{"id":691,"date":"2009-04-16T11:59:13","date_gmt":"2009-04-16T15:59:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=691"},"modified":"2009-04-16T12:03:33","modified_gmt":"2009-04-16T16:03:33","slug":"o-leitor-no-circulo-das-narrativas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=691","title":{"rendered":"O LEITOR NO C\u00cdRCULO DAS NARRATIVAS"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/leitor.jpg\" title=\"LEITOR\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/leitor.jpg\" alt=\"LEITOR\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0<strong>O Leitor no C\u00edrculo das Narrativas<\/strong>  (Autoria: <strong>S\u00f4nia Moura<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Muitas vezes, ao lermos uma not\u00edcia ou uma reportagem, em que verdades nos s\u00e3o apresentadas por meio da narrativa denominada factual, duvidamos do que lemos. Por que duvidamos do que \u00e9 narrado como verdade absoluta, inquestion\u00e1vel, aqui entendida como real e por que a verdade do conto, do romance ou da novela, ligados \u00e0 narrativa ficcional, em geral n\u00e3o nos causa estranheza?<\/p>\n<p>Por exemplo, algu\u00e9m p\u00f5e em d\u00favida a hist\u00f3ria de amor entre Trist\u00e3o e Isolda, ainda que existam in\u00fameras vers\u00f5es desta lenda celta?<\/p>\n<p>Podemos responder a esta quest\u00e3o, seguindo pela trilha de Humberto Eco que em sua obra intitulada Sobre a Literatura, afirma: \u201c&#8230; o universo do livro nos surge como um mundo aberto\u201d ou podemos seguir pela trilha de Barthes que, em seu texto denominado Aula, diz :\u201ca literatura \u00e9 categoricamente realista\u201d<\/p>\n<p>Ao escrever sobre um fato, o literato ou o jornalista tiram-no do isolamento, da n\u00e3o significa\u00e7\u00e3o, para coloc\u00e1-lo em um contexto maior, no escopo da realidade social, no qual as impress\u00f5es do imagin\u00e1rio fundem-se com a objetividade e a racionalidade do leitor, pois este, por estar solto e ao mesmo tempo preso dentro de um universo cultural, sendo constantemente alimentado por s\u00edmbolos, precisa preencher lacunas, que este mesmo universo cultural cava para o homem.<\/p>\n<p>E \u00e9 esta tentativa de prender o real e o tempo e de afastarmos para bem longe as limita\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o e do tempo, atando-os com muitos n\u00f3s \u00e0 nossa hist\u00f3ria, que, por vezes, causam estranheza ao leitor que estiver preso dentro do c\u00edrculo das narrativas, especialmente das narrativas chamadas factuais.<\/p>\n<p>A narrativa jornal\u00edstica, como produto cultural, narra fatos historicamente localizados, construindo e ressignificando a realidade social, ao falar sobre dramas e trag\u00e9dias da vida com todos os recheios que habitam o imagin\u00e1rio e a mem\u00f3ria cultural coletiva: medos, frustra\u00e7\u00f5es, desejos, sonhos, sentimentos, utopias, alegrias, batalhas, quase sempre ligados ao cotidiano, ao tempo presente, a um tempo aprisionado por um dia ou por mais alguns, dependendo do interesse que a not\u00edcia despertar, transformando-se assim no carro-chefe,  que ir\u00e1 vender o jornal ou a revista.<br \/>\nPor outro lado, at\u00e9 um certo ponto da estrada narrativa, a escritura liter\u00e1ria segue pelo mesmo caminho, busca a mesma trilha, por\u00e9m por mostrar-se desvencilhada da quest\u00e3o temporal, toma o tempo em suas m\u00e3os, empresta-lhe novas cores, dando ao que narra sobre \u201cqualquer tempo\u201d o sabor de algo irresist\u00edvel.Ent\u00e3o, esta mudan\u00e7a de cores transforma o ontem no hoje, o hoje, no ontem ou no amanh\u00e3 pela mem\u00f3ria, pela lembran\u00e7a ou  pela hist\u00f3ria contada.<\/p>\n<p>Assim sendo, sem livrarmos qualquer texto de seu car\u00e1ter ideol\u00f3gico, diremos que ao leitor cabe a primazia do questionamento, da aceita\u00e7\u00e3o, da doxa e o da paradoxa sobre aquilo que l\u00ea, enquanto ao escritor cabe o papel de convencer, de atrair, de tornar desejo o que se l\u00ea, pela condu\u00e7\u00e3o do prazer, do entretenimento, do contato com a realidade, com a fantasia ou como fomentador de pensares cr\u00edtico- reflexivos.<\/p>\n<p><a title=\"LEITURA\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/ler.jpg\"><img alt=\"LEITURA\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/ler.jpg\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; \u00a0O Leitor no C\u00edrculo das Narrativas (Autoria: S\u00f4nia Moura &nbsp; Muitas vezes, ao lermos uma not\u00edcia ou uma reportagem, em que verdades nos s\u00e3o apresentadas por meio da narrativa denominada factual, duvidamos do que lemos. 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