{"id":483,"date":"2008-11-19T13:39:53","date_gmt":"2008-11-19T17:39:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=483"},"modified":"2008-11-21T17:32:01","modified_gmt":"2008-11-21T21:32:01","slug":"a-bela-e-a-fera-no-cinema","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=483","title":{"rendered":"A BELA E A FERA &#8211; LITERATURA E  CINEMA"},"content":{"rendered":"<p><a title=\"Bela e a fera\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/belafera.jpg\"><img alt=\"Bela e a fera\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/belafera.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>A BELA E A FERA NO CINEMA [Por S\u00f4nia Moura]<\/p>\n<p>Originalmente, na Inglaterra, o cinema se chamava bioscope, porque representava, em termos visuais, os movimentos das formas de vida. Simbolicamente, o cinema alargou esta defini\u00e7\u00e3o para \u201cos movimentos das formas de viver\u201d, ao atualizar \u201crealidades\u201d, provocar fantasias, despertar mentes, repetir ritos, assim o cinema nos traz o espet\u00e1culo \u201csalvador\u201d.<\/p>\n<p>A rede narrativa cinematogr\u00e1fica d\u00e1 solidez aos fatos narrados por seus mecanismos de sugest\u00e3o, que se ap\u00f3iam nos s\u00edmbolos, nas associa\u00e7\u00f5es de imagens e, assim, reprisa &#8211; se o mundo, (re) constr\u00f3i &#8211; se um universo veross\u00edmil, como se verdadeiro fosse, passa a ter estatuto de poder e qualquer forma de poder espraia ideologias, f\u00e1-las representa\u00e7\u00f5es do senso comum, d\u00e1 voz, deforma, reforma e forma \u201cconsci\u00eancias\u201d, podendo provocar metamorfoses, uma vez que o processo ideol\u00f3gico recorta o real de acordo com o seu modelo.<\/p>\n<p>O filme de Walt Disney (A Bela e a Fera) \u00e9 uma metamorfose m\u00edtica do conto A Bela e a Fera; o t\u00edtulo da obra (tamb\u00e9m codinomes dos protagonistas) s\u00e3o metamorfoses de seus nomes ocultos, de seus perfis psicol\u00f3gicos; perfis comportamentais: bom\/mau; bem\/mal; feio\/belo. Nesta obra cinematogr\u00e1fica, as metamorfoses fant\u00e1sticas contracenam com as metamorfoses ideol\u00f3gicas, e o espet\u00e1culo, como ideologia, nos diz que tudo est\u00e1 ideologicamente em ordem: o social, o familiar, o ideativo, o cultural. Tudo est\u00e1 em ordem.<\/p>\n<p>Desde o s\u00e9culo XIX, v\u00e1rias teorias definem (ou tentam definir) o que \u00e9 fam\u00edlia. No lastro da hist\u00f3ria, v\u00e1rios s\u00e3o os pap\u00e9is primordiais a ela atribu\u00eddos, de acordo com as necessidades ou prioridades de cada momento. Mesmo hoje, que o modelo de fam\u00edlia \u00e9 o modelo nuclear, um papel que n\u00e3o perde o seu lugar no \u00e2mbito familiar \u00e9 o de auto &#8211; socializador, n\u00e3o s\u00f3 educa, mas tamb\u00e9m, transmite todos os condicionamentos para a express\u00e3o ou inibi\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Esparta, na Gr\u00e9cia antiga, os meninos eram retirados da presen\u00e7a materna aos sete anos para serem submetidos, desde ent\u00e3o, a treinamentos militares rigorosos. A presen\u00e7a materna era considerada nociva, j\u00e1 que ia \u201cmimar\u201d e consolar os filhos nos momentos dif\u00edceis, tornando-os assim muito sens\u00edveis e despreparados demais para assumir a dura miss\u00e3o de morrer pela p\u00e1tria.<\/p>\n<p>Algum paradigma com os contos de Fadas?<br \/>\nNuma vers\u00e3o bem pr\u00f3xima do que se conhece como o original de A Bela e Fera, a fam\u00edlia de Bela \u00e9 constitu\u00edda por ela, o pai, dois irm\u00e3os e duas irm\u00e3s, enquanto no filme Bela \u00e9 filha \u00fanica e vive com o pai; o pr\u00edncipe \u2013 a Fera -, vive sozinho.