{"id":63,"date":"2007-11-18T18:46:00","date_gmt":"2007-11-18T22:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=63"},"modified":"2007-11-18T19:09:58","modified_gmt":"2007-11-18T23:09:58","slug":"63","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=63","title":{"rendered":"O Quadro da saudade"},"content":{"rendered":"<p ALIGN=\"justify\"><img ALIGN=\"left\" HEIGHT=\"101\" WIDTH=\"124\" HSPACE=\"6\" TITLE=\"Casa no Campo\" SRC=\"http:\/\/tbn0.google.com\/images?q=tbn:1USv4LeQyYoFvM:http:\/\/dojaya.blogs.sapo.pt\/arquivo\/Casa_de_campo.jpg\" \/><\/p>\n<p>No fundo do quintal, descobriu um quadro, jogado num canto do celeiro abandonado, dentro de um ba\u00fa mais abandonado ainda. A poeira praticamente tirava do alcance dos olhos a delicada pintura que ali dormia, por muitos e muitos anos, sem ser incomodada por ningu\u00e9m.<br \/>\nAmarrou algumas folhas ca\u00eddas das \u00e1rvores, naquela tarde de outono, transformando-as em espanador, apanhou o quadro, e, com toda a calma que o campo nos d\u00e1 graciosamente, come\u00e7ou a espantar a poeira ali t\u00e3o bem acomodada. Algumas manchas, que bem poderiam ser fezes de animais, se faziam presente, como se fossem tintas intrometidas a invadir a pintura singela.<br \/>\nO sol foi subindo bem devagar, para que pressa? As m\u00e3os do homem, levemente seguravam o quadro e o espanador de folhas, o qual  balan\u00e7ava como se este estivesse preso a galhos com dedos. A poeira resistia, mas, como n\u00e3o tinha outro jeito, foi saindo e procurando novos lugares para se acomodar, poderia ser em cima do ancinho esquecido no canto do celeiro ou ela poderia acomodar-se por mais um bom tempo sobre a tampa do ba\u00fa de onde sa\u00edra o quadro.<br \/>\nSempre fora do campo, mas a vida o levou para a cidade. Trabalhou, viveu, mas disse que n\u00e3o morreria sem voltar para l\u00e1. Voltou para o \u00fatero da m\u00e3e-terra. Agora precisava acordar tudo o que ficara tanto tempo adormecido.<br \/>\nCome\u00e7ara por sua alegria, estava despertando aquela imagem, do mesmo modo que seus olhos iam sendo despertados para admirar as  duas crian\u00e7as a correrem pelo campo, entre flores pequeninas, cujos tra\u00e7os finos e leves de algum pintor dera forma e imortalizara. Admirou a beleza e a singeleza daquela pintura, depois, voltou sua curiosidade para a parte posterior do quadro e ali estava o nome do autor da pintura e a data, de um tempo bem distante.<br \/>\nO homem que estava agora naquela casa de campo, conhecia os bons pintores e sabia que aquele era um quadro valioso, poderia mand\u00e1-lo a uma avalia\u00e7\u00e3o minuciosa, sabia que ganharia muito dinheiro e, ao mesmo tempo, atrairia muitos curiosos para a sua paz que agora o inundava. N\u00e3o, ele n\u00e3o queria isso, queria amor, tranq\u00fcilidade e sossego, e isto, a beleza daquela imagem j\u00e1 trazia para ele e amenizava muito da sua saudade.<br \/>\nPendurou-o na parede da sala, em meio a outras pinturas, sem nenhum valor de mercado.<\/p>\n<p>Ali os dois ficariam contemplando os mist\u00e9rios da saudade.<\/p>\n<p>[Do\u00a0livro\u00a0A\u00a0SAUDADE\u00a0MATA\u00a0A\u00a0GENTE,\u00a0de\u00a0S\u00f4nia\u00a0Moura]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No fundo do quintal, descobriu um quadro, jogado num canto do celeiro abandonado, dentro de um ba\u00fa mais abandonado ainda. A poeira praticamente tirava do alcance dos olhos a delicada pintura que ali dormia, por muitos e muitos anos, sem ser incomodada por ningu\u00e9m. 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