{"id":652,"date":"2009-03-02T16:08:19","date_gmt":"2009-03-02T20:08:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=652"},"modified":"2011-05-12T18:45:15","modified_gmt":"2011-05-12T22:45:15","slug":"as-bruxas-sao-mas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=652","title":{"rendered":"AS BRUXAS S\u00c3O M\u00c1S?"},"content":{"rendered":"<p>Ao nos lembrarmos do que sempre ouvimos e vimos em filmes ou lemos em hist\u00f3rias infantis, \u00a0ao lermos as breves informa\u00e7\u00f5es sobre &#8220;as bruxas&#8221;, fica a pergunta:<\/p>\n<p><strong>AS BRUXAS S\u00c3O M\u00c1S? \u00a0 (Autoria: S\u00d4NIA MOURA)<\/strong><\/p>\n<p>O voc\u00e1bulo &#8220;Bruxa&#8221; \u00e9 de origem desconhecida, provavelmente de origem pr\u00e9-Romana. No entanto existe uma prov\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o com os voc\u00e1bulos proto-celtas: *brixt\u0101 (feiti\u00e7o), *brixto- (f\u00f3rmula m\u00e1gica), *brixtu- (magia); ou o Gaul\u00eas: brixtom, brixtia do qual deriva o nome da deusa Gaulesa Bricta ou Brixta.<br \/>\nNa origem, as bruxas eram mulheres s\u00e1bias,  detentoras de conhecimentos sobre a natureza e, possivelmente, magia, al\u00e9m de serem mulheres muito independentes.<\/p>\n<p>Com o tempo, por influ\u00eancias diversas, as bruxas passaram a ser retratadas, pelo imagin\u00e1rio popular, como mulheres velhas e encarquilhadas, elas tamb\u00e9m passaram a ser consideradas ex\u00edmias e contumazes manipuladoras de Magia Negra.<\/p>\n<p>A estes estere\u00f3tipos, foram acrescentados, pelas crendices populares, habilmente manipuladas, outros estere\u00f3tipos ligados ao perfil f\u00edsico: cabelos desgrenhados, narizes disformes com uma enorme verruga, andar curvado, dentes desencontrados ou podres, roupas pretas, esfarrapadas e com uma gargalhada terr\u00edvel.<\/p>\n<p>At\u00e9 ao s\u00e9culo XIII,\u00a0 a Igreja n\u00e3o condenava severamente as crendices populares, entre elas a id\u00e9ia dos poderes das nulheres, especialmente as consideradas &#8220;bruxas&#8221;. Mas, nos s\u00e9culo XIV e XV, o conceito de pr\u00e1ticas m\u00e1gicas, heresias e bruxarias se confundiam no julgo popular,  gra\u00e7as \u00e0 ignor\u00e2ncia e as manipula\u00e7\u00f5es religiosas.<br \/>\nFoi exatamente a partir da primeira Inquisi\u00e7\u00e3o que a iconografia crist\u00e3 passou a representar o &#8220;Arcanjo Deca\u00eddo&#8221;, n\u00e3o mais como um arcanjo, mas com a apar\u00eancia de deuses pag\u00e3os, como P\u00e3 e Cernunnos. Tal fato levou, s\u00e9culos ap\u00f3s, \u00e0 suposi\u00e7\u00e3o de que bruxas eram adoradoras do dem\u00f4nio, portanto deveriam ser condenadas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, \u00a0em 1326, o Papa Jo\u00e3o XXII autorizou a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s bruxas sob o disfarce de heresia.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 que, na Aquit\u00e2nia (1453) quando uma epidemia provocou muitas mortes, estas foram imputadas a mulheres da regi\u00e3o, de prefer\u00eancia, as muito magras e feias.<\/p>\n<p>Em 1484, o Papa Inoc\u00eancio VIII promulgou a bula <em>Summis desiderantes affectibus<\/em>, &#8220;confirmando&#8221;, por meio deste texto, a exist\u00eancia da bruxaria.<\/p>\n<p>Em 1486 com a publica\u00e7\u00e3o do <em>Malleus maleficarum<\/em> (&#8220;<em>Martelo das Bruxas<\/em>&#8220;), intensificou-se a ca\u00e7a \u00e0s bruxas, pois, mais do que as obras anteriores, esta obra associava a heresia e a magia \u00e0 feiti\u00e7aria.<\/p>\n<p>A Ca\u00e7a \u00e0s Bruxas foi uma persegui\u00e7\u00e3o social e religiosa que come\u00e7ou no final da Idade M\u00e9dia e atinge seu apogeu na Idade Moderna.