<\/p>\n<p>As desmontagens familiares: substitui\u00e7\u00e3o\/divis\u00e3o -m\u00e3e\/madrasta; pai ausente; incesto; viagens, desencontros e reencontros, estas \u201cdesestruturas\u201d s\u00e3o apontadas por Bettelheim como sendo uma esp\u00e9cie de truque da narrativa maravilhosa, para que a crian\u00e7a possa obter \u201c.. o melhor dos dois mundos, que \u00e9 o que necessita para se transformar num adulto seguro. Em fantasia, a menina pode vencer a ( m\u00e3e) madrasta \u2026 o menino pode matar o monstro..\u201d.(Bettelheim p. 145) e, assim, as crian\u00e7as podem manter os pais bem vivos e continuarem juntos com os pais \u201creais\u201d.<\/p>\n<p>Na obra: Admir\u00e1vel Mundo Novo de Aldous Huxley, os seres humanos eram criados em laborat\u00f3rios, n\u00e3o existia fam\u00edlia; tamb\u00e9m, em algumas publica\u00e7\u00f5es de A Bela e a Fera e no filme de Walt Disney, acontece a dissolu\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de Bela. Seria apenas o retrato desta nova fam\u00edlia contempor\u00e2nea nuclear ou seria esta mais uma estrat\u00e9gia ideol\u00f3gica da figura feminina em destaque? E o pr\u00edncipe, por que est\u00e1 sozinho?<\/p>\n<p>A Bela e a Fera, adptado pelo o cinema pelo est\u00fadios Disney, \u00e9 uma alegoria da passagem inici\u00e1tica, na qual, ap\u00f3s aceitar e realizar as provas, o her\u00f3i representa a alma perdida no mundo a lutar contra os poderes inferiores de sua pr\u00f3pria natureza e contra os enigmas que a vida lhe prop\u00f5e, at\u00e9 encontrar os meios para a sua pr\u00f3pria reden\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o dos desejos.<\/p>\n<p>Uma vez que pela transcend\u00eancia m\u00edtica, a polissemia do fant\u00e1stico re\u00fane, materializa e traduz todo um mundo de desejos, o conto A Bela e a Fera \u00e9 classificado em estudos liter\u00e1rios ou psicanal\u00edticos, dentro do ciclo arcaico ou ciclo da inicia\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, do ciclo da morte -ressurrei\u00e7\u00e3o ou dentro do ciclo do noivo-animal.<\/p>\n<p>Nesta forma de narrativa, no mesmo espa\u00e7o m\u00e1gico, no mesmo plano temporal (contemporaneidade) e cinematogr\u00e1fico aparecem a Bela e a Fera, ampliando a percep\u00e7\u00e3o espectador na dire\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de unidade, de direitos iguais, do \u201csomos todos iguais\u201d, criando uma forma de metamorfose transcendente que corresponde \u00e0s subst\u00e2ncias unificadas da cria\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, no final, envolvida pelo v\u00e9u do amor , acontece a viagem de volta \u00e0 ideologia primordial, e Bela se rende ao amor rom\u00e2ntico e ir\u00e1 se casar com o pr\u00edncipe, n\u00e3o com a Fera.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o devemos nos esquecer de que dos Contos de Fadas, seja na literatura ou no cinema, emergem s\u00edmbolos, mitos, arqu\u00e9tipos que ordenam a cultura e d\u00e3o sentido a grande aventura humana, \u00e9 por estes caminhos que as personagens circulam e suas estradas se cruzam ou se afastam.<\/p>\n<p><strong>[UFF &#8211; 2001 &#8211; TRABALHO APRESENTADO POR S\u00d4NIA MOURA]<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/bela-ea-fera_01.jpg\" title=\"Abela e a fera\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/bela-ea-fera_01.jpg\" alt=\"Abela e a fera\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A BELA E A FERA NO CINEMA [Por S\u00f4nia Moura] Originalmente, na Inglaterra, o cinema se chamava bioscope, porque representava, em termos visuais, os movimentos das formas de vida. 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