{"id":62,"date":"2007-11-17T14:46:26","date_gmt":"2007-11-17T18:46:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=62"},"modified":"2009-08-24T17:22:41","modified_gmt":"2009-08-24T21:22:41","slug":"62","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=62","title":{"rendered":"Brincadeira de Crian\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0BRINCADEIRA DE CRIAN\u00c7A<\/strong> \u00a0(Autoria: <strong>S\u00f4nia Moura<\/strong>)<\/p>\n<p><a title=\"Brincadeira de Crian\u00e7a\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/pula_sela.jpg\"><img alt=\"Brincadeira de Crian\u00e7a\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/pula_sela.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>J\u00e1 sem vontade de ficar presa a  nomes complexos de  muitas teorias e de muitos te\u00f3ricos, lembrei-me de que hoje \u00e9 s\u00e1bado, o dia n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o bonito, como gostamos n\u00f3s, os cariocas, falta-nos o astro \u2013 rei, mas ainda assim, pensei:  queria estar em outro lugar, fazendo outras coisas.<br \/>\nTentei salvar-me,  relembrando os versos gostosos do poema \u201cDia da Cria\u00e7\u00e3o\u201d do poetinha. Salve,  Vinicius de Morais, &#8230; porque hoje \u00e9 s\u00e1bado, tanto coisa acontece . Mas,  com todo o respeito que merece o nosso poeta, foi pouco. Eu precisava de mais, muito mais, precisava ir para bem longe.<br \/>\nEnt\u00e3o, antes que a revolta tomasse conta de todo este meu ser, voltei-me para os versos da brincadeira de crian\u00e7a, era mais ou menos assim, um falava e o outro respondia:<\/p>\n<p><em>\u201c Hoje \u00e9 s\u00e1bado, p\u00e9 de quiabo<br \/>\nAmanh\u00e3 \u00e9 domingo, p\u00e9 de cachimbo<br \/>\nO cachimbo \u00e9 de ouro, que d\u00e1 no touro<br \/>\nO touro \u00e9 valente e d\u00e1 no tenente<br \/>\nO tenente \u00e9 fraco e cai no buraco<br \/>\nO buraco \u00e9 fundo do tamanho do mundo!\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Como sou a  leitora impl\u00edcita, vou atualizar a narrativa: (risos)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cHoje \u00e9 s\u00e1bado, p\u00e9 de quiabo<\/p>\n<p><em>Hoje \u00e9 s\u00e1bado, dia para escorregar mansamente pelos bra\u00e7os do ser amado, com meiguice e depois ser presa por estes mesmos  bra\u00e7os, com todo o vigor do animal que  n\u00e3o quer deixar escapar a sua presa, e,  ao mesmo tempo, ser beijada com a sofreguid\u00e3o de um vendaval e com a delicadeza de um beija-flor colhendo mel.<\/em><\/p>\n<p>E amanh\u00e3?<\/p>\n<p>\u201cAmanh\u00e3 \u00e9 domingo, p\u00e9 de cachimbo\u201d<\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, hoje,  podemos ficar na cama e nos amarmos at\u00e9 a exaust\u00e3o, amanh\u00e3 \u00e9 domingo, vamos passear de m\u00e3os dadas, olhar a natureza e quem sabe? No meio de um jardim,  voc\u00ea possa me mostrar um p\u00e9 de cachimbo ou, em outra hora, mostrar-me o cachimbo de p\u00e9?<\/em><\/p>\n<p>E o cachimbo?<\/p>\n<p>\u201cO cachimbo \u00e9 de ouro, e d\u00e1 no touro\u201d<br \/>\n<em>Pense r\u00e1pido, menina, este \u00e9 o desafio: na cidade grande onde encontrar o touro? N\u00e3o sei, mas, serve uma vaca? Em Copacabana tem muitas expostas no cal\u00e7ad\u00e3o? Pode. Ent\u00e3o, vou escolher a que est\u00e1 sentada numa cadeira de praia, tomando uma gostosa \u00e1gua de coco e convidar voc\u00ea para sentar-se nesta cadeira comigo.<\/em><\/p>\n<p>E o touro?