{"id":2059,"date":"2014-03-03T07:44:03","date_gmt":"2014-03-03T11:44:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=2059"},"modified":"2014-06-18T21:50:34","modified_gmt":"2014-06-19T01:50:34","slug":"irreal-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/?p=2059","title":{"rendered":"(IR)REAL"},"content":{"rendered":"<p><a title=\"(IR)REAL\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/mascarazorro.jpg\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/mascarazorro.jpg\" alt=\"(IR)REAL\" \/><\/a><\/p>\n<p>(IR)REAL (Autoria: S\u00f4nia Moura)<\/p>\n<p>Numa estrada deserta, encontrei um mascarado. Assustei-me, n\u00e3o por medo, assustei-me pelo deserto da estrada e pela incompatibilidade da data e da m\u00e1scara. Era julho e n\u00e3o era carnaval.<br \/>\nOlhando-me por tr\u00e1s de sua m\u00e1scara dourada como o sol do meio-dia, a voz saiu-lhe calma e doce como o sumo de uma rom\u00e3 madura a escorrer pela boca, a ado\u00e7ar os l\u00e1bios, a enternecer a l\u00edngua.<br \/>\n&#8211; Aonde vais? Fica comigo.<br \/>\nComo est\u00e1vamos s\u00f3 n\u00f3s dois e o deserto da estrada, claro que o mascarado dirigia-se a mim e prontamente respondi:<br \/>\n&#8211; Vou em busca de todos os meus sonhos!<br \/>\nImediatamente ele retrucou:<br \/>\n&#8211; Ir\u00e1s se arriscar em um porto qualquer? Os portos dos sonhos s\u00e3o t\u00e3o nebulosos ou seriam di\u00e1fanos?<br \/>\n&#8211; N\u00e3o sei, disse eu, mas quero ir para o para\u00edso, \u00e9 l\u00e1 que vivem meus sonhos.<br \/>\n&#8211; Ah! por que ir para t\u00e3o longe e me deixar aqui, sozinho a contigo sonhar&#8230;<br \/>\n&#8211; Quem \u00e9 voc\u00ea?<br \/>\n&#8211; Sou o teu sonho, sou tua estrela, teu amor&#8230;<br \/>\n&#8211; Tira a m\u00e1scara, por favor, por favor!<br \/>\nEle come\u00e7ou a cantar uma can\u00e7\u00e3o que falava de beijos trocados num quarto de motel, de luzes e espelhos a multiplicar o par de amantes, das juras de amor a nos segurar, do sexo e dos abra\u00e7os que burlavam qualquer forma de desencanto.<br \/>\nTerminada a can\u00e7\u00e3o, ele me falou:<br \/>\n&#8211; \u00c9 por isto que eu canto.<br \/>\n&#8211; Quem \u00e9 voc\u00ea, de onde vem este seu encanto?<br \/>\n&#8211; Dos teus sonhos, ele disse.<br \/>\n&#8211; Dos meus sonhos? Mas estou indo ao encontro deles.<br \/>\n&#8211; Para qu\u00ea, se podes embarcar no navio dos sonhos, agora? Disse o mascarado, deixando o sorriso ultrapassar a m\u00e1scara.<br \/>\n&#8211; Que navio? N\u00e3o estamos no mar.<br \/>\nMais uma vez, o sorriso pulou daquele rosto oculto, fazendo que pensasse ter visto um rosto sem m\u00e1scara.<br \/>\n&#8211; Sabes que eu te amo muito, muito, muito. Por que n\u00e3o acreditas em mim?<br \/>\nAturdida e perdida no meio da estrada deserta, no meio do sonho deserto, pela primeira vez, vejo flores ladeando a estrada, flores amarelas, como a m\u00e1scara e como o sol. S\u00f3 o sorriso que saltava da m\u00e1scara era cor da prata, brilhava mais que a luz daquele olhar suplicante.<br \/>\n&#8211; Meu Deus, quem \u00e9 este homem? Por que de mim se esconde? Pensei.<br \/>\n&#8211; Tenho tanta saudade de ti, Pequenina.<br \/>\n&#8211; Oh! Deus, ser\u00e1 que \u00e9 voc\u00ea, aquele a quem procuro a tanto tempo&#8230;<br \/>\n&#8211; Podes vir, meu anjo, eu sempre serei teu, s\u00f3 teu, de mais ningu\u00e9m. Naveguei por tantos mares, conheci portos e muitas mulheres, mas nunca te esqueci. Finalmente te encontro no meio deste nada, logo voc\u00ea que para mim \u00e9 tudo&#8230;<br \/>\nUma chuva fina come\u00e7ou a molhar nossos rostos, nossos corpos e nossos sonhos. Agora eram a flores que sorriam.<br \/>\nA chuva aumentou, a m\u00e1scara foi-se diluindo, diluindo e aquele rosto antigo foi-se mostrando lentamente a mim, como uma flor a desabrochar no meio do deserto.<br \/>\nVi aquele rosto t\u00e3o saudoso, entreguei-me a seus abra\u00e7os, esqueci-me da vida e s\u00f3 a\u00ed percebi que eu estava a sonhar&#8230;<br \/>\nMas consolei-me porque mesmo sendo apenas um sonho, algo irreal, a s\u00fabita presen\u00e7a daquele mascarado, agora t\u00e3o real para mim, deu-me a certeza de que, em toda a minha vida, nunca mais iria sentir um amor t\u00e3o real.<\/p>\n<p>(Do livro: S\u00fabitas Presen\u00e7as de S\u00d4NIA MOURA)<\/p>\n<p><a title=\"(IR)REAL\" href=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/amor-e-desamor.jpg\"><img src=\"http:\/\/www.soniamoura.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/amor-e-desamor.jpg\" alt=\"(IR)REAL\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(IR)REAL (Autoria: S\u00f4nia Moura) Numa estrada deserta, encontrei um mascarado. 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