{"id":93,"date":"2007-12-25T17:07:38","date_gmt":"2007-12-25T21:07:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=93"},"modified":"2007-12-28T15:51:41","modified_gmt":"2007-12-28T19:51:41","slug":"o-natal-jamais-sera-o-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=93","title":{"rendered":"O NATAL JAMAIS SER\u00c1 O MESMO"},"content":{"rendered":"<p><img ALIGN=\"left\" HEIGHT=\"121\" WIDTH=\"102\" HSPACE=\"6\" TITLE=\"Natal\" SRC=\"http:\/\/tbn0.google.com\/images?q=tbn:FO7lsmfQrjQ5uM:http:\/\/anid.blog.simplesnet.pt\/archive\/natal.JPG\" \/> Pensava em minha inesquec\u00edvel amiga. Quanta saudade! Com ela aprendi tanto, e, infelizmente foi com sua partida que aprendi que a aus\u00eancia plantada pela morte \u00e9 cruel. Ah! Amiga, que falta voc\u00ea ainda me faz&#8230;<br \/>\nAcho que pensei alto.<br \/>\n&#8211; Ela deve ter sido algu\u00e9m muito importante, falou minha neta. Ela era professora, vov\u00f3?<br \/>\nAfaguei-lhe os cabelos anelados e sorri para a sua juventude<br \/>\n&#8211; Fala sobre ela, fala, insistiu.<br \/>\nSempre contei hist\u00f3rias para meus netos. A arte de contar hist\u00f3rias faz parte do enredo da humanidade; \u00e9 marca de continuidade, de aproxima\u00e7\u00e3o, mas, neste dia&#8230;<br \/>\nPeguei na gaveta um velho papel amarelado e entreguei \u00e0 Gabriela. Leia, a\u00ed est\u00e1 parte da hist\u00f3ria de uma grande amizade. Conte esta hist\u00f3ria para mim.<br \/>\nGabriela acomodou-se, cruzou as pernas e come\u00e7ou a ler. Eu j\u00e1 sabia este texto de cor, mesmo assim, cada palavra solta no ar me emocionava, fazia minhas l\u00e1grimas sa\u00edrem de seus esconderijos e virem olhar o dia.<br \/>\n\u201cMinha amiga se foi. Ant\u00f4nia ,que chegava sempre \u201cprocessa\u201d, se foi.<br \/>\nEu nunca consegui entender quando as pessoas diziam : &#8211; Depois da morte de minha m\u00e3e, o natal nunca mais foi o mesmo. Bobagem, pensava eu, a vida continua. \u00c9, de fato a vida continua, mas s\u00f3 agora pude entender o vazio deixado por algu\u00e9m t\u00e3o querido e como, em certos momentos e em certas datas, essa dor se agrava.<br \/>\nPor quantos natais ela esteve comigo, este dia (a v\u00e9spera de natal) era sagrado para n\u00f3s, t\u00ednhamos um pacto de sangue e ela largava a casa e s\u00f3 ap\u00f3s me ajudar a preparar a ceia de minha fam\u00edlia, depois de um dia de trabalho, voltava a casa para preparar a sua pr\u00f3pria ceia. Ah! Ant\u00f4nia voc\u00ea nem sabe a falta que faz, voc\u00ea com o seu g\u00eanio dif\u00edcil compensado por uma bondade infinita e uma intelig\u00eancia que poucos, por certo, ter\u00e3o percebido, foi amiga fiel e confidente por longos e longos anos.<br \/>\nQuantas li\u00e7\u00f5es de vida voc\u00ea me deu, quantas vezes chorei no seu ombro, que ali\u00e1s, na minha enorme car\u00eancia afetiva, se afigurava como o ombro da m\u00e3e que eu nunca tive. Meu Deus que amiga fabulosa!<br \/>\nFal\u00e1vamos sobre nossos problemas, \u00e0s vezes chor\u00e1vamos, mas com certeza, no final r\u00edamos muito de tudo e de todos. Quantos segredos meus foram levados por voc\u00ea e quantos dos seus ficar\u00e3o comigo? \u00c9 parceira, isto s\u00f3 n\u00f3s duas sabemos.<br \/>\nNo natal de 1998, voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o p\u00f4de vir-me ajudar, pois a doen\u00e7a maldita n\u00e3o permitiu, eu senti falta e sabia tamb\u00e9m que voc\u00ea n\u00e3o viria nunca mais, esta doen\u00e7a \u00e9 cruel e implac\u00e1vel, mas no fundo, embora a raz\u00e3o saiba disto, a emo\u00e7\u00e3o se recusa a aceitar a verdade e nos tornamos crian\u00e7as, e voltamos a acreditar em Papai Noel, ent\u00e3o fiz a ceia como se isto n\u00e3o estivesse acontecendo, mas agora, amiga, \u00e9 definitivo, voc\u00ea est\u00e1 em outro plano e certamente est\u00e1 muito bem colocada e sei que est\u00e1 rindo muito l\u00e1 de cima, Ant\u00f4nia, voc\u00ea sempre foi feliz, mesmo que a felicidade se recusasse a se aproximar, era puxada na marra para perto e n\u00e3o tinha como fugir &#8211; tornava-se uma d\u00f3cil prisioneira.