“Só Deus sabe o quanto eu te amei”

Coração

SÓ DEUS SABE O QUANTO EU TE AMEI

(AUTORIA: SÔNIA MOURA)

“Só Deus sabe o quanto eu te amei”
Onde mesmo ouvi esta frase?
Não me lembro mais.
Sei apenas que,
Ao ouvi-la, lembrei-me de você.

Amor que nunca se foi
Amado que ficou
Amante que guardei
Amigo que se perpetuou

“Só Deus sabe o quanto eu te amei.”
E só eu sei o quanto te amo
Desde sempre e para sempre
É, só eu sei e mais ninguém

Por isso
Não deixem o tempo passar,
Não deixem o amor escapar

Portanto
-Amem!

– Amém!

 (Do livro: POEMÁGICAS de SÔNIA MOURA)

BEM-QUERENÇA

COMEMORAÇÃO

Presentes escondidos em lugares secretos
Embrulhados pela emoção da gente
Algo de sal para alimentar o corpo,
E uns docinhos em calda com um queijo branco
Balinhas, balões e um bom vinho
Para aninhar a alma e o coração
Lá estão onde todos se encontram, riem
Enquanto olhos, olhares e luzes brilham em muitos céus
Para a estrela da bem-querença (re)nascer
Amparada por sensíveis orações
Em forma de velhas canções.

Família reunida, amigos reunidos
Flores úmidas para o ambiente perfumar
Corações a se alegrar com a música que rola sem parar
Aplaudida por risonhas vozes que se espalham pelo ar

É tempo de amor, é tempo de amar
É tempo de viver, é tempo de se ver

– Que tempo é esse?

– É passado, é futuro e é presente
Pois, para se fazer uma festa
Basta querer, bem,
E bem-querer, também!

[Do livro POEMÁGICA de Sônia Moura]

VIDA

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Enquanto um punhado de sonhos em sua vida aflorar
E você fizer de tudo para cada um deles realizar
Você não envelhecerá

 

Enquanto o desejo de aventura e de aventurar-se
Rondar o seu caminho, deixando o sol lá brilhar
Jovem você será

 

Enquanto você conseguir afugentar os pássaros da solidão
Não deixando que estas aves coloquem ovos em seu coração
Vivo você estará

 

Enquanto você estiver pronto para vencer
Dando todo poder ao amor, à alegria e ao prazer
Nada no mundo o derrotará

 (Ao amigo Alcyrus V.P. Barreto)

UNUS + VERSUS

Grand Universe, by Gary Tonge

O que já tem verso no nome

Que é um e ao mesmo tempo é todo

Certamente é filho, pai, irmão, irmã e mãe

do som e da poesia

Não nasceu do todo, nem do um

Pois nasce todo dia

Pelo som do vento

Nos versos da canção

No som dos risos ou dos prantos

No poema de amor

O barulho da chuva no chão

O ronronar dos gatos no telhado

O som do vulcão enraivecido

O som de flor ao ser despertada

O barulho das pisadas na areia

O estouro louco da boiada

É o som “big-ben”que ainda ecoa

Espalhando sons e poesias

Que formam o universo

O olhar de quem ama é pura poesia

O gemido do gozo é poesia mimética

O barulho das ondas é música poética

Pelo som de um violino, de um pandeiro,

De um piano ou de um tambor maneiro

O universo desperta em alegria

Mas, sempre o seu som vem primeiro

A vida é cheia de sons, de cores e poesia

Para que o universo renasça a cada dia

A cigarra canta, o sabiá responde,

Enquanto o coro da igreja anuncia

Alguém que já chega, alguém que se casa

Este é o som do universo renovado

O sino da igreja badalou anunciando

A morte , a dor de uma partida

É o universo chorando a despedida

De cor em cor, de som em som

No universo

Tudo é música e poesia

(Do livro POEMÁGICAS de SÔNIA MOURA)

Pela estrada afora…

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Eu encontrei alguém numa esquina do mundo
Não sei seu nome ou o nome daquele lugar,
Apenas me lembro de que ali havia a nascente de um rio
E por seu leito descemos, até encontrar a mais linda flor de lótus
Tão linda e tão suave que brilhava ao luar