<\/p>\n<p>No passado os historiadores consideraram a Ca\u00e7a \u00e0s Bruxas europ\u00e9ia como um ataque de histeria supersticiosa que teria sido forjada e espelhada pela Igreja Cat\u00f3lica. Seguindo essa l\u00f3gica, era &#8220;natural&#8221; supor que a persegui\u00e7\u00e3o teria sido pior quando o poder da igreja era maior, ou seja: antes da Reforma Protestante dividir a cristandade ocidental em segmentos conflitantes. Nessa vis\u00e3o, embora houvesse ocorrido tamb\u00e9m julgamentos no come\u00e7o do per\u00edodo moderno, eles teriam sido poucos se comparados aos supostos horrores medievais. Pesquisas recentes derrubaram essa teoria de forma bastante clara e, ironicamente, descobriu-se que o momento mais forte da histeria contra as bruxas ocorreu entre 1550 e 1650, juntamente com o nascimento da celebrada &#8220;Idade da Raz\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A &#8220;Ca\u00e7a \u00e0s Bruxas&#8221; na Europa come\u00e7ou no fim da Idade M\u00e9dia e foi um fen\u00f4meno religioso e social da Idade Moderna.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o assumiu tamanha dimens\u00e3o, tamb\u00e9m, devido a maus per\u00eddos para a pr\u00e1tica\u00a0 agr\u00edcola e \u00e0s muitas\u00a0 epidemias, que assolaram as popula\u00e7\u00f5es, resultando elevada taxa de mortalidade, alimentando\u00a0 as superti\u00e7\u00f5es e aumentando o medo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, todos os males foram atribu\u00eddas \u00e0s bruxas e a maior parte das v\u00edtimas deste massacre foram julgadas e executadas entre 1550 e 1650.<\/p>\n<p>O n\u00famero total de v\u00edtimas ficou provavelmente por volta dos 50 mil, sendo 75% mulheres e\u00a0 cerca de 25%, homens.<\/p>\n<p>Entre os epis\u00f3dios mal\u00e9ficos atribu\u00eddos \u00e0 bruxaria, por exemplo, casos de pessoas \u201cendemoniadas&#8221;, na verdade, segundo estudos recentes, na verdade todos teriam sido de intoxica\u00e7\u00e3o, provocada por um fungo.<\/p>\n<p>O agente causador \u00a0era um fungo denominado <em>Claviceps Purpurea<\/em>, um contaminante comum do centeio e outros cereais. Este fungo biossintetiza uma classe de metab\u00f3litos secund\u00e1rios conhecidos como alcal\u00f3ides do Ergot e, dependendo de suas estruturas qu\u00edmicas, afetavam profundamente o sistema nervoso central.<\/p>\n<p>Ao comerem p\u00e3o de centeio (o p\u00e3o das classes mais pobres), contaminado com o fungo,os camponeses \u00a0 eram envenenados e desenvolviam a doen\u00e7a, atualmente denominada de ergotismo.<\/p>\n<p>Em alguns casos, tamb\u00e9m verificou-se alega\u00e7\u00f5es falsas de pr\u00e1tica de &#8220;bruxaria&#8221; e de estar &#8220;possu\u00eddo pelo dem\u00f4nio&#8221;, com o fim de se apropriar ilicitamente de bens alheios. Outra forma era a recusa de mulher em rela\u00e7\u00e3o ao desejo masculino, tamb\u00e9m poderia ser uma forma de vingan\u00e7a.<\/p>\n<p>Neste breve relato, vemos que qualquer &#8220;real&#8221; pode ser criado, todos podemos ser manipulados, se permitirmos que a\u00a0 ignor\u00e2ncia tome o lugar do pensar \u00a0sobre o que nos dizem ou nos mostram.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/bruxa-02.jpg\" title=\"bRUXA\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/bruxa-02.jpg\" alt=\"bRUXA\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao nos lembrarmos do que sempre ouvimos e vimos em filmes ou lemos em hist\u00f3rias infantis, \u00a0ao lermos as breves informa\u00e7\u00f5es sobre &#8220;as bruxas&#8221;, fica a pergunta: AS BRUXAS S\u00c3O M\u00c1S? \u00a0 (Autoria: S\u00d4NIA MOURA) O voc\u00e1bulo &#8220;Bruxa&#8221; \u00e9 de origem desconhecida, provavelmente de origem pr\u00e9-Romana. 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