CONVERSA INTERIOR

 

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-Uai, moço, aqui num tem nada não,

Só esse riozinho,

Esse pomar fresquinho,

Esses lindos passarinhos,

Esses jardins floridos,

Esse céu tão colorido,

Esse sossego de amigo

 

– Uai, moço, acho que este é que é

Aquele lugar tão “bão”,

Pra qualquer um viver

Basta apenas nós querer

E ele assim vai ser

E, então, no seu dizer

-O que é um lugar “bão”?

 

 

AS BRUXAS ESTÃO SOLTAS (por Sônia Moura)

bruxinhasHoje é dia das Bruxas, aquelas mulheres sábias, independentes e fortes. Muitas foram queimadas em fogueiras, outras sobreviveram à barbárie religiosa e machista. Por que tanto medo dessas mulheres “sobreviventes” aquelas que não morriam aos 20 ou, no máximo, aos 30 anos? Porque as mais velhas eram sempre as preferidas dos inquisidores e as mais novas eram acusadas de bruxaria se não aceitassem “a cantada” dos inescrupulosos machistas? Por que tanto receio de que o conhecimento alquímico dessas mulheres pudesse ameaçar os cânones religiosos? Por que torná-las horrendas, desfiguradas, desdentadas, com cabelos arrepiados,imagem cruelmente construída? Por que à palavra bruxa foram atribuídos significados pejorativos, cruéis? Por que, geralmente, as mais velhas, as muito pobres eram as preferidas à condenação por bruxaria? Se bem que, mulher rica que ficasse viúva ou órfã poderia ser acusada de bruxaria e, lógico, alguém ficaria com toda sua fortuna. Por quê?

A resposta é única: é o PODER das mulheres que assustou e assusta a mentes tacanhas, por esta razão, até os dias de hoje, muitos ainda insistem e nos colocar em lugares que não são nossos, por isso, alguns se sentem os donos do mundo e das mulheres também. Até hoje se mata a mulher, não em uma fogueira, mas a tiros, facadas, enforcamentos, apenas porque ela já não quer mais aquele homem ou porque ele acha que está sendo traído ou ainda que esta fosse a verdade, isto não lhe daria direito algum sobre a vida da mulher.

Entendam, homens e mulheres podem e devem ser companheiros, amigos, mas nunca, nunca mesmo, se sentir o dono do outro, não somos mercadoria, queremos sim, uma boa parceria.

Acordem, pois nós, as bruxas, sem cabelo arrepiado ou com ele assim também, com vestidos coloridos ou com um pretinho básico (aliás este detalhe permanece, qual a mulher que não tem um pretinho básico no armário?),  estamos soltas e unidas, assim,  com sabedoria e força lutando contra a ignorância e a favor da igualdade de gêneros, de todos eles.

À FLOR DA PELE

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Sobraram raízes

Daquela paixão

Em forma de voz,

Em forma de tom

Do som do seu riso,

Da falta de siso

Nasceram frutos

Com gosto de orvalho

E troncos tão fortes

Mas galhos tão frágeis

Que isolaram a razão,

Violaram a emoção

Criaram espaços sombrios

Invadiram meus poros

Trouxeram arrepio

Deixaram  minh´alma

À flor da pele

Tiraram  minha vida  do sério,

Misturando a verdade  e o mistério

 

Rasguei minha alma,

Entreguei-me a um pranto

Que formou mil rios

E em meu desvario

Vi estrelas cadentes

Como beijos ardentes

Sonhei acordada

Caminhei por uma estrada

Que pensei ser o tudo

Mas que me levou ao nada

Lutei, quis fugir,

E não consegui

Voltei aos seus braços

Chorei e sorri

Fui tola e sábia

Ouvi mil palavras

E um castelo montei

A você coroei

Como único Rei

E a mim proclamei

Sua abelha rainha

O amor recendia

A paixão renascia

E reinava a alegria

 

Mas,  ao certo não sei,

Se vivi ou sonhei

 

 

(Da obra: Coisas de Adão e Eva, de Sônia moura)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SIM & NÃO

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Travaram  meus sentimentos

Trancaram o meu coração

Tiraram o meu passe livre

Trocaram meu sim por não

 

Meus dias vivem em trevas

Machucaram a minha paixão

Mandaram meu sonho embora

Mudaram meu sim pra não

 

Escrevendo estas trovas

Acalmo a desilusão

Retirei travas da alma

Entendi o sim e o não

 

(Da obra: COISAS DE ADÃO E EVA, de Sônia Moura)

 

SEM AMANHÃ?

