{"id":2259,"date":"2015-05-09T12:06:05","date_gmt":"2015-05-09T15:06:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=2259"},"modified":"2015-05-09T12:06:05","modified_gmt":"2015-05-09T15:06:05","slug":"do-folhetim-ao-folhetim-entretenimento-educacao-ideologia-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=2259","title":{"rendered":"Do folhetim ao folhetim- Entretenimento \u2013 educa\u00e7\u00e3o- ideologia"},"content":{"rendered":"<p><em>Do folhetim ao folhetim- Entretenimento \u2013 educa\u00e7\u00e3o- ideologia <\/em><\/p>\n<p>(S\u00f4nia Moura \u2013 UFF)<a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bandflor.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2261\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/bandflor.jpg\" alt=\"bandflor\" width=\"284\" height=\"177\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong><u>CONCLUS\u00c3O<\/u><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A quest\u00e3o do nacionalismo \u00e9 a quest\u00e3o da igualdade, da polariza\u00e7\u00e3o do eu e do outro, do universal e do particular, por isto, a idealiza\u00e7\u00e3o pode servir para destruir nossas ambiguidades: mesti\u00e7agem e primitivismo, base de um povo que se formou em meio a culturas bem divergentes \u2013 a primitiva e a europ\u00e9ia. Colonizados, amb\u00edguos e tendo na bagagem muitos recalques, muitas quest\u00f5es conflitantes e dif\u00edceis de serem resolvidas, mas que por conta de um Estado Novo ficaram escondidas, adormecidas&#8230;por um bom tempo.<\/p>\n<p>Observa-se que com o Romantismo tentamos al\u00e7ar voos her\u00f3icos, hiperb\u00f3licos, metaf\u00f3ricos indo \u00e0 busca de nossa identidade, rumo ao nacional, mas n\u00e3o fomos muito longe; nossas asas foram podadas pela divis\u00e3o da mem\u00f3ria afetiva e secular que nos jogava para o presente e para o passado que tanto quer\u00edamos naquele momento, mas o ufanismo exagerado cegava-nos e atava-nos os p\u00e9s e, assim, nosso olhar se voltava para o particular.<\/p>\n<p>Quer\u00edamos a liberdade, mas ainda n\u00e3o a d\u00e1vamos a muitos que aqui estavam, n\u00e3o quer\u00edamos os dominadores, mas nossa arte estava nas m\u00e3os de outros que, doravante, desempenhariam o mesmo papel, quer\u00edamos exclusividade de fatos que s\u00e3o universais. Mesmo com as asas podadas conseguimos nossos primeiros voos, conquistamos algum espa\u00e7o, fizemos e nos perpetuamos nas artes e a hist\u00f3ria nos tem em sua conta.<\/p>\n<p>Embalados pelo desejo nost\u00e1lgico queremos, a qualquer custo, encontrar nossas origens. Valorizando o passado, elegemos um her\u00f3i, precisamos deste reflexo no espelho do passado, porque s\u00f3 assim teremos futuro, e no futuro, quem diria, revolver\u00edamos novamente esta gaveta \u00e0 procura do retrato perdido.<\/p>\n<p>A ideia latente da identidade est\u00e1 no \u00edntimo, n\u00e3o \u00e9 superficial, \u00e9 a p\u00e1tria e sua representa\u00e7\u00e3o, rejeitamos pois, aqueles que querem nos roubar a p\u00e1tria.<\/p>\n<p>A nega\u00e7\u00e3o Rom\u00e2ntica das influ\u00eancias lusitanas em nossa cultura atesta que esta avers\u00e3o consciente esconde, na verdade, uma atra\u00e7\u00e3o inconsciente por ra\u00edzes culturais e afetivas que j\u00e1 se entrela\u00e7aram com as nossas, e o nosso desejo inflamado de total segrega\u00e7\u00e3o vira utopia.<\/p>\n<p>Debaixo do v\u00e9u di\u00e1fano do nacionalismo exuberante, exaltado, moderado ou pol\u00edtico, escondem-se as marcas vivas do colonizador e da coloniza\u00e7\u00e3o, pela presen\u00e7a da velha \u2013 nova classe dominante.<\/p>\n<p>Evidentemente, a nova classe dominante \u00e9 a que contesta o colonizador, \u00e9 a que prop\u00f5e mudan\u00e7as, enfim, as classes dominantes precisam sempre manter a classe.