriso

No mármore rosado

Jurei ver teus olhos marejados

Naquela imagem que eu

Julguei ser a do meu namorado

 

Mas o que de fato eu via?

Via somente a ausência da alegria

Sentia o a brisa

Em forma de ventania

Tudo em preto e branco

Vi que o meu amor

Fora degredado

 

Aquela  imagem ali (era a tua?)

Sem cor, sem forma, sem cheiro

Era água a escorrer entre meus dedos

A alavancar todos os meus medos

Levando meu coração ao desespero

Mandando minh’alma ao desterro

Transformando meus sentimentos em rochedo

A rebater o mar da dúvida

Ancorado em mim mesma

 

Se eu pudesse quebrar aquela estátua…

Impossível, ela é resistente

E agora vejo melhor ainda

Em vez de sorriso, só me mostra os dentes

 

O que posso fazer?

Decifrar o teu enigma secular

Ou assassinar o monstro a me devorar

Deixando meu barco à deriva

Para que, ainda assim, eu me sinta viva?

 

Eis o grande desafio

Que brinca com minha ilusão

Preciso colher estrelas

Preciso buscar a flor

E aprender a conviver

Com esta imagem ambulante

E, principalmente,

Preciso aprender a rimar

Amor e dor

 

(Do livro COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

 ESTA TUA IMAGEM

 

 

CERTEZA

certeza

CERTEZA  (Autoria: SÔNIA MOURA)

 

Tão bom te encontrar de manhã

No meio da multidão

Com sono nos olhos, sorriso na alma…

 

Tão bom ter olhos só para os teus olhos

Ser beijos para os teus lábios,

Ser encaixe para os teus braços…

 

Tão bom logo cedo sentir os teus abraços

Enlaçando meu corpo, a me acarinhar

Dividir nossos pensamentos, sonhar, sonhar…

 

Tão bom  acordar pensando em estar junto

Querendo tua boca, querendo teu corpo

Querendo tua voz, brincando de brincar…

 

Tão bom ver a vida a teu lado

Pela janela do mundo veloz

Que passa pra todos, menos pra nós…

 

Tão bom te amar no balanço das ondas

Na solidão do mar, navegar em teus afagos…

Parece um sonho, não quero acordar

 

Tão bom, antes de te deixar, já sentir saudade

E descobrir- me   doida pra te reencontrar

Ordenando ao destino que nos deixe amar…

 

Tão bom ouvir da tua voz a doce singeleza,

Que me dá alegria e certeza de que

Quero teu calor amante e amigo

Quero estar com você e quero você comigo…

Sempre!

 

 

                                                                        (Poema escrito numa manhã,

                                                              precedida por uma noite mágica.)

 

(Do livro: ENTRE BEIJOS E VINHOS de Sônia Moura)

certeza

 

“AMANHÃ É OUTRO DIA!”

 “AMANHÃ É OUTRO DIA!”

 

“AMANHÃ É OUTRO DIA!”  (Autoria: Sônia Moura)

 

Quando desenhas poesias

Sussurradas ao vento

Unicamente para o meu encantamento

Jogas no ar tua semente

Fecundas meu ventre

E abraças minh`alma

Com palavras raras

Que regam as minhas raízes

Quedo-me ante teu olhar pidão

 

E, bem longe dos anos que já se foram,

Nova adolescente a desabrochar

Fingindo negar

Ofereço-te minha flor

Sinto teu falo rijo como a rocha

Solto meus cabelos, libero a fita

Enquanto você me fita com desejo

E eu, feito menina ingênua, faço fita

À espera do macho viril a me penetrar

O corpo e também a alma

Primeiro, tu me excitas

Depois, tu me acalmas

 

Nesta hora,

Enquanto sugo o mel

Do amor mais puro

Ponho-me alheia

A toda confusão

Que este caso encerra

 

E no momento que tua clava

Em mim enterras

Entre as águas do gozo e do prazer

Apenas te peço

Não te ausentes de mim, meu presente,

Por ti, renego o passado

Elimino o futuro

Dou-te minha boca

Para  alegrar nosso presente

 

Entreguemos nosso destino ao tempo,

Vamos viver da melhor forma este momento

Sem limite, sem prazo de validade, sem temor

Pois, como sabiamente Scarlett já dizia

Amanhã é outro dia! 

 

(Da obra: Coisas de Mulher e Sônia Moura)

 

“AMANHÃ É OUTRO DIA!”

