À FLOR DA PELE

tatooflor

Sobraram raízes

Daquela paixão

Em forma de voz,

Em forma de tom

Do som do seu riso,

Da falta de siso

Nasceram frutos

Com gosto de orvalho

E troncos tão fortes

Mas galhos tão frágeis

Que isolaram a razão,

Violaram a emoção

Criaram espaços sombrios

Invadiram meus poros

Trouxeram arrepio

Deixaram  minh´alma

À flor da pele

Tiraram  minha vida  do sério,

Misturando a verdade  e o mistério

 

Rasguei minha alma,

Entreguei-me a um pranto

Que formou mil rios

E em meu desvario

Vi estrelas cadentes

Como beijos ardentes

Sonhei acordada

Caminhei por uma estrada

Que pensei ser o tudo

Mas que me levou ao nada

Lutei, quis fugir,

E não consegui

Voltei aos seus braços

Chorei e sorri

Fui tola e sábia

Ouvi mil palavras

E um castelo montei

A você coroei

Como único Rei

E a mim proclamei

Sua abelha rainha

O amor recendia

A paixão renascia

E reinava a alegria

 

Mas,  ao certo não sei,

Se vivi ou sonhei

 

 

(Da obra: Coisas de Adão e Eva, de Sônia moura)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SIM & NÃO

simnao

Travaram  meus sentimentos

Trancaram o meu coração

Tiraram o meu passe livre

Trocaram meu sim por não

 

Meus dias vivem em trevas

Machucaram a minha paixão

Mandaram meu sonho embora

Mudaram meu sim pra não

 

Escrevendo estas trovas

Acalmo a desilusão

Retirei travas da alma

Entendi o sim e o não

 

(Da obra: COISAS DE ADÃO E EVA, de Sônia Moura)

 

Sofregamente, minha poesia desabrochou,

Uma trilha bem marcada ela deixou

Mergulhando num  rio sem labirinto

E sem nenhum pudor

Desnudou-se para o nosso amor

 

Muita água vai rolar por esta estrada,

Pressinto

 

(Da obra: Poesia dia a dia, de Sônia Moura)caminhos

TEMPO! TEMPO! TEMPO!

CHICOTES DO TEMPO

TEMPO! TEMPO! TEMPO! [por Sônia Moura]

 

A passagem do tempo é metáfora

Ainda assim, o novo ano não há de tardar

Há uma cadeia com elos de esperança a se formar

Quantos divinos encantos se esconderão nesta corrente

Que todas as gentes se põem a desejar?

Faz parte da arte de quem segura este estandarte

Assim, envolvidos pela fantasia

Todas as gentes seguem cumprindo seus destinos

Penetrando nas raias da ilusão, da crença e da paixão

Tempo, menino vadio, que corre macio sem se preocupar

Porque ele sabe que não vai mais voltar

Sua presença é pedra rara, tão fugaz como qualquer ficção

Abelha que suga o mel e depois procura outra flor

Como um mago nos pega pela mão e encanta

E, sem nenhum pudor, amputa certezas, acalma as brabezas

Tempo, todo faceiro, exibe sua nobreza com altivez

Fingindo nos dar a lucidez do controle impossível

Do seu flutuar,

Tempo, tempo, tempo!

Entre o ontem, o hoje e o talvez

Doce quimera a brincar com as gentes

E a visão de todos loucamente turvar

 

Da obra: Poemas em Trânsito, de Sônia Moura