{"id":891,"date":"2009-09-14T08:58:27","date_gmt":"2009-09-14T12:58:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=891"},"modified":"2009-09-18T18:57:56","modified_gmt":"2009-09-18T22:57:56","slug":"real-ficcionalizado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=891","title":{"rendered":"REAL FICCIONALIZADO"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/baileimperio.jpg\" title=\"real ficcionaizado\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/baileimperio.jpg\" alt=\"real ficcionaizado\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>REAL FICCIONALIZADO  (Autoria: S\u00d4NIA MOURA)<\/strong><\/p>\n<p>Na acep\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da palavra, os sentidos e formas de representa\u00e7\u00e3o ou de reapresenta\u00e7\u00e3o do real exibem-se de modo bem variado: como escola liter\u00e1ria, como concep\u00e7\u00e3o global de vida e literatura; como representa\u00e7\u00e3o horizontal e vertical do mundo; como representa\u00e7\u00e3o social, abarcando o verdadeiro e o veross\u00edmil; como realidade esteticamente transfigurada- o real recriado; como transcend\u00eancia de outras realidades &#8211; o real hist\u00f3rico, o real verbal; o real mental &#8211; consciente ou inconsciente; o real confessional e o real virtual.<\/p>\n<p>Deste modo, ao desdobrar inquieta\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es constantes sobre a circular viagem do real, atrav\u00e9s da narrativa romanesca, em que se destacam elementos contextualizadores do romance hist\u00f3rico, o narrador distribui, ao longo do texto: fic\u00e7\u00e3o e factua\u00e7\u00e3o, sequestrando o real e tornando-o ref\u00e9m dentro da sua escolha narrativa.<\/p>\n<p>E \u00e9 deste uso que o narrador faz do real que autor, leitor e narrativa se alimentam e d\u00e3o voz ao texto, fazendo desabrochar o prazer e a frui\u00e7\u00e3o do texto, seguindo a defesa de Barthes, que diz: <em>o prazer \u00e9 diz\u00edvel, a frui\u00e7\u00e3o n\u00e3o o \u00e9.\u201d.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Por sua natureza constitutiva, o romance denominado hist\u00f3rico \u00e9 uma narrativa ficcional, composta por um real representativo de uma verdade criativa, nascida do culturalmente vivenciado e outro real que retoma uma verdade hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Deste modo, a inclus\u00e3o do real ficcional, juntamente com o real informacional dissimulado, d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o ao real hist\u00f3rico vivificado, para que seja feita a constru\u00e7\u00e3o dos eventos textuais e dos m\u00faltiplos sentidos da realidade. Aliada a esta inclus\u00e3o, a sele\u00e7\u00e3o dos acontecimentos e a interfer\u00eancia do narrador nos registros da hist\u00f3ria s\u00e3o uma tentativa de ajudar o leitor a ancorar o real pluralizado, o qual circular\u00e1 entre a fic\u00e7\u00e3o e a factua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Compreendida como multiplicidade discursiva dimensionada, esta modalidade narrativa nos apresenta um real amplo e amb\u00edguo, em que as formas narrativas fazem uso dos v\u00e1rios sentidos e formas de representa\u00e7\u00e3o do real para com ele se conectarem e para verbalizarem o mundo, enquanto as constru\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas capturam o real, sem imobiliz\u00e1-lo, para que a acumula\u00e7\u00e3o de seu valor: duvidoso, incerto, prov\u00e1vel, mut\u00e1vel, transit\u00f3rio e m\u00f3vel &#8211; se confirme.<\/p>\n<p>No romance hist\u00f3rico, a ancoragem do real se d\u00e1, quando, no momento da leitura, a linguagem traz subjetividades que, para o leitor, tornam-se reais e  estas ganham ares de objetividade.<\/p>\n<p>E, \u00e9 este fato que promove o di\u00e1logo-leitura entre personagens, narrador, os fatos hist\u00f3ricos e as artimanhas ficcionais, atando as pontas de tempos e espa\u00e7os, tanto no patamar da narrativa, quanto no ambiente social do leitor, confirmando o que nos ensinam Berger e Luckmann: <em>\u201cMeus pr\u00f3prios significados subjetivos tornam-se objetiva e continuamente alcan\u00e7\u00e1veis por mim e \u201c ipso facto\u201d passam a ser \u201cmais reais\u201d para mim.\u201d<\/em> desta forma, como no decorrer de um di\u00e1logo, de uma conversa, tudo que \u00e9 descrito e (re)recriado torna-se real para quem fala, para quem ouve ou para quem l\u00ea.<\/p>\n<p><strong>  <\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">( <strong>S\u00f4nia Moura<\/strong>\u2013 UNIVESDIDADE FEDERAL FLUMINENSE\u00a0 &#8211; 2007 &#8211; [fragmento])<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REAL FICCIONALIZADO (Autoria: S\u00d4NIA MOURA) Na acep\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da palavra, os sentidos e formas de representa\u00e7\u00e3o ou de reapresenta\u00e7\u00e3o do real exibem-se de modo bem variado: como escola liter\u00e1ria, como concep\u00e7\u00e3o global de vida e literatura; como representa\u00e7\u00e3o horizontal e vertical do mundo; como representa\u00e7\u00e3o social, abarcando o verdadeiro e o veross\u00edmil; como realidade esteticamente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false},"categories":[6],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pmZuW-en","jetpack-related-posts":[{"id":1239,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1239","url_meta":{"origin":891,"position":0},"title":"CURVAS NA SEARA DE VENTO","date":"18 maio 2010","format":false,"excerpt":"\u00a0 CURVAS NA SEARA DE VENTO\u00a0 (Autoria: S\u00f4nia Moura) (UFF \u2013 Semin\u00e1rio \u2013 2008) Em Seara de Vento de Manuel da Fonseca, o verbo curvar-se e seus sin\u00f4nimos se apresentam como met\u00e1foras- s\u00edntese do romance, dando a estas palavras mobilidades significativas capazes de mostrar os m\u00faltiplos aspectos de uma realidade\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Ensaios&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":1631,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1631","url_meta":{"origin":891,"position":1},"title":"CONTANDO HIST\u00d3RIAS por meio de linguagens variadas","date":"18 agosto 2011","format":false,"excerpt":"\u00a0 CONTANDO HIST\u00d3RIAS por meio de linguagens variadas O homem sempre gostou de contar suas hist\u00f3rias e, \u00e9 atrav\u00e9s da oralidade, do desenho, da m\u00fasica, da dan\u00e7a ou da representa\u00e7\u00e3o teatral, entre outros modos de express\u00e3o, que a hist\u00f3ria da humanidade se perpetua. 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