{"id":508,"date":"2008-12-02T18:59:56","date_gmt":"2008-12-02T22:59:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=508"},"modified":"2008-12-03T17:37:39","modified_gmt":"2008-12-03T21:37:39","slug":"o-unicornio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=508","title":{"rendered":"O UNIC\u00d3RNIO"},"content":{"rendered":"<p>O UNIC\u00d3RNIO  (Autoria: <strong>S\u00f4nia Moura<\/strong>)<\/p>\n<p>Branco como a luz do luar, o unic\u00f3rnio docemente contemplava a flor azul nascida naquela manh\u00e3 de primavera. O cheiro que ela desprendia era inebriante e ele se encantara com aquele azul que bordava as p\u00e9talas da (re)nascida.<\/p>\n<p>N\u00e3o queria colh\u00ea-la , mas tamb\u00e9m n\u00e3o queria deix\u00e1-la sozinha no meio da floresta, n\u00e3o podia afastar-se dali.<\/p>\n<p>E se um descuidado pisasse aquelas p\u00e9talas aveludadas, n\u00e3o poderia deix\u00e1-la \u00e0 merc\u00ea da pr\u00f3pria sorte.<\/p>\n<p>Havia tamb\u00e9m o perigo iminente de um inseto ou uma fera que, instigados pelo cheiro que a flor exalava, desejassem com\u00ea-la, ela era, de fato, uma tenta\u00e7\u00e3o: cheiro, cor, forma, tudo nela era sin\u00f4nimo da tenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E, se para ele a contempla\u00e7\u00e3o bastava, nos outros, poderia despertar desejos canibalescos, ent\u00e3o ele n\u00e3o podia afastar-se de junto dela.<\/p>\n<p>A docilidade do unic\u00f3rnio transbordava pelo olhar lan\u00e7ado \u00e0 flor.<\/p>\n<p>Anoiteceu.<\/p>\n<p>E, como \u00e0 noite, os deuses dos sonhos nos permitem viajar, o unic\u00f3rnio viu a sua flor transformar-se em uma linda jovem, parecia renascer para uma nova vida.<\/p>\n<p>Assim como as p\u00e9talas da flor, a pele da virgem era t\u00e3o aveludada e\u00a0 com um sorriso ela o tornou cativo. Ele n\u00e3o resistiu, aproximou-se dela, sem nenhuma cautela e desejou ardentemente poder abra\u00e7\u00e1-la com toda for\u00e7a e ternura que lhe fosse permitido, ainda que por alguns minutos.<\/p>\n<p>Ao tocar-lhe a pele, seu corpo estremeceu e ele ficou paralisado, como se tivesse em transe, mas, ainda assim, insistiu e ro\u00e7ou-lhe mansamente o corpo aveludado.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a sorriu para ele, depois, tocou-lhe a face, acariciou-lhe o chifre em espiral e, neste momento, ele era, agora, um ser humano. Os jovens lan\u00e7aram-se um nos bra\u00e7os do outro e aconteceu o beijo ardente, unindo definitivamente os  amantes.<\/p>\n<p>O sol vinha chegando de mansinho, enquanto ele despertava com a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo fora real. Demorou para abrir os olhos, queria que aquilo que eles viveram em sonho fosse verdade, n\u00e3o apenas um sonho.<\/p>\n<p>Continuou sonhado com sua flor azul, queria ver este sonho realizado, ah! como queria!<\/p>\n<p>Abriu lentamente os olhos e descobriu o que o sonho e o desejo podem realizar.<\/p>\n<p>(Do livro: <strong>S\u00fabitas Presen\u00e7as <\/strong>de S\u00f4nia Moura)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/12\/unicornio1.JPG\" title=\"UNICORNIO\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/12\/unicornio1.JPG\" alt=\"UNICORNIO\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O UNIC\u00d3RNIO (Autoria: S\u00f4nia Moura) Branco como a luz do luar, o unic\u00f3rnio docemente contemplava a flor azul nascida naquela manh\u00e3 de primavera. O cheiro que ela desprendia era inebriante e ele se encantara com aquele azul que bordava as p\u00e9talas da (re)nascida. 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