{"id":693,"date":"2009-04-21T12:10:06","date_gmt":"2009-04-21T16:10:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=693"},"modified":"2009-04-21T12:26:43","modified_gmt":"2009-04-21T16:26:43","slug":"confissoes-de-polly","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=693","title":{"rendered":"CONFISS\u00d5ES DE POLLY"},"content":{"rendered":"<p>Confiss\u00f5es de Polly  (Autoria: <strong>S\u00f4nia Moura<\/strong>)<\/p>\n<p>Sabe, doutor, eu n\u00e3o aguentava mais, n\u00e3o, n\u00e3o dava. Quer saber, n\u00e3o me arrependo mesmo. Eu vou contar tudo pro  senhor:<br \/>\nFiz o que fiz em leg\u00edtima defesa, \u00e9 verdade, sabe por qu\u00ea?, ela me provocava, todo dia, todo dia! Logo de manh\u00e3 cedo, ela j\u00e1 come\u00e7ava, \u00e9, \u00e9 verdade, Lea fazia isto de maldade. Sabe doutor, aquelas pessoas m\u00e1s, que gostam de provocar, provocar, ah! tem hora que n\u00e3o d\u00e1 mais.<br \/>\n&#8211; Mas, dona Polly, o que pode haver de t\u00e3o grave para que a senhora chegasse ao ponto que chegou e fizesse o que a senhora fez? A provoca\u00e7\u00e3o era t\u00e3o grave assim?<br \/>\nClaro que era grave, doutor, pensa bem, de manh\u00e3, todas as manh\u00e3s, ficar vendo aquela cara de lambisgoia dizer: -Bom dia Polly, tudo bem, tudo bem? Como tudo bem? Como? Que pergunta mais descabida, ela sabia de todas as minhas infelicidades, ent\u00e3o, ela s\u00f3 queria desafiar os meus nervos, aquela debochada.<br \/>\nE, depois desse: \u201ctudo bem?\u201d, a vaca abria aquele sorris\u00e3o enorme e sa\u00eda desfilando mostrando aquele corpo escultural e, o pior de tudo, passava de bra\u00e7os dados com o marido, aquele tip\u00e3o de homem. Ah! doutor, n\u00e3o dava mesmo para aguentar.<br \/>\nNa quinta-feira, dia em que se deu a desdita, ela passou na minha porta, veja bem doutor, na minha porta com aquele vestido azul florido, s\u00f3 pra me provocar, ela sempre soube que eu gosto de tecidos floridos, era s\u00f3 por isso que ela botava aquele vestido para ir \u00e0 feira e justamente na hora que eu sa\u00eda de casa. Era ou n\u00e3o era uma provoca\u00e7\u00e3o?<br \/>\nVou falar pro senhor, ela vivia me tentando, durante muito tempo eu fingi que n\u00e3o entendia, mas o senhor sabe n\u00e3o d\u00e1 pra bancar a burra o tempo todo, o senhor n\u00e3o acha?<br \/>\nPois \u00e9, engoli todos os sapos que aguentei engolir, distribu\u00ed muito sorriso, enquanto as l\u00e1grimas ficavam se pendurando em meus olhos, mas eu suportava todas aquelas humilha\u00e7\u00f5es. Vou falar uma coisa pro senhor, doutor, a Lea humilhava a gente.<br \/>\nSabe o que ela fazia, doutor, hein? Sabe? Ela pisava na minha solid\u00e3o e depois esfregava ela na minha cara, \u00e9, \u00e9 isso mesmo que o senhor est\u00e1 pensando, pois \u00e9, vinha no meu port\u00e3o pra dizer: &#8211; Sabe, Polly, o Marcelo \u00e9 um amor, olha o anel que ele me deu, sabe, domingo fomos passear de m\u00e3os dadas l\u00e1 em Copacabana.<br \/>\nE eu me mordendo por dentro, fingia que tudo isto era muito normal, dizia para ela que um dia eu tamb\u00e9m j\u00e1 tivera um homem que fazia tudo isto s\u00f3 para mim.<br \/>\nClaro que eu mentia, doutor, claro, n\u00e3o queria dar \u00e0quela&#8230;, \u00e0quela&#8230;, \u00e0quela &#8220;sortuda&#8221; este gostinho, ah! n\u00e3o, eu? passar diploma de mulher abandonada, de jeito nenhum.<br \/>\nNoutro dia mesmo, ela veio me dizer com aquele sorriso impec\u00e1vel: &#8211; Polly, voc\u00ea n\u00e3o acha que estou gorda? Pode isso, doutor, dizer que estava gorda com aquele corp\u00e3o? Vamos l\u00e1, o senhor fala pra mim, era ou n\u00e3o era para tripudiar com as minhas desgra\u00e7as: gorda, feia e solit\u00e1ria? Hein? Fala, doutor, fala!<br \/>\nAh! quer saber, n\u00e3o tinha outro jeito s\u00f3 mesmo trucidando aquela atrevida, s\u00f3 assim ela nunca mais vai esfregar suas alegrias e sua felicidade na cara dos outros. N\u00e3o \u00e9 mesmo?<br \/>\nAgora pode me prender que eu vou me sentir mais livre que rolinha das \u00e1rvores da cidade grande.<br \/>\nA s\u00fabita presen\u00e7a de outra mulher da mesma rua e do mesmo bairro, acusada de um crime brutal como o de Polly, adentrando a delegacia, fez com que Polly soltasse uma forte gargalhada e, tranquilamente, mostrasse os bra\u00e7os algemados,gritando a plenos pulm\u00f5es: Agora estou livre, livre!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/algemas.jpg\" title=\"algemada\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/algemas.jpg\" alt=\"algemada\" \/><\/a><\/p>\n<p>(Do livro: <strong>S\u00fabitas Presen\u00e7as<\/strong>, de  S\u00f4nia Moura)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confiss\u00f5es de Polly (Autoria: S\u00f4nia Moura) Sabe, doutor, eu n\u00e3o aguentava mais, n\u00e3o, n\u00e3o dava. Quer saber, n\u00e3o me arrependo mesmo. 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