{"id":78,"date":"2007-12-05T20:41:53","date_gmt":"2007-12-06T00:41:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=78"},"modified":"2007-12-05T20:41:53","modified_gmt":"2007-12-06T00:41:53","slug":"caminhao-de-mudanca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=78","title":{"rendered":"CAMINH\u00c3O DE MUDAN\u00c7A"},"content":{"rendered":"<p><img ALIGN=\"left\" HEIGHT=\"98\" WIDTH=\"130\" HSPACE=\"6\" TITLE=\"Caminh\u00e3o de Mudan\u00e7a\" SRC=\"http:\/\/tbn0.google.com\/images?q=tbn:-xKjVYmP46EzaM:http:\/\/farm1.static.flickr.com\/223\/498774877_199aece97a.jpg\" \/><\/p>\n<p>Antes da cat\u00e1strofe financeira, o marido havia pensado em se separar, queria ficar livre para curtir a vida, agora era muito rico, queria conhecer muitas mulheres, ser dono do seu nariz. Viver.<br \/>\nN\u00e3o tendo coragem para falar abertamente com a mulher sobre o seu desejo, escreveu uma carta, ainda assim faltou coragem para coloc\u00e1-la no correio. Depois mando esta carta, pensou.<br \/>\nO empobrecimento repentino trouxe uma surpresa, descobriu que amava sua mulher, e que mulher! Ficou a seu lado,  enquanto quase todos lhe viraram as costas, inclusive as \u201cnamoradinhas\u201d, ningu\u00e9m queria ficar ao lado de um derrotado. Ningu\u00e9m, n\u00e3o, ela e alguns familiares ficaram.<br \/>\nA vida da fam\u00edlia mudara bastante, eles tamb\u00e9m precisavam mudar-se para longe. Adeus praia, j\u00f3ias, carro do ano, roupas de grife, viagens. Adeus.<br \/>\nLogo cedo, o caminh\u00e3o de mudan\u00e7as chegou, rapazes fortes iam pegando m\u00f3veis, eletrodom\u00e9sticos, caixas, pacotes,  tudo. O desconsolo do casal era vis\u00edvel, as crian\u00e7as ainda n\u00e3o entendiam muito bem o que estava acontecendo, mas foram avisados de que tudo iria mudar muito.<br \/>\nO caminh\u00e3o seguia pela avenida principal e a fam\u00edlia seguia logo atr\u00e1s, no fusquinha que um primo dela emprestara. De repente, uma freada brusca. A porta do caminh\u00e3o &#8211; ba\u00fa se abriu, pacotes e caixas foram para o asfalto.  Tr\u00e2nsito parado, confus\u00e3o. O que houve? O que aconteceu?<br \/>\nO motorista, branco feito um fantasma, explicava que o motoqueiro surgira abruptamente, s\u00f3 tivera tempo de frear. O motoqueiro apalermado, levantou-se, por sorte n\u00e3o fora atingido.<br \/>\n&#8211; Meu Deus, protegei a minha fam\u00edlia, rezou baixinho a mulher, pensando que este poderia ser mais um problema. E se perdessem algo importante? Todos come\u00e7aram a juntar o que se espalhara pela rua. De repente, o menino mais novo gritou:  &#8211; Pai, a caixa  caiu no canal, vai afundar, paaaaii&#8230;..<br \/>\nFoi a m\u00e3e que correu para tentar salvar a caixa, mas n\u00e3o houve tempo. Enquanto a caixa ia afundando lentamente, eles ainda conseguiram ler a palavra que a identificava: ESCRIT\u00d3RIO.<br \/>\nComo um raio, veio \u00e0 mem\u00f3ria do homem &#8211;  a carta! Estava t\u00e3o escondida, at\u00e9 ele se esquecera dela. Agradeceu a Deus, a mulher come\u00e7ou a chorar, ele sorria e chorava.<br \/>\nO homem foi tomado por uma enorme onda de alegria, abra\u00e7ou bem forte a mulher como se quisesse recuperar o tempo perdido, como se no abra\u00e7o ela pudesse ouvir tanta coisa que precisava lhe dizer. Conseguiu, entre l\u00e1grimas e risos dizer: EU TE AMO, depois, disse sorrindo: n\u00e3o tem import\u00e2ncia, meu amor, nada do que est\u00e1 ali  faz mais sentido.<br \/>\nEla achou que ele tivesse fazendo refer\u00eancia ao que acontecera com a firma.<\/p>\n<p>MOURA, S\u00f4nia Maria S.<strong> Minimamente Cr\u00f4nicas.<\/strong> Rio de Janeiro: Madressilva Produ\u00e7\u00f5es Culturais, 2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes da cat\u00e1strofe financeira, o marido havia pensado em se separar, queria ficar livre para curtir a vida, agora era muito rico, queria conhecer muitas mulheres, ser dono do seu nariz. Viver. 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