VALSAR

VALSAR

(Autoria: SÔNIA MOURA)
A valsa do baile
O balé dos corpos
Trazendo à vida
Esperanças mortas

Pernas e braços
Colados num só
A dança transformou
Desesperança em pó

Valsando ao vento
Sorrisos e afagos
Nos deram a leveza
Dos jovens amantes

O mundo sumiu
Ficamos nós dois
Feito crianças
Valsando no sonho
Afagando a esperança

Não houve cansaço
Não houve promessas
Havia a música
Havia a paz
Havia o desejo
De quem a vida refaz

Terminado o baile
Tal qual Cinderela
Deixei meu sorriso
Para você me encontrar

Leve-me ao seu reino
E me encante ainda mais
Pois na valsa da vida
Dizem os sábios
Que de tudo, o amor é capaz!
{Do livro POEMAS EM TRÂNSITO de SÔNIA MOURA}

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EQUAÇÃO

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EQUAÇÃO [Autoria: SÔNIA MOURA]

Alguém me perguntou
Como é possível viver sem amor
Alguém me perguntou
Como é possível viver sem amar
Alguém me perguntou
Como é possível viver…

Não sei dizer, não sei dizer

Só sei que é preciso viver
Que é preciso seguir
Que é preciso sorrir
Que é preciso chorar

Não sei como consegui
Só sei que eu sobrevivi
Não sei e não entendi
Só sei que prossegui

E eis-me aqui
A sorrir para o amor perdido
A chorar pelo amor passado
A desejar um amor presente
Que seja perfeito, imperfeito
Ou mais-que-perfeito,
Mas que tenha futuro
E invista em nós,
E se amarre em laços
Para que possamos
Acertar o passo

(Do livro POEMAS EM TRÂNSITO de SÔNIA MOURA)

DESEJO

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Desejo

Autoria: SÔNIA MOURA

Meu coração está amedrontado
Atordoado, não-amado,
Perdido entre as ondas
De um oceano encapelado,
Refletido no olhar enluarado,
Meu coração perdeu-se do seu
E até hoje procura sua imagem
Por caminhos
Nunca dantes navegados.
Se olho o mapa, vejo você
Se assisto à reportagem da tevê,
Vejo você.
Aquele abraço, aquela praia, aquele porto
Voltam aos meus olhos em forma de conforto
Ouço sua voz, sinto seu cheiro
Que para longe se foi num tristonho janeiro
Então, afago-me pensando em suas mãos.
Sinto sua falta, quero o seu sorriso
Mas onde encontrar você? Onde?
Não importa, irei onde for preciso,
Quero um sinal, um só e nada mais
Nos perdemos no meio da viagem
Quem sabe o mesmo destino que nos uniu
Nos reúna outra vez, numa manhã de abril?
Quem sabe…?

(Do livro: POEMAS EM TRÂNSITO, de Sônia Moura)

TEMPOS DE ESCOLA

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Tempos de Escola

Autoria: SÔNIA MOURA

Acordar cedo ou não dormir à tarde
-Que chateação
Ficar sentado muito tempo
-Que tormento!
Ouvir o professor falar, falar…
-Era de matar!
Aturar as gracinhas do sem graça
-Que desgraça!
Estudar e não poder brincar
-Era de chorar!
Esperar a nota chegar e torcer sem parar
-Era de apavorar

Brincar na hora do recreio
Começar a namorar
Guardar bilhetes e cartinhas
Falar em sonho e sonhar
Ter professores amigos
Saber de lições das cartilhas e de vidas

São, até hoje, tempos que nos ensinam  a viver
São, até hoje, tempos que nos fazem de alegria chorar
São, até hoje, tempos que nos permitem acordados sonhar
São, até hoje, tempos que nos fazem sem motivo sorrir
São, até hoje, tempos que nos fazem, por suas lembranças,vibrar

DESERTO

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DESERTO

(Autoria: SÔNIA MOURA)

Eu nunca sei rumo para o deserto
Ou se dele me afasto
Eu nunca sei ao certo

Embrenho-me por caminhos estreitos
Não há ninguém por perto
Então viajo para um campo descoberto
E lá me perco e de lá desapareço

Meu deserto me consome e some

Mesmo no epicentro da cidade frenética
Mesmo no meio da noite trepidante e eclética
Mesmo no meio da solidão patética
Mesmo no meio do mais povoado deserto
Meu deserto me acompanha

E eu me perco no meio do meu próprio deserto

Eu caminho e tropeço
E ainda não sei ao certo
Se desejo alguma companhia ou o deserto
Realmente eu não sei ao certo

Desejo dividido, desejo indefinido
Desejo esculpido pela areia de um mar
Formado pela ventania do deserto

E esta ventania, todo dia, todo dia
Silvando uma sinfonia, Invade o meu deserto
Desfaz o rumo certo e eu me vejo sozinha
A vagar pelas delícias e agruras
Deste meu deserto
Triste sina a minha!

