INFAUSTA ILHA

INFAUSTA ILHA

INFAUSTA ILHA (Autoria: Sônia Moura)

Você não fala, mas ouço a sua voz
As palavras saltam do meio da saudade
Elas são ecos desse louco coração
Que de seu amor é dependente
E vaga dias e noites entre o sono e a vigília
Agarrado ao salva-vidas da poesia,
Nas páginas dos Contos de Fadas
Ou se embrenha nas asas da fantasia

Por acaso ou por pura agonia,
O amor se mostra a mim
Como cruel e fria nostalgia
Transformando o meu pobre
E sombrio coração
Numa esquecida, perdida e
Infausta ilha

(Da obra: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

INFAUSTA ILHA

ACERTOS e DESACERTO

ACERTOS E DESACERTO

Acertos e desacerto (Autoria: Sônia Maria)

Eu acertei a hora no relógio
Eu acertei na mosca
Ao escolher a profissão
Acertei as contas
Com quem devia
Acertei no milhar
(Pelo menos uma vez)
Acertei bem no alvo
No parque de diversões
Mas nunca, nunca mesmo
Acertei com as coisas do coração
Só não sei qual a razão

(Da obra:POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

ACERTOS E DESACERTO

ILHA

ILHA

ILHA (Autoria: Sônia Moura)

(À Ana Maria, apaixonada por todas as ilhas)

Distante do continente
Uma porção de terra flutua
E benditos cantos
Cheios de encantos
Entoam mil loas
A essa terra boa

Sozinho no meio
Do rio ou do oceano
Este sagrado lugar
Recebe o luar
Acolhe o mar
Protege a alegria
No espelho d`água
Sua doce imagem
Desenha miragens
De ídolos adormecidos
E em suas frondosas árvores
Portentosas aves cantam
Saborosos frutos adocicam
E em seu desejado chão
Em arco-íris desabrocham
Perfumadas e veludadas flores

Mil vozes se lançam aos céus
Louvando graças
A esse bem-amado torrão
Que é casa
É concha
É círculo envolvente
Que abriga
Toda gente

Plantada em águas do planeta
Esta terra que é mãe e filha
Tem um nome modesto:
– Ilha!
(Da obra: Coisas de Mulher – Sônia Moura)

ILHA

AMOR VERDADEIRO II

AMOR VERDADEIRO II

AMOR VERDADEIRO II

Novamente no mês de abril
Uma fenda no céu se abriu
E eu recebi em meus braços
Uma menina tão linda
Que envolvi em abraços
Era a minha princesa
E, assim como o meu herdeiro,
Veio reforçar para mim
O que é o amor verdadeiro
Parabéns, minha filha.

FACE OCULTA

FACE OCULTA

A FACE OCULTA (por Sônia Moura)

Na roda da vida, há linhas e estradas, estas são forças que se apresentam a nós e nos convidam a seguir por elas.
Embora aparentemente embaralhadas, há nelas uma ordem e movimentos misteriosos que permitem a ida e, na maioria das vezes, o regresso do indivíduo.
Esta ordem louca dentro da desordem, este labirinto invisível, trânsito entre muitos planos, converte-se em espaços expressivos fabulosos, os quais compõem as histórias de nossas vidas.
Luzes anônimas apontam caminhos, por vezes, seu brilho é tão intenso que quase nos cegam, no entanto, insistimos em segui-las, este é o jogo do destino a brincar com nossa ilusão, aproximando-nos e nos afastando realidades ou de fantasias, fazendo-nos crer que o dominamos.
Ao trafegarmos por estes caminhos, vozes misteriosas nos conduzem (ou nos induzem) a passagens secretas ou a palcos com cortinas escancaradas e, de repente, dependendo do trilha seguida, nos vemos em total solidão ou somos postos ante uma plateia a exigir de nós luzes, cores, sombras, falas e representações, papéis que nem sempre estamos preparados para desempenhar, mas é simples assim: ainda que pensemos que somos nós os condutores do nosso veículo terreno, nosso destino é conduzido à revelia de nossos desejos, pois, no trajeto da vida, nossa vontade será posta em total nudez.
Palavras, imagens, verdades e mentiras se juntam para confundir ainda mais os nossos pensamentos, é como se fosse um jogo de espelhos por meio dos qual nossa vida se revela em dimensões diversas, a fim de que façamos reconhecimentos ou descobertas, diante das quais nos atrapalhamos, e assim, ficamos presos na armadilha do destino e desta não há como fugir.
A bem da verdade, estamos sempre a renascer em múltiplas metamorfoses reveladas lentamente ao longo da vida, e, ainda que tudo esteja fora do lugar, ainda que as ambiguidades do destino tracem caminhos paralelos, indubitavelmente, chegaremos ao ponto final.
Assim sendo, desde sempre, somos entregues nas mãos das Moiras que manipulam a Roda da Fortuna, tecendo nossos destinos, fazendo reaparecer no palco da vida sempre novos espetáculos com a mesmas feições, refletindo apenas a imagem fundamental da vida: a face oculta da solidão do ser.

(Universidade Cândido Mendes – 2011)

FACE OCULTA