{"id":540,"date":"2008-12-09T09:10:42","date_gmt":"2008-12-09T13:10:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=540"},"modified":"2008-12-15T20:49:31","modified_gmt":"2008-12-16T00:49:31","slug":"540","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=540","title":{"rendered":"O ESPET\u00c1CULO DA PALAVRA"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/12\/moiras.JPG\" title=\"PALAVRA\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/12\/moiras.JPG\" alt=\"PALAVRA\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>O ESPET\u00c1CULO DA PALAVRA <\/strong>[Autoria: <strong>S\u00f4nia Moura]<\/strong><\/p>\n<p>A palavra texto prov\u00e9m do latim <em>textum<\/em> que significa tecido, entrela\u00e7amento, portanto qualquer forma textual resulta de um trabalho de juntar partes, tecer, para formar um todo, e, por meio da repeti\u00e7\u00e3o, da progress\u00e3o, da n\u00e3o contradi\u00e7\u00e3o e da rela\u00e7\u00e3o, uma rede \u00a0ser\u00e1 formada para manter a coes\u00e3o e a coer\u00eancia textuais.<\/p>\n<p>A l\u00edngua (escrita ou falada), seu sistema de signos convencionais e seus elementos \u00a0tecem nossas mensagens, d\u00e3o suporte \u00e0 din\u00e2mica social, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es di\u00e1rias e \u00e0s atividades intelectuais e\u00a0 esta linha construtora de texto \u00e9 a principal forma de linguagem simb\u00f3lica usada pelo homem no ato da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ampliando-se o conceito do termo texto, vamos defini-lo como qualquer tipo de comunica\u00e7\u00e3o que se manifeste por meio de um sistema de signos,assim:  arquitetura, m\u00fasica, pintura, escultura, s\u00e3o textos, por meio dos quais o ser humano manifesta sua capacidade comunicativa.<\/p>\n<p>A representativa comunicacional da linguagem verbal manifesta-se atrav\u00e9s do discurso e, na rede de rela\u00e7\u00f5es que promovem a tessitura textual, dois elementos se destacam: a coer\u00eancia e a coes\u00e3o textuais.<\/p>\n<p>O discurso \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o da l\u00edngua escrita e da l\u00edngua falada, as quais guardam entre si rela\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas, sem, no entanto, anularem as especificidades de suas caracter\u00edsticas .<\/p>\n<p>A l\u00edngua falada recorre especialmente a signos ac\u00fasticos e extraling\u00fc\u00edsticos e a gestos (voz, express\u00e3o, ritmo, som realidade) para marcar o que quer comunicar e a sua informa\u00e7\u00e3o \u00e9 permeada de subjetividade e tamb\u00e9m pode sofrer a influ\u00eancia do interlocutor; j\u00e1 a l\u00edngua escrita firma-se pela representa\u00e7\u00e3o da perman\u00eancia e do registro que faz da hist\u00f3ria, al\u00e9m de exigir mais corre\u00e7\u00e3o na elabora\u00e7\u00e3o das frases, por meio do uso de letras e sinais de pontua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto a l\u00edngua falada por sua natureza \u00e9 a l\u00edngua do imediato e o tempo deste discurso \u00e9 igual ao tempo da a\u00e7\u00e3o, a l\u00edngua escrita d\u00e1 visibilidade \u00e0 articula\u00e7\u00e3o entre os signos ling\u00fc\u00edsticos, podendo ser reordenada, reescrita ou modificada, antes de chegar a seu destinat\u00e1rio e, at\u00e9 mesmo depois, quando cada leitor, a seu modo, \u201creescreve\u201d o texto original, pela forma interpretativa que a este o leitor atribui.<\/p>\n<p>Por ser intencional, qualquer forma de discurso aponta um alvo, um objetivo espec\u00edfico, isto \u00e9, sempre h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o no que se fala ou no que se escreve.