<br \/>\nQuantos momentos bons ou ruins dividimos? Mas uma coisa me consola, sei que voc\u00ea, a seu modo, viveu intensamente, viveu o que p\u00f4de e at\u00e9 mesmo o que n\u00e3o podia, mas como era valente, encarava o que a vida mandava e seguia em frente. Por vezes pode ter sido condenada, por\u00e9m, n\u00e3o se amole, amiga, se foi o pr\u00f3prio Jesus quem disse: \u201cAquele que tiver sem pecado, atire a primeira pedra\u201d. &#8211; Quem somos n\u00f3s, reles pecadores, para julgarmos o pr\u00f3ximo, na verdade o que voc\u00ea sempre tentou foi ser feliz; e n\u00e3o estamos aqui para isto?<br \/>\nVai amiga, vai com Deus, vai alegrar o c\u00e9u, n\u00e3o se esque\u00e7a de mim, saiba apenas que sem voc\u00ea o natal jamais ser\u00e1 o mesmo.\u201d<br \/>\nEsta foi a mensagem que escrevi ap\u00f3s a morte de Ant\u00f4nia, no meio de uma dor imensa&#8230;<br \/>\nGabriela continuava a \u201cler\u201d. Como? Eu conhe\u00e7o este texto palavra por palavra, sei onde se aloja cada v\u00edrgula, e o texto estava terminado: fim! Gabriela continuava&#8230;<br \/>\nAnt\u00f4nia, reconstruo sua imagem com palavras. Quero uma m\u00fasica terna para sustentar a dor em meus ombros. Os acordes desta can\u00e7\u00e3o est\u00e3o em descompasso com a tristeza do meu cora\u00e7\u00e3o, melhor ouvir outra coisa, mais lenta, mais solene, o momento \u00e9 solene, minha dor \u00e9 solene, o que escrevo \u00e9 solene.<br \/>\nSabe, amiga, lembran\u00e7as que viviam em endere\u00e7os escondidos foram descobertas, sa\u00edram \u00e0s ruas e bailam \u00e0 minha frente, provocam-me. Rio disto, lembram-me de voc\u00ea e de suas hist\u00f3rias, fazem c\u00f3cegas em meus pensamentos, saem aos borbot\u00f5es. Provocam-me l\u00e1grimas e risos. Lembran\u00e7as envoltas em transpar\u00eancias azuis bailam na cal\u00e7ada,carregam guizos e fitas. E bailam, bailam&#8230; N\u00e3o querem conversar, s\u00f3 querem bailar&#8230; bailar&#8230; est\u00e3o soltas no ar&#8230;<br \/>\nO movimento das cortinas, lembra-se? &#8211; aquelas de que voc\u00ea tanto gostava &#8211; me trazem de volta&#8230; Solto a m\u00e3o da lembran\u00e7a. Um novo natal se aproxima, um novo natal que jamais ser\u00e1 o mesmo dos tempos de Ant\u00f4nia. Jamais!<br \/>\nGabriela falou com a do\u00e7ura dos jovens: &#8211; Lindo! Vov\u00f3, lindo! E me devolveu o papel que agora n\u00e3o me parecia t\u00e3o amarelado. Azul? Azul? Engra\u00e7ado, volto a olhar aquele peda\u00e7o de papel h\u00e1 tanto tempo guardado. Procuro ver o texto, continuava como antes.<br \/>\nChamei por Gabriela. Veio enxugando os longos cabelos anelados.<br \/>\n&#8211; Voc\u00ea esticou o meu texto, n\u00e3o foi? Est\u00e1-me saindo uma bela escritora.<br \/>\n&#8211; O qu\u00ea, vov\u00f3? Eu? N\u00e3o, s\u00f3 li o que est\u00e1 escrito a\u00ed. Vozinha, acho que voc\u00ea deu uma cochiladinha. &#8211; Deu-me um beijo e saiu.<\/p>\n<p>(Do\u00a0livro\u00a0\u00a0<strong>DOZE MULHERES CONTAM <\/strong>de S\u00f4nia Moura)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensava em minha inesquec\u00edvel amiga. Quanta saudade! Com ela aprendi tanto, e, infelizmente foi com sua partida que aprendi que a aus\u00eancia plantada pela morte \u00e9 cruel. Ah! Amiga, que falta voc\u00ea ainda me faz&#8230; Acho que pensei alto. &#8211; Ela deve ter sido algu\u00e9m muito importante, falou minha neta. Ela era professora, vov\u00f3? 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