{"id":2535,"date":"2018-12-27T09:37:33","date_gmt":"2018-12-27T12:37:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=2535"},"modified":"2018-12-27T09:42:07","modified_gmt":"2018-12-27T12:42:07","slug":"a-moca-e-o-guarda-chuva-vermelho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=2535","title":{"rendered":"A mo\u00e7a e o guarda-chuva vermelho"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2536\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/guarda-chuva-vermelho.jpg\" alt=\"\" width=\"185\" height=\"272\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chovia no Rio de Janeiro, mas o calor continuava e ela seguia apressadamente.<\/p>\n<p>A passos largos e r\u00e1pidos, Mariana, com o seu guarda-chuva vermelho, seguia em busca sabe-se l\u00e1 de qu\u00ea.<\/p>\n<p>Numa esquina de Copacabana, Galb\u00e9rio, o irrecuper\u00e1vel conquistador, viu a mo\u00e7a, admirou seu andar apressado e o guarda-chuva vermelho, como a paix\u00e3o. Galb\u00e9rio teve uma vontade imensa de conquist\u00e1-la, mas ela andava t\u00e3o depressa&#8230;<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o resistiu e tamb\u00e9m n\u00e3o desistiu. Foi atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Mariana estava com pressa e n\u00e3o queria conversa com estranhos.<\/p>\n<p>Ele insistiu. Ela resistiu.<\/p>\n<p>Agora eram quatro p\u00e9s a pisarem firme, forte e apressados pelas ruas de Copacabana. O barulho dos passos na\u00f5 eram ouvidos, pois o burburinho das ruas n\u00e3o permitia, mas ambos sabiam que seus passos ecoavam no ar. Ambos sabiam que precisavam insistir e resistir.<\/p>\n<p>O guarda-chuva vermelho, do alto de sua posi\u00e7\u00e3o, via e ouvia tudo e sorria.<\/p>\n<p>Assim seguiram por boa parte da Nossa Senhora de Copacabana. Lado a Lado, mas t\u00e3o distantes quanto Rio de Janeiro e Nova York.<\/p>\n<p>Como Nova York entra nesta hist\u00f3ria? J\u00e1 explico.<\/p>\n<p>Mariana morava em Nova York, viera ao Rio para visitar parentes, n\u00e3o iria ficar muitos dias, ent\u00e3o precisava se apressar para dar conta de todos os compromissos, e aquele homem a segui-la, numa hora t\u00e3o inadequada&#8230;<\/p>\n<p>Chegou ao seu destino e Galb\u00e9rio junto.<\/p>\n<p>Ele insistia e ela resistia.<\/p>\n<p>&#8211; Posso lhe falar, s\u00f3 um minuto. Galb\u00e9rio n\u00e3o queria deixar escapar esta linda quase presa.<\/p>\n<p>Soltando um suspiro enfadonho, Mariana disse: &#8211; Pode falar, mas seja r\u00e1pido.<\/p>\n<p>&#8211; Quero muito conhecer voc\u00ea.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o tenho tempo.<\/p>\n<p>-Posso visit\u00e1-la em sua resid\u00eancia. Claro n\u00e3o vou entrar, mas posso busc\u00e1-la para um jantar. O que acha?<\/p>\n<p>Mariana fechou o guarda-chuva. Olhou fixamente para o homem de cabelos grisalhos, sorriu um sorriso matreiro e disse:<\/p>\n<p>&#8211; Tudo bem, podemos jantar sim.<\/p>\n<p>Tirou da bolsa um cart\u00e3o envolto por um envelope vermelho. Mais uma vez, riu o seu riso zombeteiro e o entregou ao homem. Este disse gentilmente e com muito galanteio: &#8211; \u00c0s ordens, Galb\u00e9rio. Sua Gra\u00e7a? \u2013 Mariana.<\/p>\n<p>Antes que ele abrisse o envelope para conferir o endere\u00e7o, ela embrenhou-se pelo pr\u00e9dio, tal qual uma presa fugindo de seu predador \u00a0e sumiu.<\/p>\n<p>Em Nova York, o guarda-chuva vermelho ficava num canto\u00a0 em um local apropriado e bem na entrada da sala.<\/p>\n<p>Meses depois, algu\u00e9m bate a sua porta, o guarda chuva suspira, j\u00e1 sabe quem \u00e9.<\/p>\n<p>Era Galb\u00e9rio que viera busc\u00e1-la para jantar.