O POETA, A PALAVRA E A POESIA

O POETA, A PALAVRA E A POESIA

O POETA, A PALAVRA E A POESIA  (Autoria: Sônia Moura)

Afastada do teor contextual, a palavra estará condenada ao isolamento? A resposta a esta pergunta dependerá do que se consagra como isolamento, seria o isolamento intelectual? Afetivo? Conceitual? Funcional? Verbal? Extraverbal? Ou seria apenas o falso isolamento da realidade o que nos confunde?

Ao transportar imagens para o poema, através de palavras reinventadas e transformadas por forças sugestivas e pelo poder enigmático das estripulias analógicas, em forma de metáforas, o poeta nos apresenta textos, trabalhados com palavras nascidas do solo fértil da criação e da devoção do fazer poético, comprovando que a mágica do poema está especialmente no simples desdobramento significativo das palavras.

Em cada poema, a transposição de sentidos gerada por efeitos especiais, denominados efeitos estilísticos, é o resultado do esquema montado pelo poeta para que a realidade seja representada por meio de tropos e figuras, dando ao poema a roupagem necessária para que nasça o equilíbrio dialógico, eliminando, assim, a impossibilidade da não-comunicação.

Para o poeta, a palavra é a curva e a bifurcação de caminhos imprecisos e imprevisíveis que ele precisa domar, para reinventar o real tão aprisionado em definições, regras, grilhões. Ao escolher o caminho a seguir, ele busca domar a palavra, para extrair de suas entranhas o sumo preciso do dizer o que se quer, e esta é uma luta constante do poeta com a palavra, porque é difícil torná-la apenas escrava, pois assim como ele que é rei e deus, ela também é rainha e é deusa.

Então , no palco da escrita, o poeta e a palavra estarão sempre a revezar seus papéis, ora ele é o senhor e ela é serva, em outra cena, ele é o servo e ela é sua majestosa senhora, e neste vai-e-vem teatral, ambos se completam e fazem nascer a poesia.

“Não divorcie
A palavra do poeta
É heresia
Por favor, não mate
A poesia.”

O POETA, A PALAVRA E A POESIA

SONHADORA

 SONHADORA

SONHADORA (Autora: SÔNIA MOURA)

Na janela ele apontava o lápis

E, ao mesmo tempo,
Da janela ela apontava o olhar
Para a varanda em frente

E também
Pela janela ela aprontava a rede
Intentando fisgar o peixe bom
No mar que ondulava diante de
Seus olhos tão azuis
Suaves como o luar
Confirmando desejos de amar
Diziam que ela estava velha
Que não adiantava mais desejar
Mas nem mesmo o desencanto nascido
Da pesca fracassada do mar-janela
Fechou-lhe a porta da esperança
Buscando apagar seu sonho de criança
E ela nunca deixou de sonhar, sonhar…

(Da obra: COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

SONHADORA

PALAVRAS INDIZÍVEIS

 palavras indizíveis

PALAVRAS INDIZÍVEIS  (Autoria: SÔNIA MOURA)

Em certos instantes da vida, há coisas que se tornam indizíveis.

Não que sejam feias ou pecaminosas, não, apenas nos quedamos ante a impossibilidade do dizer, do falar, do escrever as coisas que sentimos, pois, nestes momentos, não sabemos enfeitar as palavras a serem reveladas, não conseguimos desarrumá-las, enfrentá-las ou expô-las em público e, se tentamos cantarolá-las, a voz também não sai.

Então, tentamos inventar uma história para desnudá-las, mas elas se vestem com os trajes do rigor ou se escondem num canto qualquer e não há como colocá-las no palco das declarações, dos desabafos ou das confissões.

E, embora sobrem motivos, nos faltam as palavras, no entanto precisamos falar, queremos falar, estamos cativos deste não saber dizer, deste não conseguir falar.

No entanto, o sentimento está lá, gritando, implorando para sair da caverna da dor, sair do esconderijo e se jogar no mundo, porém, o que fazer se, no percurso da dor, perdemos a voz, perdemos a paz e o som não sai.

Que dor tão grande nos deixa assim imobilizados, apenas na garganta? Os pés caminham, a alma sofre, o choro desaba, a tristeza sorri, a alegria foge da festa, os braços de agitam, o corpo se mostra, mas a garganta trava, a garganta empaca, a garganta se nega, a língua se atrapalha, a glote se obstrui, o esôfago, a laringe e tudo mais se contrai e a voz não sai.

Não há o que fazer, espera a dor passar, espera a alegria voltar, espera o novo carnaval, para a voz, de novo, se revelar e na avenida de sua história, se apresentar.

(Da obra: Tempo Absoluto versus Tempo Relativo de Sônia Moura))

palavras indizíveis

RIO DE JANEIRO

  rio de janeiro

MINHA HOMENAGEM À CIDADE MAIS MARAVILHOSA E MAIS LINDA DO MUNDO,  NO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO!

Rio de Janeiro (Autoria: SÔNIA MOURA)

Rio de janeiro, fevereiro, março…

Que de janeiro a dezembro

Eu todos os dias abraço

Rio que só ri de tudo

Pois ao olhar sua beleza

Qualquer um sorri pro mundo

Rio que na verdade é mar

O difícil é não amar

Suas curvas femininas

Seus encantos de menina

Seu ar descontraído

Seu jeito de garotão

Que adora uma cerveja

Que curte o bom  futebol

A praia é nosso quintal

O amigo é  o sol

Seu sinônimo? alegria

Feliz é quem nasce aqui

Feliz é quem vive aqui

Rio – sou louca por ti!