 

 

 

 

 

 

 

Perfil de Uma Realidade

perfil de uma realidade

PERFIL DE UMA REALIDADE (Autoria: Sônia Moura)

 

Vi minha alma caída no chão

E ao lado dela havia um imenso dragão

Pondo lenha na fogueira da minha dor

Queimando o rastro do meu amor

 

E pelos olhos de minh´alma abatida

Sentia a ilusão esvair-se em horror

Porque não havia outro jeito

Tua partida já brilhava ao longe

Cambaleante, saindo de cena

Agora tu irias desempenhar outro papel

 

E no meio disto tudo

Dando lugar a um cruel real

Um anjo mal bebia aos goles a minha dor

Enquanto temperava a minha angústia rota

Com um veneno fatal, gota a gota

 

E num outro canto do cenário

Aves de mau agouro

Com suas garras apontavam

Todo o sofrimento vindouro

Piando seu canto de morte

E tu te afastavas mais e mais

Estavas entregues às asas gulosas

De aves de rapinas poderosas

Disfarçadas de ninfas-meninas

A te devorar a alma e os pensamentos

Afogando-te em carinhos caprichosos

Enquanto apagavam nosso amor

De tua mente confusa, obtusa,

Sangravam o teu insensato coração

E tu te deixavas levar pela mão da vaidade

E  pelo sorriso maroto da esbórnia

 

Num outro cenário

Meu coração multiplicava a saudade

E minha alma triste, cansada,

Se desfazia em lágrimas e silêncios

Jogando no ar seu grito de terror

Sem nexo, sem lógica, sem cor

Sem real, sem fantasia, sem nada…

E tu, perdido no meio da ilusão,

Não tinhas direção

Não tinhas ação

Não tinhas coração

Apenas seguias a maldade,

Fantasiada de amor e de alegria

 

E minha alma, despedaçada, no chão,

Vivia o inferno de todos aqueles

Que se perdem em mares bravios

Vivia o inferno de todos aqueles

Que contraem os piores males

Vivia o inferno de todos aqueles

Que se perdem em mesas de bares

 

No momento exato da tua partida

Formou-se uma louca tempestade

E lavou da minh´alma a desilusão

Limpou meus olhos da escuridão

Tirando meus sonhos do fundo do porão

 

Depois um sol intenso se mostrou

E secou minhas lágrimas

Secou minhas dores

E em solo fértil

Replantou novos amores

 

Nesta hora,

Tu te fostes para nunca mais voltar,

Teu navio se perdeu na imensão

De um mar, enterrado na podridão

Minh´alma feliz voltou à vida

Desejando nunca mais te encontrar…

 

(Do livro: Coisas de Mulher de Sônia Moura)

perfil dde uma realidade

 

SONHOS DE UMA NOITE

 SONHOS DE UMA NOITE

SONHOS DE UMA NOITE  (Autoria: SÔNIA MOURA)

 

Minha alma está suspensa

 

Hoje eu só quero sonhar

Não me acordem, pois.

 

Deixem meu pranto guardado

Em algum lugar

Pois hoje eu só quero sonhar.

 

Tragam-me flores,

Deixem minha cama acesa

E quem nela comigo estiver

Que faça eu me sentir sua presa.

 

Vasculhem os mares

E tragam-me o colorido de um coral

Enfeitem com ele a minha cabeça

Façam-me deusa

Ainda que eu não mereça.

 

Unjam meus lábios com o mais puro mel

Para que eu só possa dizer palavras doces

Tragam-me um manto orvalhado

E bordado com raios do sol

Não quero ficar só

Tragam o meu rei, que venha o meu amado.

 

 

Quero serafins aos meus pés ajoelhados

Quero dos querubins cânticos encantados

Sou anjo aqui na terra destinado

A ser feliz, a amar e ser amado

A colher deste jardim terreno

Flores do bem, belezas serenas

E a participar de todas as orgias terrenas

 

Não me condenem

Porque os céus já me sentenciaram

Ao prazer eterno, livrando-me da dor

Rasgando qualquer lei que me aprisione

Arrebentando qualquer tipo de corrente

Fui criada assim, sou livre

Para viver intensamente

O que há de melhor no amor

 

Em meu sonho delirante

Estou em cima de um carro alegórico

Brilho fortemente na avenida da vida

Escrevo o meu próprio enredo

Vivo esta vida esplendorosa, sem medo

Meu rosto sorrindo está estampado

Em todos os jornais e tem mais

Proponho-me à exposição desenfreada

Neste mundo louco, sem me importar com nada

 

 

Ao final da festa, só quero alegria de uma criança

Sonho o meu sonho, vestida com a cor da esperança

Amando a vida com o coração aberto

Quero ver Tristão e Isolda para sempre enlaçados

Ordeno outra sorte para Romeu e Julieta

Meninos eternamente apaixonados

E que Marias, Joões, Belas e Feras

Sirvam ao amor, sendo eternamente enamorados

Para que todos vivam a aventura do amor irreversível

E que sejam felizes para sempre, isto é possível!

