{"id":725,"date":"2009-05-04T20:51:39","date_gmt":"2009-05-05T00:51:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=725"},"modified":"2009-05-04T21:01:35","modified_gmt":"2009-05-05T01:01:35","slug":"por-amor-a-arte","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=725","title":{"rendered":"POR AMOR \u00c0 ARTE"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><strong>POR AMOR \u00c0 ARTE \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong><strong>( Autoria: S\u00d4NIA MOURA)<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0 Movendo-se pelo palco, o ator precisa  conquistar  a sua plat\u00e9ia, sua miss\u00e3o \u00e9 fazer o seu p\u00fablico compreender, sentir e participar da arte, uma vez que s\u00f3 a compreendemos, de fato, quando dela participamos, quando a sentimos, quando nos emocionamos, quando acreditamos, por exemplo, estar no palco \u201calgu\u00e9m\u201d (o personagem) real, vivendo um tempo real, num espa\u00e7o real, quando deixamos o cotidiano em suspenso para vivermos a experi\u00eancia est\u00e9tica, para, atrav\u00e9s de seus elementos e recursos, substituir  a seq\u00fc\u00eancia temporal &#8211; espacial e, pelos fluxos da consci\u00eancia, reinventarmos o que j\u00e1 foi inventado, fazendo acontecer por formas e conte\u00fados aquilo que desejamos\u2013 a transfer\u00eancia pelo ritual m\u00e1gico da representa\u00e7\u00e3o- . Para isto, \u00e9 preciso representar o real transfigurado de irreal ou criar um novo real, por meio de linguagens.<br \/>\nMovendo-se pelo palco, o professor sabe que ningu\u00e9m educa ningu\u00e9m, cada um se educa, por isso o mais  importante \u00e9 levar o outro a pensar, a sentir e agir,  a ser capaz de perceber o mundo que o cerca. \u00c9 necess\u00e1rio conquistar a sua plat\u00e9ia, uma plat\u00e9ia que \u00e9, ao mesmo tempo, espectador e ator, \u00e9 preciso faz\u00ea-la participar, trocar experi\u00eancias, desenvolver capacidades, ser capaz de analisar, de criticar, de argumentar, de refletir e de defender seus pontos de vista. Para isto, \u00e9 preciso representar o real transfigurado de (ir)real ou criar um novo real por meio de linguagens.<br \/>\nO teatro pode recorrer a outros recursos para enriquecer o espet\u00e1culo: o jogo de luzes e cores, a m\u00fasica e o cen\u00e1rio e o  ator pode, al\u00e9m da fala, usar outros recursos: o gestual, a entona\u00e7\u00e3o da voz, a m\u00edmica, a maquilagem, o figurino, o corpo, para representar o seu personagem. Conhecer bem o seu personagem \u00e9 imprescind\u00edvel para que o ator,  ao apresent\u00e1-lo em cena, conven\u00e7a a plat\u00e9ia de que a metamorfose &#8211; em deus, her\u00f3i, rei, bandido, vil\u00e3o, mocinho ou simplesmente um representante do povo \u2013 \u00e9 real. Dever\u00e1 o ator tamb\u00e9m ser capaz de  mover-se  e  incorporar-se  a tempos anacr\u00f4nicos ou sincr\u00f4nicos, ser capaz de se transmutar,  definir ou indefinir imagens, de humanizar ou desumanizar her\u00f3is, anti-her\u00f3is, homens comuns ou deuses, para tal \u00e9 preciso usar a imagina\u00e7\u00e3o, treinar com afinco, selecionar, se aperfei\u00e7oar.<br \/>\nPor sua experi\u00eancia particular, o ator dever\u00e1  desenhar um tra\u00e7o de uni\u00e3o entre o ilus\u00f3rio e o verdadeiro, entre o que \u00e9 meramente percebido e o que efetivamente existe e desenhar outro tra\u00e7o de uni\u00e3o entre ele, o cen\u00e1rio e sua plat\u00e9ia. Estes tra\u00e7os dever\u00e3o ser direcionados por seu olhar, por seus dons sensoriais e intelectuais e por meio de cinestesias.<br \/>\nFaz-se necess\u00e1ria a presen\u00e7a de um outro (o personagem), \u00e9 preciso desvendar-lhe a alma e doar- lhe  o corpo, faz\u00ea-lo incorporar-se  ao seu papel (ou ser\u00e1 o papel que se incorpora a este corpo?), \u00e9 preciso usar a voz como instrumento de interpreta\u00e7\u00e3o e convencimento, \u00e9 preciso usar o sil\u00eancio para convencer, para vencer e para conquistar.<br \/>\nAtor por voca\u00e7\u00e3o ou por imposi\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o, o professor, no centro do palco, circula por um cen\u00e1rio quase sempre imut\u00e1vel, n\u00e3o usa figurino, m\u00e1scara, maquilagem ou ilumina\u00e7\u00e3o especial, restam-lhe a voz, os gestos e o corpo para representar o papel em que ele \u00e9 ao mesmo tempo ator,  que representa a si mesmo convertido em personagem, e espectador, quando o foco de uma luz imagin\u00e1ria se volta para o seu aluno ou para a sua classe.