{"id":94,"date":"2007-12-31T10:26:14","date_gmt":"2007-12-31T14:26:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=94"},"modified":"2007-12-31T17:44:48","modified_gmt":"2007-12-31T21:44:48","slug":"a-meia-noite-em-ponto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=94","title":{"rendered":"\u00c0 meia noite em ponto"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2007\/12\/meianoite.jpg\" title=\"Rel\u00f3gio\" alt=\"meianoite.jpg\" align=\"left\" height=\"115\" hspace=\"6\" width=\"131\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 muito j\u00e1 se sabia na vizinhan\u00e7a que Floriano arrastava as asinhas para Clotilde. Em Copacabana, tinha tamb\u00e9m uma tal de Rosana que deixava Floriano maluquinho, maluqinho&#8230;<br \/>\nAinda tinha  a Florisvalda, companheira de viagem, indo ou voltando do trabalho. Era no trem que  bra\u00e7os e  pernas se tocavam, aquela sensa\u00e7\u00e3o gostosa percorria o corpo de ambos. Nas primeiras semanas  nem um, nem outro se atreveu a falar o que de fato queriam, pois Florisvalda era casada com Macedo, amigo de Floriano, mas um dia, aconteceu, mataram seus desejos, e quase matam uma  grande amizade, por pouco o marido de Flor n\u00e3o descobriu.  Terminaram tudo. Tudo?<br \/>\nNum dia de sol escaldante, areia fervendo, sangue fervendo, desejos idem, Floriano estava de servi\u00e7o e, na sa\u00edda, resolveu tomar uma cervejinha no quiosque mais perto. Ele e Edson aproveitariam o dia, ambos tinham o \u00e1libi perfeito, diriam em casa que foram obrigados a dobrar,  n\u00e3o tiveram como dizer n\u00e3o, sabe como \u00e9&#8230;<br \/>\nForam para praia, no quiosque , um grupo de pagode esquentava mais ainda o dia, mulheres lindas borboleteavam por ali. Floriano cresceu os olhos pra cima de uma lourinha e j\u00e1 n\u00e3o sabia dizer que loura era a mais gostosa, se  a cerveja ou a menina com cara de anjo. Dava goles na cerveja e  com os olhos comia o corpo seminu da lourinha angelical.<br \/>\nO amigo aconselhou: &#8211; Rapaz, vai com calma, j\u00e1 tem mulher demais no seu caminho, calma!<br \/>\nN\u00e3o adiantou, Floriano n\u00e3o resistiu.<br \/>\nA lourinha fez caras e bocas, ele quis marcar um encontro logo para o dia seguinte, ela abriu um sorris\u00e3o sem tamanho, tascou-lhe um beijo, desses de tirar o f\u00f4lego de mergulhador com m\u00e1scara e tudo,  e exigiu: &#8211; S\u00f3 serei sua no dia 31 de dezembro, \u00e0 meia noite em ponto, voc\u00ea pode, n\u00e3o pode? Voc\u00ea me quer, n\u00e3o quer? Ele disse que sim para as duas perguntas. O dia 31 estava t\u00e3o perto. Resolveu esperar.<br \/>\nFloriano chegou em casa fazendo cara de triste, cabisbaixo. Elizabeth recebeu-o com carinho, e perguntou o porqu\u00ea de sua tristeza.<br \/>\n&#8211; Vou ter que trabalhar dia 31, l\u00e1 em Copa, chato, n\u00e3o?  Todo mundo festejando e eu l\u00e1 feito um dois de paus. Isto n\u00e3o \u00e9 justo, n\u00e3o \u00e9!  Falou.<br \/>\nMeigamente, Elizabeth foi para mais perto do companheiro, beijou-lhe o rosto, afagou \u2013lhe os cabelos, pedindo para que n\u00e3o ficasse triste, eram  ossos do of\u00edcio, ela compreendia. Elizabeth era muito compreensiva.  Disse tamb\u00e9m  que \u00e0 meia noite em ponto faria um brinde para ele. Floriano riu meio sem gra\u00e7a  com uma pontinha de culpa, co\u00e7ou a cabe\u00e7a,  e&#8230;  quase desistiu.<br \/>\nDia 31, \u00e0 meia noite em ponto, enquanto Floriano, ansioso, aguardava a sua loura angelical, uma Elizabeth endiabrada gemia nos bra\u00e7os de Tadeu.  E, \u00e0 meia noite em ponto, ergueu um brinde ao marido, sem culpa, sem remorso, sem d\u00f3.<br \/>\nGargalhou e beijou sofregamente o outro.<\/p>\n<p>(Do livro <strong>Minimamente Cr\u00f4nicas <\/strong>de<em> S\u00f4nia Moura)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito j\u00e1 se sabia na vizinhan\u00e7a que Floriano arrastava as asinhas para Clotilde. Em Copacabana, tinha tamb\u00e9m uma tal de Rosana que deixava Floriano maluquinho, maluqinho&#8230; Ainda tinha a Florisvalda, companheira de viagem, indo ou voltando do trabalho. 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