{"id":460,"date":"2008-11-08T18:07:03","date_gmt":"2008-11-08T22:07:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=460"},"modified":"2020-04-14T09:34:53","modified_gmt":"2020-04-14T12:34:53","slug":"uma-louca-teoria-sobre-o-louco-amor-ou-a-encenacao-do-amor-pela-palavra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=460","title":{"rendered":"UMA LOUCA TEORIA SOBRE O LOUCO AMOR   \t\t\t(ou)  A ENCENA\u00c7\u00c3O DO AMOR PELA PALAVRA"},"content":{"rendered":"<p><a title=\"cora\u00e7\u00f5es apaixonados\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/amorecor.jpg\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/amorecor.jpg\" alt=\"cora\u00e7\u00f5es apaixonados\" \/><\/a><\/p>\n<p>UMA LOUCA TEORIA SOBRE O LOUCO AMOR<br \/>\n(ou)<br \/>\nA ENCENA\u00c7\u00c3O DO AMOR PELA PALAVRA<\/p>\n<p><strong>(Autoria: S\u00d4NIA MOURA)<\/strong><\/p>\n<p>No amor, o sujeito pode-se transformar tamb\u00e9m em objeto e vice-versa, pois o amor \u00e9 esta coisa barroca, aleg\u00f3rica e mista.<\/p>\n<p>Por isto, falar de amor \u00e9 estar sob as ordens do excesso ou do recesso, uma vez que o prazer e o sofrimento, assim como a presen\u00e7a e a lembran\u00e7a, em mat\u00e9ria de amar andam de m\u00e3os dadas e s\u00e3o exaltados, enquanto o jogo entre o gozo e o sofrimento, entre o c\u00e9u e a terra mostra que o amor \u00e9 a (im)perfeita comunh\u00e3o entre a carne e o esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Desta forma, falar de amor \u00e9 saber dizer bem para que o bem dizer possa ornamentar o discurso sobre este gostar profundo. Assim, \u00e9 preciso que aquele que escreve sobre as coisas deste querer d\u00ea um golpe de mestre para provocar sequiosamente o desejo transmutado.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, falar de amor tamb\u00e9m exige esfor\u00e7o, exige refor\u00e7o, o que leva aquele que escreve a viver entre o fato e o mito e faz-se necess\u00e1rio reduplicar o real e para tal s\u00f3 h\u00e1 um jeito: ressuscitar o rito, transformar dor em amor, defendendo, deste modo, o amor da dor.<\/p>\n<p>Mas, se a dor persistir, a imagina\u00e7\u00e3o pode se mostrar aterrorizada com a medonha possibilidade de que o real venha a sobrepujar a imagem de cupido, onde reina a ambiguidade do duplo: fantasia x real, sonho x real, loucura x sanidade, amor x dor.<\/p>\n<p>Na plenitude deste gostar profundo, a palavra petrifica o tempo, paralisa-o, ent\u00e3o, quem escreve sobre o amor (e\/ou quem ama) precisa mergulhar num mar de \u00eaxtases gloriosos, num lugar de total alucina\u00e7\u00e3o do tempo e do espa\u00e7o, nos quais o real \u00e9 relativizado pela (con)fus\u00e3o entre o desejo e o amor, em outra tentativa de eternizar o vivido ou o sonhado, pela leveza da forma como o amor \u00e9 desenhado.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 que o resgate ininterrupto deste gostar coloca o sonho dentro da realidade para alargar um real, que, na verdade, ningu\u00e9m sabe de fato o que \u00e9. Vencida esta etapa, a completude do sujeito com o seu objeto de desejo, chamado amor, mostra-se pela fantasia confeccionada pela palavra que consegue dissimular a dor, a saudade e o abandono, dando novos formatos ao amor.<br \/>\nAgora modificado, o lugar onde este sentir vai se manifestar ser\u00e1 a palavra,\u00a0 um lugar da festa, por meio da qual uma profus\u00e3o de imagens bailam para n\u00e3o deixar o amor ser transformado em pastiche.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, por meio da palavra, o amor se manifesta em forma de encena\u00e7\u00e3o e provoca a divis\u00e3o do sujeito para que haja o contentamento de um ideal duplicado, transformando dois em um. Esta fus\u00e3o dos sujeitos \u00e9 almejada pela escrita sobre o amor, como car\u00e1ter c\u00eanico, para dar mais vida \u00e0 vida.<\/p>\n<p>E como a vida \u00e9 um grande talvez, as narrativas sobre o amor agu\u00e7am, despertam, provocam a certeza e a d\u00favida, garantem a pluralidade do discurso amoroso,\u00a0 deixando, ent\u00e3o, proliferarem muitas verdades, para\u00a0 que possam desbancar qualquer verdade \u00fanica ou centralizadora.<\/p>\n<p>Da primeira \u00e0 \u00faltima fun\u00e7\u00e3o, as narrativas sobre o amor andam por caminhos extremos , sem margens, sem limites, tendendo ao absurdo e ao abuso, mas o que salva este discurso \u00e9 a encena\u00e7\u00e3o da palavra.<\/p>\n<p>(Autoria: <strong>S\u00d4NIA MOURA<\/strong>)<\/p>\n<p><a title=\"Louco amor\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/amor.jpg\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/amor.jpg\" alt=\"Louco amor\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UMA LOUCA TEORIA SOBRE O LOUCO AMOR (ou) A ENCENA\u00c7\u00c3O DO AMOR PELA PALAVRA (Autoria: S\u00d4NIA MOURA) No amor, o sujeito pode-se transformar tamb\u00e9m em objeto e vice-versa, pois o amor \u00e9 esta coisa barroca, aleg\u00f3rica e mista. 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