<\/p>\n<p>\u201cO touro \u00e9 valente e d\u00e1 no tenente\u201d<\/p>\n<p><em>O touro, na minha hist\u00f3ria, virou vaca, deixou a valentia de lado, voltou no tempo e s\u00f3 quer saber de paz e amor, e at\u00e9 ri para o tenente que passa correndo com o seu grupo, pelas ruas de Copacabana cantando, \u00e0 frente de seus comandados: \u201cUm dois, vamos correr\/ o  descanso vem depois\u201d!<\/em><\/p>\n<p>E o tenente?<\/p>\n<p>\u201cO tenente \u00e9 fraco e cai no buraco\u201d<\/p>\n<p>C<em>om esta vaca charmosa, n\u00e3o h\u00e1 quem resista mesmo, nem militar. O tenente, encantado, olha para a vaca e, coitado, cai no buraco.<\/em><\/p>\n<p>E o buraco?<\/p>\n<p>\u201cO buraco \u00e9 fundo do tamanho do mundo\u201d<\/p>\n<p><em>Volto a mim, ao computador, aos te\u00f3ricos e \u00e0s teorias, parece que fui eu quem mergulhou  num buraco (pro)fundo, um buraco do tamanho do mundo,\u00a0num\u00a0buraco\u00a0 da saudade e da recorda\u00e7\u00e3o e me vi, mais uma vez, sem seus bra\u00e7os, , numa gostosa madrugada, enla\u00e7adinhos um no outro, e voc\u00ea a me dizer baixinho: \u201cSou louco por ti, pequenina\u201d!<\/em><\/p>\n<p>(Do livro: <strong>A SAUDADE MATA A GENTE<\/strong>, de S\u00f4nia Moura)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/vaca.jpg\" title=\"brincadeira de crian\u00e7a\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/vaca.jpg\" alt=\"brincadeira de crian\u00e7a\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0BRINCADEIRA DE CRIAN\u00c7A \u00a0(Autoria: S\u00f4nia Moura) J\u00e1 sem vontade de ficar presa a nomes complexos de muitas teorias e de muitos te\u00f3ricos, lembrei-me de que hoje \u00e9 s\u00e1bado, o dia n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o bonito, como gostamos n\u00f3s, os cariocas, falta-nos o astro \u2013 rei, mas ainda assim, pensei: queria estar em outro lugar, fazendo outras [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false},"categories":[1],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/smZuW-62","jetpack-related-posts":[{"id":677,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=677","url_meta":{"origin":62,"position":0},"title":"MUTANTES","date":"30 mar\u00e7o 2009","format":false,"excerpt":"Mutantes (Autoria: S\u00f4nia Moura) \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 MUTANTES (Autoria: S\u00f4nia Moura) Din-don acordou bem cedo E foi ver o sol nascer Subiu na duna mais alta E come\u00e7ou a cantar Precisava deste canto Pra o destino mudar A manh\u00e3 se espregui\u00e7ou E a lua foi dormir O sol mostrou\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":132,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=132","url_meta":{"origin":62,"position":1},"title":"Bolhas da Saudade","date":"31 janeiro 2008","format":false,"excerpt":"A colher de pau era mexida para l\u00e1 e para c\u00e1 e ia misturando o fub\u00e1, o leite e o a\u00e7\u00facar, no preparo do alimento, enquanto isso, as lembran\u00e7as se remexiam dentro do c\u00e9rebro e, na mesma propor\u00e7\u00e3o em que os ingredientes iam-se misturando, a vida era repassada dentro de\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Contos&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":1341,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1341","url_meta":{"origin":62,"position":2},"title":"A ON\u00c7A E A ROSA","date":"4 setembro 2010","format":false,"excerpt":"\u00a0 A ON\u00c7A E A ROSA\u00a0 (Autoria: S\u00d4NIA MOURA) \u00a0 Era uma on\u00e7a muito brava, era o que todos diziam. 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