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Esmeralda disse à Sofia que tinha certeza de que tudo estava acabado, não havia mais esperança, uma pena, pensou ela, porque ainda havia muito amor.

A manhã se prenunciara entre nuvens, mas um sol tímido começava a despertar, e, enquanto as ondas mexiam as areias, a saudade remexia os pensamentos de Esmeralda.

Sentada na bela varanda, a dona da casa chamou a empregada e pediu:

– Margarida, por favor, sirva o café.

A visitante Sofia, encantada, exclamou:  – Que bela vista, Esmeralda, este lugar é lindo!

Terminado o café, as amigas saíram a passear. Os olhos de Esmeralda, verdes como a mata, nadavam num lago salgado, feito de lágrimas e dor, muita dor.

A seu lado, Sofia tentava consolá-la. Pobre amiga, para eles não haverá mais o rio tranquilo da paixão. Preciso ficar ao lado dela, olha só quanta tristeza!

Depois, apoiou-se no braço da amiga e lhe disse sorrindo:  – Amanhã será outro dia.

– Outro dia? Retrucou Esmeralda, daqui em diante minha vida será sem amanhã.

Esmeralda pensava nos versos que Rui fizera para ela: Sem você, sombras cobrirão o céu/Sem seu carinho, andarei ao léu/Sem seu amor…

Não conseguiu chegar ao fim do poema. Por que ele me deixou, por quê?

Vendo que a tristeza queria tomar posse da alma da amiga, Sofia lhe disse: – Saia da concha, querida, o que vale é viver.

No vale, os primeiros raios de sol despertavam a vida e, neste momento, a imagem morta da tristeza começava a se desintegrar.

Será que o sol finalmente a despertara? questionou a amiga.

(Da obra; GAVETAS SECRETAS de Sônia Moura)

 

DESESPERADAMENTE, FELIZES!

Li, em algum lugar, a seguinte afirmativa: “O mundo precisa desesperadamente de pessoas felizes”. Verdade  total! Absoluta!

O Rio de Janeiro escancarou esta verdade para o mundo. Felizes! Sim, felizes, demos uma grande banana para os pessimistas, para aqueles que insistem em dizer que nada de bom acontece no Brasil, isto é uma inverdade, mas serve muito bem aos que querem manipular o povo, e tentam colocar no chão a autoestima de nossa gente.

Não me faço de inocente ou não coloco venda nos olhos, sei que temos problemas e muitos, mas temos soluções, temos caminhos a seguir, para tal, desvencilhemo-nos dos labirintos que alguns insistem em nos aprisionar. Há saída, peguemos o fio de Ariadne e por ele nos guiemos. Não podemos deixar esses fantasmas nos amedrontarem, mas ao contrário, nos deixemos guiar  pelo que temos de bom (e não é pouco).

A festa Olímpica deixou vir à baila o nosso verdadeiro espírito cheio de alegria, orgulho, paixão. Os céticos e rancorosos já começaram a atacar dizendo: -Quero ver agora que a festa acabou. Escutem bem, a festa acabou sim, mas nosso amor não. Claro, toda festa chega ao fim, porém o mais importante é alegria e o gosto de festa que ficaram no céu da alma e no céu da boca, por “sementes” que foram ali plantadas.

Se vocês incrédulos me perguntarem se o meu copo está meio cheio ou meio vazio posso dizer: – Meio cheio, porque me serviram outra vez, grandes doses de orgulho e esperança, ou posso dizer que o meu copo está meio vazio, porque sorvo deliciosamente os felizes momentos vividos em minha Cidade Maravilhosa.

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CARTA AO AMIGO SOL

Senhor Sol, desculpe-me a ousadia, mas preciso perguntar: – Será que  o senhor está um “pouco” cansado ou preguiçoso ou está brincando de esconde-esconde com a lua ou ainda,quem sabe, está de namoro com alguma nuvem dançarina?

É domingo e o senhor parece que não quer trabalhar, entendo, mas senhor Sol, compreenda, domingo nossa gente gosta de ir à praia, de passear no calçadão, de tomar cerveja e, garanto-lhe que, sem a sua presença, a festa não é a mesma, portanto, envio-lhe esta mensagem na esperança de que o senhor atenda o meu pedido e apareça.

Cordialmente, Sônia – Rio de Janeiro.

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