Olhei em seus olhos e vi a paz a me olhar
Suas mãos seguraram a minha. Fazia frio
Mas ele estava ali para com seu carinho me aquecer
E assim dormimos abraçados, e nos permitimos sonhar

O sol chegou, e eu sem resistir
Continuei com ele a caminhar
Embrenhamo-nos por uma floresta tardia
Subimos montanhas, brincamos com macacos
Olhamos o céu, escutamos o mar

E prosseguimos viagem sem para trás olhar
Tudo era tão calmo em sua companhia e
Ainda que a chuva molhasse nossos dias
Um sol nascido do amor nos aquecia
E muitas alegrias minavam nossa estrada
E seguíamos sem medo de nada

E nos descobrimos nesta  longa estrada…

(Do livro POEMÁGICAS de Sônia Moura)

A Pomba no Telhado

Ano Novo

Era manhã de um novo dia
E lá estava a pomba no telhado
A olhar o mundo adormecido

O barulho dos fogos ainda soava em seus ouvidos
Enquanto o céu se enchia de cores
E toda aquela gente vestida de branco
Aqueles gritos, aqueles risos
Tudo estava em festa, novamente

Ontem, ela sozinha olhando a multidão
Pensou no par que não mais existia
Apertou-se-lhe o pequeno coração
E ela encolheu-se a um canto
E deixou que se esparramasse o pranto

Gritos ecoavam no ar
Saudando um novo ano
Deixando a esperança governar
E, lá de cima, ela, recolhida ao seu pranto
Deixou que um fiapo de alegria dela se apossasse
E saiu voando no meio de fogos e estampidos

Era um voar louco da solidão
Em meio há uma nuvem densa de fumaça negra
Contrastando com o brilho e o colorido
Dos fogos que anunciavam o novo ano, a nova ilusão

E nesse vôo da esperança
Ela, sozinha, feito uma criança
Arriscou-se, fez travessuras,
Soltou a alma, entregou-se a diabruras
Enquanto os anjos acalmavam seu pesar

Voe, menina, voe, pois, embora
A solidão seja velha
Acredite que este será um novo tempo
E neste tempo alguém irá com você
Grandes vôos alçar

Era manhã de um novo dia
E ela ali sozinha no telhado …

(Do livro POEMÁGICAS de Sônia Moura)

RETICÊNCIAS

RETICÊNCIAS

(Ao Valter, poeta de plantão e meu anjo da guarda)

Pode ser num jardim florido…
Pode ser atrás da pilastra, no pátio do colégio…
Pode ser só no sonho ou na fantasia…
que alguém se encontre no mundo para amar

Pode ter sido só por uma noite ou por um dia…
Pode ter sido só por uns momentos de alegria…
Pode ter sido só por necessidade de recomeçar…
Pode ter sido só uma tentativa de gostar…
que alguém tenha se encontrado para amar

Quem sabe um dia aquele encontro entrará noite adentro…
Quem sabe o pátio do colégio esteja no mesmo lugar…
Quem sabe numa escada rolante nosso olhar volte a se encontrar…
Quem sabe o tempo jogue um nos braços do outro…
e ninguém terá como do destino escapar

{… }

[Do livro  POEMÁGICAS de Sônia Moura]

Cacos

Ontem fui a um encontro de sempre
Com os amigos de sempre
Apenas o lugar, desta vez, não era o de sempre

Descobri que o tempo é como uma vassoura
Que vai varrendo os cacos de nossas vidas
Selecionando o que vai ficar e o que ele vai levar

Há cacos que o tempo varre para debaixo do tapete,
Outros, ele varre para longe,
E nem mesmo a imagem desses cacos voltará

E há também aqueles
Que nem o tempo consegue descartar
Porque esses se escondem num canto de nossa memória
Driblando o tempo e
Fazendo-nos lembrar do que fomos,
Do que tínhamos e do que perdemos

Cacos de uma vida que,
Certamente, nunca mais vai retornar

À saída, juntei os cacos que podia juntar,
E fui embora com a quase certeza de que
Desse encontro, nunca mais vou participar

Conseguirei?
Só o tempo dirá

(Do livro POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)