(Do livro POEMÁGICA, de SÔNIA MOURA)

AUSÊNCIA PRESENTE

AUSÊNCIA PRESENTE                       espelho

(Autoria: SÔNIA MOURA)

A tua presença na minha lembrança
Espelho incandescente a multiplicar a dor
A espalhar fragrâncias da tua ternura
Saudade – a cobrir-me o sono
Ausência – sinônimo de abandono?

Porque não posso te abraçar, eu canto
E o lamento que de minh’alma emana
Espalha-se tristemente e clama
Como estarás longe dos meus afagos?
Quem terá teu sorriso ou o teu pranto?

Não ouço respostas, só meu coração soluça.
O clarão da lucidez me cobre com o seu manto
Seqüestrando dissabores, saudades e incertezas
E a paz que só encontro em teu abraço
Espanta os males e sobre mim debruça

Uma gota de sorriso me devora
Desfaço-me dos arreios da melancolia
Terei você amanhã ou outro dia
Estou contigo mesmo a distância
Por isso, meu amor, beijo teu coração agora

( Uma noite de maio. Após o teatro, chovia.
Você feliz por mim, lindo!
Bateu uma saudade… Boa noite, amor.)

[Do livro: ENTRE BEIJOS E VINHOS, de SÔNIA MOURA]

APELO

 Apelo                                                                          ave

(Autoria: SÔNIA MOURA)

Meu corpo pede o seu, que não vem, não vem…

Hoje um passarinho me acordou,

Era você, amor?

Fiquei a olhar aquele encantamento

E…

Por um momento

Vi você

Já faz tanto tempo

Meu suspiro, em forma de lamento,

A saudade, o pressentimento,

Você devia voltar pra mim,

Estou tão só…

Uma saudade

Um descontentamento

Volto pra cama

Sem nenhum alento

O pássaro, como você,

Ignora meus apelos,

Ignora meu tormento

E canta, canta

Seu canto me acalma,

Enquanto sua ausência me atormenta

Meu corpo pede o seu, vem, vem…

Nem que seja

Só por um momento

Vem…vem… vem…

(Do livro POEMÁGICAS de Sônia Moura)

GIRÂNDOLA

                                                          Roda

GIRÂNDOLA  (Autoria de Sônia Moura)

Gira, gira, gira sol
Gira, gira, gira mundo
Gira, gira, gira amor
Levando pra longe a dor

Roda, roda a poesia
Roda a mãe-natureza
Roda o Zorro o seu chicote
Roda a menina num xote
Roda o banjo o cantor
Roda na roda a mocinha feiticeira
Roda na dança o menino encantador

E, no meio desta roda,
Gira alegre um girassol
Girando a alegria infantil
Do menino e da menina
Encravada em todos  nós

Do livro POEMÁGICAS de SÔNIA MOURA

TATUAGEM

tatuagem

TATUAGEM

(Autoria: Sônia Moura)

Seu olhar pousado no beiral do meu olhar

Era um beija-flor a sugar dos meus olhos o amor

De sua boca saía um som melodiosamente manso

Tal qual um canto divino a me acarinhar

Sua mão a beijar-me a pele, fazia-me tremer

E, enquanto acalmava a paz do meu querer,

Deslizava em meu corpo como um rio lento,

No qual eu mergulhava sem nada temer

O seu corpo parcialmente esparramado sobre o meu

Dava a certeza da eterna proteção

Ainda hoje aquele som não sai dos meus ouvidos

É o som do final tão esperado

Louco, sussurrado, rouco e desejado

Trazendo a mim o calor de suas entranhas

Ainda presas em mim com força tamanha

Capaz de me arrebatar e me arremessar em sonhos

Para qualquer lugar deste mundo ou do infinito

Para depois voltar no meio das lembranças

Dos abraços e dos corpos suados, largados sobre a cama

E nesta imagem guardada se pode ver que

Cada corpo tem a alma do amado em si tatuado

(Do livro: POEMÁGICAS de Sônia Moura)

DESABAFO

 OLHAR

DESABAFO

               [Autoria: SÔNIA MOURA]

Só agora neste novo encontro

Vejo que sempre te amei, mesmo à distância,

Em meus sonhos e em meus pensamentos

Amei-te de todas as maneiras

Descubro isto agora…

Parece brincadeira

Que mundo louco, cheio de maldade

Depois de tanto tempo, revelo-me em teus braços

E tu me vês plena, fêmea, inteira

Descobres isto agora…

Parece brincadeira

                                   (Quinta – feira, madrugada)

[Do livro: ENTRE BEIJOS E VINHOS de SÔNIA MOURA]