{"id":2256,"date":"2015-05-08T12:08:11","date_gmt":"2015-05-08T15:08:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=2256"},"modified":"2015-05-08T12:08:11","modified_gmt":"2015-05-08T15:08:11","slug":"do-folhetim-ao-folhetim-entretenimento-educacao-ideologia-parte-iii","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=2256","title":{"rendered":"Do folhetim ao folhetim-  Entretenimento \u2013 educa\u00e7\u00e3o- ideologia (Parte III)"},"content":{"rendered":"<p><em><\/em><\/p>\n<p><em>Do folhetim ao folhetim<a href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/brasilll.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2257\" src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/brasilll-300x236.jpg\" alt=\"brasilll\" width=\"300\" height=\"236\" srcset=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/brasilll-300x236.jpg 300w, http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/brasilll.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>(S\u00f4nia Moura \u2013 UFF)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Parte III<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h1>II &#8211; LI\u00c7\u00d5ES DE MESTRES (escritores e cineasta)<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, chegamos a Humberto Mauro e \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o <strong>ARGILA, <\/strong>filme que tem a forte marca do <strong><em>nacionalismo<\/em><\/strong> \u2013 redesenhado pelo prisma pol\u00edtico da era Vargas e pelo olho m\u00e1gico do cineasta.<\/p>\n<p>Caracter\u00edsticas que comp\u00f5em e influenciam autores e cineastas no registro art\u00edstico do nacionalismo e de seu car\u00e1ter ideol\u00f3gico, aparecer\u00e3o expostas tanto pelos segmentos liter\u00e1rios (Romantismo\/ Modernismo)\u00a0 como pelo\u00a0 Cinema e\u00a0 ir\u00e3o se confrontar, defrontar ou se identificar\u00a0 a todo momento.<\/p>\n<p>S\u00e3o discursos (o liter\u00e1rio, o cinematogr\u00e1fico e, contemporaneamente, o televisivo) pontuados pela produ\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio social, reprisando imagens retiradas do ambiente social e, assim <em>\u201ca ideologia as reproduz, mas transformando-as num conjunto coerente, l\u00f3gico e sistem\u00e1tico de id\u00e9ias que funcionam em dois registros: representa\u00e7\u00f5es da realidade e como normas e regras de conduta e comportamento\u201d<\/em>[CHAU\u00cd, Marilena de Souza. \u201cO discurso competente\u201d. In: <u>Cultura e Democracia.<\/u> S\u00e3o Paulo: Cortez, 1989, P.175.<strong>)<\/strong><\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o das ra\u00edzes, mostrada no filme <strong>Argila,<\/strong> \u00e9 uma\u00a0 releitura f\u00edlmica sobre o nacionalismo,\u00a0 muito pr\u00f3xima da vis\u00e3o Rom\u00e2ntica a qual\u00a0 promove a volta ao nosso passado hist\u00f3rico, tendo como principal \u201cator\u201d o \u00edndio e sua cultura contrapondo-se \u00e0 cultura\u00a0 europ\u00e9ia, especialmente \u00e0 cultura do\u00a0 colonizador portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o filme de Humberto Mauro se aproxima da vis\u00e3o nacionalista do Modernismo: o \u00edndio n\u00e3o est\u00e1 idealizado e sim integrado ao meio social e natural \u2013 pois &#8211; ,\u00a0 embora no Estado Novo se privilegiasse a personifica\u00e7\u00e3o do novo, da originalidade, o passado n\u00e3o \u00e9 descartado, porque o passado \u00e9 vivo, o passado \u00e9 novo, e o cinema, ent\u00e3o,\u00a0 coloca em cena estes dois tempos: presente e passado.<\/p>\n<p>No filme, a imagem do\u00a0 \u00edndio (ou da\u00a0 caricatura dele) fomentando o desejo da \u201calma nacional\u201d, investimento ideol\u00f3gico do Estado Novo, coaduna-se com a \u201ccor local\u201d do Romantismo e com o \u201cTupi or not Tupi\u201d do Modernismo, \u00e9 na verdade a imagem dos homens novos \u2013 representa todos os brasileiros, representa o governo: Vargas: <em>Homo Magus<\/em> que domina e encarna as for\u00e7as inconscientes da \u201calma nacional\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil Rom\u00e2ntico (1<sup>a<\/sup>. gera\u00e7\u00e3o &#8211; prosa), \u201cn\u00e3o havia escravid\u00e3o, n\u00e3o havia conflitos, n\u00e3o havia problemas sociais\u201d. Em <strong>Argila <\/strong>os problemas sociais, especialmente, no que tange \u00e0s quest\u00f5es trabalhistas, j\u00e1 est\u00e3o \u201cresolvidos\u201d, tudo e todos (con)vivem em harmonia. \u00c9 desenhada a unifica\u00e7\u00e3o das esferas pol\u00edticas e sociais, seguindo o comando ideol\u00f3gico do regime pol\u00edtico vigente. Em ambos os casos, ao n\u00e3o falar dos problemas sociais e pol\u00edticos, o que se faz \u00e9 um recorte subjetivo e idealizado da realidade brasileira, da p\u00e1tria perfeita.