O amor me pegou de jeito

Não há como recuar

Atravesso esta ponte

Ou me jogo neste mar?

 

Não sei mesmo o que fazer

Enfrento esta tempestade

Abro cortinas para o sol entrar

Ou deixo a vida me levar?

 

Afasto a nuvem pesada

Afasto o medo de amar

Acordo o silêncio antigo

Ou será melhor me calar?

 

Dinamito a incerteza

E me lanço no vazio

Agarrada a doces lembranças

Ou desafio um rio bravio?

 

Abraço-me com o silêncio

Coloco  lágrimas ao vento

Grito palavras bem raras

Ou entro para um convento?

 

Não sei mesmo o que fazer

Se solto a alma no espaço

E arrisco a me perder ou

Se me escondo na caverna

E me arrisco a não viver

 

Preciso me decidir

 

Já sei o que vou fazer

Vou me espalhar neste amor

Vou fazer um carnaval

Vou me embolar com o prazer

Quero uma ilha deserta

Não para me acovardar

Mas para viver sem “não pode”

Fazer o que der na telha

Entregar o corpo e a alma

Abandonando qualquer dúvida

Adoto toda a certeza

E vou pelo mundo a fora

Praticando o verbo amar

(Da obra: COISAS DE ADÃO & EVA, de SÔNIA MOURA)

 

 

Escrito por

Sônia Moura

SÔNIA MOURA é Doutora em Letras (Literatura Comparada), Mestra em Letras (Literatura Brasileira), Pesquisadora na área da Simbologia, Professora de Língua Portuguesa e de Literatura Brasileira e Produtora Cultural.

No centro de suas atividades, está sua parceira inseparável: a arte, coordenando suas múltiplas vozes e os misteriosos momentos da sua criação.