<\/p>\n<p>Assim, a adequa\u00e7\u00e3o da l\u00edngua escrita ou falada dever\u00e1 apensar-se a fatores tais como \u00a0a inten\u00e7\u00e3o textual e a quem esta se destina, pois, \u00e9 fundamental que o receptor possa processar claramente a informa\u00e7\u00e3o recebida.<\/p>\n<p>Neste ponto, a l\u00edngua falada se privilegia, uma vez que, na maioria das vezes, o interlocutor poder\u00e1 inquirir o seu parceiro de fala, para que lhe esclare\u00e7a algum detalhe n\u00e3o decodificado pelo ouvinte\/interlocutor.<br \/>\nDesta forma, diferentemente da l\u00edngua falada, o rigor das normas se far\u00e1 mais ostensivamente presente no texto escrito, e este dever\u00e1 apresentar-se com maior precis\u00e3o do uso das normas gramaticais adequadas, preservando-se a inten\u00e7\u00e3o do autor\/emissor do texto escrito.<\/p>\n<p>Por tratar-se de um registro da hist\u00f3ria do homem, contrapondo-se \u00e0 l\u00edngua falada e \u00e0 sua efemeridade, a l\u00edngua escrita n\u00e3o \u00e9 uma transcri\u00e7\u00e3o da l\u00edngua falada, que \u00e9 mais livre, mais solta, por exemplo quando se pode abreviar palavras (est\u00e1= t\u00e1), para abreviar o tempo.<\/p>\n<p>A l\u00edngua escrita \u00e9 a que d\u00e1 maior visibilidade e \u201cconcretude\u201d  \u00e0 articula\u00e7\u00e3o entre os signos ling\u00fc\u00edsticos, mas, em qualquer situa\u00e7\u00e3o, a l\u00edngua escrita s\u00f3 ser\u00e1 apreendida se houver o dom\u00ednio pr\u00e9vio da l\u00edngua falada.<\/p>\n<p>Desta forma, ainda que as formas discursivas nos sejam apresentadas por seus modos diversificados de recursos, com a finalidade\u00a0 efetivar a comunica\u00e7\u00e3o, \u00a0o resultado de suas mensagens s\u00f3 se tornar\u00e3o\u00a0 o mais claro poss\u00edvel, somente se houver troca na comunica\u00e7\u00e3o, pois, somente assim\u00a0 o texto ter\u00e1 cumprido o seu papel primordial: comunicar pelo prazer, pela aprendizagem, pelo poder memorial\u00edstico que ele vier a apresentar ou pela informa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9,\u00a0 quando cada tipo de texto cumprir, de fato, o papel que a ele for destinado, pois o principal valor de um texto est\u00e1 centrado no seu poder de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(Trabalho apresentado por <strong>S\u00f4nia Moura,<\/strong> no Col\u00f3quio: <strong>O Espet\u00e1culo da Comunica\u00e7\u00e3o <\/strong>\u2013 UFF- 2005)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0 O ESPET\u00c1CULO DA PALAVRA [Autoria: S\u00f4nia Moura] A palavra texto prov\u00e9m do latim textum que 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instrumento de comunica\u00e7\u00e3o, modo de intera\u00e7\u00e3o e\/ou representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica, sem perder de vista o sujeito\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Ensaios&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":1329,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1329","url_meta":{"origin":540,"position":1},"title":"SACRALIZA\u00c7\u00c3O E DESSACRALIZA\u00c7\u00c3O","date":"26 agosto 2010","format":false,"excerpt":"\u00a0 SACRALIZA\u00c7\u00c3O E DESSACRALIZA\u00c7\u00c3O\u00a0 (por S\u00d4NIA MOURA) \u00a0 \u00a0\u00a0 P arte 1\u00a0 - \u00a0\u00a0DA PALAVRA - \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 *A PALAVRA FALADA \u00a0 Nos dias de ontem, no per\u00edodo de 1500 a 1800,\u00a0 d\u00e1 -se ao discurso um car\u00e1ter sagrado, seja este sagrado: religioso, pol\u00edtico, cient\u00edfico, comercial, em que as 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