<\/p>\n<p>A Era Vargas trabalha com a imagem do nacionalismo n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s da imagem cinematogr\u00e1fica, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s da imagem constru\u00edda pelo discurso escrito ou falado. O regime pol\u00edtico de 37 apropriou-se do discurso Rom\u00e2ntico e Modernista da literatura, moldou-o \u00e0s suas ideologias pol\u00edticas, que\u00a0 transparecer\u00e3o com clareza no filme <strong>Argila &#8211; <\/strong>\u00a0fio condutor a\u00a0 multiplicar, certamente, os ideais e as id\u00e9ias do Estado Novo.<\/p>\n<p>Outro ponto a ser ressaltado na quest\u00e3o do aproveitamento dos discursos liter\u00e1rios pelo cinema, neste filme, \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da mulher Rom\u00e2ntica \u2013 inating\u00edvel, inacess\u00edvel \u2013 e a mulher do Modernismo \u2013 din\u00e2mica, independente.<\/p>\n<p>Reunindo estas caracter\u00edsticas, a personagem principal, no filme, \u00e9 <em>patroa (Luciana)<\/em> \u2013 recheio perfeito para a marca\u00e7\u00e3o de ideologia do trabalhismo.Uma patroa (mulher) que \u00e0s avessas cumpre o papel do homem Rom\u00e2ntico, ao renunciar ao seu amor,\u00a0 capaz de abrir m\u00e3o de um grande amor para n\u00e3o fazer a pobre menina (a noiva de Raul ) sofrer, para n\u00e3o desagregar a t\u00e3o bem constru\u00edda fam\u00edlia brasileira.<\/p>\n<p>Sendo uma\u00a0 mulher moderna ( e a vis\u00e3o Modernista), poderemos v\u00ea-la como:\u00a0 mulher liberada (\u201cat\u00e9\u201d fumava),\u00a0 patroa, empres\u00e1ria e, tamb\u00e9m \u00e9 constru\u00edda\u00a0 a imagem da m\u00e3e dos pobres (personificando e reprisando a imagem de pai dos pobres\u2013 Get\u00falio Vargas).<\/p>\n<p>O trabalhador e o trabalho, sempre enaltecidos durante o per\u00edodo Vargas, s\u00e3o mostrados em a\u00e7\u00e3o, sempre em clima de alegria e de harmonia com o ambiente, com o patronato e principalmente, consigo mesmo\u00a0 &#8211; com\u00a0 o pr\u00f3prio trabalhador.<\/p>\n<p>Falando sobre um\u00a0 Brasil \u201c\u201dcontente\u201d\u201d, privilegiando um\u00a0 modelo de rela\u00e7\u00f5es sociais e trabalhistas, o filme <strong>Argila <\/strong>desenha o Estado atrav\u00e9s de suas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas, para tal, Humberto Mauro usa o pr\u00f3prio cotidiano,\u00a0 afastando dele qualquer forma de ambiguidades e conflitos, que s\u00e3o desfeitos pelo olhar diretor, pelo olhar\u00a0 do poder, pelo olhar do escritor e concomitantemente e do espectador desavisado.<\/p>\n<p>A natureza brasileira,\u00a0 exaltada pelos Rom\u00e2nticos, \u00e9 a\u00a0 representa\u00e7\u00e3o da beleza brasileira;\u00a0 \u00e9 apresenta\u00e7\u00e3o do Brasil;\u00a0 \u00e9 cen\u00e1rio e com os Modernistas, a natureza\u00a0 dialoga,\u00a0 ironiza, participa. No filme <strong>Argila<\/strong>, a natureza desempenha o duplo papel de\u00a0 valoriza\u00e7\u00e3o do nacional e\u00a0 de cen\u00e1rio, h\u00e1, portanto,\u00a0 a reprise da vis\u00e3o Rom\u00e2ntica deste elemento.<\/p>\n<p>Ironia, humor, piada e par\u00f3dia indicam o senso cr\u00edtico dos Modernistas, que \u201czombam\u201d da arte tradicional e das figuras art\u00edsticas\u00a0\u00a0 eminentes do passado. Humberto Mauro usa o humor para mostrar o olhar zombeteiro que o estrangeiro lan\u00e7a sobre o patrim\u00f4nio \u00e9tnico nacional, quando o diplomata se refere aos iletrados como \u201cbugres\u201d ou quando o homem letrado\u00a0 desvaloriza a l\u00edngua\u00a0 \u201cnacional\u201d, a l\u00edngua do povo, \u00a0t\u00e3o valorizada por Rom\u00e2nticos e Modernistas, e pela ideologia da Era Vargas &#8211; cada um a seu modo.<\/p>\n<p>Do <strong>folhetim<\/strong> \u2013 precursor do movimento Rom\u00e2ntico, \u201cnovelas\u201d publicadas diariamente em cap\u00edtulos, nos jornais &#8211; ao <strong>folhetim <\/strong>televisivo; a difus\u00e3o do nacionalismo, a busca incessante da identidade continua a nos envolver, no entanto, como afirma Ant\u00f4nio C\u00e2ndido: <em>\u201cO car\u00e1ter nacional n\u00e3o se procura, n\u00e3o se inventa, n\u00e3o se escolhe; nasce espontaneamente, bebe-se com o leite da vida, respira-se no ar da p\u00e1tria\u201d. <\/em>As ideologias, o que \u00e9 transformado em senso comum, os esfor\u00e7os das elites, dos poderosos, a se confirmarem as palavras do Mestre Ant\u00f4nio C\u00e2ndido, lograr\u00e3o \u00eaxitos perenes?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do folhetim ao folhetim (S\u00f4nia Moura \u2013 UFF) \u00a0 Parte III \u00a0 II &#8211; LI\u00c7\u00d5ES DE MESTRES (escritores e cineasta) &nbsp; &nbsp; Assim, chegamos a Humberto Mauro e \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o ARGILA, filme que tem a forte marca do nacionalismo \u2013 redesenhado pelo prisma pol\u00edtico da era Vargas e pelo olho m\u00e1gico do cineasta. 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