 

(Do livro: COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

  SONHOS DE UMA NOITE 

 

A PÉROLA E O AMOR

 A PÉROLA E O AMOR

A PÉROLA E O AMOR  (Autoria: Sônia Moura)

 

Nas águas da ilusão

Nadando na contramão

Mergulhei num mundo mágico

Cheio de corais e flores

Procurava pela verdade

Aquela que esconde

Todo o mistério do amor

 

Fingindo estar bem à tona

Mas, muito bem escondida

Nas dobras do coração,

E nas nuvens da sedução,

A verdade do amor

Assistia à minha aventura

E a minha loucura, aplaudia

 

Ao buscar do amor a verdade

Tive que ir bem fundo

Até o fim da cavidade

Vasculhei águas do mundo

Levantando muitos véus

Numa procura ao léu

 

Depois de muito procurar

Pelas entranhas do mar

Mergulhei mais fundo ainda

E não encontrei a verdade

Descobri que a verdade do amor

Espreitando-me por um fresta

Do dique que iria arrebentar

Antes mesmo de a festa começar

Confabulava com a saudade

Dizendo que a mim

Logo iria se mostrar

Foi quando uma pérola perfeita

Sobre meus pés se acomodou

E uma voz no mar se ouviu

E dizia: – Aqui estou!

 

E eu, tola e muito crente,

Sorria pra toda gente

Dizendo: – Achei, achei!

Então mostrei

O que eu julgara que fosse

A verdade do amor

A todos que encontrei

Era uma pérola tão linda

E tão dura quanto uma pedra

Nascida do sofrimento

De uma ostra apaixonada

 

Mas, que nada!

Eu estava enganada

Pois a verdade do amor

Mudara-se pela manhã

Para um colorido coral

– Onde estás, gritava eu,

Mas ela não respondia

E cada vez mais se escondia

Deixando-me a ver navios

Mostrando-me um desafio

Difícil de enfrentar

Então

Desisti de esta verdade decifrar

Porque a verdade do amor

Não deseja se revelar

Para encontrá-la

O melhor que se faz é amar

 

 Assim, jogando o sal ao vento

Seguindo  o meu destino

Deixei o fundo do mar

E fui fundo no doce do amar

Deixei a verdade exilada,

Presa nas profundezas do mar

Quem quiser que vá buscá-la

Agora eu só quero amar…

 

(Do livro: Coisas de Mulher de Sônia Moura)

 A PÉROLA E O AMOR

DOMINGO MAMÃE

                                                                                DOMINGO MAMÃE

DOMINGO MAMÃE  (Autoria: Sônia Moura)

 

Domingo

Chuvoso

Manhoso

Dengoso

 

Domingo

Com gosto

De carinho

De ninho

 

Domingo

Para animar

O coração

Acordar

A emoção

 

Domingo

Ornando

Uma manhã

Louçã

 

Domingo

Em forma de

Poesia

De alegria

 

Domingo

Em flor

Em tons de

Amor

 

Domingo

Bordado em

Rosas

Para mamãe

Oferecer

E docemente

Dizer

Mamãe,

Amo você!

 

(Do livro: Coisas de Mulher de Sônia Moura)

 DOMINGO MAMÃE

 

 

 

MULHERES REBOCADAS


MULHERES REBOCADAS (Autoria: Sônia Moura)  MULHERES REBOCADAS

 

Raptaram  a Helena

Dizem que ela era um pedaço!

Roubaram as Sabinas

Faltava mulher no espaço

Esculpiram  a Vênus

Espetacular, mas sem braço

Desenharam Afrodite

A deusa que do mar chegou

E aos deuses endoidou

Tentaram a Eva

Mas, dizem que foi ela

Que ao “pobre” do Adão tentou

E a boboca se calou

E a fama de pecadora

Eternamente levou

 

(Os homens não suportam a solidão,

Da mulher não abrem mão

Só não sabem como com elas lidar

Por isto capturam, roubam, esculpem

Desenham tanta mulher

É um jeito de tentar nos dominar

Ou é um jeito de mostrar

Que a nós estão a se curvar?)

 

Pra nos honrar temos a Lilith

Sabia que ela se rebelou?

Abandonou o “pobre” do Adão

Não quis ficar por baixo dele

Em nenhuma forma de relação

Protestou dizendo assim:

Eu também fui feita de pó

Por isto sou sua igual

Vou ficar por cima, que tal?

