O Vai-e-Vem da Sanfona


o vai-e-v-em da sanfona

O Vai-e-Vem da Sanfona  (Autoria: Sônia Moura)

A vida nos prega peças

A vida é boba à beça

A vida nos traz surpresas

A vida é uma beleza

A vida nos faz chorar

A vida é de amargar

A vida nos faz sorrir

A vida é o porvir

A vida nos traz saudade

A vida é só vontade

A vida nos mostra amor

A vida é só sabor

A vida nos traz desamor

A vida é só temor

A vida nos dá Gonzagão

A vida é a batida de um coração

A vida nos dá  Gonzaguinha

A vida é rima prontinha

A vida é mesmo assim

Um vai-e-vem inconstante

Como o fole da sanfona

Abre e fecha a todo instante

Senão o som não sai

Senão a alegria não entra

Senão a dor e a esperança

Não podem nela morar

A vida é mesmo uma roda

Quem entra não quer sair

A vida é uma doce ilusão

Já dizia Gonzaguinha

Filho do grande Gonzagão!

(Da obra: Poemas em Trânsito de Sônia Moura)

SAUDADE

SAUDADE

SAUDADE (Autoria: Sônia Moura)

Numa noite de maio
Após o teatro, chovia,
Eu, alegre feito passarinho
Você, feliz por mim, sorria

Já faz tanto tempo…

Nesta noite de outubro
Bateu uma saudade…
Esteja onde estiver
Pra você:
O meu carinho
Bordado de saudade

Boa noite, amor
(Da obra: Coisas de Mulher de Sônia Moura)

SAUDADE

LINHAS

 LINHAS

LINHAS  (por Sônia Moura)

 

 Tênues são as linhas de tua luz

Que atravessa o meu caminho

Desenhando a encruzilhada

Ao mostrar que a vida

Sem amor

É (quase) nada

 

(Da obra: Coisas de Mulher de Sônia Moura)

LINHAS

 

 

TEU HOMEM

Teu Homem

TEU HOMEM (Sônia Moura)

Silêncio!
Dá-me tua mão
Sigamos o luar

Não há o que falar
Concentra-te na imagem
Sobreposta de mim
Encantado em ti
Não negues o amor
Absorve o sentido
Afasta a carência
Abraça a inocência

Com olhos fechados
Alarga o olhar
Agora sou pássaro
Em teu ninho a penetrar
Lugar quente e úmido
A me profanar
A me endeusar
A me orgulhar
De ser teu homem
Quem em ti se aninha
Que ri à toa
Por seres minha

(Da obra: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

NO AR

NO AR

NO AR (Autoria: Sônia Moura)

A lua parada
Mirava a janela
Onde estava Maria
O luar penetrou
Nos olhos da bela
Naquele momento
Uma lágrima perdida
De nome saudade
Foi segura no ar
Pela luz do luar
Que a tirou
Pra dançar

(Da obra: Coisas de Mulher – de Sônia Moura)

NO AR

JOGO CIRCULAR

JOGO CIRCULAR

JOGO CIRCULAR (Autoria: Sônia Moura)

Menino sem dono
O mar ainda com sono
Bebe o leite da lua cheia

Mulher de quatro faces
A lua afasta o lençol
E sorve o brilho do sol

Deus do calor desperto
O sol dono do terreiro
Lambe as folhas da palmeira

Amiga da areia menina
A palmeira bailarina
Dança para o vento menino

Menino liberto e esperto
O vento todo assanhado
Namora a terra encantado

Mãe de todos e todas
A terra beija o vento
E num jogo circular
Ainda namora o mar

(Da obra: COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

JOGO CIRCULAR

TERNURA

TERNURA


TERNURA

 

Se o mundo falasse

Iria dizer

Que as noites

São poucas

Que os dias são muitos

E que ele é pequeno

Quando estou

Sem você

 

 

                                                           Uma saudade imensa misturada a uma

                                                      Porção de dúvidas e medos.

                                                      MAIO 2001

A FADA DO JASMIM

A FADA DO JASMIM

A FADA DO JASMIM (de Sônia Moura)

Uma fada se alojou em meu jardim
Se instalou em um jasmim
Chegou-se mansamente a mim
E sussurrou ao meu ouvido assim

Colha o mais novo favo de mel
Espalhe sobre o medo e sobre a dor
Faça a mágica da vida acontecer
A aventura nascer
E o mistério acontecer
Seja pássaro,
Seja flor,
Seja amor,
Seja brilho,
Seja luz

Despediu-se e
Partiu
Mas neste pouco tempo
Muito me ensinou
Ao me dizer coisas assim
Não se aflija com a sorte
Ela muda é só esperar
Hoje o mar está revolto
Amanhã, como estará?

Por isso
Cante seu canto com ardor
Ame o silêncio também
Dê a mão a quem precisa
Seja a mais doce menina,
Seja a mais feroz felina
Ore a todos os deuses
Cultue o sol e a lua
E lembre-se de que
A vida é toda sua
(Da obra:Coisas de Mulher de Sônia Moura)

A FADA DO JASMIM