PENÉLOPE

PENÉLOPE

PENÉLOPE (Autoria: Sônia Moura)

De dia,
Bordo seu nome em meu coração
À noite,
Desmancho ponto por ponto
À tarde,
Todo o bordado refaço e
Como se escrevesse um conto
Vou ponto por ponto
Bordando a nossa história
Assim reconto alegrias,
Dou desconto pra tristeza
E multiplico as noites de orgia

Mas..

Eu não sei bem o porquê
Tal e qual a fiel Penélope
Não me livro da mania
De esperar por você!

(Da obra: Coisas de Mulher de Sônia Moura)

PENÉLOPE

O DESERTO E O MAR

O DESERTO E O MAR

O DESERTO E O MAR   (Autoria: Sônia Moura)

Poderoso deserto

Sinto-o tão perto

Lançando-me um olhar

Com água salgada nos olhos

Querendo a água doce

Que banha meu olhar

Formando um oásis

Onde eu possa sonhar e amar

Impetuoso mar

Que guarda segredos

Da vida e da morte

Balançando as ondas

Do destino e da sorte

Lavando das almas sofridas

O desamor e a dor

Retirando a areia

Das almas feridas

E salgando os desvalores

Dos falsos amores

Lendo este poema

Vi-me no meio

Do deserto

Deitada na areia

Tão longe do mar

Assim a pensar:

Que magia é esta

Que une com seus laços

O deserto e o mar?

Que feitiço é este

Que me leva a pensar

Que nasci no deserto

Mas sou filha do mar?

Que sortilégio é este

Que mistura as areias

Do deserto e do mar

Que seca a boca

Do que está perdido

No deserto ou no mar

Pois, se em um não há água

No outro a água sobra

Só não se pode beber

Porque igual a um coração

Amargurado, cansado, revoltado

Para degustar novamente o prazer

É preciso dessalgar

Se não, é impossível desfrutar

Do prazer de beber as delícias de amar

(Da obra: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

O DESERTO E O MAR

ALIADOS

ALIADOS

ALIADOS (por Sônia Moura)

O que o meu amor deseja
É se abraçar à poesia
Ante esta declaração
Meu coração se aliou
À insensata alegria

(Do livro Coisas de Mulher de Sônia Moura)

ALIADOS

Diques Danificados

Diques Danificados

Diques Danificados  (Sônia Moura)

Que transposição é essa
Que acontece
Na vida da gente
Hoje se ama tanto
Amanhã?
Espanto!
Parece que tudo acabou
E a alma carece
De um novo amor
O toque não mais estremece
A pele não se arrepia
A alma está tão fria…
Parece que foi de repente
É o que nos mostra a mente
Não é bem assim
O querer bem vai acabando
De mansinho
Até chegar ao fim
São pequenos descuidos
São grandes verdades
Ou muitas mentiras
Que se desnudam
Em rudes palavras
E vão minando
As cavernas do coração
Vão formando fissuras
Na pele e na alma
Diques danificados
Que logo se romperão
E as águas inundarão
Até a torre do castelo
Levando pedra por pedra
Para que estas se somem
À triste pedra
Em que se transformou
Um amargo coração

(Da obra: COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

Diques Danificados

QUASE POESIA

QUASE POESIA

QUASE POESIA (Autoria: Sônia Moura)

Na quase poesia
A quase rima
Se mostrou tão fria
Quanto a chuva
Que friamente caía,
Quanto o frio da alma
Que a tristeza trazia
E esta, cinicamente,
Na margem direita do rio
Sorria, sorria, sorria…

Na margem esquerda do rio
Um ainda quente coração
Esfriava e
Sofria, sofria, sofria…

Desta fôrma fria
Nasceu esta quase poesia

(Da obra: COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

QUASE POESIA

MEL e FEL

MEL e FEL

MEL e FEL (por Sônia Moura)

Se for ameaçada
Abelha que faz mel
Ferroa
Por sentir o sabor
Do fel

Alguns seres humanos
Hoje dão o mel
Amanhã espalham o fel
Ferroando
Ao deus-dará
Estes não sabem amar

(Do livro: Coisas de Mulher – Sônia Moura)

MEL e FEL

ALMA PERDIDA

ALMA PERDIDA

ALMA PERDIDA (Autoria: Sônia Moura)

Nervos em frangalhos
Boca tão seca
Bebendo orvalho
Da madrugada
A esperar por quem
Não vem, não vem…
Lua esturricada
Fingindo ser sol
A dor aumentando
Aflição, angústia…
Palavras perdidas
No meio do nada
Já é madrugada
Os pássaros dormem
A solidão acorda
A clava no peito
A lágrima no leito
O amor tão sem jeito
Imagem insalubre
A rondar meus sonhos
A embaçar meus olhos
Quase a me cegar
Face desfeita
Esperança estreita
Alma perdida
Preciso me encontrar

(Da obra: COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

ALMA PERDIDA

LUAS

LUAS

LUAS (Autoria: Sônia Moura)

Houve um tempo, na lua de colheita,
Em que nos amávamos até o amanhecer
Eu te acordava com beijos
Sentias o meu bem querer
Mas como a vida é jornada e não destino
Este teu coração menino
Está preso numa encruzilhada
E na sabes sonhar sonhos possíveis
Nem sonhas lindos sonhos impossíveis
Mas o mundo tem suas magias
E quem sabe um dia, numa lua cheia de maio
Tu apareças para mim
E me rapte para outro tempo
Então caminharemos com os Celtas
Com a certeza de que a magia ainda existe
E na lua cheia ou minguante
Vamos sonhar sonhos possíveis ou impossíveis
Fazer loucuras terríveis, visitar novos lugares
Desvendar insanos mistérios
Que sempre despertam desejos
Sorrirei para a tua presença
Arriscarei também delirar
Que serás meu para sempre
Que serás meu e tão-somente meu
E a mim tua hás de amar
Sonharei sim, porque sei que
Às vezes é preciso arriscar
E para tal é preciso fantasiar
Nos sonhos, convertendo casa em lar,
Transformando desamor em (re)amar
Neste enredo bem bordado
Tu me darás o que preciso
Me darás o que é preciso
E me darás o que é precioso
E este nosso amor gostoso
Vingará, dará filhotes
E pelo mundo se espalhará
Então vamos relaxar
Deixar o barco correr
Fazer o mundo girar
Vamos cirandar
O universo o resto fará
Ainda que em sonho
É hora de aproveitar!
(Do livro: COISAS DE MULHER de Sônia Moura)

LUAS

INFAUSTA ILHA

INFAUSTA ILHA

INFAUSTA ILHA (Autoria: Sônia Moura)

Você não fala, mas ouço a sua voz
As palavras saltam do meio da saudade
Elas são ecos desse louco coração
Que de seu amor é dependente
E vaga dias e noites entre o sono e a vigília
Agarrado ao salva-vidas da poesia,
Nas páginas dos Contos de Fadas
Ou se embrenha nas asas da fantasia

Por acaso ou por pura agonia,
O amor se mostra a mim
Como cruel e fria nostalgia
Transformando o meu pobre
E sombrio coração
Numa esquecida, perdida e
Infausta ilha

(Da obra: POEMAS EM TRÂNSITO de Sônia Moura)

INFAUSTA ILHA