Juntou-se a anjos caídos

Casou-se com quem bem quis

Voltou e tentou Adão

Foi chamada de demônio

Foi em frente

Deu de ombros

E dizem as boas

E as más línguas

Que vive num paraíso

E é muito, mais

Muito feliz,

Pois se libertou do jugo

E sempre fez o que bem quis!

 

(Do livro: COISAS DE MULHER  de Sônia Moura)

 

 

                                             

ULTRAPASSE SEM LIMITES!

 

 Farra

ULTRAPASSE SEM LIMITES!   (Autoria: Sônia Moura)

 

Nem que seja por um dia:

 

Ultrapasse os Limites!

Ultrapasse seus Limites!

Ultrapasse todos os Limites!

 

Faça do recatado e sereno ambiente,

Que é a sua vida,

Um verdadeiro carnaval,

Se a coragem bater,

Faça da vida e de sua eterna lida

Uma grande bacanal

Cuidado!

Tem gente que vai te condenar

Deixa pra lá…

Ou faça uma festa de S.João, 

Só não solte balão,

Melhor é soltar um rojão

Seja arrojado ou arrojada

Não pense em nada,

Pois a vida é uma intrincada malha

E nós, pobre mortais,

Vivemos sempre nos equilibrando

 No fio da navalha

Você pode pensar:

“-Ih! Assim vou me cortar

O que importa?

Se o sangue jorrar,

É só depressa estancar,

E sair para brincar,

Para se esbaldar, até o dia raiar,

Até o amor se cansar,

Até a noite chegar,

E se o dia escurecer

É só dar “um chega pra lá”,

Você só não pode vacilar,

Deixe seu mundo oscilar

Entre o céu e o inferno,

Entre o antigo e o moderno,

Entre a candura e a loucura,

Tanto faz, diga a si mesmo:

“-  Eu quero é mais!”

Não pense nunca “isto não se faz”,

Siga em paz com o seu sorriso,

Siga junto com seu amigo,

Siga ao lado do amor preciso,

Só não pense em equilíbrio,

O negócio é balançar,

O negócio é bagunçar,

O negócio é namorar,

Sem ter hora pra voltar

 

Neste caso, não existe rendição,

Dê adeus à tradição,

Dê um beijo na saudade,

Dê chances ao coração,

Só não vale ficar triste,

Mas se a tristeza insistir,

Escreva uma poesia,

Enfeite sua moradia

Dê água para a alegria,

Dê asas à imaginação,

Bata palmas para a ilusão

E  mande a tristeza pastar

Bata três vezes na madeira

Dê três pulinhos pra frente

Mostre que está contente

E grite bem alto

Para que escute toda gente

– Hoje eu quero é rosetar!

 

(Do livro: Coisas de Mulher de Sônia Moura)

COTIDIANO

 COTIDIANO

COTIDIANO  (Autoria: Sônia Moura)

 

O céu da ilusão foi tingindo

Meu querer em vários tons

Em muitas emoções, em alegria

De infinitos sons

 

Depois, o céu da desilusão

Em um só tom, sem emoção

Tingiu meu coração

De nostalgia, de agonia

 

Então, o que era encantamento

Tornou-se  descontentamento

E o abstrato do amor

Deu lugar ao concreto da dor

Só me restava lamentar

O paraíso perdido

O lugar sonhado

O amor imaginado

 

Hoje, o que resta da ilusão

É a cor da recordação

Plantada nos ramos da saudade

E no céu do meu caminho

Borboletas azuis batem levemente

Suas asas

Em movimentos lentos

Para meu sofrer aplacar

Lá longe,

No meu mar cinzento

Golfinhos dourados

Saltam nas águas a me consolar

Eles sabem do meu segredo

E sabem que meu sofrer

Não é brinquedo

Só querem minha dor apaziguar

 

Sou agora

Um jardim abandonado

Uma praça sem crianças

Sem escorrega ou balanços

Enquanto minha vida

Segue a balançar

Para que a saudade de um tempo

Penetre em mim

Chegando mesmo a me ferir

Preciso suportar a dor

Deixar expostas as feridas

Deixar o sangue escorrer

Preciso segurar a vida

Pela raiz

Antes que ela me fuja

Preciso deixar a realidade

Penetrar em meu nariz

Chegar aos pulmões

Revolver emoções

Desfazer canções

Enchendo o oco

Encravado em minh’alma

Preciso sentir o sumo

Das frutas outonais

Sentir a liberdade

De uma andorinha só

E conseguir abandonar

O frio inverno

Embaralhar-me com as flores

Da gentil primavera

Para renascer

No próximo verão

 

(Do livro: COISAS DE MULHER de SÔNIA MOURA)

 COTIDIANO