<br \/>\n\u00c9 preciso cativar a plat\u00e9ia, conhecer o seu p\u00fablico que \u00e9 espectador e tamb\u00e9m ator e personagem, \u00e9 p\u00fablico \u201ccativo\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio despertar-lhe o interesse. A pe\u00e7a (sua disciplina) deve ser interativa, o texto (a aula do dia) deve ser rico e cativante (ao menos na parte criada por ele para a sua exposi\u00e7\u00e3o). O professor \u2013 ator principal &#8211; quase sempre,  n\u00e3o ser\u00e1 avaliado de maneira formal, no entanto sua plat\u00e9ia \u00e9 exigente e ir\u00e1 julg\u00e1-lo, mas, formalmente quem ser\u00e1 avaliado \u00e9 a sua assist\u00eancia (alunos). Neste espa\u00e7o e tempos reais ser\u00e1 preciso manter certa disciplina no palco e na plat\u00e9ia. Quem ser\u00e1 o personagem principal neste palco? O professor, o aluno ou ambos? Nenhum deles, pois nesta pe\u00e7a, os pap\u00e9is normalmente se invertem.<br \/>\nNo palco do teatro ou da sala de aula, o ator, o professor e o aluno  est\u00e3o sujeitos a regras disciplinares e a normas de conduta, estas s\u00e3o necess\u00e1rias, desde que flex\u00edveis, desde que n\u00e3o sejam usadas para manipular a equipe, pois atores n\u00e3o s\u00e3o marionetes e  alunos tamb\u00e9m n\u00e3o. A arte de representar n\u00e3o \u00e9 mera c\u00f3pia ou mera repeti\u00e7\u00e3o, a aula tamb\u00e9m n\u00e3o.<br \/>\nAssim, sem uma dire\u00e7\u00e3o inteligente (do diretor teatral ou do professor), n\u00e3o haver\u00e1 colabora\u00e7\u00e3o ou troca, haver\u00e1 uma empobrecedora repeti\u00e7\u00e3o e o resultado ser\u00e1, certamente, desastroso, o produto final ser\u00e1 o de uma aula ou de uma representa\u00e7\u00e3o de cacos, que dificilmente poder\u00e3o ser reunidos, para que tal n\u00e3o aconte\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio organizar o elenco e o espet\u00e1culo e \u00e9 imprescind\u00edvel organizar-se, n\u00e3o se pode dispensar, por exemplo, um bom planejamento para o espet\u00e1culo e para a aula.<br \/>\nCabe ao diretor (de teatro) ser um professor da arte de representar e ser a b\u00fassola que conduz o seu elenco e o seu espet\u00e1culo,  cabe ao diretor da escola (professor) orientar a sua equipe para que trabalhe com a finalidade de incentivar os alunos a buscar suas pr\u00f3prias respostas aos problemas que se apresentem em seu cotidiano, pois o espet\u00e1culo deve comunicar algo \u00e0 plat\u00e9ia, a aula tamb\u00e9m, pois, s\u00f3 h\u00e1 verdadeiramente aprendizagem, quando, surgida a oportunidade, o educando \u00e9 capaz de aplicar o que aprendeu.<br \/>\nEstes conceitos nos mostram a dimens\u00e3o do di\u00e1logo estabelecido entre estas artes envolventes, densas e que constroem atrav\u00e9s da muitas formas de linguagem, o caminho para o encontro de sucessivos momentos de estruturas imag\u00edsticas e simb\u00f3licas, nas quais m\u00faltiplas vozes, num divino regresso nos convocam a ouvir-lhes o clamor, tudo &#8230; POR AMOR \u00c0  ARTE.<\/p>\n<p>(Trabalho apresentado em Semin\u00e1rio &#8211; UFF -2005)<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p><a title=\"professor\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/profamor.jpg\"><img alt=\"professor\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/profamor.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p><strong>  <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR AMOR \u00c0 ARTE \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0( Autoria: S\u00d4NIA MOURA) \u00a0 Movendo-se pelo palco, o ator precisa conquistar a sua plat\u00e9ia, sua miss\u00e3o \u00e9 fazer o seu p\u00fablico compreender, sentir e participar da arte, uma vez que s\u00f3 a compreendemos, de fato, quando dela participamos, quando a sentimos, quando nos emocionamos, quando acreditamos, por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false},"categories":[6],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pmZuW-bH","jetpack-related-posts":[{"id":1370,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1370","url_meta":{"origin":725,"position":0},"title":"AMOR NA MADRUGADA","date":"3 outubro 2010","format":false,"excerpt":"\u00a0 AMOR NA MADRUGADA\u00a0 (Autoria: S\u00f4nia Moura) \u00a0 A madrugada vai alta e clara. 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