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o resistiu e ela tamb\u00e9m n\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Chovia no Rio de Janeiro, mas o calor continuava e ela seguia apressadamente. A passos largos e r\u00e1pidos, Mariana, com o seu guarda-chuva vermelho, seguia em busca sabe-se l\u00e1 de qu\u00ea. Numa esquina de Copacabana, Galb\u00e9rio, o irrecuper\u00e1vel conquistador, viu a mo\u00e7a, admirou seu andar apressado e o guarda-chuva vermelho, como a paix\u00e3o. Galb\u00e9rio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false},"categories":[1],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pmZuW-ET","jetpack-related-posts":[{"id":965,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=965","url_meta":{"origin":2535,"position":0},"title":"AVES PERDIDAS","date":"26 outubro 2009","format":false,"excerpt":"\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 AVES PERDIDAS\u00a0 (por S\u00f4nia Moura) \u00a0 Depois de um tempo sem fazer a caminhada matinal \u00e0 beira-mar, pois a\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Blogroll&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":903,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=903","url_meta":{"origin":2535,"position":1},"title":"ABANDONOS","date":"19 setembro 2009","format":false,"excerpt":"ABANDONOS (Autoria: S\u00d4NIA MOURA) Esquecido em um banco, O guarda chuva dormia Enquanto a chuva caia... caia...caia... Entre os pingos da chuva que caia Eu fingia que sorria E o meu cora\u00e7\u00e3o desassossegado Fora do ritmo batia... batia... batia... A po\u00e7a d`\u00e1gua que agora surgia Como um espelho de minh`alma\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Poesias&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":94,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=94","url_meta":{"origin":2535,"position":2},"title":"\u00c0 meia noite em ponto","date":"31 dezembro 2007","format":false,"excerpt":"H\u00e1 muito j\u00e1 se sabia na vizinhan\u00e7a que Floriano arrastava as asinhas para Clotilde. Em Copacabana, tinha tamb\u00e9m uma tal de Rosana que deixava Floriano maluquinho, maluqinho... Ainda tinha a Florisvalda, companheira de viagem, indo ou voltando do trabalho. Era no trem que bra\u00e7os e pernas se tocavam, aquela sensa\u00e7\u00e3o\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Contos&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":1401,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1401","url_meta":{"origin":2535,"position":3},"title":"\u201cNADA COMO UM DIA AP\u00d3S O OUTRO\u201d","date":"12 novembro 2010","format":false,"excerpt":"\u00a0 \u201cNADA COMO UM DIA AP\u00d3S O OUTRO\u201d (Autoria: S\u00f4nia Moura) \u00a0Todos sabiam que ela era uma \u201cSANTINHA DO PAU OCO\u201d e, por ser \"SEM EIRA NEM BEIRA\", colocou na cabe\u00e7a que s\u00f3 iria se entregar a um homem endieirado, todos desacreditavam que ela conseguisse, afinal, ela n\u00e3o era l\u00e1\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Contos&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":1076,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1076","url_meta":{"origin":2535,"position":4},"title":"O EF\u00caMERO E O ETERNO","date":"27 dezembro 2009","format":false,"excerpt":"\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 O EF\u00caMERO E O ETERNO\u00a0 (Autoria: S\u00f4nia Moura) \u00a0 \u00a0 \u00b7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00b7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ef\u00eamero foi aquele beijo que a menina-mo\u00e7a trocou no baile h\u00e1 tanto tempo.\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Blogroll&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":1562,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=1562","url_meta":{"origin":2535,"position":5},"title":"FUTURISMO","date":"21 abril 2011","format":false,"excerpt":"\u00a0 FUTURISMO (Autoria: S\u00f4nia Moura) Chamava-se Marinete, diziam que o pai, homem que amava as letras, lhe dera este nome em homenagem ao poeta Filippo Marinetti. Desde sempre a menina mostrava estar al\u00e9m do seu tempo. Quando beb\u00ea e em crian\u00e7a era at\u00e9 engra\u00e7adinho ver as perip\u00e9cias dela, mas, ao\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Contos&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]}],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2535"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2535"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2535\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2539,"href":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2535\/revisions\/2539"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}