{"id":334,"date":"2008-09-02T19:39:57","date_gmt":"2008-09-02T23:39:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=334"},"modified":"2008-09-02T20:11:43","modified_gmt":"2008-09-03T00:11:43","slug":"afrodite-e-as-rosas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=334","title":{"rendered":"AFRODITE E AS ROSAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>AFRODITE E AS ROSAS \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong><a title=\"rosa tatuada\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/rosatatuada.jpg\"><img alt=\"rosa tatuada\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/rosatatuada.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><strong>(Autoria: S\u00d4NIA MOURA)<\/strong><br \/>\nCarregava nos bra\u00e7os as marcas de um tempo em que em seu leito, tal qual o leito de um rio, via passar encantos e encantadores de ilus\u00e3o, sobre o seio esquerdo trazia uma tatuagem de Afrodite carregando um ramo de rosas e dizia que representava o vi\u00e7o das rosas transportadas por beijos de amantes. N\u00e3o se importava nem um pouco com as faladeiras do bairro, sentia-se livre, enquanto bailava pelo sal\u00e3o, presa nos bra\u00e7os dos rapazes e solta nos bra\u00e7os da alegria.<br \/>\nAgora, concentrou-se e deixou flu\u00edrem as imagens do passado que brincavam   em seus olhos, estas imagens  eram a sua antiga realidade, eram o seu sonho de ontem e sua saudade de hoje. Aqueles tempos remotos estavam sobrepostos, se decompondo e se recompondo em linguagem po\u00e9tica. Ah! Se as palavras fossem capazes de traduzir aquela saudade e aquela alegria, que agora viviam \u00e0s  margens do seu rio de lembran\u00e7as, perdidas em labirintos da mem\u00f3ria, agora  dissolvida pelo tempo.<br \/>\nEmocionada, voltou no tempo e pisou naqueles mesmos caminhos. Por que afastara aquele homem de sua vida? O retrato dele sempre preso na lembran\u00e7a, enraizado no invis\u00edvel mais vis\u00edvel que existe &#8211;  enraizado na saudade.<br \/>\nDoidivanas, era o que diziam dela, mas tinha consci\u00eancia, tinha limites. Estava mesmo apaixonada por ele, mas nem toda paix\u00e3o e poesia  ofuscaram, para ela,  a realidade. No momento que a paix\u00e3o come\u00e7ou a aflorar, Murilo tamb\u00e9m come\u00e7ava a trilhar um caminho de muito futuro nos neg\u00f3cios e na pol\u00edtica, e a amada sabia que ele largaria tudo por ela, ent\u00e3o, largou-o primeiro, antes que toda a estrutura de futuro dele ru\u00edsse.<br \/>\nSumiu no mundo, criou a impossibilidade de comunica\u00e7\u00e3o, ganhou novos rumos. Tudo agora era muito enigm\u00e1tico, abreviava a dor lendo Nietzsche, de onde tirava clareza  e sentido para sua vida, que agora era apenas a met\u00e1fora do passado.<br \/>\nPrecisava renegar o passado, assim o fez. Ele era t\u00e3o jovem, ela tamb\u00e9m, mas j\u00e1 sabia de que somos capazes por amor. E  eles estavam enamorados. N\u00e3o  podia ser mesquinha, ou tudo podia se complicar para ele.<br \/>\nUma metamorfose obtida por meio de opera\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas, a fez morrer para seu antigo mundo, mas por um bom tempo, sozinha no quarto, continuava  procurando seu rosto no espelho. Agora, em sua vida, precisava equilibrar-se entre dois planos,  para poder tocar o passado e anular o presente, s\u00f3 assim poderia crer no futuro. N\u00e3o importava o tempo, desde que continuasse a  identificar no centro das coisas, sua imagem fundamental: Murilo.<br \/>\nConsiderava  seu passado como um ba\u00fa inviol\u00e1vel, seu presente era l\u00edmpido, suas emo\u00e7\u00f5es eram relembrar o passado e sonhar com um futuro, no qual a  luz da tarde,  suave n\u00e3o permitiria a ningu\u00e9m recusar qualquer encanto, todos viveriam plenamente seus sonhos.<br \/>\nS\u00f3 pedia que lhe fosse dada a oportunidade de realizar uma \u00faltima contempla\u00e7\u00e3o: ver, mesmo que ao longe, aquele que sempre fora seu amado. \u00c0 primeira vista, este desejo \u00edntimo parecia  imposs\u00edvel, mas, como n\u00e3o se foge do destino e   nas m\u00e3os dele todos somos joguetes &#8230;  Deixou-se levar pelo sonho.<br \/>\nLarissa, uma das poucas amigas de Ang\u00e9lica,  adorava bater papo pela internet. Um dia, convenceu Ang\u00e9lica a brincar tamb\u00e9m. Inicialmente ela recusou, mas depois come\u00e7ou a papear com \u201cCavaleiro Audaz\u201d, gostou e prosseguiu. O \u201cCavaleiro\u201d perguntou se ela gostava de poemas, diante do sim, ele escreveu: \u201cCom que palavras ou beijos ou l\u00e1grimas\/ se acordam os mortos, sem os ferir\u201d.  O passado voltava nestes versos. L\u00e1grimas desceram pelo rosto transformado de Ang\u00e9lica. O autor, quem era mesmo?, perguntou ao Cavaleiro  Audaz.<br \/>\nEle prometeu que pessoalmente diria \u00e0 \u201cPoliana\u201d o nome do autor. Combinaram que ela levaria uma rosa amarela na m\u00e3o direita e ele, um buqu\u00ea de rosas vermelhas. Marcaram o encontro para domingo.<br \/>\nNo decote, Afrodite sorria.<\/p>\n<p>[Do livro <strong><u>MINIMAMENTE CR\u00d4NICAS<\/u> de S\u00d4NIA MOURA]  <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AFRODITE E AS ROSAS \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 (Autoria: S\u00d4NIA MOURA) Carregava nos bra\u00e7os as marcas de um tempo em que em seu leito, tal qual o leito de um rio, via passar encantos e encantadores de ilus\u00e3o, sobre o seio esquerdo trazia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false},"categories":[3],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pmZuW-5o","jetpack-related-posts":[{"id":341,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=341","url_meta":{"origin":334,"position":0},"title":"DEUSA HUMANA","date":"3 setembro 2008","format":false,"excerpt":"Deusa humana (Autoria: S\u00d4NIA MOURA) Quero ser Afrodite, Nascida da espuma Que vem do seu desejo. 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