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pula de um p\u00f3lo ao outro sem trope\u00e7ar na <strong>hist\u00f3ria<\/strong>, a m\u00e1gica do apagamento ainda n\u00e3o foi criada, assim, os Rom\u00e2nticos, atra\u00eddos pelo passado bem distante, despertados pela curiosidade, se esquecem de que em seu passado mais recente, se alarga a hist\u00f3ria e os portugueses j\u00e1 est\u00e3o inscritos nela, se esquecem de que eles, os Rom\u00e2nticos, est\u00e3o fabricando o futuro.<\/p>\n<p>Para os Modernistas o futuro \u00e9 t\u00e3o (e, \u00e0s vezes, ) mais atraente que o passado, no entanto a vedete da hist\u00f3ria \u00e9 o tempo presente. A nova Era (Era Vargas) nos traz o passado vestido com as roupas do presente, o passado e o presente se mesclam, assim, o Estado prestigia a arte moderna, prestigia o cinema, e, atrav\u00e9s das artes e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, o regime pol\u00edtico faz a conex\u00e3o: individual\/coletivo.<\/p>\n<p>Neste novo tempo precisamos olhar o passado, pois no presente temos um pai que nos protege e protege as artes, estamos todos sob a tutela estatal.<\/p>\n<p>O pa\u00eds cheio de contrastes, amolda-se \u00e0s novas formas da express\u00e3o deste presente renovante que nos foi entregue dentro do caldeir\u00e3o em ebuli\u00e7\u00e3o de uma guerra e de muitas mudan\u00e7as pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Era preciso correr, t\u00ednhamos o autom\u00f3vel; era preciso correr, o tempo \u00e9 fugaz; era preciso correr, t\u00ednhamos a m\u00e1quina. Tudo est\u00e1 acelerado, \u00e9 preciso viajar. Burgueses, industriais, os bar\u00f5es (principalmente do caf\u00e9), os burgueses intelectuais, o nordestino, o professor, o padre e o imigrante se esbarram nas cal\u00e7adas, \u00e9 preciso \u201cenlouquecer\u201d; \u00e9 preciso ser anarquista; \u00e9 preciso conquistar; \u00e9 preciso (re)descobrir o Brasil; \u00e9 preciso inovar, o nosso estado \u00e9 um Estado Novo, portanto, sejamos Modernos, \u00e9 preciso modernizar.<\/p>\n<p>Enfim, \u201centre parentes\u201d, continuamos atados por elos da mesma corrente, h\u00e1 o \u201cl\u00e1\u201d majestoso, mas h\u00e1 tamb\u00e9m o \u201caqui\u201d que \u201cl\u00e1\u201d est\u00e1; n\u00e3o h\u00e1 como negar,\u00a0 <em>\u201cMinha terra tem palmeiras onde canta o sabi\u00e1<\/em>\u201d, e tamb\u00e9m tem Macuna\u00edma que \u00e9\u00a0 \u00edndio, branco, negro, feiticeiro, canibal, colonizador e imigrante.<\/p>\n<p>Com o bailar do tempo, a forma muda, mas a ess\u00eancia fica porque <em>\u201cSou filho das selvas, nas selvas cresci, Guerreiros, descendo da tribo Tupi\u201d, <\/em>eu descendo <em>\u201cdas legi\u00f5es de homens negros como a noite\u201d<\/em>, sou Iracema e sou Ceci, sou Peri e sou Martim, sou trabalhador, sou brasileiro, enfim <em>\u201cEu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta..<\/em> <strong>Mas um dia afinal eu toparei comigo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do folhetim ao folhetim- Entretenimento \u2013 educa\u00e7\u00e3o- ideologia (S\u00f4nia Moura \u2013 UFF) CONCLUS\u00c3O \u00a0A quest\u00e3o do nacionalismo \u00e9 a quest\u00e3o da igualdade, da polariza\u00e7\u00e3o do eu e do outro, do universal e do particular, por isto, a idealiza\u00e7\u00e3o pode servir para destruir nossas ambiguidades: mesti\u00e7agem e primitivismo, base de um povo que se formou em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false},"categories":[6],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pmZuW-Ar","jetpack-related-posts":[{"id":2253,"url":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=2253","url_meta":{"origin":2259,"position":0},"title":"Do folhetim ao folhetim- Entretenimento \u2013 educa\u00e7\u00e3o- ideologia","date":"3 maio 2015","format":false,"excerpt":"Do folhetim ao folhetim- Entretenimento \u2013 educa\u00e7\u00e3o- ideologia (S\u00f4nia Moura \u2013 UFF) \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 PARTE I - 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