{"id":620,"date":"2009-02-06T11:58:38","date_gmt":"2009-02-06T15:58:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=620"},"modified":"2009-02-06T12:06:07","modified_gmt":"2009-02-06T16:06:07","slug":"peneiras","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=620","title":{"rendered":"PENEIRAS"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/peneirando.jpg\" title=\"PENEIRA\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/peneirando.jpg\" alt=\"PENEIRA\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>PENEIRAS<\/strong>  (Autoria: <strong>S\u00f4nia Moura<\/strong>)<\/p>\n<p>Do outro lado da rua, o homem peneirava a areia, enquanto Denise peneirava as palavras.O homem precisava construir a casa; Denise precisava construir seus textos.<br \/>\nPor alguns instantes, pararam suas tarefas e deixaram seus olhos se encontrarem, e, ainda que a distancia os separasse, a for\u00e7a do olhar se fez presente.<br \/>\nO vento espalhava alguns gr\u00e3os de areia que o homem peneirava, mas a maior parte ca\u00eda dentro do recipiente adequado; o pensamento espalhava alguns gr\u00e3os de palavras que a mulher peneirava, mas a maior parte ficava grudada na tela do computador, e, em ambos os casos, n\u00e3o se sabe ao certo se o que ficava nos devidos recipientes era o melhor, no entanto, era com estes gr\u00e3os que o homem e a mulher iriam construir suas obras de arte, deixando para o mundo a sua vis\u00e3o de mundo.<br \/>\nMais uma vez, os olhos se cruzaram e este encontro de olhares repetiu-se por alguns dias, enquanto sentimentos eram peneirados.<br \/>\nJuntando areia, terra, cimento e pedra, o homem dava forma \u00e0 sua obra, juntando ideias e palavras, a mulher dava forma \u00e0 sua obra.<br \/>\nEle se arriscava, construindo algo novo: novas formas de uma nova arquitetura. Com certeza, aquela era uma obra diferente.<br \/>\nEla se arriscava, construindo algo novo: novas formas de um novo texto. Com certeza, aquela era uma obra diferente.<br \/>\nO tempo passava e as obras iam tomando forma. O tempo passava e os olhares iam dando forma \u00e0 casa e ao romance. Cresciam as obras, crescia o desejo. Precisavam se encontrar.<br \/>\nEnquanto eles terminavam suas obras, o destino tamb\u00e9m peneirava a vida e tecia a sua obra.<\/p>\n<p>Assim, \u00a0numa manh\u00e3 de domingo, a s\u00fabita presen\u00e7a da arte uniu o casal. Encontraram-se numa feira de artesanato, se reconheceram, se aproximaram, peneiraram as diferen\u00e7as sociais e constru\u00edram a sua melhor obra: um novo rebento.<\/p>\n<p>(Do livro <strong>S\u00daBITAS PRESEN\u00c7AS<\/strong> de S\u00f4nia Moura)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/escrever.gif\" title=\"TEXTO\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/escrever.gif\" alt=\"TEXTO\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 PENEIRAS (Autoria: S\u00f4nia Moura) Do outro lado da rua, o homem peneirava a areia, enquanto Denise peneirava as palavras.O homem precisava construir a casa; Denise precisava construir seus textos. 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