{"id":332,"date":"2008-08-30T21:55:44","date_gmt":"2008-08-31T01:55:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=332"},"modified":"2008-09-02T19:26:44","modified_gmt":"2008-09-02T23:26:44","slug":"o-dono-do-banco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=332","title":{"rendered":"O DONO DO BANCO"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Dono do Banco<\/strong><br \/>\n(Autoria: <strong>S\u00d4NIA MOURA<\/strong>)<\/p>\n<p>Era pessoa importante. Todos o conheciam e todos (ou quase todos), naquela cidade, deviam a ele.  A bem da verdade, n\u00e3o tinha mesmo como escapar, por isso os moradores confessavam abertamente sua depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele homem.<br \/>\nEle era bondoso, por isso todos sabiam que podiam contar com ele, nas horas dif\u00edceis de suas vidas. Seu ar de importante, como diziam os conterr\u00e2neo, n\u00e3o anulava sua bondade, seu bom car\u00e1ter e sua vontade de ajudar.<br \/>\nDizer que ele n\u00e3o cobrava \u201cjuros\u201d, \u00e9 incorrer em erro. Cobrava, claro que sim,mas, ainda assim, todos reconheciam que seus servi\u00e7os valiam ser bem pagos. Ningu\u00e9m se importava com os juros por ele cobrados.<br \/>\nSeu Malaquias era uma figura \u00edmpar, \u00a0parecia igualar-se ao p\u00e9 de jacarand\u00e1 que estava fincado no meio da pra\u00e7a, sabe-se l\u00e1 h\u00e1 quanto tempo.<br \/>\nAmbos imponentes, ambos esp\u00e9cimes de muita fibra, ambos altivos e que iriam durar muito, s\u00f3 n\u00e3o deveriam ser retirados de seu habitat, isto seria um crime. Independente do que diz o IBAMA, era crime porque ambos eram amados pelos seus.<br \/>\nDurante anos, seu Malaquias cuidou daquela pra\u00e7a como se fosse o quintal de sua casa, ali\u00e1s, a pra\u00e7a era a sua casa.<br \/>\nAntes do amanhecer l\u00e1 estava ele cuidando de tudo e de todos: dos bancos, do busto do ilustre fundador da cidade, das plantas, do lago, dos bichos (gatos vadios, peixes coloridos, p\u00e1ssaros cantadores, c\u00e3es de rua e dos patinhos do lago).<br \/>\nNuma certa manh\u00e3 primaveril, seu Malaquias foi encontrado morto, sentado no banco da pra\u00e7a. Parecia sorrir para as flores amarelas do enorme flamboyant que, dizem, ele plantara naquela pra\u00e7a, quando era um menino de cal\u00e7as curtas.<br \/>\nQuais os juros cobrados por seu Malaquias? Muito simples: exigia que tratassem a natureza com desvelo, amor e carinho. Eram \u00a0juros mais que justos.<br \/>\nOs moradores, a quem seu Malaquias tanto ajudara, dando conselhos, ajudando aos pais, pois ali ficava observando as crian\u00e7as , enquanto estas brincavam e j\u00e1 as livrara muitas de perigos; aos mais velhos que contavam sempre com sua palavra amiga, enfim, a toda a gente, para a qual ele deixou aquele tesouro, cravado no cora\u00e7\u00e3o da cidadezinha do interior, todos concordaram que aquele banco era do seu Malaquias e dele sempre seria.<\/p>\n<p>Assim, seu Malaquias passou para a hist\u00f3ria da cidade, como <strong>o dono do banco<\/strong>. At\u00e9 hoje, passado tanto tempo, l\u00e1 est\u00e1 o banco e uma placa com a seguinte inscri\u00e7\u00e3o: <em><strong>\u201cAo amigo Malaquias, a cidade reserva, para sempre, este lugar, ele \u00e9 o dono deste banco.\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>((Do livro <strong>S\u00fabitas Presen\u00e7as de S\u00d4NIA MOURA)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong><a title=\"Banco da pra\u00e7a\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/bancob.jpg\"><img alt=\"Banco da pra\u00e7a\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/bancob.jpg\" \/><\/a><strong>  <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dono do Banco (Autoria: S\u00d4NIA MOURA) Era pessoa importante. Todos o conheciam e todos (ou quase todos), naquela cidade, deviam a ele. 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